O ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (MDB) afirmou em depoimento que pagou propina ao ex-procurador-geral de Justiça do estado Cláudio Lopes em troca de proteção judicial. Com o mesmo objetivo, Cabral disse ter nomeado membros do MP para desembargador do Tribunal de Justiça local, informa a Globonews.
Os citados afirmam que as declarações de Cabral são inverídicas e fruto de desespero por ele já ter sido condenado a quase 200 anos de prisão.

Alex Ferro/ Rio 2016
Segundo o ex-governador, Lopes votou pelo arquivamento de uma investigação no Conselho Superior do MP-RJ por corrupção contra ele em troca de apoio para assumir o comando da instituição. Depois disso, Cabral disse ter pago R$ 200 mil ao procurador. Após Lopes tornar-se procurador-geral de Justiça, em 2009, teria passado a receber uma mesada de R$ 150 mil. Em troca, o MP-RJ blindaria o então governador.
A defesa de Cláudio Lopes afirmou à Globonews que as declarações de Cabral não devem ser levadas a sério. Isso porque ele já apresentou diversas versões para os mesmos fatos, muitas vezes em contradição ao que disseram outros acusados e testemunhas. Além disso, os advogados de Lopes apontam que, desesperado e em busca de diminuir sua pena, Cabral pode dizer qualquer coisa.
Lopes foi preso preventivamente em novembro com base no depoimento do delator Carlos Miranda de que ele recebeu, de 2009 a 2012, R$ 150 mil mensais de propina. Em dezembro, o ministro Sebastião Reis Júnior, do Superior Tribunal de Justiça, revogou a prisão por entender que não havia elementos concretos que justificassem a detenção, até porque ele estava afastado do MP-RJ.
Indicação de desembargadores
No mesmo depoimento, Sérgio Cabral contou ter nomeado dois desembargadores — Marcos André Chut e Sérgio Nogueira de Azeredo — ligados a outro ex-procurador-geral do Rio, Marfan Vieira, em troca do arquivamento da investigação no episódio que ficou conhecido como a "farra dos guardanapos". Em 2009, Cabral, integrantes de seu governo e empresários foram fotografados com guardanapos na cabeça durante um jantar em Paris.
Marfan Vieira, em nota enviada à Globonews, afirmou que o depoimento de Cabral é contraditório e falso. "As imputações formuladas pelo ex-governador não coincidem com a cronologia dos fatos narrados e não merecem qualquer credibilidade."
O desembargador Sérgio Nogueira de Azeredo destacou que as datas e os fatos citados por Cabral não batem, o que demonstra que suas declarações são falsas. O magistrado também disse que o ex-governador já foi condenado a quase 200 anos de prisão e agora, "de forma leviana e irresponsável, arvora-se agora em arauto da moralidade para fazer, impunemente, inúmeras afirmações mentirosas e imputações caluniosas, obviamente sem qualquer lastro probatório".
Já o desembargador Marcos Chut ressaltou que o processo de escolha e sua posterior nomeação como desembargador ocorreram de maneira correta. Por isso, ele disse “repudiar veementemente” as declarações de Sérgio Cabral.
eu até achava que tudo não passava de desespero, até ver as defesas...
A melhor tese é de que as datas mencionadas por Cabral não batem, que a cronologia é contraditório...
Agora acho que Cabral, realmente desesperado, busca na delação de fatos que efetivamente aconteceram algum benefício...
Aliás, somente uma propina poderia explicar o arquivamento da festa dos guardanapos...
O Brasil foi descoberto por Pedro Álvares Cabral e o governador Sérgio Cabral Filho descobriu o Rio de Janeiro.
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