Acusado de desviar doações, Steve Bannon se entrega à Justiça em NY

Steve Bannon, ex-assessor do ex-presidente americano Donald Trump, se entregou às autoridades de Nova York nesta quinta-feira (8/9). Ele é acusado de lavagem de dinheiro e conspiração em um suposto esquema de fraude na arrecadação de recursos para a construção do muro entre EUA e México.

Steve Bannon, ex-assessor e guru de TrumpReprodução

A campanha para construção da barreira em propriedades privadas na fronteira foi liderada por Bannon e arrecadou cerca de US$ 25 milhões em doações de pessoas físicas, apoiadoras da principal proposta de Trump contra a entrada ilegal de imigrantes no país.

Segundo a procuradora-geral de Nova York, Letitia James, o ex-assessor tirou vantagem das visões políticas dos doadores e mais tarde desviou cerca de US$ 1 milhão para arcar com despesas pessoais.

Bannon foi um dos principais articuladores da campanha de Trump nas eleições vitoriosas de 2016. Mais tarde, trabalhou como estrategista-chefe no governo, até se desentender com o então presidente em 2017. Ele também foi responsável por investir em veículos de imprensa identificados com as ideias do político do Partido Republicano.

O ex-assessor já havia sido acusado das mesmas condutas pela Justiça Federal. Ele chegou a ser preso em 2020, mas foi liberado após pagar fiança de US$ 5 milhões.

Em janeiro do último ano, horas antes de deixar o cargo, Trump concedeu perdão presidencial a Bannon e outros 142 aliados políticos com problemas na Justiça.

No entanto, a medida protegeu o ex-assessor somente das investigações em nível federal. A defesa de Bannon alega que o processo estadual de Nova York é uma cópia do federal, ou seja, seria um caso de dupla penalização.

No último mês de julho, Bannon foi condenado por desrespeitar intimação do comitê da Câmara que investiga a invasão do Capitólio, ocorrida no início de 2021. Um júri o considerou culpado por contravenção devido à recusa em testemunhar ou fornecer documentos. Ele deve ser sentenciado em outubro. A pena mínima pela conduta é de 30 dias de prisão.

O raio de atuação de Bannon não se restringiu aos EUA: ele é uma das principais referências de políticos conservadores e articulador de políticas de ultradireita em todo o mundo. No Brasil, Bannon ficou conhecido como um dos gurus de Eduardo Bolsonaro, filho do presidente da República.

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