Ex-promotora que tentou acobertar colega é processada nos EUA

Em ação criminal movida pelo procurador-geral da Geórgia (EUA), Chris Carr, um grand jury denunciou a ex-promotora Jackie Johnson, que chefiou a Promotoria de Brunswick, com as acusações de crime por violar seu juramento profissional e de contravenção penal por obstruir a investigação policial de um homicídio no qual um ex-colega de promotoria estava envolvido.

A ex-promotora corre o risco de ser sentenciada a até seis anos de prisão

O crime da ex-promotora foi o de usar seu cargo para proteger o ex-investigador da promotoria Greg McMichael, que trabalhou com ela antes de se aposentar, em 2019, e seu filho, Travis McMichael. Ambos perseguiram Ahmaud Arbery, um homem negro de 25 anos que praticava jogging no bairro. Travis atirou em Arbery à queima-roupa e o matou, em 23 de fevereiro de 2020.

À ex-promotora, Greg McMichael disse que ele e seu filho acreditavam que Arbery era responsável por violações de domicílio no bairro. Jackie Johnson e um outro promotor conseguiram impedir a prisão dos assassinos por mais de dois meses — ou até que um vídeo filmado pelo vizinho William Bryan, que se juntou à perseguição, vazou na internet.

A publicação do vídeo causou comoção popular e o governador Brian Kemp pediu ao Georgia Bureau of Investigation (GBI) que assumisse as investigações. O GBI concluiu que Arbery não cometeu qualquer crime e os três perseguidores foram finalmente presos. O procurador-geral do estado pediu, então, ao grand jury para investigar e denunciar a ex-promotora.

"A denúncia afirma que Jackie Johnson violou seu juramento profissional ao favorecer e demonstrar afeição a Greg McMichael na investigação (do homicídio) e interferiu no trabalho dos policiais na cena do crime, aos lhes dizer que os suspeitos não deveriam ser presos", declarou o procurador-geral, ao comentar a decisão do grand jury.

A ex-promotora, que não conseguiu se reeleger em 2020 por causa da repercussão do caso, declarou que se afastou das investigações ao se sentir suspeita, pela relação de trabalho que teve com o ex-investigador da promotoria. E que encarregou o promotor George Barnhill, da cidade de Waycross, de assumir o caso.

Mas, antes disso, a então promotora já havia pedido a Barnhill para discutir com a polícia os procedimentos do caso. As investigações revelaram que Barnhill já havia se comunicado com os policiais e dito a eles que "não via bases legais para a prisão de qualquer dos indivíduos envolvidos na morte de Arbery".

Barnhill também enviou uma carta ao capitão da polícia do Condado de Glynn, na qual escreveu que o pai e o filho "estavam seguindo, em uma 'perseguição quente', um suspeito de violação de domicílios, com uma sólida causa provável em primeira mão, em seu bairro, e que pediram a Arbery para parar".

A participação de Barnhill no caso lhe rendeu uma investigação, iniciada pelo procurador-geral Chris Carr. Barnhill também poderá ser investigado e denunciado por um grand jury, de acordo com Chris Carr, em declaração publicada por CNN, CNBC, The Hill e Associated Press.

Barnhill também se declarou impedido de continuar no caso depois que a família de Arbery descobriu que o filho dele trabalhava com Jackie Johnson como assistente da promotoria.

A ex-promotora Jackie Johnson será julgada ainda no outono (entre setembro e dezembro no Hemisfério Norte). Se condenada, poderá ser sentenciada a até seis anos de prisão.

João Ozorio de Melo

é correspondente da revista Consultor Jurídico nos Estados Unidos.

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