Depois de dez anos, o mestre cervejeiro Bernd Näveke, de 52 anos, ganhou o direito definitivo a uma indenização da Cervejaria Brahma, transformada em AmBev após fusão com a Antártica. Segundo o site Espaço Vital, ele passou mais de três décadas na companhia, boa parte delas ingerindo entre seis e oito litros diários de cerveja.
Como resultado de seu trabalho, teria se tornado alcoólatra e se aposentado precocemente por invalidez. O advogado Sérgio Fisher, representante de Näveke, informou que a decisão do Superior Tribunal de Justiça — confirmada pelo Supremo Tribunal Federal — que acolheu o pedido de indenização, transitou em julgado.
O valor da indenização, contudo, deve ser objeto de novo processo, que também pode levar anos. Um especialista contratado por Fisher calculou que o cervejeiro deve receber mais de R$ 6 milhões, referentes a pensões vencidas, acrescidas de juros, além de danos morais. A isso, informa o advogado, devem somar-se uma verba referente aos gastos com tratamento médico e uma pensão.
Descendente de alemães, Näveke ingressou na empresa em 1972, aos 20 anos, como aprendiz de cervejeiro. Em 1975 foi enviado para Munique, onde estudou por dois anos.
è de surpreender a maneira em que a Brahma cuida de seus funcionários que exercem atividades prejudiciais à saúde, como é o caso, se é mesmo necessário fixar um funcionário para a função de cervejeiro, a empresa deveria pelo menos substituir este funcionário a cd ntervalo de tempo e dar assistência médica necessária, para que haja espaço para recuperação do funcionário e assim evitando situações constrangedoras para ambos os lados.Normalmente os cervejeiros entram com ações judiciais contra estas empresas, e por ser um motivo justo (pelo menos diante da maioria dos tribunais), estes “mestres das cervejas” geralmente ganham as causas, mas se olhássemos para o outro lado, poderemos raciocinar: será que este foi o único serviço que este senhor (Bernd Näveke) encontrou? Será que nem ele ou a sua família perceberam que seu trabalho iria debilita-lo? Ou sabiam e acharam melhor suportar, pois sabiam que poderiam ganhar uma fortuna razoável na Justiça? Não estou a defender nenhum dos lados, muito menos julgar quem é certo ou não no caso, mas apenas revelando minha opinião neste acontecimento porque, é realmente interessante ressaltar a falta de reação em favor à saúde de Bernd Näveke. Será que somente após trinta anos foi que perceberam que Bernd Näveke tinha se tornado alcoólatra? Imaginamos uma pessoa de sua família que começa a trabalhar neste tipo de função, após algum tempo será que você ou outra pessoa da família não notará o prejuízo que estará causando em seu familiar? Ou verdadeiramente necessitará que decorra vinte ou trinta anos para notar isto? Agora, surge uma hipótese: e se o sujeito é sozinho, não tem família ou amigos que possam orientar? O parágrafo II do Artigo 4º do Código Civil impõe que “os ébrios habituais, os viciados em tóxicos, e os que, por deficiência mental, tenham o discernimento reduzido; são relativamente incapazes de exercer a capacidade civil”. São incapazes de exercer atividade civil, como poderão trabalhar e administrar seus rendimentos? Como pode uma empresa contratar uma pessoa para determinada função de risco sem que tenha alguém para lhe assistir?Entrelinhas: acho que se a Brahma ou qualquer outra cervejaria anunciar uma vaga para uma função “padrão” como esta, com certeza candidatos é que não irá faltar!
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