Nesta quinta-feira (22/4) às 15h, em Brasília, Francisco Carlos Garisto, presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais, a Fenapef, presta declarações ao procurador da República Luiz Francisco Fernandes de Souza. O Ministério Público Federal ouve de Garisto relatos sobre a ingerência da DEA, Drugs Enforcement Administration, a agência anti-drogas dos EUA, nas investigações da PF sobre narcóticos.
Em 10 de outubro de 2003, o procurador Luiz Francisco já havia encaminhado recomendação ao diretor da Polícia Federal, delegado Paulo Lacerda, para que tornasse públicas as movimentações da conta secreta número 284.002-2, agência 3476-2, do Banco do Brasil. Esta conta, de Brasília, vem sendo alimentada pela DEA, com cerca de US$ 5 milhões anuais.
Os instrumentos básicos de indagação na oitiva de Garisto serão documentos comprovando que a DEA se comunica com a PF, determinando e sugerindo investigações que não passariam pelos trâmites jurídicos legais. Leia a íntegra de um desses documentos a serem empregados pelo MPF no depoimento de Garisto. Ele já foi infiltrado nos Cartéis colombianos da droga, nos anos 80, pela PF,e já atuou como segurança do Papa João Paulo Segundo, do Príncipe Charles e de dois presidentes dos EUA
Leia o documento
Embassy of The United States of America
Brasília, 03 de fevereiro de 2004
Senhor diretor
Com nossos cordiais cumprimentos, faço referência ao ofício nro. 323/04 DOOR/PF, pelo qual Vossa Senhoria nos encaminha planilha contendo registros de transferência de valores, para seu nome, via conta corrente bancária oficial da Embaixada dos Estados Unidos, no Citibank, durante o período de 17/03/99 a 03/12/02.
Confirmamos que os valores listados foram emitidos em atendimento e em conformidade com as atividades administrativas normais no âmbito da cooperação bilateral Brasil/EUA na área de repressão a entorpecentes. Outrossim, informamos que tais emissões fazem parte e obedecem estritamente ao estabelecido dentro do Memorando de Entendimento, assinado pelos Governos Federais dos dois países, sob os auspícios do Acordo de Cooperação Mútua, de 1995, que trata do assunto.
A transferência de recursos, sua utilização, e a prestação de contas referentes aos mesmos atendem de forma plenamente satisfatória as normas do Governo norte-americano, não tendo sido verificada até a presente data qualquer tipo de irregularidade ou discordância entre as partes em sua utilização.
A Seção de Assuntos de Narcóticos da Embaixada dos Estados Unidos está à disposição de V. Sa. para qualquer esclarecimento adicional. Sem mais para o momento, aproveitamos a oprtunidade para reiterar nossos protestos de mais alta estima e consideração.
Atenciosamente
Thomas H. LLoyd
Diretor
Seção de Assuntos de Narcóticos
Ilustríssimo Senhor
Dr. Getúlio Bezerra Santos
Delegado de Polícia Federal
DCCR/DPF
Brasília, DF
NAS 036/04
É lastimável que denúncias levados a cabo por uma autoridade sindical do calado do Presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais, Francisco Carlos Garisto, somente agora tome vulto de responsabilidade por quem de direito. Garisto em 1999, quando entrevistado pelo Revista "caros amigos" já dissecara tal assunto, que culminou com a sua oitiva perante a Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados em Brasília no corrente mês...Tais denúncias não envolvem apenas agentes ianques que buscam coibir o "trafico de drogas" para os Estados Unidos, mas agentes outros envolvidos com a CIA, FBI e congêneres, que segundo fartas matérias divulgadas em sucessivas edições da revista "Carta Capital" perambulam ao seus bel-prazer pelos Estados do nosso País. Mais revoltante ainda é saber que esses Agentes ianques, com a petulância própria de imperadores, não se cansaram de dizer que: "QUEM PAGA MANDA", numa criminosa alusão de deixar bem claro, que se os dólares são ianques, a contrapartida cabe em forma de subordinação de uma Polícia Nacional aos ditames de meros agentes de espionagens infiltrados. Repugnante tal situação. Mais repugnante ainda é sabermos que onde esses "convênios" de combates às drogas feitos entre países da América do sul, principalmente, com os ianques, redundaram no aumento do tráfico e do consumo doméstico desses países pobres, entre eles o Brasil.
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