
Gouvêa foi detido nos Estados Unidos depois de disparar com arma de chumbinho próximo a uma sinagoga
O professor brasileiro Carlos Portugal Gouvêa, de 43 anos, que atuava como visitante na faculdade de Direito de Harvard, foi detido pelas autoridades de imigração (ICE, na sigla em inglês) dos Estados Unidos. Gouvêa também é professor associado de Direito Comercial da Universidade de São Paulo. As informações são da agência Reuters e do The Harvard Crimson.
A prisão ocorreu depois de o professor ter firmado acordo em que se declarou culpado por disparar uma arma de chumbinho próximo a uma sinagoga no estado do Massachusetts, em outubro deste ano.
Duas semanas depois do incidente, o Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS) revogou seu visto, conforme comunicado divulgado nesta quinta-feira (4/12).
Inicialmente, Gouvêa foi acusado no Tribunal Distrital de Brookline de vandalismo e três contravenções. Três das quatro acusações foram retiradas em razão do acordo.
A conduta do brasileiro foi vista pelo Departamento de Segurança Interna como um ato antissemita. A secretária adjunta do departamento, Tricia McLaughlin, condenou publicamente o episódio.
“Não temos nenhuma obrigação de admitir estrangeiros que cometem esses atos inexplicavelmente repreensíveis ou de permitir que permaneçam aqui. A secretária Noem (Kristi Noem, de Segurança Interna) deixou claro que qualquer pessoa que pense que pode vir para a América e cometer violência e terrorismo anti-americanos e antissemitas deve repensar suas ideias. Vocês não são bem-vindos aqui”, afirmou ela.
No momento da prisão, no entanto, as autoridades não citaram em nenhum momento qualquer crime de intolerância ou preconceito. O próprio presidente da sinagoga, Larry Kraus, e o diretor-executivo, Benjamin Maron, afirmaram que não acreditavam que o ato tinha conotação antissemita.
“Pelo que nos foi inicialmente informado pela polícia, o indivíduo não sabia que morava ao lado de uma sinagoga e que estava atirando com sua arma de chumbinho perto de uma, nem que era um feriado religioso”, disseram eles, segundo o The Harvard Crimson.
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