Procuradores reagem à reportagem da IstoÉ sobre Anaconda

Procuradores-regionais da República em São Paulo enviaram carta à revista IstoÉ em resposta à reportagem intitulada “A gula da Cobra”. A revista publicou texto onde afirma que os responsáveis pela Operação Anaconda teriam utilizado escutas telefônicas clandestinas e não teriam investigado os fatos captados nas interceptações feitas com respaldo judicial (veja abaixo link sobre o texto).

Segundo a revista, as conversas interceptadas, que viriam incriminar os juízes acusados de negociar sentenças judiciais, viraram prova em si, sem a devida checagem.

Na carta, os procuradores afirmam que a IstoÉ está sendo processada civil e criminalmente pelos juízes Ali e Casem Mazloum. E que isso explica o motivo de a reportagem não observar “parâmetros mínimos de responsabilidade profissional” ao fazer a notícia.

Os cinco procuradores que assinam a carta ainda afirmam que os repórteres “em nenhum momento procuraram os membros do Ministério Público Federal para ao menos ouvir ‘o outro lado’, como mandam os bons manuais do jornalismo decente”.

Segundo eles, as interceptações telefônicas produzidas pela Operação Anaconda “estão confirmadas por documentos, depoimentos de testemunhas, perícias e demais provas realizadas ao longo da instrução processual, sendo levianas as afirmações da reportagem”.

Leia a carta enviada à revista

À Revista IstoÉ

“A gula da cobra”, Ed. 1809

A revista IstoÉ está sendo processada, civil e criminalmente, pelos juízes Ali e Casem Mazloum. Isso explica a lamentável inobservância de parâmetros mínimos de responsabilidade profissional e os leitores, mais uma vez, ficaram desinformados pelos repórteres Antonio Carlos Prado e William Novaes que, dando como inquestionável a versão dos réus, em nenhum momento procuraram os membros do Ministério Público Federal para ao menos ouvir “o outro lado”, como mandam os bons manuais do jornalismo decente. Por respeito aos leitores, informamos que:

1) as interceptações telefônicas produzidas nos processos da chamada “Operação Anaconda” estão confirmadas por documentos, depoimentos de testemunhas, perícias e demais provas realizadas ao longo da instrução processual, sendo levianas as afirmações da reportagem;

2) o Subprocurador-Geral da República Antonio Augusto César foi denunciado pelo Procurador-Geral da República Cláudio Lemos Fonteles e pela Subprocuradora-Geral da República Cláudia Sampaio Marques perante o Superior Tribunal de Justiça, que deferiu a quebra dos sigilos bancário e fiscal, bem como a realização de diligências de busca e apreensão, realizada em suas residências (SP e DF) e em seu gabinete na PGR. Procedimentos disciplinares e de apuração de improbidade administrativa encontram-se em andamento;

3) O Habeas Corpus fornecido à revista provavelmente pelos réus tramita em segredo de justiça e foi impetrado por Procuradores Regionais da República em favor de Policiais Rodoviários Federais ameaçados pelo juiz Ali Mazloum. Não se destina a barrar investigações, mas a impedir perseguições e constrangimento ilegal impostos pela inusual atuação de Procurador da República sem atribuição funcional ou territorial para o caso.

Ana Lúcia Amaral, Janice Agostinho Barreto Ascari, Luiza Cristina Fonseca Frischeisen, Marcelo Antonio Moscogliato e Mário Luiz Bonsaglia, Procuradores Regionais da República em São Paulo.

disse:
09 de junho de 2004 às 21:30

Não entendo muito bem como o Ministério Público Federal pleiteia ser ouvido a respeito de uma "Operação" que estaria sob segredo de justiça!
A famigerada "Operação Anaconda" me parece ,no mínimo, cheia de vícios processuais.Faz interceptações telefônicas e as "edita"; acusa doze pessoas e encarcera nove(prisão preventiva desde novembro/2003);prende por engano(Sr.Hugo Sterman Filho)e não sabemos mais quantos erros foram e serão cometidos...
Finalmente,depois de tanta "mídia marrom", surge uma reportagem decente,embora contrária à posição do Ministério Público.Parabéns IstoÉ e os repórteres, William Novaes e Antonio Carlos Prado.

