mais sigla, menos ego

Ministro do TSE defende lista fechada nas eleições parlamentares e voto distrital misto

O ministro Floriano de Azevedo Marques Neto, do Tribunal Superior Eleitoral, defendeu, nesta terça-feira (2/6), que o Brasil adote um modelo de lista fechada nas suas eleições parlamentares, em contraposição à atual lista aberta. Ele também se posicionou a favor do voto distrital misto.

Reprodução/YouTube IDP

Floriano de Azevedo Marques Neto falando no XIV Fórum de Lisboa

Ministro Floriano de Azevedo Marques Neto palestrou no XIV Fórum de Lisboa

No modelo de lista aberta das eleições proporcionais, o eleitor vota no candidato de sua preferência e os mais votados assumem as vagas conquistadas pelo partido. Já na lista fechada, o eleitor vota apenas no partido, que define uma ordem entre seus candidatos. Assim, conforme o número de vagas obtidas pela sigla, os primeiros candidatos da lista partidária assumem as cadeiras, independentemente dos votos individuais.

Já o voto distrital misto é um sistema em que metade dos parlamentares é eleita pelo voto majoritário e a outra metade pelo sistema proporcional. O eleitor apresenta dois votos: um para o candidato a deputado do seu distrito e outro para a legenda. Floriano, que vê esse modelo como ideal, defende uma lista fechada para a definição dos eleitos pelo voto na legenda.

Essas ideias de reforma política foram apresentadas pelo ministro durante o painel “Parlamentos na era digital, entre representação e desintermediação: é hora de reformar o sistema político?”, do XIV Fórum de Lisboa.

Para o magistrado, o modelo atual de lista aberta tem “várias patologias”, pois incentiva candidatos a se elegerem a partir de discursos radicais na internet e permite que influenciadores digitais sejam eleitos apenas por agradarem ao público, mesmo se não apresentarem qualquer proposta.

Na sua visão, isso enfraquece os partidos, que se veem obrigados a recrutar tais pessoas para obter votos e conquistar vagas no Parlamento. Além disso, representações corporativas são perdidas: “Cada vez menos são eleitos candidatos de sindicatos dos trabalhadores e patronais, de comunidades específicas etc.”.

Já na lista fechada, segundo Floriano, há “uma seletividade, uma hierarquização e um equilíbrio entre fenômenos eleitorais e fenômenos políticos”.

De acordo com o ministro, a partir do voto distrital misto com lista fechada, lideranças locais e comunitárias conseguem “furar a fila” das burocracias partidárias. Outra vantagem é aumentar “a velocidade da equidade de gênero”, pois candidatas mulheres conseguem combinar posições mais destacadas na lista do partido.

Também participaram do painel o senador Camilo Santana (PT-CE), o deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP), a deputada federal Amanda Gentil (PP-MA) e o ex-deputado Rodrigo Maia, hoje diretor de Relações Institucionais do BTG Pactual. A mediação ficou a cargo de Otavio Luiz Rodrigues Jr., professor de Direito Civil da Universidade de São Paulo.

Clique aqui para ver o segundo dia do Fórum ou assista abaixo:

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