Ela estudou para a prova durante três meses, segundo disse na entrevista (ler aqui). Sua “metodologia”: leu as questões das provas anteriores, leu o Estatuto da OAB e o Código de Ética, porque “sabia que para acertar todas as questões de Deontologia Jurídica era essencial”. Diz mais: “A primeira fase se resumiu em fazer vários exercícios, mesmo aprendendo sobre aquele conteúdo com o gabarito das questões. Já para a 2ª fase estudei um livro de Constitucional para concursos pois a linguagem era mais direta e rápida, tendo que adotar tal doutrina por ter pouco tempo para muito conteúdo. Li também um livro com as peças prático-profissionais resolvidas, já que eu não conhecia e nem sabia como era uma peça. A partir daí passei a resolver todas as provas em casa para não errar no dia.”
Bom, as matérias que ela teve contato na faculdade foram Deontologia Jurídica, Direito Constitucional e Direitos Humanos. O restante, ela “aprendeu” lendo os manuais representados pela literatura que se usa por aí. Na segunda fase ela escolheu Constitucional. Pronto. Passou. Tirou 4,4 de 5,0. O segredo dela, segundo suas palavras: “usou material de ótima qualidade”.
Fim do ato. Fecham-se as cortinas. Vou para o meu bunker.
Os concursos e os quiz shows
Tenho denunciado o fracasso do modelo de concursos públicos e prova da OAB de há muito. Ao mesmo tempo em que Thays passa depois de ter cursado apenas uma pequena parte do curso de direito, mais de 50% chumbam nesse exame. Os concursos públicos aferem apenas informações. Decorebas. Thays — e não quero tirar o mérito dela (meus sinceros parabéns para ela) — é o exemplo de que basta treinar. Não é necessário estudar no sentido de refletir. É necessário tão-somente fazer um bom adestramento.
Vamos todos para Estocolmo. O Nobel é nosso. Comunidade jurídica de terrae brasilis: por favor, vamos levar o direito a sério. Imaginemos na medicina um aluno de segundo período passar no “Exame de Ordem” deles (falo nas circunstâncias do caso retratado — não é impossível que algum Einstein passe; o que impressiona é o depoimento de Thays; ela foi aprovada sem ter cursado disciplinas, sem ter contato qualquer com a matéria, a não ser por via derivadíssima!). Quem se trataria com médicos brasileiros? Teríamos que fugir para outro lugar. E quem quer ser “tratado” pelos nossos “juristas”?
Bom, basta ver a qualidade dos livros didáticos e parte considerável da “doutrina” utilizada nas decisões e pareceres por aí. Invenção de princípios, ponderações que não passam de invencionices, reproduções de autores dos quais foram lidos resumos no Google… Nem mesmo a dogmática jurídica é levada a sério. Aliás, que dogmática jurídica temos, se, com apenas um semestre (ou dois) de Constitucional, a candidata já gabaritou o Exame da OAB? Hein?
E vejamos as salas de aula, as bancadas dos Fóruns e das meses do Tribunais. Direitos resumidos (e resumidinhos), simplinhos, mastigados (e mastigadinhos), direito Prêt-à-Porter (que não é doutrina francesa — vá que algum néscio pense que seja)… Insisto: parte (atenção, para não dar briga, eu disse parte) do material didático utilizado nas salas de aula e nos cursinhos de preparação deveria ter uma tarja com a advertência “o uso constante desse material fará mal a sua saúde epistêmica”. Na quarta capa, a foto de um “candidato” com cara “esquisita” (para ser eufemista) e a inscrição “usei e fiquei assim!”. Vejam a capa e a contracapa dos "livros mais utilizados", vistos alegoricamente:

Terrabrasiliensis de todos os matizes e lugares: levamos “tão a sério” o Direito que basta estar cursando duas ou três disciplinas para “passar” pelo filtro profissional… O que fizemos com o Direito? É ele uma racionalidade tão meramente instrumental que é possível apreendê-lo mediante decorebas e formulinhas escritas em dois ou três “mastigadinhos”, resumos e resuminhos?
Este é o “estado da arte”. A grande “sacada” dos concursos nos últimos tempos foi a LINDB, uma “leizinha” de quinta categoria que serve só para a elaboração de questões em provas e outros quetais. E quando veio a Resolução 75 exigindo “Humanismo” nas provas, surgiu darwinianamente uma literatura de terceira divisão para demonstrar que efetivamente não é possível levar alguma a sério neste país. Basta ver o que os livros sobre humanismo fizeram com Rawls, Aristóteles, positivismo, hermenêutica, Kant, etc. Neste ConJur já escrevi várias colunas sobre isso.
De nada adianta: vamos estocar comida!
Thays é um marco simbólico. Thays denunciou o sistema. Viva a Thays (e falo seriamente isso). Sem querer, ela demonstrou a nudez do rei e da realeza terrabrasiliana. Fundamentalmente denunciou o fracasso de um “modelo” ou de um “sistema”. Mas, pergunto: Será que isso servirá para alguma coisa? Servirá de advertência? Ou a notícia será escondida por outra notícia e pelo próximo escândalo no ensino jurídico e nos concursos?
A banalização faz com que tenhamos perdido a nossa capacidade crítica. Talvez devêssemos inventar um aparelho para colocar nas redes sociais, que apitasse de semana em semana, chamando a atenção para a notícia que vai desaparecendo, coberta por outras camadas de notícias. Poderíamos chamar a esse aparelho de “micômetro”, isto é, um mecanismo para denunciar o “mico” pago na(s) semana(s) anteriores. Talvez com isso não esquecêssemos a decisão do juiz que julgou deserto o recurso cujo prazo caiu em um domingo, a decisão que indeferiu a inicial por ter páginas “demais”, a tentativa de grampos “alrededor” do Palácio do Planalto, o professor que acabou com Aristóteles e com Gadamér (sic), o livro que “ensina” que quando a CF fala em armas da República, não está se referindo às armas de fogo… Talvez por isso ninguém se impressione quando um desembargador decide uma causa usando o Google Maps na hora da decisão, para dizer que o juiz se equivocou na prova… Ou quando doutrinadores confundem “citações de autores de filosofia” com o uso de paradigmas filosóficos… Ou quando a “grande sacada” é dizer que “o juiz boca da lei morreu”…e que agora a saída é a ponderação. Ou que “tudo é relativo”… O alarme poderia funcionar, pois não?
Afinal, por que os leitores acham que essas coisas acontecem no cotidiano das práticas judiciárias (e da doutrina que não mais doutrina)? Por quê? Porque Thays pode passar na prova de Ordem sem ter estudado direito o Direito. Porque para passar na prova de juiz federal ou Ministério Público Federal tem que decorar a legislação e responder pegadinhas sobre dispositivos da Constituição ou responder questões sobre extradição que só o examinador conhece. Ou responder a questões sobre Caio e Tício ou sobre a ladra Jane…
Formou-se uma imensa indústria em torno do “Direito” que parece estar sucateada, em crise, como a indústria de automóveis. As “montadoras” do direito estão em crise. E as ruas estão cheinhas de automóveis. Mas o governo agora vai financiar em 60 meses. Claro. Vai melhorar. Se me entendem a analogia, é claro!
