Contestação revela pequenez jurídico-cultural do advogado

“A inconsistência da contestação revela, entre outras coisas, a pequenez jurídico-cultural do advogado que assina a petição inicial. Como exemplo, chega a escrever ezemplo com z”. (De uma contestação, na 7ª Vara Cível de Porto Alegre).

O inconfundível…

“O juiz de Direito não se confunde com a maioria dos homens. De 1000 bacharéis em Direito que pretendem transformarem-se em juiz de Direito, apenas 10, 05, 01, ou nenhum consegue realizar esse sonho. Assim, apenas a minoria dos homens, a pequena fração de 0,01% dos bacharéis em Direito é capaz de moldar-se, converter-se em juiz de Direito”. (Trecho do despacho saneador em uma ação ordinária, na comarca de Aliança, zona da mata de Pernambuco).

Não pecarás com a língua !

“Condeno XXX, por difamação, a ler o Salmo 39 da Bíblia, três vezes por semana, na Igreja de seu bairro, como alternativa ante a possível pena de prisão de três meses, prevista no CP”. (De uma sentença judicial, condenando uma mulher, em Vara Criminal de Teresina-PI).

Para conhecer o Salmo 39 da Bíblia, clique aqui

Fauna exuberante…

“Todos os animais adquiridos estavam lá e também dois cachorros e um gato”. (De uma certidão de oficial de Justiça, após realizar uma penhora em Teofilo Ottoni-MG).

Funcionando…

“O sacado não foi encontrado porque morreu, porém a viúva continua com o negócio aberto”. (De uma informação do carteiro, ao devolver título à Caixa Federal).

Solução…

“O mutuário que era solteiro vendeu a mula de estimação para casar”. (De um laudo de inspeção da carteira agrícola do Banco do Brasil, em Alegrete-RS).

*Pérolas Processuais são publicadas no site Espaço Vital – www.espacovital.com.br

Marco Antonio Birnfeld

é advogado, editor do site Espaço Vital e articulista da revista Consultor Jurídico.

João Marcos Mayer disse:
05 de março de 2004 às 15:30

O salmo 39, que se refere a condenação, deveria cair como uma luva para a lingua ferina e venenosa de certo Procurador(logo ele que se diz tão cristão), eis o texto:
Salmos da Bíblia - Capítulo nº 39
1 Disse eu: Guardarei os meus caminhos para não pecar com a minha língua; guardarei a minha boca com uma mordaça, enquanto o ímpio estiver diante de mim.
2 Com silêncio fiquei qual um mundo; calava-me mesmo acerca do bem; mas a minha dor se agravou.
3 Encandeceu-se dentro de mim o meu coração; enquanto eu meditava acendeu-se o fogo; então com a minha língua, dizendo;
4 Faze-me conhecer, ó Senhor, o meu fim, e qual a medida dos meus dias, para que eu saiba quão frágil sou.
5 Eis que mediste os meus dias a palmos; o tempo da minha vida é como que nada diante de ti. Na verdade, todo homem, por mais firme que esteja, é totalmente vaidade.
6 Na verdade, todo homem anda qual uma sombra; na verdade, em vão se inquieta, amontoa riquezas, e não sabe quem as levará.
7 Agora, pois, Senhor, que espero eu? a minha esperança está em ti.
8 Livra-me de todas as minhas transgressões; não me faças o opróbrio do insensato.
9 Emudecido estou, não abro a minha boca; pois tu és que agiste,
10 Tira de sobre mim o teu flagelo; estou desfalecido pelo golpe da tua mão.
11 Quando com repreensões castigas o homem por causa da iniquidade, destruis, como traça, o que ele tem de precioso; na verdade todo homem é vaidade.
12 Ouve, Senhor, a minha oração, e inclina os teus ouvidos ao meu clamor; não te cales perante as minhas lágrimas, porque sou para contigo como um estranho, um peregrino como todos os meus pais.
13 Desvia de mim o teu olhar, para que eu tome alento, antes que me vá e não exista mais

