Representantes dos principais bancos do país afirmaram, na quarta-feira (22/10), que o setor precisa ter mais acesso a dados do crime organizado para aprimorar a prevenção à lavagem de dinheiro e outras movimentações financeiras ilícitas.
Essa avaliação é dos responsáveis pelas áreas de Prevenção à Lavagem de Dinheiro e ao Financiamento do Terrorismo (PLDFT) nos bancos Itaú Unibanco, Bradesco e Banco do Brasil. Eles falaram no 15º Congresso de Prevenção à Lavagem de Dinheiro e ao Financiamento do Terrorismo, promovido em São Paulo pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

Executivos veem dificuldade dos bancos para monitorar dinheiro do crime
Os executivos afirmaram que os bancos têm dificuldade para monitorar a circulação do dinheiro do crime, que obviamente compartilha informações sem qualquer respeito a regras como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Para Alceu Del Petri Filho, superintendente-executivo de PLDFT do Bradesco, essa dificuldade aumenta à medida em que os grupos criminosos se infiltram na economia formal, em negócios como a venda de combustíveis.
“É preciso haver um compartilhamento das informações de inteligência. Lutar no dia a dia contra um crime que se organiza, que é tecnológico, e que usa cadeias lícitas, é cada dia mais desafiador.”
Os bancos desejam, por exemplo, que o poder público compartilhe bases de dados sobre presos, fugitivos e pessoas expostas politicamente (PEPs) — grupos que, em tese, estão mais suscetíveis a envolvimento em casos de corrupção e lavagem.
“No setor privado, nós ainda temos carência de muitas fontes de dados que o setor público tem, e nós poderíamos ter”, afirma Vinicius Santana, diretor responsável por PLDFT no Itaú Unibanco.
Articulação
A executiva de PLDFT do Banco do Brasil, Núbia Tavares, defendeu a integração entre as instituições financeiras e o poder público. Ela citou, como exemplo, um recente acordo firmado entre o banco em que atua e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin).
No âmbito desse acordo, no final de setembro, o banco aderiu à Câmara Temática do Sistema Financeiro Nacional, em colaboração com o Sistema Brasileiro de Inteligência (CTSFN-Sisbin), um colegiado que permite troca de informações estratégicas.
“O crime organizado é planejado e preparado, então nós temos que nos preparar também, tentando estar à frente deles. O desafio é grande e a gente precisa de controles mais robustos, de integração e parcerias público-privadas”, avalia Núbia.
“Tanto o setor público quanto o privado, e os reguladores, todos nós precisamos sentar à mesa e discutir o que é possível compartilhar. Respeitando LGPD, respeitando sigilo bancário, mas que a gente consiga avançar nisso também”, afirma Del Petri, do Bradesco.
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