Vale a pena “descascar os fenômenos”?
Nestes tempos de pós-modernidade, de fragilização de sentidos, de “grau zero de significação”, de instantaneidades, de “memes” e bizarrias, fico pensando, parafraseando Caetano: quem lê tanta notícia? E quem se importa com isso tudo? Na sociedade do espetáculo, vivemos a ascensão da insignificância, do mínimo, dos 140 caracteres. Não há mais segredos. E quando se tenta fazer desleituras (a la Harold Bloom), retirando as camadas de sentidos coagulados do senso comum teórico, no mesmo dia ou no dia seguinte novas camadas se superpõem, escondendo aquilo que foi desvelado. Vale a pena agir como Sísifo e rolar a pedra até o alto e ser jogado inexoravelmente para o início do tormento? Cartas para a Coluna.
Algum néscio aparece(rá) e dirá: lá vem esse chato criticando de novo os concursos, o ensino, a dogmática, as decisões, etc (e blá, blá, blá). Pois é. Talvez a nescio-cracia vença esse Armagedom epistêmico. Talvez já tenha vencido. Nós é que não nos damos conta. Burros que somos. Como dizia Eraclio Zepeda, ás águas da enchente desceram e cobriram a tudo e a todos… Nós é que não nos apercebemos que de há muito começara a chover no alto da serra!
As coisas por aqui em terrae brasilis são difíceis. Temos que matar dois leões por dia. E não fazer atalhos ao estilo Jeca Tatu, personagem de Monteiro Lobato, com o qual demonstrava o atraso nacional (sua filosofia era de que era melhor sentar em um banquinho de três pernas; para que quatro, se com três equilibrava melhor?) e por que plantar se as formigas comerão tudo… Somos incríveis: assinamos sete cartas de intenção com o FMI na década de 80 (a década perdida). Segundo um dos negociadores, cuja revelação foi feita para Elio Gaspari, “assinamos a primeira por engano, a segunda por distração. A terceira porque somos mentirosos, mas você não acha que, a partir daí, ou mesmo antes, estava tudo combinado?” Então: não parece que, nessa algaravia de concursos, ensino, literatura meia-boca, não ocorreram enganos, distrações e mentiras? Ou tudo isso já está combinado? Ou seja: tudo o que está ai não seria algo do tipo “ao não funcionar…funciona?”
Talvez a disfuncionalidade seja a própria funcionalidade.
Melancolicamente — em alemão, a palavra é Gelassenheit (um deixamento, mas ao mesmo tempo uma serenidade) — como homenagem a todos os leitores, reproduzo abaixo uma charge que recebi esta semana, que me foi mandada pelo aluno-doutorando Marcelo Ribeiro. Ela é autorreferente. Nenhuma linha precisa ser dita.

Post scriptum: dia 2 de maio, sexta-feira, faço a conferência de encerramento do dia na ABDCONST em Curitiba — Teatro Guaíra. E lanço vários livros logo após. Falarei sobre O Constitucionalismo: os limites do sentidos e os sentidos dos limites.
Thais, parabéns!
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Você provou para um montão de bacharéis, aqueles preguiçosos que somente sabem reclamar, que basta estudar para passar no Exame de Ordem.
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Isso é muito bom! O exemplo da jovem Thais demonstra que o Exame de Ordem é factível e necessário para admitir novos advogados.
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Vendo por outro lado, o Exame da Ordem poderia ser até um pouco mais difícil.
E. Coelho, senhor jornalista... Nem se deu ao trabalho de ler a Coluna! Parabéns a Thays, que sabe decorar.
Mas nem de longe isso é bom!
Seu elogio "Parabéns a Thays, que sabe decorar" e seu alerta "nem de longe isso é bom" fecham bem o artigo. ssar".
Hoje em dia quem decora e repete frases ou reproduz pensamentos alheios igual papagaio, são os que ascendem em várias áreas do conhecimento?! humano nestes tristes trópicos.Uma ode à mediocridade.
Falta reflexão, humildade e vontade de aprender a ler com senso crítico, a conhecer mais de um tipo de pensamento (não se deixando seduzir pelo pensamento único), descobrir novas possibilidades, implementar o que já é bem feito (quando possível) e - principalmente - ajudar a humanidade a progredir.
Ler, pensar, progredir, tem que ter um objetivo além do "salário-que-eu-vou-ganhar-depois-que-pa
Caso contrário, seremos uma nação eternamente medíocre, pouco civilizada e resvalando sempre na barbárie (basta lembrar os 70.000 homicídios anuais já assimilados por todos como um "fato da vida no Brasil").
Parabéns professor Lenio pela arrasadora crítica aos concursos,OAB,ao ensino, que anda de mal a pior, a pergunta que fica é: o que será do Direito?..estamos perdidos mesmo,e falo isso por experiência própria, os concursos públicos e a OAB estão aguçando a crise do ensino jurídico, que já vem desde a década de 80 do seculo passado.Apesar de todo esse estado de coisas, será que é possível reverter isso?..essa "revolução" tem que ser de "baixo para cima" ou de "cima para baixo"?(deverá ser os estudantes que deveram exigir mudança no ensino,nos concursos,na OAB por meio de pressão política,ou as pessoas com poder decisório sobre tais assuntos é que mudaram a forma destes certames?..ao fazer mudanças radicais nos certames mencionados, não se estaria prejudicando interesses de certos setores da sociedade? a quem favorece esse estado do Direito?). Espero que pelo menos os estudantes se conscientize dessa situação, afinal o primeiro passo para se resolver um problema é ter consciência dele, qualquer um que busque no Direito um melhorá de situação financeira(a esmagadora maioria dos estudantes) terão que se submeter a esses certames, e jogar o jogo deles, se adestrando e emburrecendo(nas palavras de Calmon de Passos).
Bem, essa Thays tão somente foi aprovada no exame da Ordem e não poderá advogar até que, realmente, conclua o curso e tenha mais idade. O que preocupa, realmente, se se tratasse de concurso público, digamos, para a Magistratura, e ela produziria decisões como a que foi noticiada, hoje (01.05.2014), com o titulo: DENUNCIA ANÔNIMA JUSTIFICA INSTAURAÇÃO DE INQUÉRITO POLICIAL - DECISÃO DO STJ. Vejam a beleza da argumentação utilizada para 'derrubar' a vedação CONSTITUCIONAL quanto à inaceitabilidade de denúncia anônima: o denunciante mora em apartamento vizinho ao do denunciado!!! Quer dizer que, segundo a 'hermenêutica' utilizada, para a QUEBRA de uma regra CONSTITUCIONAL basta que se encontre, o aparelho estatal, diante de um mero obstáculo. Bem, já vi outros casos em que regras fundamentais, mesmo aquelas que, não sendo de direito constitucional, mas de direito civil, são fundamentais para dar ao sistema uma coordenada de atuação, servem de lastro ao emaranhado jurídico sobre o qual as relações jurídicas nascem, se desenvolvem e morrem, e que são levianamente afastadas com um simples "não me parecer" (dito pelo julgador) como se ele tivesse uma epifania jurídica ao analisar o caso e, num passe epistemológico, "visse", ou "não visse" QUEM TEM RAZÃO, não importando o que diz a LEI. E o pior é que essa gente está elaborando um CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL e um CÓDIGO PENAL....já sabemos onde vai dar!
