Trump deve pagar US$ 1 milhão por má-fé em ação contra Hillary

A Justiça Federal da Flórida condenou, nesta quinta-feira (19/1), o ex-presidente dos EUA Donald Trump e sua advogada Alina Habba a pagar multa de quase US$ 1 milhão (R$ 5,2 milhões), por terem processado sua adversária nas eleições de 2016, Hillary Clinton, sob falsas alegações de supostas fraudes no pleito.

Isac Nóbrega/PR

Donald Trump, ex-presidente dos EUA pelo Partido RepublicanoIsac Nóbrega/PR

Trump dizia que Hillary e seus aliados tentaram fraudar as eleições ao associar sua campanha com a Rússia de Vladimir Putin. Além da ex-candidata, a ação do republicano tinha como alvo outras 30 pessoas e organizações, como o Comitê Nacional Democrata, responsável por organizar campanhas do partido adversário. As informações são da Folha de S.Paulo.

À época, os rumores de conluio entre Trump e o governo russo para interferir nas eleições foram motivo de grande preocupação para a gestão republicana. Já em 2019, uma investigação do Departamento de Justiça americano concluiu não haver evidências de arranjo, mas o procurador especial Robert Müller afirmou que não seria possível isentar completamente o então presidente.

A ação movida por Trump foi julgada pelo juiz distrital Donald Middlebrooks, que foi nomeado para o cargo em 1997 pelo então presidente Bill Clinton, marido de Hillary. Ele rejeitou o processo, por considerar que se tratava apenas de um manifesto político, com meras queixas contra opositores do republicano.

Segundo Middlebrooks, Trump e sua defesa agiram de má-fé e demonstraram um padrão de uso indevido dos tribunais para promover sua agenda política com base em desinformação. "Este caso sequer deveria ter sido aberto. Sua inadequação como uma ação era evidente desde o início", disse.

Para o magistrado, a ação seria uma maneira desonesta de promover uma narrativa política — algo recorrente por parte do ex-presidente — e reduzir a confiança da população no sistema de Justiça. "Há um padrão contínuo de uso indevido dos tribunais por Trump e seus advogados, o que mina o Estado de Direito, retrata juízes como partidários e desvia recursos daqueles que sofreram danos legais reais", destacou o magistrado.

Trump é representado no processo pela sua principal advogada, Alina Habba. Ela também atua no caso de fraude fiscal movido contra Trump pela procuradora-geral de Nova York e no caso em que uma mulher acusa o ex-presidente de um estupro na década de 1990.

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