A Justiça do Japão determinou, na última terça-feira (24/3), o pagamento de U$ 1,4 milhão (o equivalente a R$ 8 milhões) em indenização a um boxeador condenado injustamente por homicídio em 1968. Iwao Hakamata é o homem que mais passou tempo no corredor da morte no mundo. Ele ficou preso por 45 anos. As informações são da agência AFP.

Ex-boxeador foi indenizado em R$ 8 milhões após passar 45 anos no corredor da morte
Hakamata foi acusado de cometer quatro assassinatos naquele ano e, posteriormente, foi preso e sentenciado à pena de morte. Atualmente com 89 anos, ele foi absolvido dos crimes em 2024, após uma campanha de sua família em conjunto com algumas instituições. O caso se tornou um símbolo para os defensores da abolição da pena de morte no Japão.
Na época do crime, Hakamata confessou os assassinatos. Depois, mudou seu depoimento e denunciou que havia sido coagido violentamente por policiais. Em 2014, um tribunal já tinha anunciado ter dúvidas sobre a sentença, depois que evidências mostraram que o DNA encontrado em roupas ensanguentadas usadas como provas não correspondia ao dele.
De acordo com a imprensa japonesa, o valor da reparação é um recorde mundial para casos semelhantes. A defesa do ex-boxeador afirmou, todavia, que ele tem sequelas psicológicas permanentes, que não serão compensadas com dinheiro. Os 45 anos de detenção, com a ameaça permanente de uma execução, fizeram com que ele criasse um mundo imaginário em sua cabeça — estado em que permanece até hoje.
No Japão, os condenados à pena de morte vivem isolados na maior parte do tempo. Além disso, suas famílias e advogados não têm acesso à informação: geralmente, são notificados somente após a execução por enforcamento, único método utilizado. Os apenados só ficam sabendo do destino algumas horas antes de sua morte.
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