Olhar distorcido

Viés ideológico explica baixa credibilidade da imprensa nos EUA, diz editor

Uma pesquisa recente do Gallup, um dos maiores institutos de pesquisa dos Estados Unidos, revela que a imprensa do país vive uma crise de credibilidade inédita. Em outubro do ano passado, a sondagem apontou que apenas 28% dos adultos americanos dizem ter “muita” ou “razoável” confiança de que a mídia de massa (jornais, TV e rádio) noticia os fatos de forma completa, precisa e justa.

Desde a primeira edição da pesquisa, na década de 1980, foi a primeira vez que esse índice ficou abaixo de 30%.

10.fev.2026 - Gerard Baker, editor-chefe do The Wall Street Journal

Para Baker, jornalistas dos EUA abriram mão da objetividade devido ao viés ideológico

Para o jornalista Gerard Baker, editor-chefe do The Wall Street Journal, essa crise de confiança não é resultado apenas de mudanças tecnológicas ou de ataques de políticos, mas consequência direta do viés ideológico e da omissão deliberada de fatos pelos próprios veículos de comunicação.

Segundo a análise de Baker, embora muitos jornalistas se apresentem como os únicos guardiões da democracia — sob o lema de que ela “morre na escuridão” —, essa postura ignora o papel ativo que a mídia desempenhou em minar a confiança pública.

O editor argumenta que a insistência em culpar as redes sociais, a desinformação ou figuras como o presidente Donald Trump serve para ocultar a responsabilidade dos próprios repórteres na distorção da realidade.

Silêncio seletivo

Para sustentar seu argumento, Baker cita o baixo índice de confiança da população — apenas cerca de um quarto dos americanos diz confiar na mídia — e atribui isso a uma série de coberturas que ele classifica como “distorções jornalísticas”. Ele elenca como exemplos a cobertura da pandemia de Covid-19, os protestos do Black Lives Matter e a narrativa sobre um suposto conluio entre Trump e a Rússia para as eleições.

“Prêmios Pulitzer foram concedidos para reportagens falsas sobre uma investigação falsa de atividades falsas”, afirmou o editor, referindo-se à cobertura do caso da Rússia, que ele classifica como uma farsa que devastou a credibilidade do setor.

No entanto, Baker ressalta que o problema mais grave e difícil de medir não é o que é publicado, mas o que é silenciado. “A forma mais importante de viés não é o que as organizações de notícias reportam, mas o que elas escolhem não reportar”, critica.

Para o editor, a cobertura da imigração nos EUA é um exemplo do que ele chama de “silêncio seletivo”. Segundo ele, enquanto a imprensa se dedicou a expor excessos na fiscalização de fronteiras e a exaltar a contribuição econômica dos migrantes, houve um apagão deliberado sobre os impactos negativos nas comunidades locais, como os custos públicos e a criminalidade. “Quantos jornais fizeram reportagens longas sobre esses crimes ou sobre suas vítimas?”, questiona.

O editor conclui alertando que, embora o mercado de mídia não esteja morrendo, ele se tornou menos eficaz como ferramenta de accountability (prestação de contas). Para Baker, no momento em que o país mais precisava de uma imprensa confiável para fiscalizar o poder executivo, “seus praticantes desperdiçaram a fé do público”.

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