Marcos P. Scherian disse:
09 de junho de 2004 às 22:01

Sempre tive profundo respeito pelo Ministério Público. Desta vez, no entanto, estou decepcionado com a instituição.
A carta enviada pelos Procuradores da República à Istoé é vaga, imprecisa, pobre. Bem ao contrário, a reportagem da Istoé está bem elaborada, é consistente. Mais algumas considerações:
1) os procuradores reclamam que os repórteres “em nenhum momento procuraram os membros do Ministério Público Federal para ao menos ouvir ‘o outro lado’, como mandam os bons manuais do jornalismo decente”.
Ora, os procuradores reclamam de algo que também não fizeram: denunciaram os réus sem antes sequer ouvi-los, como mandam os bons manuais de direitos humanos e a CF.
2) A reportagem trouxe cópia de depoimentos, em que policiais da Anaconda afirmam taxativamente: não há qualquer prova de venda de sentença em relação aos juízes Mazloum. Ora, isto é fato. E não é a "versão dos réus". É a versão da acusação, por suas testemunhas.
3) O MPF acusou o juiz Casem de ter sido presenteado com passagens aéreas. Acusou apenas com base nas conversas interceptadas. Não checou. Isto é fato, pois o juiz provou documentalmente, segundo a revista, através de microfilmes dos cheques e declaração da agência, que adquiriu as passagens aéreas.
4) Se o subprocurador Antonio Augusto Cesar tinha escritório no local, figura como beneficiário no livro-caixa, porque não foi denunciado pelo crime de quadrilha? A carta dos procuradores não esclarece.
5) O HC impetrado por procuradores da república contra ato de outro procurador da república é inusitado. Com certeza é rara novidade na história do MPF. A impressão que dá, é que quem quer que se ponha contra os interesses de certos procuradores da República, acaba se dando mal, é perseguido.
Por fim, parabenizo a revista ISTOÉ, pela reportagem decente, como disse a leitora Roberta Santiago. Parabenizo os jornalistas William Novaes e Antonio Carlos Prado, pela independência. Parabenizo também a independência do procurador da República vitima do HC de seus pares!!

Julio Marques disse:
10 de junho de 2004 às 00:35

Li com atenção a matéria da revista IstoÉ, da qual sou antigo, assíduo e fiel leitor. É inegável que está bem feita e bem fundamentada. Os repórteres da revista ISTOÉ são pessoas sérias, profissionais de alto gabarito. A reportagem é igualmente séria e, como disse, bem escorada, com cópia de documentos e fotografias. Descabida, portanto a alegação de que a revista está sendo processada pelos juízes. Isto apenas demonstra a independência da revista.
Não há versão dos réus na matéria, pois eles também não foram ouvidos. Ao que parece os jornalistas tiveram acesso integral às provas do processo. E fizeram o que profissionais honrados e decentes deveriam fazer: publicaram a verdade dos fatos.
Quanto a carta dos srs. procuradores, é ridícula. Ao contrário do que afirmam, os documentos apresentados pela revista não confirmam as interceptações telefônicas. Muito menos as testemunhas (da própria acusação!!).
A carta dos procuradores deixa muito a desejar:
A carta nada diz sobre o cidadão que, por engano (descuido, irresponsabilidade), ficou preso por 11 dias.
A carta nada diz sobre o lider da quadrilha, morto há 40 anos.
A carta nada diz sobre a testemunha de acusação que diz que não conseguiram qualquer prova de que os juizes Mazlon venderam sentença ou se beneficiaram de qualquer forma.
A carta nada diz sobre a troca de nomes: Mario por Ali. Ou sobre os vários indeferimentos de liberdade proferidos por este juiz em relação ao Ari Natalini.
Ora tenham santa paciência!!

Samira F Huris disse:
10 de junho de 2004 às 00:39

Li a reportagem da Isto É e a famigerada "prova" da acusação. Li também neste mesmo Consultor Jurídico a defesa do juiz Ali Mazloum, a qual remetia para as provas documentais dos grampos ilegais. Tanto o juiz quanto o procurador que requisitou investigação contra os policiais foram atacados e perseguidos. É estranho, muito estranho, que alguns membros do MPF tenham impetrado HC em favor desses policiais... Além de acusar, querem investigar, advogar e julgar? O que há por trás disso tudo? Quem eles querem proteger? Isso sim é uma vergonha. Também parabenizo a coragem dos jornalistas Antonio Carlos Prado e Willian Novaes, que não embarcaram no sensacionalismo acusatório e foram a campo investigar, o que deveriam ter feito a tal da inteligência da PF e do MPF antes de acusar.

caiubi disse:
10 de junho de 2004 às 10:44

Com certeza RENÉ DESCARTES, deve estar rindo, sei lá o que, mas lamentavelmente faz muito tempo pelos idos de 1655, ´já existia uma pessoa que pregou,~" não acreditar nas linhas, interpretar as entrelinhas" . Está claro que a mídia é um poder paralelo quando a equipe toda é afinada com algum interesse político, ecônomico, social. Por nossa sorte o dito afinamento tem sido isolado, por setores da mídia, que por seus profissionais, expressam as suas convicções que nem sempre são as nossas, uma ou a outra é a verdade dos fatos. Por essas e estas não assino mais nenhuma revista, do ramo, muito menos dou crédito ao jornalismo da tv,"plim, plim". 10-06-2004

Silvia F. Tomacchini disse:
10 de junho de 2004 às 13:48

Se é possível investigar por denúncia de qualquer cidadão, até pelo "disque denúncia", não entendo por que um suposto crime de grampo ilegal não poderia ser apurado a pedido de um Procurador da República.

Jefferson disse:
10 de junho de 2004 às 19:28

A impressão que se tem é que os procuradores da república tentam passar para a população uma "verdade" que não existe. Eles querem passar a idéia de que a prova está maravilhosa para a acusação, que está tudo provado... Mas na verdade...
De fato, os procuradores da república estão, na verdade, tentando justificar, defender o fiasco que é a operação anaconda. É muito conveniente para eles.