A verdade é que realmente a banalização faz com que tenhamos perdido a nossa capacidade crítica!
conheço um sujeito que nada sabe (o tal néscio) que decorou e aprovou no concurso de procurador da república.
a história conhece vários músicos que nunca estudaram música.
existem milhares de estudantes que aprovam no vestibular (inclusive de federais) antes concluir o ensino médio
Entendo que a Thays teve muito mérito. Tenho a tese de quem consegue ler 3 ou 4 vezes o Vade Mecum de capa a contracapa, tem pelo menos 90% de chances de passar na primeira fase da OAB, mesmo sem nunca ter pisado em uma faculdade de Direito. Contudo, isso NÃO é uma tarefa fácil. Exige dedicação. Eu já tentei ler o Vade Mecum inteiro e não consegui.
Para a segunda etapa, entendo que o segredo é ler as leis da área específica, ou sinopses jurídicas e pegar alguns modelos de peças jurídicas.
Ela foi autodidata e merece ser valorizada por isso. Conhecer a letra da lei é muito importante. Só perde em importância para o conhecimento da jurisprudência, mas se a OAB cobrasse jurisprudencia, o indice de reprovação seria muito menor.
Ela optou pelo método de resolução de questões, que também é um método válido para conhecer a letra da lei.
Em síntese, ela ESTUDOU e passou na prova. Entendo que ela deve ser mais elogiada que criticada
Há muitos anos eu tenho denunciado esse modelo perverso de "ensino jurídico", que tem permitido o exercício das profissões jurídicas por quem não detém a conveniente formação completa na área. Decora-se, memoriza-se, segue-se a sistemática criada por "professores" comprometidos apenas com o resultado do concurso ou da prova, glamoriza-se o aprovado em primeiro lugar, festeja-se aprovações, até que chega o dia de lidar com o problema concreto do jurisdicionado. Aí, meus amigos, o resultado é o desastre que nós vemos todos os dias nas penas dos magistrados, membros do Ministério Público e até de alguns colegas advogados (óbvio que há exceções) e defensores públicos.
Parabéns! Ótimo texto! Sem tirar o mérito desta menina muito inteligente, a comunidade jurídica brasileira não leva muito em consideração a maturidade jurídica que as profissões jurídicas exigem, mas sim a capacidade de absolvição do conteúdo.
Realmente não entendo como no Brasil segue-se tão veemente “doutrinadores” com pensamentos arcaicos e extremamente distantes do anseio social, principalmente no que se refere ao direito penal e processual penal.
Direito e sociedade figuram em pólos diametralmente opostos no Brasil. Não é sem razão que somos um país de terceiro mundo com um judiciário de terceiro mundo também.
Igual a Thais, provavelmente temos joão, josé, antônio...pessoas que são um ponto fora da curva, que conseguem apreender informações de forma autônoma e de maneira eficaz. Atacar um modelo de avaliação porque um candidato passou na prova antes de se formar ou antes de estudar na faculdade as matérias cobradas no exame é um equívoco. Primeiro porque para ser advogado não basta só ter informação é preciso ter formação, e este pré-requisito só o tempo na faculdade pode atender. Não bastasse a informação e a formação jurídica e preciso formação humanística e isso só o tempo de vida dá. Por isso que só se entra na faculdade após sair do colégio e só se entra no mercado de trabalho após o tempo de faculdade. O exemplo levantado pelo professor serve para confirmar o modelo de avaliação, que aliás como o nome sugere é um modelo, portanto evidente que teremos casos particulares que fugirão deste perfil de exame. Como eu disse, igual a Thais temos João (que passou na prova do MP para promotor) mas não pode assumir a função porque não tinha terminado a faculdade ou ainda porque não tinha o tempo de atividade jurídica mínima, temos José que passou no vestibular mas ainda não tinha terminado o colegial e temos Antônio que passou para o exame de juiz mas não tem coragem para decidir as questões importantes que o cargo exigem....nem sempre encaixaremos todos dentro do modelo!
Sempre lemos q estudantes são autorizados a cursarem cursos concorridíssimos mesmo estando no 1º ano do colegial. Quantos passaram na OAB nas mesmas condições? A exceção, no caso, não confirma a regra.
Claro, o ensino jurídico está falido, mas não é por causa da Thaís.
Não é por outra razão que sempre cito essa passagem de Rui Barbosa: -----------------------------
"Vulgar é o ler, raro o refletir. O saber não está na ciência alheia, que se absorve, mas, principalmente, nas idéias próprias, que se geram dos conhecimentos absorvidos, mediante a transmutação, por que passam, no espírito que os assimila. Um sabedor não é armário de sabedoria armazenada, mas transformador reflexivo de aquisições digeridas. Já se vê quanto vai do saber aparente ao saber real. O saber de aparência crê e ostenta saber tudo. O saber de realidade, quanto mais real, mais desconfia, assim do que vai apreendendo. como do que elabora."
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Certa vez desabafei no Facebook:
"Estudar Direito só é "fácil" quem o faz de modo superficial e passivo, limitando-se a memorizar acriticamente a literalidade de dispositivos legais, esquemas teórico-doutrinários simplificados e a resolver inúmeras questões de provas anteriores.
O verdadeiro estudo implica assimilação gradual, constante e reflexiva, sem a qual jamais se penetrará os meandros das intricadas e complexas questões jurídicas. Lamentável é perceber que somente estudando do primeiro jeito - tornando-me um "aluno papagaio" - é que posso ter alguma chance de aprovação em um concurso público. Como já disse o grande jurista baiano J.J. Calmon de Passos, sua época de preparação para concurso foi sua época de emburrecimento, de indigência intelectual. E nadar contra a maré é tarefa inglória...".
Para o leitor Jornalista E.Coelho, ser advogado é marcar X nas provas de decoreba ?
Será que ele sabe o que é advocacia mesmo ?
O texto do Streck é bem mais profundo e é muito bom, mas questiona é outro aspecto.
Acredito que Thaís tenha demonstrado uma inteligência privilegiada ao conseguir a aprovação. Ela seguiu uma estratégia muito bem montada, de captar aquilo que é usado como padrão nos testes da OAB, e dedicou-se ao estudo disso com afinco. Com certeza ela será uma boa profissional.
