Deltan finalmente decide fazer política na política e deixa o MPF

O procurador da República Deltan Dallagnol finalmente decidiu entrar na política para fazer política e renunciou definitivamente ao seu cargo no Ministério Público Federal, para disputar uma vaga à Câmara dos Deputados em 2022. As informações foram antecipadas pela jornalista Eliane Cantanhêde, do Estadão.

Fernando Frazão/Agência Brasil

O agora ex-procurador Deltan DallagnolFernando Frazão/Agência Brasil

Ex-coordenador e porta-voz do consórcio da "lava jato", Dallagnol, depois de viver momentos de glória bancados por uma imprensa amiga e parceira do esquema de Curitiba, agora tem amargado duras críticas e está sob a mira do Conselho Nacional do Ministério Público.

Não era assim enquanto o enredo lavajatista prevalecia na opinião pública brasileira. Deltan, que é parte em 52 processos no CNMP, só havia recebido duas penalidades até então: uma censura e uma advertência, sendo que esta última está suspensa pelo Supremo Tribunal Federal.

No caso do já icônico PowerPoint, que colocava o ex-presidente Lula no centro de uma organização criminosa, por exemplo, Deltan foi beneficiado por prescrição em processo administrativo adiado nada menos que 42 vezes antes de ser julgado.

Em setembro do ano passado, porém, ele acabou se afastando da coordenação da dita operação, enterrada durante a gestão do atual procurador-geral da República, Augusto Aras. A pá de cal nas negociatas curitibanas se deu após a divulgação de mensagens suas com o ex-juiz Sergio Moro e outros procuradores, via aplicativo Telegram.

A expectativa, segundo a colunista do Estadão, é de que Deltan se filie ao mesmo partido escolhido por Moro para disputar as eleições do próximo ano, o Podemos, liderado pelo senador Alvaro Dias, também do Paraná, como ambos.

Hoje com 41 anos, Deltan foi um dos principais interlocutores da investigação com a mídia, a partir de 2014. Cabia a ele organizar as diferentes frentes de apuração entre a equipe de procuradores envolvidos no caso. Mas tinha participação reduzida no dia a dia dos processos e das audiências na Justiça Federal.

Colega de Deltan na capital do Paraná, o procurador Diogo Castor de Mattos teve sua demissão aprovada pelo CNMP no último dia 18 de outubro. O caso envolvia a participação na criação de um outdoor em homenagem ao consórcio em Curitiba.

Joro disse:
04 de novembro de 2021 às 17:05

E não é que Curitiba era uma "República" mesmo?
Faltam ainda "Richelieu" S. Lima e "Copia e Cola" no Senado Federal...
Viva a Justiça sul republicana!
Lavajatistas, aficionados, demagogos e inocentes úteis do mundo, uni-vos!

olhovivo disse:
04 de novembro de 2021 às 18:28

Os ingênuos que acreditavam que o protagonista de vedetismo patológico - numa função pública que exige circunspecção, discrição, sobriedade e responsabilidade ao lidar com a liberdade e a dignidade alheias (caso de juízes e procuradores) - é compatível com alguém compenetrado e sério no exercício de suas atribuições, aí está a prova de sua ingenuidade. Os caras eram e sempre foram políticos (no pior dos sentidos) travestidos de fiscais da lei. Vou votar no Tiririca... é mais autêntico.

César 10585 disse:
04 de novembro de 2021 às 20:25

Os eventuais erros cometidos pelo pessoal da lava-jato jamais vão obscurecer o fato de que pela primeira vez na história do Brasil não foram para a cadeia putas, pretos e pobres. Sem contar os milhões recuperados dos eternos ladrões do povo. Dallagnoll e seus colegas fizeram história. O povo honesto e trabalhador lhes é grato.

Afonso de Souza disse:
05 de novembro de 2021 às 07:30

Soldadinho, só os ingênuos acreditariam que vocês estão preocupados com a legalidade. A quem acham que enganam??

Afonso de Souza disse:
05 de novembro de 2021 às 07:33

Seria:

"Deltan Dallagnol finalmente decide combater a corrupção dos políticos na política e deixa o MPF"

(Foi pela política, transbordando para o Judiciário, que os corruptos foram blindados. Nunca conseguiram demonstrar que a defesa tenha sido cerceada ou que provas tenham sido forjadas contra os corruptos processados)

Marinheiro disse:
05 de novembro de 2021 às 08:53

Como o Direito acabou, vencido pela Política, o certo é migrar para o lado vencedor.

Marly Pigaiani Leite disse:
05 de novembro de 2021 às 09:32

Dallagnol assinou embaixo a prova final do quanto agiu politicamente pra quebrar as pernas do Lula. Nesse caminho, Dallagnol e Moro encontraram muitos outros corruptos pela frente, entretanto seus interesses, como eram políticos, dirigiram-se somente para Lula.
Agora vai concorrer a parlamentar, quem vai votar?

