MPF gastou R$ 57 mil com campanha política de Deltan

O antigo chefe da "lava jato", Deltan Dallagnol, anunciou no início deste mês que finalmente vai se dedicar de forma oficial a sua carreira política. Antes, porém, a construção de seu capital foi bancada pelo Ministério Público Federal: a instituição gastou no mínimo cerca de R$ 57 mil com a campanha do ex-procurador pelas "dez medidas contra a corrupção", por meio de passagens aéreas e pagamento de diárias.

José Cruz/Agência Brasil

Campanha de Deltan pelas "dez medidas contra a corrupção" gerou gastos de no mínimo R$ 57 mil pelo MPFJosé Cruz/Agência Brasil

Os números constam de ofício encaminhado pelo próprio MPF à presidência do Tribunal de Contas da União, que determinou nesta terça-feira (9/11) que outros cinco procuradores da extinta "lava jato" devolvam aos cofres públicos valores milionários recebidos a título de diárias e passagens. Juntos, eles receberam cerca de R$ 2,1 milhões em diárias, além de outros R$ 451 mil usados na compra de bilhetes de avião. Tudo isso, claro, sem contar seus vencimentos, que hoje chegam a quase R$ 34 mil mensais.

O documento enviado ao TCU é assinado por Eliana Péres Torelly de Carvalho, secretária-geral do MPF. Os dispêndios constantes das planilhas se referem à "lava jato" e foram separados por frentes de investigação em Curitiba, Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e Brasília. "Ainda que o motivo da viagem fosse diverso das ações da referida força-tarefa", diz trecho do ofício.

Os R$ 57 mil gastos com Deltan estão em rubricas que fazem referência expressa à campanha das "dez medidas". Foram feitos entre 2015 e 2017. Em valores atualizados pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), a soma é de aproximadamente R$ 30 mil. Além disso, considerando que o porta-voz da "lava jato" fez a campanha por no mínimo quase 15 dias — conforme mostram as planilhas —, outros R$ 27 mil lhe foram pagos, a título de vencimentos, em sua missão extrainstitucional.

A cruzada política lavajatista também gerou gastos com outros procuradores, que podem ter agido como garotos propaganda das "dez medidas" também em outros momentos — para além do que revelam as planilhas. Isso sem considerar os custos relacionados à movimentação da máquina burocrática do MPF em prol da empreitada. Os R$ 57 mil de Dallagnol são apenas parte de um esquema maior de "corrupção institucional".

Roberta Patrícia disse:
10 de novembro de 2021 às 20:13

isso é campanha política?

Mino1984 disse:
11 de novembro de 2021 às 10:18

Trabalhei no TJSP por 32 anos, conheci de perto a relação entre o agente público e os interesses privados. Hoje é assustador o nível de promiscuidade entre o agente público e os setores privados. Não se separa mais essas duas áreas que, a rigor, deveriam ser equidistantes, sobretudo no que tange as atividades judiciais e de atuação do Ministério Publico.
É público e notório que o setor publico se tornou trampolim para ascensão social de seus agentes na esfera política. Isso acontece com órgão públicos de segurança pública, justiça e ministério publico. Nem a OAB escapa da sedução da ação político-partidária. Com isso a corrupção se tornou uma "metástase" de um câncer que sempre esteve presente nas instituições, porém havia um controle que se rompeu definitivamente e, lamentavelmente, até os operadores do direito estão convivendo com essa anomalia e convalidando.

Afonso de Souza disse:
11 de novembro de 2021 às 20:38

Não houve corrupção alguma, nem mesmo promiscuidade com o setor privado.

Como o trecho destacado: "Os R$ 57 mil gastos com Deltan estão em rubricas que fazem referência expressa à campanha das "dez medidas"."

E a matéria sequer se deu ao trabalho de mostrar ouvir os procuradores..

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