Mas o prof. Lenio tem razão, pois o feito dela também demonstra que não há dificuldade ou profundidade nos exames de ordem que possa justificar os atos percentuais de reprovação e níveis de choradeira.
Esta coluna nos conclama a repensar o pensar. Apesar de o autor traçar comparações com a Medicina, é fato que esta também tem seus decorebas nas seleções pra residências, em forma muito semelhante ao que há no direito. Portanto, o que há a fazer, além de construir o bunker e estocar comida? Precisamos repensar todo o ensino - o qual, aliás, tem sido usado como aparelhamento ideológico do status quo - pra criarmos seres capazes de pensar. Além disso, os candidatos a concursos públicos, antes de pensarem em regalias, subsídios altos e dois meses de férias, precisam resgatar o real sentido de seus cargos e do que significa o serviço (ao) público.
Essa é a prova de que o segredo é apenas estudar. Veja que na entrevista ela expõe que estudou durante 03 meses. A notícia é triste apenas para os alunos formados que não conseguem passar no Exame de Ordem. Isso só mostra que eles estão estudando pouco. Acho exagero dizer que o sistema de avaliação é um fracasso. Defendo o Exame. Estudei para passar e sei que todos que passaram foi porque, também, estudaram. Forte abraço!
Também já escrevi sobre isso para o site Jurisprudência e Concursos, link: http://ht.ly/wnCL5
O artigo é intitulado "Em concurso público a aprovação é só começo - uma crítica a fase objetiva dos concursos"
Bem-vinda.
Estou, pensou, passou.
Simples Agora vamos as praticas. Não serão tao simples.
Saude e sucesso a Srta. Thays.
Neste momento é o que posso compartilhar.
Na verdade estarei preocupado com a Srta.Thays,ja que, perpicaz que é, será juíza em breve, e aí seus despachos e sentenças, serão algoritimos. Uma legalista. O menino Bernardo, que foi enterrado vivo, continuará procurando prévio socorro sem ser ouvido.
Para mais de um milhão de bacharéis que já organizaram uma associação, por não conseguirem passar no Exame da Ordem. Como dizia o saudoso trapalhão Mussum: "Thays, e´possíveis"
Para mais de um milhão de bacharéis que já organizaram uma associação, por não conseguirem passar no Exame da Ordem. Como dizia o saudoso trapalhão Mussum: "Thays, e´possíveis"
Já há muito, vários estudantes já provaram que adquiriram todos os conhecimentos fora da escola.
É muito melhor saber bem de pouco do que nada de muito.
Não é a escola que é ruim, mas é os alunos que fazem a escola.
Como sempre o texto é brilhante. É um absurdo, mas é a verdade. Para passar no exame da Ordem, não é necessário saber direito, basta ter uma boa estratégia, resolver provas de concursos anteriores e bingo, aprovado!!. Foi assim comigo e, certamente, com muito de vocês. Confesso, não estudei para passar no exame. Na época era assistente de juiz da Vara Criminal, então apenas resolvi questões de primeira fase e, na segunda, passei tranquilo. Daí porque é um absurdo. O aluno decoreba não conhece o direito, ele sabe o que decorou, apenas, momentaneamente. É esse o perigo.
Excelente o artigo do Prof. Lênio. O descaso com o ensino jurídico já inicia nas Faculdades e nos primeiros semestres. Boa parte dos alunos já adotam a literatura "mastigada". Estamos na era dos resumos, da resolução de questões. Uma lástima!!!
E ainda tem aqueles que defendem o disparate superficial de que o exame da ordem fere o direito constitucional de acesso ao trabalho???!!!!!! mas o que mais pode nos surpreender em um país que nomeia ministros para a corte suprema de acordo com sua bandeira partidária? País em que a instauração de uma CPI para apuração de danos ao erário - de uma empresa que é patrimônio nacional, torna-se um jogo de interesses políticos ? nada. É nada mais me surpreende nesta terra dominada pelo relativismo.
Em 2009 baixei a prova do Exame de Ordem e fiz, lendo atentamente a questão e escolhendo a mais lógica.
Fiz 51 de 100. Isso me incentivou a entrar no Curso de Direito. Desde então, sempre fiz a prova da primeira fase e sempre passei, a medida que o curso ia avançando, ia melhorando o desempenho. Hoje faço entre 70 e 85% da primeira fase.
Desde que fiz a primeira prova, somente usando o bom senso, acho que é uma vergonha para todo e qualquer bacharel que reprova na primeira fase. Não me surpreendo com a Thays, me surpreendo é com os milhares de universitários que passaram cinco anos sentados em bancos escolares, fizeram mais de 100 provas e não conseguem passar num exame fácil como o da OAB. Para quem fez a faculdade com o mínimo de seriedade, é um exame ridículo.
Me causa estranheza o fato de alguns desprezar o feito da garota.
Ora, os Drs. passaram no exame no mesmo período que ela para assim argumentar?
Aliás, se apenas "bastaria decorar a matéria",como alguns aduzem, qual a razão de diversos Drs. citar o declínio da advocacia e ainda permanecer nela?
Não bastaria então, "decorrar a matéria" e passar em qualquer concurso que desejam?
Com o devido respeito, faço esses questionamentos.
Quem fiscaliza o ensino jurídico no país? O MEC, e a OAB? Então, o que eles têm a dizer?
O comentário de Gustavo Moris está correto
Thays se esforçou, adotou uma estratégica, estudou e passou. É um caso de sucesso que o articulista pretende transformar na pretensa "falência" de todo o sistema de seleção da OAB e dos entes públicos brasileiros, sem qualquer proposta concreta, factível e condizente com a realidade nacional sobre como o sistema de seleção poderia ou deveria ser diferente.
E isso, ainda, ao final, para propagandear o lançamento de "vários livros" de sua autoria, como que induzindo à conclusão de que apenas de sua pena sai o "puro", "refinado" e "refletido" conhecimento jurídico. Chega a ser cômico.
A faculdade não é de Advocacia.
É de Direito!
Se quiser cursar Direito e depois ir vender pastel, não precisa fazer nada.
Agora, quem estuda Medicina pode ser médico x, y, x... Mas será médico!
Se quiser cursar Direito e integrar carreiras contidas no CAPÍTULO IV da CF/88 (que em tese estão em situação de igualdade) aí...
O CRM já está iniciando a sua trajetória rumo ao Exame de Proficiência e o CRC já o adota, antes que venham outros argumentos.
Aliás, faculdade que cobra R$ 200,00 / R$ 300,00 (e todo mundo tem dinheiro para balada e smartphone, mas não tem para livro) tem condição de fornecer uma biblioteca com acerco mínimo para empréstimos aos alunos?
Não!
