A gaveta como marketing

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi buscar em fundos de gavetas projetos de investimentos em infra-estrutura que ficaram esquecidos meses. O objetivo é tentar apresentar ao país uma agenda positiva que tome o lugar de escândalos, como o do caso Waldomiro, na mídia.

De novo!

Nesta quarta, pela terceira vez na semana, Lula reuniu ministros e presidentes de bancos estatais, como Banco do Brasil (BB) e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Palácio do Planalto. Participaram do encontro os ministros Anderson Adauto (Transportes), José Dirceu (Casa Civil), Antonio Palocci (Fazenda), Guido Mantega (Planejamento) e Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento).

Só isso?

Depois do encontro, foi divulgada a liberação de R$ 17,7 milhões para reparos nas estradas afetadas pelas chuvas. A modéstia da quantia, porém, não abalou mais esse golpe de marketing do governo Lula. Isso porque também esteve na pauta da reunião a suposta intenção do governo de desengavetar projetos do BNDES que prevêem injeção de R$ 100 bilhões em infra-estrutura para ampliar a capacidade de exportação do país.

Tudo isso?

Por falta de dinheiro público e interesse de investidores privados, essa idéia ficou arquivada meses. Mas ainda que o governo R$ 100 bilhões para investir, esbarraria na regra do Fundo Monetário Internacional (FMI) de considerar como despesas os investimentos em infra-estrutura, o que inviabilizaria o cumprimento da meta de superávit primário de 4,25% do PIB. Outro item da agenda positiva de Lula é negociar com o FMI alteração nessa norma, mas o próprio Fundo já informou que isso leva tempo.

Imbróglio federal

O governo continua andando sobre o fio da navalha para tentar impedir a instalação de duas CPIs (Comissões Parlamentares de Inquérito) relacionadas com o caso Waldomiro Diniz. Ontem, o pedido de CPI sobre as irregularidades cometidas pelo ex-assessor de José Dirceu obteve a 24ª assinatura, apenas 3 a menos que o necessário para ser protocolada.

Garotinho na fita

O senador Sérgio Cabral (PMDB-RJ) seguiu a orientação do ex-governador Anthony Garotinho para que toda a bancada fluminense do partido apoiasse a CPI, para mostrar que ele não tem envolvimento com o ex-presidente da Loterj. Os 13 deputados do PMDB do Rio também devem assinar requerimento de CPI da Câmara – que tem ainda menos chances de ser aprovado que o do Senado.

Malta

O senador Magno Malta (PL-ES), autor de outro pedido de CPI, a dos bingos, se reuniu com o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e disse que, apesar da pressão, ainda pretende apresentar seu pedido. Caso ele fique irredutível, senadores dos partidos governistas devem retirar suas assinaturas do documento. Sarney mandou um recado aos líderes aliados: caso o requerimento tenha os apoios necessários, ele não fará nada para impedir a CPI.

Assim falou… José Serra

“É óbvio que o PT está conduzindo a operação-abafa. Até a CPI dos bingos no Senado está sendo barrada pelo governo federal.”

Do presidente nacional do PSDB

Historinha nada edificante

Mais uma vez, ontem, a Força Sindical mobilizou funcionários de bingos que correm risco de acabar demitidos. Reuniu cerca de 20 mil em Brasília, em frente ao Congresso, para protestar contra o fechamento dos bingos. O presidente da Força, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, defende uma medida provisória que, em vez de proibir, regulamente a atividade e imponha controle rigoroso de todos os bingos, onde atualmente trabalham cerca de 320 mil brasileiros.

Esta coluna não é a favor da liberação do jogo no Brasil. Mas também não compactua com a forma como o caso está sendo conduzido, sem cuidado com os empregos desse setor, sem preocupação social. Cuidado, se há algum, só existe com o emprego do ministro José Dirceu (Casa Civil) e com a imagem da Central Única dos Trabalhadores (CUT), a central sindical aliada do petismo, que, nesse caso, nada fez em favor dos empregados.

Apesar de todas os protestos até hoje terem sido liderados pela Força Sindical, o presidente da CUT, Luiz Marinho, afirmou que até quarta-feira o governo vai responder às suas reivindicações nesse caso. A CUT dá como certo o desemprego dos funcionários do setor e apresentou uma lista de sugestões de como ampará-los — como seguro-desemprego especial e cursos de requalificação profissional.