João Leopoldo Jordão de Lima disse:
06 de março de 2004 às 01:58

Via de regra os nossos magistrados possuem real conhecimento jurídico. Nos mais jovens pode faltar a maturidade, mas tal lacuna pode ser suprida com o tempo e o desenrolar da vida. O que não impede que surjam, por vezes, elementos sem a cultura mínima necessária para comporem a judicatura. Conheci um deles, há muito tempo atrás! Lembro-me que no foro criminal daquela comarca, comentavam-se as "preciosidades" dele oriundas. Uma delas era a decretação de prisão administrativa para testemunhas da acusação, que não se fizeram presentes na audiência de instrução, havendo claras certidões dos oficiais de justiça dizendo que, nenhuma delas fora localizada nos endereços constantes dos autos. O que demonstra, não apenas que aquela coação era ilegal, como também que a ignorância não é privilégio de nenhuma classe ou categoria profissional.

LUÍS disse:
06 de março de 2004 às 12:09

Por falar em pérolas, o TRT da 17ª Região irá julgar, em breve, a célebre expressão MAS SERÁ O BENEDITO? Isto porque em um processo em que represento um sindicato como substituto processual, na hora da execução descobriu-se que, embora haja na lista de substituídos o nome Benedito Rodrigues, há duas pessoas com tal nome que trabalharam em idêntico período na empresa ré. Naturalmente, os dois Beneditos disputam agora entre si os créditos, tendo surgido assim a dúvida de qual dos dois que teria ingressado a ação: Mas será o Benedito?

Quilza disse:
06 de março de 2004 às 14:26

Concordo com a idéia expressa no comentário do nobre colega João Leopoldo de Lima, no entanto, com todo respeito ouso chamar sua atenção para a seguinte exclamação: ' Conheci um deles, há muito tempo atrás!'.Sequindo as regras gramaticais da Língua Portuguesa bastaria dizer: há muito tempo. O fato é que niguém é onisciente, mais vale o que se quiz dizer do que a forma como se disse, o bom entendedor que sabe perceber e considerar as intenções do interlocutor é que faz a verdadeira justiça, porque afinal as palavras são insuficientes para expressar nossa verdade.

Janaina Moita Costa disse:
17 de março de 2004 às 15:15

É de certa forma dificil de acreditar que tais coisas foram, de fato, escritas!!!!
Verdade ou não.... servem para nos divertir!!!!

joão disse:
06 de abril de 2004 às 11:29

Pelo estilo (ou falta dele) de redação, pelo raciocínio matemático (ou falta dele) espanta como aquele juiz de Pernambuco, falando num saneador de um processo seguramente ordinário, conseguiu "converter-se" em membro da Magistratura. Se ele com todo aquele estilo (ou, repita-se, falta dele, se "converteu"), como serão os outros?

Luciana Marques disse:
11 de abril de 2004 às 20:08

Realmente as "pérolas" nos divertem e muito. Contudo, ouso, nesse momento, vir defender a posição do ilustre colega João Leopoldo de Lima ante as palavras da Cara Colega Quilza. Bem, "SEGUINDO" A(e não "SEQUINDO") meu pensamento, o que importa, caríssima, é que o nosso colega "QUIS" (e não QUIZ) dizer que conheceu uma interessante "figura" no passado, a qual o fez lembrar do incidente por ele contado. OK? ABRAÇOS SINCEROS A TODOS!

Ido Kaltner disse:
16 de abril de 2004 às 14:29

Há também as denominadas pérolas comportamentais nos foruns, como é o caso que certa vez presenciei na distribuição do forum da justiça federal em São Paulo, um advogado apressado fechou violentamente sua pasta 007 e acabou cortando a petição de seu colega logo à frente que repousava o braço sobre o balcão.

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