Furo na narrativa

Celulares desmentem denúncia contra desembargador e ex-presidente da Alerj

Dados extraídos de celulares indicam que o ex-deputado Rodrigo Bacellar e o desembargador Macário Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, não estiveram em um suposto encontro em uma churrascaria, apontado como fundamento da denúncia do Ministério Público Federal contra ambos.

O magistrado foi preso em dezembro de 2025, na segunda fase da operação “unha e carne”. Ele é acusado de ter vazado para Bacellar, que à época presidia a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), a informação de que a Polícia Federal faria uma ofensiva contra o parlamentar Thiego Raimundo dos Santos, o TH Joias.

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antena telefonia celular

Registros das ERBs indicam que Macário e Bacellar não se encontraram

Segundo a denúncia, o vazamento teria acontecido em um jantar em uma churrascaria no Aterro do Flamengo, na véspera da ação policial, em 2 de setembro de 2025.

Mas registros de Estações Rádio Base (ERBs), que mapeiam a localização dos aparelhos, indicam que os dois investigados sequer estiveram na mesma região naquela noite. Os registros foram relatados em uma petição da defesa do desembargador ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo Tribunal Federal.

De acordo com o rastreamento feito pelas operadoras de telefonia, Macário saiu da sede do TRF-2 e foi para um restaurante no Leblon, onde permaneceu até as 23h19. Depois, o magistrado foi diretamente para casa, na Barra da Tijuca, em um trajeto contínuo, sem passar pelo Aterro do Flamengo. A distância entre o restaurante no Leblon e a churrascaria é de cerca de 14 quilômetros.

Já os dados de antena do celular de Rodrigo Bacellar revelam que o aparelho ficou conectado em Copacabana. Mesmo distante do Aterro do Flamengo, o ex-deputado enviou mensagens via aplicativo de comunicação para conhecidos afirmando estar na churrascaria com o magistrado.

O cruzamento das informações telefônicas comprovou que Bacellar estava em uma praça a cerca de 12 quilômetros do estabelecimento, enquanto Macário continuava no Leblon. A defesa sustenta que o motivo pelo qual Bacellar utilizou o nome de Macário como código naquela noite foge à compreensão, e frisa que os telefones periciados não mostram comunicação entre eles no dia dos fatos.

A petição apresentada ao STF aponta ainda que as informações que descartam a reunião na churrascaria já eram de conhecimento da Polícia Federal desde 5 de janeiro de 2026, mas não foram incluídas no relatório final da investigação.

Com base nesses novos elementos, a defesa pediu a revogação da prisão preventiva, argumentando que a investigação já foi encerrada e que não há risco de fuga. No início de maio, Alexandre havia mantido a prisão preventiva do desembargador, seguindo parecer da Procuradoria-Geral da República, com base em alegados riscos de fuga e de continuidade delitiva.

O desembargador é representado pelos advogados Laura de Azevedo Marques, Eduardo Macul Ferreira de Barros, Lucas Santos Silva Calixto e Patrick de Oliveira Berriel.

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