Derrota do governo

Senado rejeita indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal

Com 42 votos contra e 34 a favor, o Plenário do Senado Federal rejeitou na noite desta quarta-feira (29/4) a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. O advogado-geral da União precisava de ao menos 41 votos para ter seu nome aprovado na casa legislativa.

Carlos Moura/Agência Senado

Plenário Senado

Plenário do Senado rejeitou o nome de Messias na noite desta quarta-feira

Pouco mais de uma hora antes, Messias havia sido aprovado em votação na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Após uma sabatina que durou oito horas, o AGU obteve 16 votos, com 11 contra.

Messias teve um bom desempenho durante a sabatina. Porém, o cenário indicava que a votação no Plenário seria acirrada, pois, nos bastidores, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, articulava a rejeição para impor uma derrota ao governo.

Após a votação, ainda no Senado, Jorge Messias se pronunciou sobre o resultado:

“Eu acho que hoje nós estamos diante de um processo que tem um grande significado. Não é simples, para alguém com a minha trajetória passar por uma reprovação”, declarou à imprensa, completando: “Sei que a minha história não acaba aqui. Eu tenho 46 anos, tenho história, tenho currículo, tenho a vida limpa, passei por cinco meses um processo de desconstrução da minha imagem, toda a sorte de mentiras para me desconstruir ocorreu. Nós sabemos quem promoveu tudo isso”.

O advogado-geral da União afirmou que cumpriu seu dever de forma íntegra e franca e agradeceu aos senadores que apoiaram sua indicação ao STF.

“Eu cumpri o meu desígnio, participei de forma íntegra e franca de todo esse processo, me submeti durante cinco meses a um escrutínio que é decorrente do próprio processo constitucional, fui recebido por 78 senadores, fui recebido de forma generosa, não tenha nada a falar nem a reparar acerca conduta de ninguém. Sou grato aos votos que recebi. Acho que cada um de nós cumpre seu propósito, eu cumpri o meu.”

Esta é a segunda vez na história da República que um indicado ao STF é rejeitado pelo Senado. A primeira foi em 1894, durante o governo do marechal Floriano Peixoto, o segundo do período republicano. Naquela ocasião, cinco nomes receberam resposta negativa dos senadores: Barata Ribeiro, Innocêncio Galvão de Queiroz, Ewerton Quadros, Antônio Sève Navarro e Demosthenes da Silveira Lobo.

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