Um documentário lançado na última semana pela TV GGN relembra as ilegalidades cometidas no curso das investigações da finada “lava jato”. O filme traz entrevistas com personalidades como os juízes Eduardo Appio e Luciana Bauer; o professor de Direito Constitucional Pedro Serrano; o advogado Rodrigo Tacla Duran; a ex-procuradora-geral da República Raquel Dodge; e o ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal.

Sergio Moro e Deltan Dallagnol, os personagens principais da farsa lavajatista
A Caixa-Preta da Lava Jato faz um retrospecto das descobertas que, pouco a pouco, foram escancarando como atuavam o então juiz Sergio Moro, hoje senador, e seus auxiliares na 13ª Vara Federal de Curitiba; Deltan Dallagnol e outros integrantes do Ministério Público paranaense; desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, como Marcelo Malucelli; e funcionários do Poder Judiciário.
Das revelações sobre grampos ilegais — inclusive de autoridades com prerrogativa de foro — à manipulação de processos, passando pelos métodos de Moro e sua equipe, os participantes do documentário falam como testemunhas oculares de diversos momentos, e a narrativa vai sendo entrelaçada na sequência cronológica dos fatos. Ao fim, eles cobram uma ação da Procuradoria-Geral da República sobre o relatório da Corregedoria Nacional de Justiça que apontou indícios de crimes e conluio de juízes e procuradores para o desvio de R$ 2,5 bilhões da “lava jato”.
Projeto político
Em sua participação no documentário, Gilmar Mendes faz duras críticas à condução da “lava jato”. O magistrado afirma que alguns imaginavam que só um segmento político seria afetado pela autodenominada força-tarefa; porém, a política como um todo foi envolvida no que ele chama de “grande confusão”. Gilmar diz ainda que o combate à corrupção foi instrumentalizado pelos lavajatistas, que tinham como objetivo verdadeiro dominar o sistema político.
“Houve uma concentração de poder nesse grupo, e quase que um consórcio, como depois a ‘vaza jato’ e a ‘spoofing’ iam revelar. Um jogo todo combinado entre promotores, juízes, procuradores, todos atuavam juntos e separados. As denúncias sobre corrupção espantavam, depois você começa a ver que estavam instrumentalizando o combate à corrupção para um domínio do sistema político como um todo”, afirma o decano do STF.
O ministro criticou também a pressão dos lavajatistas sobre o Supremo: “Não tinha ocorrido, pelo menos nessa dimensão, que um juiz emparedasse um tribunal. O rabo abanando o cachorro. Quer dizer, qualquer decisão que tomávamos: ‘Isso é contra a lava jato’. Como se fosse contra a Santíssima Trindade. E depois se descobre que aquilo tudo era extremamente inconsistente e extremamente viciado”, conclui.
Antes da estreia, foi ao ar uma live conduzida pelo jornalista Luís Nassif. Ela contou com a presença dos advogados Cezar Bitencourt, Gisele Cittadino e Wilson Ramos Filho; do ex-ministro José Dirceu; de Eduardo Appio; e do jornalista Luís Costa Pinto.
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