roubando cliques

IA nas buscas do Google reduz tráfego de sites de notícias em 20,6%

As respostas geradas por inteligência artificial (IA) nas buscas do Google geram uma queda de ao menos 20,6% no tráfego de veículos jornalísticos na internet. É o que diz um estudo da empresa de análise de dados Authoritas, enviado por quatro entidades ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) no último dia 13. As informações são da Folha de S.Paulo.

Fernando Frazão/Agência Brasil

Pessoa usando o Google no celular

Estudo identificou que resumo gerado por IA do Google gera perda de audiência de sites jornalísticos

O recurso que fornece respostas geradas por IA no mecanismo de busca do Google se chama AI Overviews. Com ele, os usuários recebem um resumo em resposta à pesquisa. Ele aparece antes de qualquer link.

Conforme o estudo, isso gera um fenômeno conhecido como “zero clique”. As pessoas deixam de clicar nos links, pois ficam satisfeitas com o texto gerado pela IA com base no conteúdo desses sites — o que inclui os veículos jornalísticos.

Ou seja, os portais de notícias ficam sem o tráfego que historicamente tinham a partir das buscas do Google.

Conforme a Authoritas, respostas geradas por IA aparecem em 35,3% das buscas de notícias e assuntos atuais no Brasil.

Antes do AI Overviews, o primeiro resultado de uma pesquisa no Google era sempre um link, que atingia uma taxa de clique de 21,4%. Depois da incorporação desse recurso, essa taxa caiu para 8,93%. Assim, sites que antes ocupavam o primeiro lugar de uma busca agora perdem 58,3% dos visitantes que viriam dela.

Caixa preta

De acordo com o estudo, o Google se recusa a compartilhar dados detalhados para que os veículos avaliem o impacto dos resumos gerados por IA. Por isso, a queda no tráfego dos sites é uma estimativa.

Com a perda de audiência, a tendência é que os veículos percam receita, tanto publicitária quanto de assinaturas, diz o estudo.

Isso é agravado pelo fato de que as ferramentas de IA do Google foram treinadas com dados extraídos de veículos jornalísticos sem qualquer permissão ou remuneração. Os resumos são gerados a partir de dados desses sites, embora os portais de notícias não tenham autorizado essa prática nem recebam qualquer compensação por ela.

O caso no Cade, aberto em 2018, é um inquérito administrativo que apura se o Google usa material jornalístico de forma indevida para ganho próprio sem remunerar os produtores do conteúdo.

O estudo da Authoritas foi submetido ao Cade pelo Instituto de Defesa de Consumidores (Idec), pelo Centro de Tecnologia e Sociedade da Escola de Direito do Rio de Janeiro da Fundação Getulio Vargas (FGV Direito Rio) e pelas organizações Foxglove e Artigo 19.

O Google alega que o volume total de cliques orgânicos da sua busca permaneceu estável a partir do AI Overviews. Também afirma que, depois da incorporação desse recurso, houve aumento nos cliques de qualidade (quando o usuário passa mais tempo no site).

A empresa também diz oferecer aos sites a opção de impedir o uso de seus dados nos treinamentos das ferramentas de IA. Mas o estudo enviado ao Cade destaca que os jornais podem ser excluídos dos resultados das buscas ao fazer isso.

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