recado claro

Lula defende Judiciário em discurso na ONU: ‘Agressão inaceitável’

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu o Judiciário brasileiro em discurso na abertura da Assembleia-Geral das Organização das Nações Unidas (ONU), nesta terça-feira (23/9). Sem citar nomes, Lula afirmou que o Brasil sofre uma tentativa de “ingerência em assuntos internos”, que conta com o apoio “de uma extrema direita subserviente e saudosa de antigas hegemonias”.

“Não há justificativa para as medidas unilaterais e arbitrárias contra as nossas instituições e nossa economia. A agressão contra a independência do poder Judiciário é inaceitável”, declarou.

Ricardo Stuckert / PR

Discurso de Lula na abertura da Assembleia Geral da ONU

Lula citou a recente condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros sete réus por tentativa de golpe de Estado e crimes relacionados. O governo dos Estados Unidos, que classifica esse julgamento como perseguição política, aplicou o tarifaço contra produtos brasileiros e sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, com o objetivo declarado de retaliar o Brasil.

“Há poucos dias, e pela primeira vez em 525 anos de nossa história, um ex-chefe de estado foi condenado por atentar contra o estado democrático de direito. foi investigado indiciado e julgado e responsabilizado pelos seus atos em um processo minucioso teve amplo direito de defesa prerrogativa que as ditaduras negam as suas vítimas”, disse Lula na ONU. 

O presidente ressaltou que, mesmo sob “ataques sem precedentes”, o Brasil optou por resistir e defender sua democracia. Com isso, segundo ele, o Brasil enviou um recado claro a “todos os candidatos a autocratas” de que a democracia e a soberania do país são “inegociáveis”.

Críticas a Israel

Além da defesa institucional, o discurso de Lula na ONU abordou uma vasta gama de temas urgentes da agenda global. Ele criticou duramente o conflito em Gaza, afirmando que nada justifica o “genocídio em curso” e que ali estão sepultados “o direito internacional humanitário e o mito da superioridade ética do Ocidente”.

Lula considerou os atentados do Hamas “indefensáveis”, mas declarou que a fome está sendo usada como “arma de guerra” e defendeu que a única solução duradoura é a criação de um Estado palestino independente e reconhecido pela comunidade internacional.

COP 30

A crise climática também ocupou espaço central na fala do presidente. Ele convocou os líderes mundiais para a COP 30, que será promovida em Belém, e a chamou de “COP da verdade”. Lula destacou que o Brasil já reduziu pela metade o desmatamento na Amazônia nos últimos dois anos e se comprometeu a cortar as emissões de gases de efeito estufa entre 59% e 67%.

O presidente apontou a necessidade de justiça climática, argumentando que os países ricos desfrutam de um padrão de vida obtido “às custas de 200 anos de emissões” e que as nações em desenvolvimento precisam de mais acesso a recursos e tecnologias para enfrentar a crise.

Multilateralismo

Lula defendeu uma reforma da governança global, incluindo a ampliação do Conselho de Segurança da ONU e uma refundação da Organização Mundial do Comércio (OMC). “Poucas áreas retrocederam tanto como o sistema multilateral de comércio. Medidas unilaterais transformam em letra morta princípios basilares, como a cláusula de nação mais favorecida, desorganizam cadeias de valor e lançam a economia mundial em uma espiral perniciosa de preços altos e estagnação”, criticou.

O presidente também alertou para a disseminação de intolerância e desinformação em plataformas digitais. Ele afirmou que “a internet não pode ser terra sem lei” e que a regulação é necessária para proteger os mais vulneráveis, especialmente crianças e adolescentes, e para combater investidas contra a democracia.

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