Leia a “Manchete” que fotografou o 31 de março de 1964

Ditadura, ditabranda, revolução ou golpe. Na China, em Cuba, na Rússia ou no Brasil, as viradas de página da história, em perspectiva, são pratos servidos à la carte. Ao gosto do freguês. O aniversário do golpe de 64, sob o governo Bolsonaro, evoca reflexões.

Mas nada como os fatos (Sua Excelência, o fato, como dizia Ulysses Guimarães), para envergonhar os mais entusiasmados. Esta "edição histórica" da revista Manchete, agride as crenças do Flamengo e do Fluminense. Ela mostra, por exemplo, que a maioria dos protagonistas políticos de então apoiou a derrubada do governo João Goulart. Mas ela não esconde que foi um golpe.

O que aconteceu depois, só os mais velhos lembram. A ala liberal gosta de lembrar que ao impedir o bloqueio do comunismo (ou algo parecido) impediu que o Brasil se tornasse uma Cuba. Mas não gosta de admitir que os militares devolveram o poder aos civis quando a inflação beirava os 80% ao mês. A perversidade do autoritarismo é interpretada como necessidade por bolsonaristas ou como falta de humanidade por seus antagonistas.

Seja o que for, um passeio pelas páginas da Manchete ajuda a entender melhor o que foi o 31 de março de 1964 (que, na verdade, aconteceu no dia 1º de abril).

Clique aqui para ler a edição histórica.

O IDEÓLOGO disse:
31 de março de 2019 às 07:44

Em 1964, o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) esteve ao lado dos militares e apoiou o fim de um governo eleito por mais de 90% da população brasileira, quando João Goulart foi expulso do Poder. Foram anos de ditadura, violência e uma luta renhida para que a democracia fosse instalada, novamente.
Lembro que, o apoio maciço dos advogados ao "Ancien Regime Militaire" ocorreu pelo fato de a maioria dos referidos profissionais possuírem posições políticas e jurídicas reacionárias. As exceções são aqueles que, diretamente, lutaram contra o aludido regime, como brilhante Raymundo Faoro. A grande maioria navegou as águas da mediocridade, pouco se preocupando com a situação política do país, em uma alienação que surpreenderia o próprio Antônio Gramsci, M. Robespierre e Carl Schmitt. Ou seja, os advogados permaneceram, para utilizar uma expressão popular "em cima do muro", restritos ao recebimento de honorários, relegando ao oblívio os interesses dos clientes e da própria Nação. Atualmente, sofrem com a restrição do Mercado Econômico, e enfrentam, cada vez mais, uma crise de identidade, na qual muitos se encontram na mesma situação dos operários do século XIX, realizando audiências por R$ 50,00 e tomando o café da manhã na própria sala da OAB, enquanto uma minoria dirige escritórios no Brasil, tratando os componentes como se fossem escravos.
O fim da OAB está próximo. O Messias pretende revogar o artigo 133 da CR/88, uma excrescência legal e econômica, como disse o "Bob Fields" (o brilhante economista Roberto Campos).

Georgepai disse:
01 de abril de 2019 às 09:22

Um tiro no pé esse artigo e a disponibilização da revista Manchete uma vez que este site adota uma postura de vies de esquerda.
Gostei da edição divulgada pois na verdade mostra que no movimento de 64 até as mulheres ganharam vez para lutar pelo seu direito de voto!
Por isso ao colega que fez o comentário anterior alegando que o governo naquela época foi eleito com 90% de votos da população brasileira você está totalmente equivocado e absurdamente fora da realidade.

ABCD disse:
01 de abril de 2019 às 09:30

Uma vez que a ConJur recomenda ler a edição da revista "Manchete", eu recomendo, como contraponto, a leitura do livro "1964. O Elo Perdido. O Brasil nos Arquivos do Serviço Secreto Comunista" e que se assista ao documentário "1964: O BRASIL ENTRE ARMAS E LIVROS". Uma coisa é certa: o regime militar (contrarrevolução) teve que agir em face do terrorismo que ascendia com a intenção de implantar no Brasil a ditadura do proletariado, como já declararam Fernando Gabeira e Eduardo Jorge.

Ivo Lima disse:
01 de abril de 2019 às 09:50

Página 13 da edição da Manchete: ""O General José Lopes Bragança, cujo irmão foi assassinado pelos comunistas na intentona de 35 (....)"

Basta isso para arruinar a falácia da esquerda sobre 'golpe'. Foi contragolpe, e acabou.

AC-RJ disse:
01 de abril de 2019 às 12:51

É inconcebível que este site tenha caído tanto de padrão a ponto de emitir um artigo tão desconexo com a realidade quanto este! Para não me delongar, vou me ater a apenas uma das frases grosseiramente equivocadas: "Mas não gosta de admitir que os militares devolveram o poder aos civis quando a inflação beirava os 80% ao mês". O último governo militar terminou em março de 1985. Nesse mês, os índices de inflação foram: 9,94% (índice INPC, medido pelo IBGE), 12,20% (índice ICV, medido pelo DIEESE) e 12,71% (índice IGP-DI, medido pela Fundação Getúlio Vargas). Daí, se conclui que a frase da matéria é falsa. Melhor esclarecendo, os maiores índices de inflação do Brasil medidos pelos citados institutos de pesquisa ocorreram entre 1987 e 1994, durante os governos civis. É altamente recomendável que os editores do Conjur pesquisem a História para não passarem vergonha.

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