Uma instituição jurídica que atravessa 151 anos de história serve exatamente para aquilo que o país mais precisa: memória, reflexão, equilíbrio institucional e compromisso público.
O Instituto dos Advogados de São Paulo (Iasp), fundado em 1874, chega ao seu aniversário não apenas como uma das entidades jurídicas mais antigas do país, mas como uma das vozes mais respeitadas e influentes do Direito brasileiro.
Em tempos de mudanças aceleradas, o Iasp cumpre um papel raro: funciona como um ponto de equilíbrio institucional, sustentado por cultura jurídica sólida, independência intelectual — jamais subordinada a interesses corporativos — e firme compromisso com a República.
Em 2025, sua força motriz ficou evidente em inúmeras frentes. No debate sobre o novo Código Civil, o Instituto defendeu um processo legislativo transparente e plural, compatível com a importância da lei que estrutura a vida civil do cidadão. Atuou em discussões essenciais sobre o Marco Civil da Internet, inteligência artificial e direitos digitais, colaborando com o CNJ e especialistas para construir parâmetros que conciliem inovação tecnológica com proteção constitucional e segurança jurídica.
Também participou de temas estruturantes de políticas públicas: transação tributária, regulação financeira, precatórios, licenciamento ambiental, segurança pública e mudanças processuais. Em todos, a marca do Iasp foi a mesma: rigor técnico, independência e compromisso com o Estado de Direito. Reforçou seu diálogo com o CNJ e com os tribunais como amicus curiae, defendendo pilares essenciais à democracia — a colegialidade, as prerrogativas da advocacia e a autocontenção judicial. Um estudo aprofundado, “Supremo em Perspectiva: diagnósticos das disfunções”, será divulgado em janeiro de 2026.
Clareza de missão

O ano foi igualmente marcado pelo fortalecimento institucional. Convênios com a Faculdade de Direito da USP, PUC-SP, FGV, Universidade de Lisboa e Universidade de Salamanca ampliaram a presença acadêmica do Instituto. A reestruturação da Câmara de Mediação e Arbitragem projetou o Iasp como referência contemporânea em métodos adequados de resolução de disputas. Cursos, seminários e homenagens mobilizaram a comunidade jurídica e lembraram que o instituto continua sendo uma casa de cultura viva, onde o Direito dialoga com a história, a literatura, a filosofia e a vida pública.
O Iasp oferece pertencimento a um projeto maior do que cada um de nós. Oferece tradição, mas também movimento; oferece passado, mas projeta futuro; oferece voz, mas exige responsabilidade. “Ser Iasp” é participar de uma comunidade que pensa o Direito com profundidade e age com coragem institucional.
Ao completar 151 anos, o instituto se projeta para 2026 com clareza de missão. O próximo ano trará desafios complexos: o andamento das reformas legislativas, a necessidade de fortalecer a democracia, a preservação do equilíbrio entre os Poderes e a defesa intransigente das prerrogativas profissionais. Nenhuma dessas tarefas se cumpre de modo isolado. Exigem união entre a advocacia, a magistratura, o Ministério Público, as universidades e as entidades irmãs.
Da mesma forma como o fez na criação da OAB, o Iasp seguirá trabalhando para qualificar o debate público, contribuir para a estabilidade institucional e afirmar que segurança jurídica, liberdade e responsabilidade democrática são conquistas que precisam ser permanentemente defendidas.
Celebramos, assim, um futuro que já começou — um futuro em que o Iasp, com autonomia intelectual e coragem institucional, continuará exercendo seu papel de formulador de políticas públicas, iluminando as discussões jurídicas e ajudando o país a construir, dia após dia, uma sociedade justa, livre e fiel aos valores democráticos.
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