
Facilitar a governabilidade, aumentar a representatividade para que o eleitor e o político eleito se identifiquem melhor e baratear os custos das eleições. São esses os ideais do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, que assume em maio a Presidência do Tribunal Superior Eleitoral.
Em entrevista exclusiva à TV ConJur, no último dia 10, o ministro propõe uma reforma do sistema eleitoral que seja capaz de reduzir o descolamento entre a classe política e a sociedade.
"Acho que temos um sistema eleitoral muito ruim, que extrai o pior das pessoas. Todos têm em si o bem e o mal. É da condição humana. O processo civilizatório existe para que as pessoas reprimam o mal e potencializem o bem. Acho que o sistema político brasileiro em muitos momentos faz exatamente o contrário: ele reprime o bem e potencializa o mal. É um sistema muito caro, de baixa representatividade e que dificulta a governabilidade", diz.
O ministro explicou quais propostas poderiam elevar o nível do debate político brasileiro, e diz esperar que o Congresso se empenhe nessa reforma. "Tabulamos tudo de bom que já tinha sido aprovado no Senado e adaptamos com algumas modificações, e apresentamos uma proposta ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia [DEM-RJ], que disse que ia se empenhar pela tramitação do projeto."
Desde o último dia 18 a TV ConJur veicula em seu canal no YouTube trechos da entrevista exclusiva concedida à revista eletrônica Consultor Jurídico, no último dia 10.
Leia aqui e aqui as entrevistas já publicadas e veja abaixo o quarto vídeo da série:
Juiz Barroso: comece pelo que está perto do senhor. Comece propondo uma investigação sobre os gabinetes do STF que distribuem senhas para soltar corruptos.
As análises do Ministro são brilhantes.
Será que agora vai ? Com um presidente do TSE que enxerga os problemas e quer fazer história mudando e aperfeiçoando o sistema ? Vamos torcer para isso.
Esperamos que, na pessoa do Min. Barroso, o nível do Supremo possa fazer jus ao nome.
Cada vez mais o Judiciário cai no descrédito da sociedade e isso tem de ser revertido.
A democracia no Brasil é uma farsa. É uma engenharia que vem de longe, desde a construção de Brasília, que levou o Poder Federal para o meio do mato, apartando-se do povo, que ficava nos calcanhares dos políticos, vigiando-os de perto e de forma constante. O Rio ficou às moscas e os políticos, no paraíso, vendo o povão de binóculos.
E as crises foram sendo montadas, com um objetivo precípuo: o golpe. Juscelino mal se aguentou na presidência e Jânio acabou renunciando, após uma bebedeira. Os milicos impediram a posse de João Goulart, que estava na China negociando diretamente com Mao Tsé Tung, o que era mal visto pelos americanos, que intermediavam os negócios do Brasil com os asiáticos. Sabiam? O Brasil não podia negociar diretamente com a China: as vendas e compras eram tuteladas pelos ianques.
Para que Jango pudesse assumir, mudaram o regime político do País que passou para o parlamentarismo, ficando o banqueiro Tancredo Neves como primeiro-ministro. Após plebiscito, a duras penas, restabeleceu-se o regime presidencial, mas, logo depois, a CIA deu o golpe de 64, com o apoio das nossas Forças Armadas.
Vieram os vinte e um anos de chumbo grosso, durante o qual os milicos deitaram e rolaram, a pretexto de combater o comunismo, cujo perigo era (e é) inexistente, mas, mesmo antes de Marx nascer, o Exército Brasileiro usava essa bandeira. Nesse período infame, muitos patriotas foram assassinados, torturados, mulheres estupradas, o País saqueado e os cidadãos, durante muito tempo, ficaram sem eleger seus governantes. A esquerda foi duramente reprimida e quase desapareceu; os jornais e revistas independentes foram fechados.
Hoje, não há esquerda, nem oposição e as eleições são monitoradas pelas urnas eletrônicas, que não oferecem segurança nenhuma.
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