Maria Lima disse:
06 de março de 2004 às 21:16

É, caro Dr. Homero Benedicto Ottoni Netto,

"la garantía soy yo", não está fucionando.
Tanto "Che", tanto "Chavez", tanto Gandhi, exortar, conclamar, "Fome Zero", "Renda Mínima", esmola pra tudo que é lado.
64 bilhões a mais de arrecadação, em relação ao ano passado - exercício de 2002 (FHC). Os trabalhadores pagam ("Partido dos Trabalhadores", ofensa ao País).
Vão cair, tão fragorosamente, quanto o foi sua ascensão.
Acaba o "Risco Brasil"; começará o legado do paralapatão planetário: O CUSTO BRASIL.
Este, será nosso.
O que tocará a Lula e seus "companheiros" (o filme do Scorcese, não dá outra, "Bingo!", como diria o senhor) será uma alegre vida na Ilha (o lado bom, sem Fidelices; para eles, será sempre como se Heminguay estivesse por ali, tomando umas e outras, comendo, e nababescos banquetes, e...).
Enganam-se os que pensam que ele não saiu do palanque: saiu, sim.
No palanque, defendia porque defendia as CPIs...
Não é político.
E, como homem, é desonrado.
A Nação não merece isso.
Nunca houve, nem vai haver, maior estelionatário político do que um home, chamado Luís Inácio "Lula" da Silva.
Maria Lima

Maria Lima disse:
07 de março de 2004 às 14:48

"IMPEACHMENT"!!!

Li, na "Veja" de hoje, o Mainardi(*).
Na semana passada, ele lançou seu "manifesto", pelo impeachment de Lula.
Como não teve adeptos, está "fazendo panelaço, sozinho, em casa"; panelaço de UMA só panela.
Isto, é o que ele pensa.
Não é UMA panela, são DUAS: até agora, não fiz outra coisa senão chamar a atenção para a inevitável e ABSOLUTAMENTE NECESSÁRIA queda do Exortador -o que "desistoria a História", acinte a uma Nação.
Mais panelas vão surgir.
E os cara-pintadas.
E o povo vai despertar.
Deus é brasileiro.

(*): Quem gostar do estilo do "enfant terrible", deve comprar seu pequeno grande livro, "Polígono das Secas".
Pequeno, barato, excelente.
(Até o Paulo Francis, po-de-ro-so, teve medo... um doce).

Maria Lima

Alphalux disse:
08 de março de 2004 às 15:42

Pois é, Dra. Maria Lima Maciel e Dr. Homero Benedicto Ottoni Neto, é, de fato, muito difícil acreditar que, depois de convívio tão longo, a cúpula petista e, principalmente, o ministro José Dirceu, desconhecessem as ligações perigosas do ex-assessor Waldomiro Diniz com os contraventores da jogatina. Ainda que, por milagre, não soubessem de nada, teriam sido obrigados a perder a inocência, em julho de 2003, quando o PSDB apresentou requerimento de investigação sobre o possível envolvimento de Waldomiro com o jogo clandestino e o desvio de verbas publicitárias da Loterj durante a sua gestão. Que tipo de informações detinha Waldomiro ou que serviços prestava para convencer o PT a mantê-lo no cargo, apesar dos riscos? O que poderia ser descoberto pela CPI que o PT tenta, a todo custo, evitar? Enquanto essas perguntas não forem respondidas, o governo está sob suspeita. Todo ele. Se estivesse vivo, o saudoso Dr. Barbosa Lima Sobrinho certamente já teria solicitado o impeachment de Lula, o que já está mais do que na hora. O PT nunca me enganou e jamais votei nele, mas o povo brasileiro - que colocou um sujeito despreparado e sem cultura para ocupar o Palácio do Planalto - foi traído na maior arapuca eleitoral de que se tem notícia, desde os tempos do famigerado Collor. Ainda por cima, José Dirceu tem a cara de pau de ir à VEJA, esta semana, e dizer que nada tem a ver com os crimes do "companheiro" Waldomiro. Repararam que Lula, costumeiro em suas asneiras e besteiras sem conteúdo, calou-se ? Simplesmente pq não há nada a dizer e está tudo muito claro. Só não vê quem não quer ver.

Maria Lima disse:
10 de março de 2004 às 11:28

Alphalux,

você viu o "Good Fellows", do Scorcese?
Eles matavam o inimigo, punham no porta-malas do carro, passavam na casa da mamma, comiam a bom comer.
Não tinham uma churrasqueira de 3 milhões de reais, mas, que tem alguma semelhança, lá tem: "para os nossos, tudo; os que são contra nós, são enterrados vivos" (sim, o sujeito estava no porta-malas, mas, não tinha morrido direito).
E tome uísque.
E tome comida, Pantagruel é faquir.
E tome roubar, Collor (que era rico, antes de ser presidente, o pai já tinha roubado pra ele) era aprendiz.
Vivem do tiro que não levaram (seu passado, presente, futuro).
"Do tiro que ELES não levaram, NÓS morremos a cada dia", e não é bem "nas asas da Panair".

Maria Lima

Maria Lima disse:
15 de março de 2004 às 15:42

PULP FICTION

As piadinhas sobre analfabetismo, gafes, saias-justas, até que tinham certa pureza.
Agora, É Good Fellows, é Pulp Fiction, é o endereço "fale com o Planalto":

planalto@lheira.gov.br

Perdeu a moral, até nas aparências.

Maria Lima

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