A notícia não me espanta nenhum pouco, vivemos tempos onde o saber vence o poder. Destaco um dos fatores que contribuíram para o sucesso da Thaís, a utilização de uma estratégia, isso é fundamental!!! Não muito diferente, a utilização de material de ótima qualidade.
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Basta gostar de ler -e ser um bom leitor- ter um notebook com acessa a internet e pronto, o exame de ordem fica minúsculo. O que virá depois do exame é outro assunto, só ela estando lá para falarmos...
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O fato de Thais ter sido aprovada não serve para mostrar o fracasso de um sistema educacional, etc, (viajou na maionese), apenas reforça que muitas pessoas não passam na prova da OAB porque não fazem o dever de casa, o mínimo necessário que é estudar – só isso – . E claro, não adianta estudar feito um burro, tem que estudar com eficiência, com uma estratégia.
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O nobre articulista tem razão sobre a qualidade dos livros e doutrinas, o que reforça e justifica a fuga das pessoas para o Google. No mais faço votos para que o curso de Medicina exija o “exame de ordem” o mais rápido possível, tem muito filhinho de papai (que frequentava a faculdade só para fumar maconha) usando jaleco branco com fonendoscopio pendurado no pescoço fazendo atrocidades por aí...
Parece que os profissionais das áreas sociais e econômica não aceitam as distinções entre os geniais e os normais e talentosos. Nem nas próprias admitem os raros cientistas jurídicos; cientistas econômicos e cientistas sociológicos em oposição as bacharéis em direito, economia e sociologia. A diferença é infinita e opera no espírito contra o raciocínio comum e a percepção.
Entendo que a performance da Thays Castro Guimarães, se verídico e não é nem um fato incomum,ocorre em função de sua facilidade em assimilação e ser autodidata privilegiada, além de ser portadora de dotes apriorísticos de cognição tanto para ciências jurídicas como para, talvez, ciências exatas, artes nobres, etc.
Quanto aos concursos, exames e testes do país, devido à precariedade e à falta de desenvolvimento do espírito nas idades infantis e juvenis dos brasileiros, em decorrência da incompetência, da má-fé e do desinteresse pelo cidadão e pela cidadã brasileiros pelos poderes constituídos, são ministrados em conformidade com o empirismo apenas abrangendo a observação dos fenômenos adquiridos na experiência eliminando a imaginação e a argumentação como fundamentos do conhecimento em observação aos ensinamentos de August Comte e paralelamente aos pensamentos materialistas positivistas, realistas e modernos.
Neste cenário da percepção ativa como sabedoria os cognitivos matam a pau, acredito e deve ser o caso da nossa prodígio.
Acredito que muito precocemente já provocou o conhecimento através do interesse e da curiosidade, pelo menos
Sou fã do prof Lenio e sempre elogio suas crônicas... todavia, neste caso, seu alarmismo ultrapassou o limite do razoável... não é para tanto !
o fato de UMA pessoa passar no Exame da Ordem, feito por milhões de profissionais que restam reprovados não só não desautoriza o Exame como tampouco demonstra a má qualidade do ensino.
Seria preciso escrever outra coluna para desenvolver este raciocínio, mas não é o caso, tenho certeza que o professor, e os demais que refletirem sobre o assunto saberão exatamente onde chegaríamos.
Em razão de alguns comentários sobre a minha opinião, (1/05/2014, 08:31)peço permissão para complementá-la:
1. A jovem Thays fez aquilo que todo e qualquer bacharel deveria fazer: ESTUDOU!
2. Não somente estudou, mas ainda, ela soube estudar corretamente ao concentrar-se nos exames anteriores.
3. Desejo sucesso para a jovem Thays, que certamente honrará a futura classe que irá escolher, seja advocacia, magistratura, promotoria, etc. Pois, já provou que é inteligente, competente, estudiosa e não se intimida com exames.
Novamente, Thays, parabéns!
Em razão de alguns comentários sobre a minha opinião, (1/05/2014, 08:31)peço permissão para complementá-la:
1. A jovem Thays fez aquilo que todo e qualquer bacharel deveria fazer: ESTUDOU!
2. Não somente estudou, mais ainda, ela soube estudar corretamente ao concentrar-se nos exames anteriores.
3. Desejo sucesso para a jovem Thays, que certamente honrará a futura classe que irá escolher, seja advocacia, magistratura, promotoria, etc. Pois, já provou que é inteligente, competente, estudiosa e não se intimida com exames.
Midas, por favor, você sabe que o problema é muito mais embaixo do que simples "pragmatismo". De fato, o problema não está com a Thays - longe disso, muitos parabéns pra ela, aliás, os estudos devem ter sido muito puxados, e todos sabemos como essa tal concentração e empenho são difíceis -, mas no que se revela pelo fato dela passar no filtro que temos para separar os "preparados" e "despreparados" para a vida e a ciência jurídicas. Um filtro que, em tese, seria preciso, no mínimo, quatro, cinco, ou seis anos (em alguns casos) de curso acadêmico. Ela, Thays, é apenas a ponta do iceberg que desvela o problema.
Problema, aliás, que a Sra. Isabel (Advogado Assalariado), se acompanha de fato, no mínimo, as colunas de Lenio aqui na ConJur, sabe que já foram bem examinados pelo autor desde há muito tempo. Não se trata de alarmismo. Lenio já vem repetidamente falando disso, não só no âmbito da OAB, como dos demais concursos públicos.
E a conclusão do Praetor, como sempre, é, no mínimo, desarrazoada. Se foi propaganda dos livros de Streck (com o que concordo, ok, mas o espaço é livre, não?), o modo como foi veiculado em nada induz de que somente ele está certo. Só aproveitou, como eu disse, o espaço que a ele é concedido semanalmente.
e vem de uma expressão do próprio Lenio:
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Eu desafio esses administradores, bancários, jornalistas, médicos, economistas, etc, a contratar a jovem moça para cuidar de sua vida jurídica, para analisar contratos, para discutir questões constitucional-tributárias complexas que podem valer milhões, etc. Afinal, ela foi pragmática. Estudou o que precisa.
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Mais, eu desafio que cada um desses contrate um médico formado nos mesmos moldes. Que estudou por Cirurgia cardíaca Esquematizada para o "fictício exame do CFM". Vamos lá! Sejam pacientes de um médico desses, afina, o importante é estudar para passar, para decorar.
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Ou mais, contratem estagiários que estudaram cálculo I, II e III por Cálculo Simplificado para Profissionais.
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Triste e lamentável que pessoas queiram mesmo advogados-máquinas, que não saibam questionar, que não saibam divergir, que não saibam ir além da compreensão rasa para de fato compreender e discutir Direito.
e vem de uma expressão do próprio Lenio:
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Eu desafio esses administradores, bancários, jornalistas, médicos, economistas, etc, a contratar a jovem moça para cuidar de sua vida jurídica, para analisar contratos, para discutir questões constitucional-tributárias complexas que podem valer milhões, etc. Afinal, ela foi pragmática. Estudou o que precisa.
