Julgamento do golpe

Defesa de Bolsonaro volta a dizer que Cid mentiu e que nunca acessou todas as provas

Os advogados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) alegaram nesta quarta-feira (3/9) que o tenente-coronel Mauro Cid mentiu e que a delação do ex-ajudante de ordens deveria se tornar inválida. A defesa fez sustentação oral na sessão de hoje da 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal, que julga os réus do Núcleo 1 da trama golpista.

STF

Celso Vilari, advogado de Bolsonaro, questionou provas e relação com o ex-presidente

Os advogados Celso Sanchez Vilardi e Paulo Cunha Bueno dividiram entre si os 60 minutos concedidos para cada réu. Uma das principais estratégias da defesa foi apontar contradições na delação de Cid.

“Ele [Bolsonaro] não atentou contra o Estado Democrático de Direito e não há uma única prova que atrele o presidente ao [plano] Punhal Verde e Amarelo, Operação Luneta e 8 de janeiro. Nem o delator, que eu sustento que mentiu contra o presidente, nem ele chegou a dizer de participação em Punhal, Luneta, Copa [2022, grupo de WhatsApp], 8 de janeiro, não há uma única prova”, disse Vilardi.

“Nós temos uma delação que alguém chamou de jabuticaba, mas é muito mais grave. A jabuticaba existe no Brasil, a delação como está proposta não é jabuticaba, é algo que não existe aqui e em nenhum lugar do mundo. Há uma parcial falsidade da delação e ainda assim se faz aproveitamento dela diminuindo a pena”, completou.

Cunha Bueno, por sua vez, contestou a alegação da Procuradoria-geral da República (PGR) de que Bolsonaro teria comandado uma organização criminosa que “utilizou violência e grave ameaça” contra os Poderes da República.

“Por mais que tenhamos denúncia exaustiva, que emprega adjetivos fortes, não é possível acreditar que haja elemento que aponte a Bolsonaro grave violência ou ameaça. Uma live realizada em 2021 é grave violência ou ameaça? Uma reunião com comandantes de forças onde se discutiram mecanismos constitucionais é violento ou grave ameaça? Evidentemente que não”.

O advogado afirmou ainda que o “presidente em momento algum deu ordem para medidas excepcionais” e “não se tem rascunho, mínimo de identificação, de que iria adiante com isso”.

Instagram de Cid

Vilardi falou da conta de Instagram que Cid teria utilizado para vazar informações de sua colaboração. A defesa do tenente-coronel, na terça-feira (2/9), negou que o perfil tenha sido acessado pelo ex-ajudante de ordens.

“O celular é dele [Cid], ele que criou o perfil, a localização é da casa dele e a senha e o perfil estão colocados no celular dele, apreendido lá atrás. A prova que ele usou isso é absolutamente indiscutível, se vão punir alguém eu não sei. Mas o que mostra é que esse homem não é confiável. É tão simples quanto isso”, disse Vilardi.

Minuta e provas

Também houve sustentação de que a “minuta do golpe” partiu do celular do tenente-coronel e que ele próprio disse não ter repassado a ninguém o documento, o que isentaria Bolsonaro de culpa.

A defesa do ex-presidente tornou a falar que não tem acesso a todas as provas na íntegra, o que já foi rebatido pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo.

“Eu não conheço a íntegra desse processo, o conjunto da prova eu não conheço, são bilhões de documentos, uma instrução de menos de 15 dias, seguido de interrogatório. Porque não conheço, não pude questionar”, afirmou Vilardi.

Defesa de Heleno

Antes da defesa de Bolsonaro, falou o advogado Matheus Milanez, que representa o general Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

Milanez alegou ter constatado “impossibilidade de análise das provas” devido à quantidade de arquivos e à disponibilização do material poucos dias antes de interrogatórios.

Além disso, falou que a aproximação de Bolsonaro com o centrão afastou Heleno do núcleo de convivência do ex-presidente. Para ilustrar este afastamento, o advogado apresentou uma anotação feita por Heleno em uma caderneta que foi apreendida pela Polícia Federal.

No trecho exibido, o então ministro escreveu que Bolsonaro “tem que tomar vacina”, em demonstração da discordância ideológica entre os dois.

Em outro momento, o defensor mostrou um quadro de comparação da quantidade de perguntas feitas por Alexandre e as formuladas pela PGR ao longo da investigação.

Milanez citou uma decisão do ministro Luiz Fux para ressaltar que “o juiz não pode, em hipótese alguma, se tornar protagonista do processo”.

Do Núcleo 1, o “crucial”, faltam as sustentações orais das defesas dos também generais Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa, e Walter Braga Netto, ex-ministro da Defesa e da Casa Civil.

AP 2.668

Isabella Cavalcante

é correspondente da revista Consultor Jurídico em Brasília.

Sasso disse:
04 de setembro de 2025 às 07:40

A luz do meu pensamento o STF esta cumprindo ordens do executivo que pertence ao LULA que deseja a vingança a todo
custo para que Jair Messias bolsonaro não tenha o privilegio de concorrer nas eleições de 2026 ,E é do conhecimento de todos que o Alexandre de Mores nesse diapasão pegou o Mauro Cid como cobaia para ser delator contra o ex-presidente da Republica Jair Bolsonaro e com isso montou toda essa trama de suposto golpe ao prédio tendo como participantes pessoal do PT infiltrado la dentro antes do quebra quebra e abriram as portas para que se consumasse o feito.e,incriminae o Bolsonaro que mal saia da sua casa para apaziguar os ou as pessoas que viram que o exercito estava do lado dele até a posse do LULA nunca o Mauro Cid faria taal delação se não fosse ameaçado de prisão pelo Alexandre de Moraes issso é fato o STF Ameaço e houve gestos de tortura do Cid nessa ocasião torturas psicologicas para ele delatar um esquema que nunca houve um kogo sujo do Ministro para achar um culpado e como chefe de Policia Federal continuou a perseguir Bolsonaro até chegar a colocar tornozeleira no mesmo e deixar preso em sua própria casa e ser vigiado 24 horas por dia como se fosse um marginal isso é uma situação incabivel na historia Brasileira de prender um ex Presidente por uma armação do executivo com ódio de vingança contra os apoiadores do Jair Bolsonaro .

Ademilson Rodrigues Ribeiro disse:
04 de setembro de 2025 às 10:24

Recomendo que, quem quiser de fato se informar sobre esse julgamento, evite a imprensa e os periódicos especializados. A melhor coisa a se fazer é assistir e tirar suas próprias conclusões. Ontem vi os defensores durante o dia e a CNN a noite. Parecia que estávamos em casos diferentes... É impressionante a arrogância e a certeza da imprensa de que todos somos idiotas e que eles têm a tutela da verdade para nos guiar. Chega a ser cômico.

Plinio G. Prado Garcia disse:
05 de setembro de 2025 às 11:18

Os advogados de Bolsonaro estão fazendo uma exclente defesa judicial como criminalistas. Todavia, como tenho recomendado, a questão envolve, antes de mais nada, tema constitucional sobre competência de foro. E o STF é, aí, incompetente. Essa incompetência enseja arguição intercorrente nos casos em andamento, e, nos já encerrados, ação revisional das condenações. Aguardemos o que estou provocando.

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