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Advogado dá dicas para escritório enfrentar concorrência

Oferecer o melhor produto e da forma mais econômica (e isso não quer dizer que seja o mais barato) é preciso para vencer a concorrência. Desenvolver uma visão de negócios para aumentar a capacidade de fechar contratos também é essencial. Esses devem ser os principais objetivos dos advogados de escritórios e também daqueles que trabalham nos departamentos jurídicos de empresas.

É com essas metas que Pedro de Abreu Mariani dirige o departamento jurídico da Ambev, uma das maiores companhias de bebidas. A sua gestão dos processos tem foco em resultados. Ele admite que recompensar aqueles advogados que atingem a meta da empresa é uma boa forma de obter sucesso. Mariani falou sobre metas e procedimentos necessários para alcançá-las durante palestra no Ibmec Direito, em São Paulo, na quarta-feira (20/6).

O advogado esclarece que as metas “não saem da cabeça do dirigente”, mas são decorrentes das exigências do mercado. Exemplos delas podem ser a redução do número de processos na área trabalhista, aumentar a receita da empresa ou escritório em comparação ao ano anterior, evitar que a companhia sofra processo em casos repetidos e que podem ser evitados e oferecer bom retorno financeiro aos investidores (nos casos de companhias abertas).

Para isso, remunerar bem os advogados especializados é fundamental. A idéia é garantir a retenção dos talentos, que de fato fazem a diferença. Dar a possibilidade de os profissionais receberem renda variável também é uma boa forma de remunerar.

Ter um sistema de acompanhamento das ações também é de extrema importância para o bom andamento dos negócios. O especialista conta que o desencontro das informações costuma acontecer e trazer prejuízos tanto às partes quanto ao escritório. Por isso, um sistema centralizado das informações deve ser desenvolvido. Com ele, no caso dos departamentos jurídicos, advogados internos se mantêm atualizados sobre o trabalho dos advogados terceirizados.

Um controle dia-a-dia dos casos que podem ser mal sucedidos e quanto eles devem custar às empresas deve fazer parte da forma de gestão dos escritórios e jurídicos, diz Mariani. Segundo ele, há pouco tempo as companhias começaram a prestar atenção nesse número, que muitas vezes é relevante e pode comprometer as metas de toda a empresa, não só do jurídico. Os processos em que ainda é impossível saber o resultado, porque ainda não há jurisprudência ou porque tratam de matérias novas, também devem ser acompanhados de perto.

Outro procedimento necessário aos escritórios e empresas é a construção de um código de governança interna, o chamado compliance. Assegurar que essas regras sejam cotidianamente respeitadas é um trabalho que deve ser feito sempre, por meio de treinamento. Dessa forma, as condenações mais comuns podem ser evitadas. Para os que não cumprirem, diz Mariani, redução na renda variável é uma ótima forma de punição, porque traz resultados.

Pedro Mariani confessa que esse procedimento dá trabalho, leva tempo em reuniões com toda a equipe. No entanto, os benefícios alcançados são muito bons.

O processo para se atingir uma meta, explica, parte da identificação do problema. Depois da observação de como ele se dá, é preciso desenvolver um plano de ação e implementá-lo. Daí, os resultados devem ser verificados. Segundo ele, a uniformização dos procedimentos evita muitos problemas.

Aos que pretendem aprofundar o conhecimento nessa área, Mariani recomenda a leitura do livro Gerenciamento da Rotina do Trabalho do Dia-a-Dia, do especialista Vicente Falconi.

Lilian Matsuura

é repórter da revista Consultor Jurídico.

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