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Mais, eu desafio que cada um desses contrate um médico formado nos mesmos moldes. Que estudou por Cirurgia cardíaca Esquematizada para o "fictício exame do CFM". Vamos lá! Sejam pacientes de um médico desses, afina, o importante é estudar para passar, para decorar.
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Ou mais, contratem estagiários que estudaram cálculo I, II e III por Cálculo Simplificado para Profissionais.
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Triste e lamentável que pessoas queiram mesmo advogados-máquinas, que não saibam questionar, que não saibam divergir, que não saibam ir além da compreensão rasa para de fato compreender e discutir Direito.
Senhor Midas, os simples gênios fizeram e fazem, caso contrário, nós pragmáticos da palavra e das deduções não teríamos saído das locas e crateras desativadas dos vulcões.
Obviamente que a estudante Thays está de parabéns por ter sido aprovada. Não foi ela quem organizou a prova, e a parte que lhe cabia era estudar e passar, e foi o que ela fez. No entanto, as colocações do prof. Lenio a respeito da falência do sistema não merece reparo, e só pensa do contrário quem não soube ainda analisar porque existe o Exame de Ordem. Ora, a função da prova é aferir se o bacharel possui conhecimentos mínimos para iniciar no exercício da advocacia. Se a prova está permitindo o ingresso de quem não está preparado, A PROVA ESTÁ ERRADA. Se a prova não está permitindo o ingresso de quem está preparado, A PROVA ESTÁ ERRADA. Nessa linha, é certo que a Thays é uma estudante brilhante, que certamente será no futuro uma ótima profissional em qualquer área que escolher. Entretanto, é forçoso reconhecer que ela NÃO ESTÁ preparada para o exercício da advocacia, seja porque ela AINDA não estudou o mínimo necessário, seja porque ela ainda não possui a maturidade suficiente para o exercício de uma atividade por demais complexa. Nessa linha, a única conclusão possível é que a prova da OAB está errada. A prova está permitindo, com bem mostra o prof. Lenio, que o estudante não inteiramente formado para o exercício da profissão seja aprovado através de artifícios que o examinador deveria impedir completamente, como a decoreba, a memorização, a busca por um padrão de respostas sem se saber no entanto do que se trata exatamente. A função da prova foi corrompida, pois a aprovação está dependendo, como mostra bem o caso, apenas da capacidade do candidato de buscar a resposta objetiva que a banca entende como correta.
A diferença entre o advogado bom e o advogado ruim é que o primeiro tem a capacidade de, naquele caso em específico (que pode ser único), dizer e comprovar que se aplica certa solução. De fato, se desde o início da profissão a função do advogado fosse apenas se seguir um padrão de soluções, sem discutir, contestar, comprovar ou inovar, nós estaríamos ainda jogando os litigantes nos rios, dentro de um saco com uma cobra e uma aranha, para obter a solução no processo. Óbvio que o estudante aprovado em um exame considerado com difícil possui uma dilatada capacidade intelectual, como no caso da Thays, mas apenas essa elevada capacidade não torna ninguém um bom advogado por si só. É preciso conhecer "de verdade" os conteúdos, conhecer o sistema, conhecer o ser humano, enfim ser capaz de apresentar soluções concretas, para caso concretos, que estejam em consonância com o sistema e as leis.
Não existem atalhos para o conhecimento, já dizia Ovídio Baptista da Silva. Thays está de parabéns por ter passado no exame, mas certamente acabou por denunciar o que já sabíamos há tempos: que para passar na OAB não precisa de conhecimento, apenas de informações irrefletidas. Não é necessário reflexão para passar no exame da ordem, basta flexão. Eu já passei no exame (e com uma larga folga, diga-se) e já sabia disso. Não falo por inconformismo ou por revanchismo. Se quiseres passar no exame de ordem Thays mostra o caminho, mas não fique pensando que passar no exame de ordem é sinônimo de sabedoria. Só espero que Thays, e demais que são obrigados fazer exercícios repetitivos para passar nesse exame, tenham consciência disso e busquem o verdadeiro saber.
Não existem atalhos para o conhecimento, já dizia Ovídio Baptista da Silva. Thays está de parabéns por ter passado no exame, mas certamente acabou por denunciar o que já sabíamos há tempos: que para passar na OAB não precisa de conhecimento, apenas de informações irrefletidas. Não é necessário reflexão para passar no exame da ordem, basta flexão. Eu já passei no exame (e com uma larga folga, diga-se) e já sabia disso. Não falo por inconformismo ou por revanchismo. Se quiseres passar no exame de ordem Thays mostra o caminho, mas não fique pensando que passar no exame de ordem é sinônimo de sabedoria. Só espero que Thays, e demais que são obrigados fazer exercícios repetitivos para passar nesse exame, tenham consciência disso e busquem o verdadeiro saber.
Se essa moça estudar por um ano, mesmo frequentando o terceiro ou o quarto semestre da graduação, tenho para mim que consegue aprovação na primeira fase de muitos concursos de carreiras jurídicas (para alguns, admissão como quase-deus). Evidentemente, ela não poderá integrar a disputa por ainda não estar formada (o diploma é requisito para a inscrição), mas se começar a treinar (e fazer provas anteriores) tenho certeza de que acertará 70% das questões objetivas de uma prova da magistratura, Procuradoria, Defensoria, Delegado de Polícia, Promotoria.
Calma, Praetor.
Este mal atinge todos os ramos das carreiras jurídicas. Mas só a OAB (em razão da grande reprovação) abriu a possibilidade de participação dos "treineiros".
Na minha época era só quem já estava formado...
Mas como estão dizendo por aí, "Não está fácil para ninguém...".
Mas a prova da OAB só não pode ser feita a partir do 8° período? como essa menina conseguiu fazer a prova a partir do segundo? essa informação procede? Além do mais, antigamente e hoje ainda, tem mais rábula que sabe muito mais que os "advogados" com formação. Além do mais, pra quê estudar Direito, se o próprio STF rasga a Constituição várias vezes e diz que o direito só é o que o órgão de cúpula diz que é? isso é rebatido pelo próprio Lenio Streck. Enfim, a menina só merece os parabéns pela aprovação. É igual quem passa em vestibular de universidade pública sem terminar o segundo grau. O mérito é todo do aluno. Tem um filme do Leonardo di Caprio que ele passa no exame de ordem nos EUA sem ser sequer bacharel, só estudando um mês. A menina merece os parabéns! pode ir para o bunker Streck! Fique lá tecendo suas filosofias para os que tem tempo de sobra!
Prof , o tio dela é advogado , e cooperou desde os 15 anos dela para este feito. Ela ja entrou para a faculdade com instrução avançada, e só passou porque a OAB de Rondonia permite o exame anterior ao oitavo período. Eu tenho um cunhado fazendeiro que mora lá , e quando eu soube dessa notícia no início do ano eu também fiquei curioso e pedi á ele, que mora perto, que me orientasse mais á este respeito. E mais, ela passou no exame, não adquiriu o diploma ainda, portanto , ela tem um arduo caminho até ser diplomada.
