Estranha proteção

Advogados vão recorrer da ‘blindagem’ de parceiro da Transparência Internacional

A decisão do juiz Frederico Botelho, da 15ª Vara Federal Criminal de Brasília, de arquivar o inquérito que investiga como o executivo Josmar Verillo, ex-conselheiro da empresa indonésia Paper Excellence, teve acesso a um documento sigiloso do acordo de leniência da J&F será obtejo de recurso apresentado por cerca de 15 advogados do grupo empresarial brasileiro.

Divulgação

Eldorado Celulose

Eldorado Celulose está no centro de uma disputa que ernvolve a Paper Excellence e a J&F

Ex-representante da ONG alemã Transparência Internacional no Brasil, Verillo confessou à 2ª Vara Empresarial de São Paulo que teve acesso ao documento e que sabia que ele estava sob sigilo.

Mesmo com a confissão de Verillo e um laudo da Polícia Civil de São Paulo que atestou o hackeamento de 70 mil e-mails trocados entre a J&F e seus advogados, em meio a uma disputa com a Paper Excellence, os procuradores que atuam no caso opinaram pelo arquivamento antes da chegada de novas provas vindas de um inquérito de São Paulo, determinada pelo Superior Tribunal de Justiça.

“Foi surpreendente a decisão dos procuradores de barrar o inquérito antes mesmo de verificarem as trocas de mensagens de Verillo e a pessoa que teria passado para ele as informações sobre o acordo da J&F”, afirmou o advogado Francisco de Assis e Silva.

O documento obtido por Verillo estava em uma troca de e-mails entre a J&F e um advogado, que foi interceptada por hackers que confessaram o crime. Tratava-se de um aditamento ao acordo de leniência da J&F com a “operação Greenfield”, então comandada pelo procurador Anselmo Cordeiro Lopes, que assinou acordos com a Transparência Internacional.

“Os procuradores do caso não demonstraram qualquer apetite em aprofundar as investigações. Por isso, vamos recorrer à 2ª Câmara de Coordenação e Revisão da Procuradoria-Geral da República”, disse Assis, queixando-se da suposta blindagem do parceiro da Transparência Internacional.

Os advogados reclamam ainda que os procuradores opinaram pelo encerramento das investigações antes mesmo de analisar documentos obtidos em cooperação internacional que teriam relação com o caso, e sem ouvir as vítimas do vazamento dos dados da J&F. Os procuradores teriam até ignorado um laudo que está sendo produzido a pedido da Polícia Federal.

Em seu depoimento, Verillo confirmou que teve acesso a trechos da leniência da J&F. Confrontado com o sigilo do acordo, o executivo disse que recebeu as informações “de uma pessoa em Brasília”. Para a polícia de São Paulo, no entento, ele havia dito que o documento estava disponível no Google — o que foi negado pela empresa de tecnologia. Os procuradores não tiveram a curiosidade de saber quem era essa tal pessoa, se houve mesmo troca de mensagens pelo Whatsapp entre Verillo e o “informante” e qual seria o interesse dos dois no acordo da J&F.

A Paper Excellence teria interesse no acordo porque disputa com a J&F o controle da Eldorado Celulose, maior produtora de celulose do Brasil. A Transparência Internacional, da qual Verillo foi o primeiro representante oficial no país, participaria da gestão de um fundo de R$ 2,3 bilhões que o procurador Anselmo Lopes queria criar com dinheiro da multa da J&F.

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