Em uma entrevista concedida ao jornal espanhol El País, o juiz Rodrigo Mudrovitsch, novo presidente da Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH), afirmou que um dos principais objetivos de sua gestão é aproximar o tribunal dos jovens.
Mudrovitsch tomou posse em 26 de janeiro e terá um mandato de dois anos (biênio 2026–2027) à frente da corte. Segundo ele, a juventude “pode nos ajudar a construir um tribunal de portas abertas”.

O juiz Rodrigo Mudrovitsch pretende aproximar jovens da Corte IDH
“Nós percebemos um forte desencanto dos jovens com a política, os direitos humanos e o futuro”, lamentou o juiz.
Na entrevista, ele ressaltou a importância de fortalecer a cultura do controle de convencionalidade na América Latina. Mudrovitsch citou exemplos recentes de sentenças envolvendo Nicarágua e Venezuela que acabaram servindo como parâmetros para tribunais locais de outros países, como a Costa Rica.
Questionado sobre a eficácia das decisões da corte, muitas vezes criticadas por ativistas por sua falta de efeitos práticos, o novo presidente foi enfático: “A corte representa um microfone muito potente, é uma caixa de ressonância que gera algo que vai além do caso concreto”. Para garantir que esse som se traduza em atos, Mudrovitsch planeja aumentar o pessoal dedicado à supervisão de sentenças e intensificar as visitas dos juízes aos territórios.
O presidente da Corte IDH também disse que o tribunal deve avançar em breve em duas opiniões consultivas fundamentais: uma sobre a emergência climática, outra sobre o direito ao cuidado. Além disso, ele mencionou que a discussão sobre a democracia na Guatemala será um marco para definir as obrigações institucionais de preservação do Estado de Direito na região.
Clareza e firmeza
No X (ex-Twitter), o ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal, elogiou a postura e as diretrizes estabelecidas por Rodrigo Mudrovitsch à frente da Corte IDH. Para o magistrado, a clareza com que o juiz expõe os dilemas do sistema interamericano e sua atuação em temas como direitos dos povos indígenas e proteção ambiental autorizam uma confiança na concretização de uma agenda voltada à estabilidade democrática.
“Que esses compromissos sirvam de exemplo para os demais organismos multilaterais e para as nações democráticas”, disse Gilmar.
O decano do STF afirmou também que a agenda de Mudrovitsch projeta uma instituição orientada à defesa intransigente das garantias judiciais. “Seu histórico na corte autoriza confiança na concretização desses objetivos.”
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