Corregedora que operou “lava jato” rearticula grupo em Brasília

Tido como página virada na história do Brasil, o movimento lavajatista ainda não foi desarticulado e arrasta correntes pelos porões mais entrevados de Brasília. Prova disso são os movimentos da procuradora Elizeta Maria de Paiva Ramos, hoje procuradora-geral da República interina.

Leobark/Comunicação/MPF

PGR interina, Elizeta Ramos "lavou" ilegalidades de lavajatistas
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Elizeta, como corregedora-geral do Ministério Público Federal, foi integrante estratégica do movimento nascido em Curitiba e exportado para quase todos os estados. Seu papel foi o de “lavar” as ilegalidades praticadas por seus colegas. Era ela a responsável por coibir a cornucópia de estelionatos praticados “em nome do bem” em pretenso combate à corrupção.

Esta semana, Elizeta tirou da cartola o procurador Alexandre Camanho para dirigir a 5ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF, responsável, por exemplo, pela execução dos acordos de leniência celebrados com o Ministério Público. Foi sua primeira medida na sua interinidade de PGR.

Nesta sexta-feira (6/10), Elizeta voltou a blindar lavajatistas. Ela pediu vista em uma notícia-crime apresentada pela PGR para investigar abusos de procuradores da "lava jato". O caso em questão é justamente o acordo de leniência da J&F.

Camanho tornou-se famoso por ter sido flagrado em 2017 em um grampo da Polícia Federal. Na conversa, o procurador passava informações para o então deputado Rodrigo Rocha Loures, conhecido como "homem da mala" do presidente Michel Temer, depois filmado correndo pelas ruas de São Paulo com uma mala recheada de dinheiro entregue por delatores da JBS.

Nas conversas com Rocha Loures, Camanho sugere nomes para o governo de Michel Temer e pede encontros pessoais para passar informações ao deputado. Para a Polícia Federal, o procurador vazava informações privilegiadas de investigações para o deputado. Os fatos se deram no contexto da colaboração da J&F e do acordo de leniência. O conflito de interesse reside nesse ponto: Camanho se aliara aos políticos a quem defendia contra as revelações dos empresários.

Para encaixar seu aliado no comando da Câmara de Coordenação e Revisão, Elizeta desalojou o procurador Ronaldo Albo, o mais experiente integrante do colegiado na matéria e que fora indicado para o posto pela própria Elizeta. Constatados erros técnicos primários no cálculo da multa estratosférica, Albo refez as contas e a reduziu em R$ 7 bilhões.

Nesse caso, Albo, como coordenador do colegiado, anulou o voto de Camanho porque o colega não havia acompanhado o julgamento, pois saiu de férias durante a análise do caso.

Uma perícia técnica contábil do próprio MPF mostrou que a base de cálculo usada para punir a J&F ia além do que deveria, pois considerava 100% do faturamento das empresas controladas pela holding, quando o correto seria calcular a multa na proporção de participação da J&F sobre cada empresa.

Elizeta foi a responsável pela sindicância, aberta a pedido do então ministro Ricardo Lewandowski, para apurar os desmandos da "lava jato" no acordo de leniência firmado pelo MPF com a Odebrecht. As provas, inclusive mensagens mostrando conluio entre procuradores de Curitiba e o agora senador Sergio Moro, ela concluiu que “tudo foi conduzido dentro da legalidade”.

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