Sérgio Wecker disse:
05 de novembro de 2021 às 09:54

Esta em curso a consolidação da dinastia do judiciario na politica...não basta serem deuses vitalicios...querem o universo também...se prenderam um ex-presidente sem provas...do que mais serão capazes?...peguem as pipocas...nosso destino ja foi traçado...

Sergio Luiz Teixeira Braz - Advogado disse:
05 de novembro de 2021 às 11:17

Peço vênia para subscrever seu comentário.
Análise perfeita.

Afonso de Souza disse:
05 de novembro de 2021 às 12:32

Deltan não agiu politicamente no MPF. Ao contrário, foi a política que interferiu no trabalho dele, resultando na blindagem de Lula (condenado em 3 instâncias, por unanimidade, por 10 juízes de direito concursados) na Segunda Turma do STF.

Eu votaria nele.

Afonso de Souza disse:
05 de novembro de 2021 às 12:38

Lula foi preso, julgado e condenado porque era mesmo culpado de corrupção. Ele foi julgado por 10 juízes de direito concursados, de 3 instâncias diferentes, e a condenação foi unânime.

A lava Jato foi um marco no combate à corrupção no Brasil E é por isso que ela incomoda tanto.

Afonso de Souza disse:
05 de novembro de 2021 às 12:54

Deltan é um rapaz honesto, bem intencionado, e talvez possa ajudar o Brasil mais na política do que no MPF - afinal, é lá, na política, que começa a montagem das primeiras barreiras contra o combate à corrupção. Imagino que tenha refletido bastante antes de se decidir por isso. Que tenha considerado o risco de usarem essa decisão para acusá-lo de ter agido na Lava Jato com fins políticos - como, aliás, já estão fazendo aqui.

Jordan Peixoto Silvestre disse:
05 de novembro de 2021 às 15:35

O ex_juuz Sérgio Moro e os procuradores da República, com atuação na Operação Lava_ Jato, em Curitiba, coordenados por Delta Dallangnol, já deveriam ter sido submetidos a processos cíveis, penais e administrativos com todo o rigor da lei, pelos crimes praticados no exercício da função pública. É público e notório que essa corja rasgou a Constituição brasileira e enlameou nosso ordenamento jurídico causando danos irreparáveis à economia, a centenas de empresas, a milhares de trabalhadores e ao Poder Judiciário do país. Lideraram um processo de lawfare cujo único objetivo era encarcerar para sempre e sem qualquer prova _ mas tão somente conviccao_ o ex_ presidente Lula para impedir sua eleição _ certa, segundo pesquisas eleitorais _ à Presidência da República, em 2018, possibilitando que o incompetente, tosco, grosso, despreparado Jair Bolsonaro se elegesse e levasse o Brasil _ não para o primeiro mundo _ mas para o quinto dos infernos. Até que enfim, que os cabeças dessa hecatombe que colocou envergonhou o sistema judicial do Brasil no mundo inteiro resolveu seguir o conselho daquele a quem queriam _mas não conseguiram _ destruir em vida: Lula. Isto é, se desejavam fazer política _ ainda que seja política suja _, que deixassem o Poder Judiciário e entrassem para um partidos político. O julgamento agora foi invertido. Caberá ao povo e não a uma justiça parcial, preconceituosa, elitista e defensora de lawfare decidir quem é quem... Alea jacta est...

WF Estudante disse:
07 de novembro de 2021 às 19:37

A Lava Jato foi um marco no combate à corrupção, mas também ronda uma grande possibilidade de parcialidade dos atores envolvidos na 1ª instância. O que na minha opinião pode revelar seletividade da aplicação da lei penal.

Se o ex- Procurador da República se candidata e apoia o Moro ou fica no mesmo partido do Moro, fica difícil dizer que foram imparciais.

O ex-Juiz Moro, por exemplo, saiu e foi ser Ministro de um adversário político da pessoa que condenou, não achei prudente isto. Acho que ninguém que não seja fanático ache prudente isto.

O problema desta aventura na política será ter que não aplicar a mesma ótica da Lava Jato quando partidários forem suspeitos de corrupção. Isto irá ocorrer, provavelmente, mesmo que seja investigação da mídia sem o MP oferecer a denúncia. Aí a moralidade fica só para os inimigos, pois para os amigos na política, acho difícil isto ocorrer.

Afonso de Souza disse:
08 de novembro de 2021 às 13:27

A tese de que Moro e Dallagnol tenham trabalhado e tomado decisões com fins políticos e eleitorais é farsesca, não se sustenta, mesmo porque nenhum dos dois tem o dom de prever o futuro.

Modesto Carvalhosa em entrevista dada ao Estadão: “O que ficou arranhada foi a imagem do Supremo Tribunal Federal, que teve essa violenta reação a favor dos corruptos que tinham sido condenados, em várias instâncias, como o Lula e outros, e não a do Moro”. “ As decisões tomadas pelo Ministério Público nas suas denúncias e as sentenças proferidas pelo Moro e depois confirmadas por outros tribunais nada têm a ver com as mensagens. Elas não tiveram nenhuma influência sobre as decisões tomadas.”

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