Pois então Seu Lênio. Estamos mesmo chafurdados na lama, pois ninguém no mundo do direito raciocina mais ou tem bom senso. A começar pela sua nobre colega lá de Três Passos, que só agiu quando um garoto de 11 anos chegou no seu gabinete de mãos dadas com o juiz da comarca, porque antes, ao ser acionada pelo conselho tutelar, nada fez. Portanto, no mínimo foi prevaricadora e agora todo mundo é hipócrita. É, cerrem-se as cortinas, apaguem-se as luzes, o show acabou. Ou só está começando o show nesse teatro de horrores? E o que dizer do seu Lênio que é professor em umas dessas pós-graduação lato sensu a distância? O sistema é mesmo bruto, hein Seu Lênio?
Streck é um campeão da falácia da generalização. É rara a coluna escrita por este monumento da teoria do direito de "terra de brasilis" em que não há uma ou mais falácias da generalização. Deve ser por isso que Streck e seus pupilos não gostam de "lógica ornamental".
A jovem Thays assumiu uma postura de valorização da eficácia. O velho jargão. Não cabe ao candidato discutir o sistema, e sim lograr êxito.
Há questões sem solução fácil.
Uma primeira questão, a Advocacia virou uma profissão paupérrima, a advocacia liberal, no que tem sido a regra, ou opera na escala industrial, o contencioso de escala, o que traz inexoravelmente a exploração de advogados por advogados, uma legião de audiencistas e advogados internos recebendo salários ínfimos, ou se está no comando dos grandes escritórios. A outra alternativa é tida como "advocacia jurássica", trabalhar autonomamente.
O que remunera melhor? As carreiras públicas!!!
Venham os concursos públicos então.
Algum método terá de ser selecionado.
Há demanda.
Temos então nichos novos de mercado se abrindo.
Professores de cursos preparatórios estudando questões de bancas de todo o país, estudando mesmo, analisando como cada banca de cada instituição que organiza concursos pensa, e escrevendo livros.
E são honestos. Dizem o óbvio. Não têm compromisso com a própria doutrina, com o que pensam, têm compromisso com o aluno dos cursos e com os leitores dos seus livros, compromisso em prepara-los para lograr êxito no modelo de seleção adotado. E depois que conseguir aprovação em uma carreira pública, preferencialmente vitalícia, depois que o candidato for aprovado nos exames orais, e tomar posse, poderá ter pensamento próprio, poderá usufruir de suas prerrogativas funcionais. Antes disto candidato bom não tem pensamento próprio, não tem posições próprias, tem um respeito reverente pela banca, pela soberania da banca.
A eficácia se mede pela aprovação num quadro desses.
Defendo o modelo? Não teria por que. Mas é o que temos.
Pode parecer totalmente fora do contexto, mas lembro imediatamente de "A Economia das Trocas Simbólicas" de Pierre Bourdieu. De imediato dois capítulos exsurgem à memória, "Genese e Estrutura do Campo Religioso" e "O Mercado de Bens Simbólicos". zine/blog/2014/02/24/how-academia-and-pu blishing-are-destroying-scientific-innov ation-a-conversation-with-sydney-brenner / 3/05/sydney-brenner/
O direito tem assumido bem um papel, quer nas carreiras públicas, quer na advocacia privada, de fração dominado das classes dominantes. Não é privilégio do direito.
O artigo original em inglês
http://kingsreview.co.uk/maga
e a versão em português.
http://ucablog.com/2014/0
Se for ser consultado um dos orientadores em atividade irá dizer que se trata de um esperneio de alguém jurássico, que vive um tempo, uma perspectiva de ciência médica que não existe mais, que o futuro, o presente mais exatamente é o que está sendo apresentado como está sendo apresentado. Em tempos de Equilíbrio de Nash ainda se acredita, nos rincões acadêmicos, na mão invisível do mercado, loas a Adan Smith...
Temos um mercado, e a grande verdade é que quem for estudar por grandes tratadistas para concurso público vai ter eficácia apenas em continuamente ser reprovado e reprovado.
Darwinismo social? Ou se adapta ou morre. Num Darwinismo biológico um quadro do gênero levaria a perda da variabilidade genética, e o risco de extinção de toda a espécie selecionada adiante justamente pelo rigor estreito da seleção...
Entre a excomunhão simbólica e a sobrevivência...
Deveria ter encerrado meus comentários, mas enfim, a discussão tende a ficar candente, vejamos trechos de uma entrevista de um Nobel de Medicina.
"Cientistas escravizam pós-graduandos e obstruem a ciência, diz Nobel de Medicina de 2002
(...)
E há revistas de artigos científicos que estão corrompendo a ciência, pois empregam editores que não passam de cientistas fracassados que atuam de modo semelhante ao dos agentes do Departamento de Segurança Interna dos EUA e são pequenos ladrões do trabalho alheio. Quem diz isso é um do maiores nomes da biologia molecular, o sul-africano Sydney Brenner, de 87 anos, ganhador do Prêmio Nobel de Medicina de 2002, em uma entrevista publicada em 24 de fevereiro pela revista eletrônica The Kings’".
Sem mais comentários, num dos que postei abaixo forneci o link da reportagem completa, em inglês. Por que o direito ficaria de fora?
Não é só a advocacia cujos despreparo, desconhecimento, falta de dignidade e compromisso com a sociedade devido o fracasso dos cursos de graduação e pós-graduação e seu comércio que está candidata à falência ética e moral, ressalvando as devidas exceções. O Poder Judiciário como um todo,principalmente os tribunais estaduais e em especial as instâncias ordinárias, zombam da ciência jurídica, do ordenamento instituído e dos direitos e recursos dos cidadão, principalmente os que tentam socorrer direitos de valores significativos, onde acabamos sendo subtraídos nos recursos em benefício dos devedores inadimplentes e caloteiros, Poder Público e poder econômico, depois de esperar em fila por anos a fio, num verdadeiro descaso à dignidade da pessoa e com anuência e complacência de advogados. O corporativismo é impenetrável.
A medicina é caótica e corporativa, os demais segmentos não são diferentes.
Neste caso tudo tem a ver o o modelo financeiro e especulativo introduzido no país onde a ética é pessoal e grupal e a dignidade está no peso econômico e social de cada corporação e confraria. O resto salve-se quem puder.
A bem da verdade não são as instituições , os cargos e as investiduras que estão desabando, mas sim o homem competência, responsabilidade, dignidade, honradez..que está coma induzido e morrendo pervertido por idealismo políticos de domínio capitalista de direito e de esquerda.
Fomos subjugados pelo grande capitalismo internacional e tudo que ocorre é promovido como enfraquecimento das instituições e do homem e da mulher brasileiros e continuamos em coma induzido e o país caminhando para o caos institucional e social.
