Trajetórias profissionais

Evento do Leite, Tosto e Barros apresenta futuro da advocacia a estudantes

“Sejam muito bons naquilo que vocês escolherem, é isso que vai fazer a diferença”, foi o conselho de Ricardo Tosto, sócio fundador do escritório Leite, Tosto e Barros Advogados, sobre o Direito do futuro a um grupo de jovens estudantes do ensino médio que ainda estão tateando o que farão com a própria trajetória. A conversa com os jovens de duas escolas de São Paulo e Santo André, o “A” de ABC e cidade colada à capital, durou quase uma hora e foi promovida na semana passada na sede do escritório.

O advogado Ricardo Tosto falou com estudantes do ensino médio

Com mais de cem advogados em seu quadro, a busca por talentos no LTB começa cedo. Desde 2016, o escritório se aproxima de estudantes para apresentar a carreira jurídica por quem faz — Tosto é assíduo no esforço de receber regularmente alunos do ensino médio e universitários para conversas abertas. O objetivo é contribuir com a formação e orientar os futuros profissionais do Direito. 

“Faculdade boa, inglês ótimo e muita dedicação”, e repetido também pelo seu inverso, para não restar dúvida sobre a mensagem: “Não faça uma faculdade ruim”. Tosto estava, na verdade, olhando para o mundo com IA e enfatiza a capacidade de ser capaz de adaptar (e, por isso incluiu, o mandarim nas línguas mandatórias do futuro).

“Se você for igual a todo mundo, vai concorrer com a IA”, prevê. Cita também as formações-coringa, que (ainda) dão as melhores chances para um mundo que se transforma em rapidez e extensão alucinantes: Direito, administração, economia e engenharia. “Você não vai trabalhar a vida inteira no que você fez na faculdade, você vai migrar em algum momento.” 

A presença da IA no dia a dia é um tema urgente que não vai esperar que os jovens alunos amadureçam. “O Direito mais básico, de massa, deve diminuir” sob a torrente de soluções automatizadas e, com ele, uma fatia “terrível” das vagas na profissão vão-se embora. A sobrevivência já depende, e vai depender ainda mais, de dominar “muito bem” uma área de atuação. “Ser generalista hoje me parece um problema. Eu sou generalista, mas eu sou de outra época”, diz em defesa própria (e não seria necessário).

A síntese do mundo real começa com os números gerais do mercado escolhidos por Tosto: 1,4 milhão de advogados no país; 4 milhões de bacharéis sem OAB; um estoque de 80 milhões de processos no contencioso, e essa “loucura”, como qualifica, faz com que a justiça seja demorada. “A Justiça pode não ser rápida”, diz o advogado de contencioso acostumado a brigar por anos a fio em casos que se alongam por mais de uma década. 

Aos 63 anos, Tosto é de uma geração que viu nascer o computador pessoal, o Windows, a internet e o Google, os onipresentes celulares e as redes sociais. A ideia de desaparecer é real: foram-se, nesse meio tempo, o telefone de mesa (e o vocabulário em seu entorno: “discar” e o hoje desprovido de materialidade “telefone sem fio”, por exemplo, ou até do hábito de decorar números), a máquina de escrever e o fax de breve existência, entre tantas tecnologias de escritório. Tem clareza de que a IA vai causar a readequação de algumas funções e que escolhas certas equivalem a sobrevivência. 

O advogado, que lidera um dos escritórios mais combativos do país em matéria de contencioso e presidiu as comissões de Modernização do Judiciário e de Reforma do Judiciário da OAB, afirma sua visão prática da profissão ao defender a importância do estágio (“fiz três, foi fundamental para mim”), o domínio em profundidade como vacina antiobsolescência, a extensão do tempo de preparo com um LLM e, se possível, uma experiência fora do país — e finanças, se você quiser gerir um escritório.

Tosto defende a atualização do ensino de Direito em termos duros, cita as escolas que vão bem e que vão mal e discorre rapidamente sobre as áreas de especialização sem pretensão de ser exaustivo — foi mais um lance sobre o futuro, porém: o Direito digital, que nem existe ainda; arbitragem; Direito dos jogos; o tributário e assim por diante (a conversa correu mais pelo lado empresarial). Faria, porém, Mackenzie de novo, pela liberdade de poder fazer estágio desde cedo.

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