Liberdade para advogar

OAB pede a Zanin que deixe de exigir lacração de celulares de advogados

O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (CFOAB) enviou nesta terça-feira (22/4) um ofício ao gabinete do presidente da 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal, ministro Cristiano Zanin, pedindo que ele deixe de exigir a lacração dos celulares dos advogados que atuam na defesa dos acusados pelo crime de golpe de Estado.

Eugenio Novaes

Beto Simonetti 2025

Documento é assinado pelo presidente nacional da OAB, Beto Simonetti

Assinado pelo presidente da OAB, Beto Simonetti, o documento tenta mudar a situação de forma diplomática. Em tom cordial, diz que se o ministro voltar atrás por iniciativa própria, a entidade não precisará tomar as medidas cabíveis.

“Em cumprimento às finalidades institucionais desta Entidade, solicitamos os bons préstimos de Vossa Excelência na adoção de providências necessárias, evitando-se alegações de cerceamento de defesa e violação de prerrogativas, uma vez que a sessão tem sido transmitida ao vivo, o que afasta qualquer prejuízo ao andamento dos trabalhos advogados permanecerem com seus telefones celulares”, diz o ofício.

A OAB defende que os celulares são instrumentos necessários para que os advogados tenham acesso aos acervos eletrônicos de que dispõem para o exercício profissional. E lembra que o artigo 7º do Estatuto da Advocacia (Lei 8.906/1994) garante o direito de exercer a profissão em todo o território nacional com liberdade.

“Nesse panorama, a praxe atual é a possibilidade de utilização dos aparelhos durante diversos atos, inclusive audiências, conforme se pode verificar diuturnamente nos tribunais e varas de todo o país, e não apenas por parte do profissional advogado, mas pelo próprio Poder Judiciário, conforme se extrai, por exemplo, das audiências por videoconferência.”

Além de Simonetti, são signatários do documento o procurador-geral do CFOAB, Sérgio Leonardo; o procurador nacional do CFOAB, Alex Sarkis; e o presidente da Comissão Nacional de Defesa das Prerrogativas e Valorização da Advocacia, Pedro Paulo Medeiros.

Zanin determinou nesta terça que fossem lacrados os celulares de todas as pessoas que acompanharam presencialmente a análise da denúncia da Procuradoria-Geral da República contra o segundo grupo de acusados de participação na trama golpista que culminou na invasão das sedes dos Três Poderes, em 8 de janeiro de 2023.

Segundo Zanin, o objetivo da medida foi evitar o uso dos telefones para gravações durante o julgamento, como aconteceu no primeiro dia da análise da denúncia contra o primeiro grupo de acusados, que incluiu o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Clique aqui para ler o ofício da OAB
Pet 12.100

WLStorer disse:
23 de abril de 2025 às 01:24

Em Tribunal de Exceção não existe liberdade para advogar.

Radgiv Consultoria Previdenciária disse:
23 de abril de 2025 às 07:02

E só vestir a toga que esquece que veio da advocacia e teve que combater durante o exercício da advocacia justamente os abusos praticados pelos que vestem toga. Acorda ministro Zanin! Antes de vestir a toga usaste por muito tempo a beca, nunca se esqueça disso.

Fábio de Oliveira Ribeiro disse:
23 de abril de 2025 às 08:10

Não existe norma específica dizendo que o smartphone é um instrumento indispensável à advocacia. Todavia, também inexiste Lei que autorize o juiz de impedir o advogado de levar seu smartphone ao plenário do Tribunal (exceto é claro se o processo estiver correndo em segredo de justiça, caso em que informações sobre o mesmo e sobre atos praticados em audiência poderiam ser coletadas e vazadas indevidamente). No caso específico, em se tratando de julgamento público e televisionado da admissibilidade de uma denúncia que não corre em segredo de justiça o ato do STF não foi apenas desnecessário. Ele pode ser considerado ilegal porque o confisco de smartphones durante o julgamento foi apenas uma maneira do Tribunal humilhar desnecessariamente os advogados. O STF errou, ofendeu desnecessariamente a dignidade dos profissionais e as vítimas desse abuso deveriam processar a União por danos morais. Pequenos abusos sempre antecedem abusos ainda maiores e a OAB não deve tolerar o que ocorreu.

Renato Melo Rodrigues disse:
23 de abril de 2025 às 08:36

Parabéns a todos que sempre apoiaram as insanidades do STF.

Sasso disse:
23 de abril de 2025 às 08:41

E o cordão dos puxa saco cada vez aumenta mais ; Cristiano
Zanin ex advogado de LULA aprovado em suposta sabatina
agora agindo contra a propria OAB tudo isso a irresponsabilidade fazendo sucesso perante os que ficaram resposáveis e dar proteção a Constituição de 1988 que já foi rasgadas remendada e continuam picando o resto que sobrou essa mesma Constituição que devia seguir uma lei de aplicações com nova Constituinte a cada 5 anos , para acabar com os o poderes do executivo e do STF no comando Brasileiro .Ou é ou não É ditadores comunistas interferindo no Progresso da Nação Brasileira se dizendo na palavra do Amôr . Sob ordens de um irresponsável Alexandre de Moraes.( O absoluto )

Monteiro_ disse:
23 de abril de 2025 às 10:36

A OAB, alem de inútil, virou realmente uma gatinha. Apenas mia. E sua Excelência esqueceu rápido da vida dura de advogado.

Marinheiro disse:
23 de abril de 2025 às 11:24

A atual composição do STF, pelos seus atos, reduziu o advogado a um cão vadio tratado a pontapés, tamanha é o desrespeito da Corte pelo seu trabalho. Se a OAB está pensando em protagonismo no resgate do Direito pátrio, é chegada a hora.

kersting roque disse:
25 de abril de 2025 às 23:41

Fábio de Oliveira Ribeiro, leia, se quiser, o que está disposto no parágrafo sexto do art. 367, do CPC, e depois faça comentários, por gentileza. Há clara disposição sobre a gravação de audiências, as quais independem de autorização judicial. Zanin passou por cima da lei, aliás, quem entra com fazores e se volta contra ex-colegas não merece qualquer respeito!

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