Sinceramente, aguçou a curiosidade saber qual a sua posição, seus títulos, para ter a petulância de desdenhar de dois dos concursos mais difíceis do País (Juiz Fed. e MPF), como que se fosse possível o ser humano gravar toda legislação e pegadinhas possíveis sem ter nenhum conhecimento sobre direito.
A garota Thays passou, mas não sabemos ao certo quão apurada é sua capacidade de assimilação, ainda, também ela não revela quantas horas estudava por dia. O certo é que, com certeza ela não foi aprovada por puro decoreba como você frisou. Na 1ª fase sim, ela mesmo admite que achou um pouco de "sorte", uma vez que seria difícil assimilar todas aquelas matérias, as quais muitas ela não conhecia. A fórmula para passar na 1ª da OAB é fácil, estudar ética e mais algumas matérias que se tenha empatia. Por sua vez, na 2ª fase não é bem assim. As questões e a peça necessitam de capacidade interpretativa jurídica, para resolver alguns problemas de assuntos que exigem nível razoável de conhecimento (como por exemplo prescrição no Direito Penal). Lembrando que após passar no OAB, o futuro advogado ainda terá que buscar seu espaço no mercado de trabalho.
Sinceramente, aguçou a curiosidade saber qual a sua posição, seus títulos, para ter a petulância de desdenhar de dois dos concursos mais difíceis do País (Juiz Fed. e MPF), como que se fosse possível o ser humano gravar toda legislação e pegadinhas possíveis sem ter nenhum conhecimento sobre direito.
A garota Thays passou, mas não sabemos ao certo quão apurada é sua capacidade de assimilação, ainda, também ela não revela quantas horas estudava por dia. O certo é que, com certeza ela não foi aprovada por puro decoreba como você frisou. Na 1ª fase sim, ela mesmo admite que achou um pouco de "sorte", uma vez que seria difícil assimilar todas aquelas matérias, as quais muitas ela não conhecia. A fórmula para passar na 1ª da OAB é fácil, estudar ética e mais algumas matérias que se tenha empatia. Por sua vez, na 2ª fase não é bem assim. As questões e a peça necessitam de capacidade interpretativa jurídica, para resolver alguns problemas de assuntos que exigem nível razoável de conhecimento (como por exemplo prescrição no Direito Penal). Lembrando que após passar no OAB, o futuro advogado ainda terá que buscar seu espaço no mercado de trabalho.
Não nos esquecemos dos nosso jovens prodígios, como por exemplo Ricardo Tadeu.
Por que os concursos para Juiz Federal e para o MPF foram usados como maus exemplos? Seriam piores que os outros?
Edevaldo
De fato, sempre acreditei que um vestibulando nos seus 17 ou 18 anos tivesse muito mais chances em passar no concurso para juiz ou promotor que um profissional com sólida formação filosófica e jurídica e excelente atuação prática.
Doutores, Amigos Estudantes e Comunidade em geral!
Creio que muitos dos Senhores estão comentando está página por se sentirem ofendidos com alguma assertivas aqui explanada pelo Professor Lênio Streck, porém, tenham ponderação em suas criticas, não houve critica pessoal nem funcional (ao órgão de juiz - sim órgão), a carreira "a" ou "b", mas sim a problemática enfrentada no ensino do Direito. Ao fazer isso o Professor luta pela valorização das carreiras jurídicas e não ao contrário.
Não seria bom se os profissionais do Direito cumprissem o seu papel na sociedade (de ser essencial a administração da justiça - como fazer isso se nem ao menos se sabe o sentido filosófico ou antropológico de "Justiça"?). Pois é, seria. E é em face a isso que este artigo foi publicado, tenho a certeza.
Antes de criticar a pessoa do professor Lênio Streck, ou qualquer outro que exponha sua opinião sobre determinado assunto, supere seus argumentos - isto sim é lidimo e estimula o crescimento cultural e a resolução de problemas sociais.
Todavia, já que notei alguns comentários esdrúxulos, se alguns de vocês querem saber quem é Lênio Streck (aos que se sentirem ofendidos) procure o seu currículo no "google" fonte "confiável" e veja o que este jurista genuíno significa a comunidade jurídica. Quando alguém deste gabarito (entendo que esse tipo de agir - respeitoso - deva ser dirigido a qualquer cidadão, independentemente de sua colocação social) diz algo, por mais que não se concordemos, se deve respeitar.
Alguns dos comentadores que apoiam o exame da OAB como está, já fez ou pretende fazer uma cirurgia cardíaca com um médico que estudou "para passar" em um exame com um livro "Cirurgia Cardíaca Simplificada"?
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Então pronto.
Alguns dos comentadores que apoiam o exame da OAB como está, já fez ou pretende fazer uma cirurgia cardíaca com um médico que estudou "para passar" em um exame com um livro "Cirurgia Cardíaca Simplificada"?
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Então pronto.
Não se pode negar que a primeira fase do Exame é pura decoreba. A fase prática, entretanto, exige conhecimentos de processo e direito material.
Acredito que o caso de Thays seja uma das exceções, por se tratar de pessoa autodidata, possuidora de conhecimentos prévios ao ingresso na Faculdade de Direito.
O Exame de Ordem deve ser continuamente aperfeiçoado, abandonando aquela tradição de "educação bancária" a que se referia Paulo Freire. Os concursos públicos, aliás, sempre seguiram essa tradição. No concurso de 1997/1998, para Juiz Federal, na prova oral (que reputo desnecessária ou tendenciosa) um Desembargador avaliava os candidatos fazendo perguntas lendo um Código Penal comentado por Damásio de Jesus.
Por outro lado, essa conversa de que pessoas sem formação jurídica (rábulas) são mais preparadas que bacharéis é furada. Pode acontecer nos juizados especiais, copiando outras petições e assinando como se fosse da própria autoria.
Professor, parabéns pela coluna! Concordo "in totum" com o contido nela.
Sabe-se que o senhor é um grande crítico do ensino jurídico atual, sobretudo no que tange aos manuais que primam pela facilitação em vez da reflexão, bem como dos concursos públicos e exame da Ordem.
Todavia, como estudante de Direito, sinto uma lacuna quando leio suas colunas nesse sentido, o que digo com o maior respeito. Expresso tal lacuna com as seguintes dúvidas: tendo em vista o sem número de disciplinas que nós, estudantes de direito, temos que cursar durante a faculdade, como devemos estudar? Acaso devemos priorizar algumas disciplinas em detrimento de outras, haja vista a impossibilidade, pelo menos para aqueles que estagiam ou trabalham, de dar conta de todo o conteúdo com qualidade? Em qual tipo de doutrina devemos nos basear?
Enfim, gostaria de sugerir que o senhor escreve uma (ou mais) coluna sobre como o estudante de direito deve portar-se durante a faculdade, isto é, como ele deve estudar.
Obrigado!
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