Leonardo disse:
10 de junho de 2004 às 19:41

Creio que as únicas pessoas que poderim tecer comentários da forma como constam nas manifestações dos senhores Robson e Jefferson são aquelas que, sem ter envolvimento nenhum com a causa (ainda que profissional), tiveram efetivo acesso a todas as provas dos autos. Se esse for o caso de ambos, a Operação comentada é de fato um absurdo. Aliás, não somente ela é um absurdo e não somente a atuação dos Procuradores é um absurdo mas também a atuação de todos os juízes (desembargadores e ministros) que tiveram atuação no caso, porque estão todos eles cometendo abusos absurdos ao receberem denúncias e manter prisões baseadas em provas tão aburdas...
Agora, se esses senhores não se encaixam na categoria de pessoas isentas e com conhecimento de causa, os comentários apenas podem ter justificativa em uma profunda mágoa ...

Jefferson disse:
10 de junho de 2004 às 20:05

Realmente, agora, com a reportagem da IstoÉ, todos estão tendo acesso às provas, podendo concluir, portanto, que a operação anaconda é de fato um absurdo.
Parabéns à revista IstoÉ por mostrar a todos a verdade dos fatos.

Amir Fares disse:
11 de junho de 2004 às 05:13

Inacreditável!!!
Depois de tudo ainda temos que tolerar este time de procuradores eleborarem uma carta rídicula com a finalidade de melindrar os jornalistas que relataram um fato.
Em verdade, manual descente faltou a este senhores quando da elaboração da denúncia.
E que denúncia, hein!!! Muito mau feita, o que a comunidade jurídica questiona é justamente o fato desta coisa não ter sido julgada INEPTA, pois não trazia sequer um elemento probatório de fiel consistência e o mais preocupante é que tal denúncia foi subscrita por 05 procuradores da república, reciclar é preciso.
Com relação ao texto que enviaram para a revista, a exemplo de todo o processo, é risível.
Respeito, é algo que temos que ter em relação a todos, mas, sobretudo a quem se dá o respeito.
Mas, convenhamos, o MPF teria que lançar este expediente para tentar amenizar a vergonha que vem passando, afinal é cada dia maior e mais pesado o fardo da incompetência, vamos admitir.
O certo, o mais correto seria um desses procuradores, antes de mais nada, estudar e aí sim pedir o trancamento da ação penal em face de alguns acusados, valorando as provas. Assim, poderiam salvar uma parte do episódio.
Vaidade faz um mal!!!

Amir Fares

Leonardo disse:
11 de junho de 2004 às 15:57

Devo insistir em dois pontos: em primeiro lugar porque apenas critica-se os Procuradores quando foram Juízes (desembargadores federais) que, por unanimidade, receberam a denúncia e para tanto necessariamente analisaram provas? Será que realmente a prova é tão ruim assim? Será que realmente a denúncia é tão inepta assim?
Em segundo lugar, ler a reportagem de uma revista, principalmente quando se questiona sua veracidade e imparcialidade, e dizer que com isso já se tem conhecimento das provas produzidas nos autos é um absurdo.

Marcos P. Scherian disse:
11 de junho de 2004 às 17:48

Tenho acompanhado este caso desde o início e vejo que muitos ainda estão desinformados.
Em primeiro lugar, o bacharel Julio Roberto: não foi encontrado dinheiro na casa "dos magistrados", mas apenas na casa da ex-esposa do magistrado Rocha Matos.
Em segundo lugar, "os juízes estão presos". Errado. O único juiz preso é também o Sr. Rocha Matos.
Quanto ao Promotor Leonardo Vilhena: concordo em parte. Os juízes que receberam a denúncia também devem ser criticados. O mais é puro espírito de corpo.

Silvia F. Tomacchini disse:
11 de junho de 2004 às 17:48

Que me desculpe o sr. Leonardo Vilherna, mas pelo que é sabido é que para se receber uma denúncia não se leva em conta o princípio "in dubio pro reo". E o que parece claro é que a reportagem da revista Istoé pretendeu demonstrar as trapalhadas da Polícia Federal, que se baseou unicamente em grampos para incriminar pessoas. Não investigou. Por isso é que acabou incriminando uma pessoa morta, uma pessoa foi presa no lugar de outra, nomes foram trocados, presentes recebidos na realidade não foram etc. Essa é a questão: não se investigou.

Ana disse:
14 de junho de 2004 às 20:45

Acompanho a Operação Anaconda desde o início,e quanto a reportagem da revista IstoÉ achei excelente pois até que emfim a midia começou a mostrar a realidade do caso Anaconda para a sociedade!!Parabenizo os repórteres;William Novaes e Antonio Carlos Prado!
Gostaria de saber onde está a justiça para os acusados da Operação pois pelo que sabemos a inteligencia da PF não esteve presente no caso,pois realizou interceptações telefônicas irregulares ou seja ''editadas'',PRENDEU um cidadão por engano durante 11 dias, e ainda acusou muitas pessoas sem provas concretas de crime!!até mesmo as testemunhas de acusação não conseguiram em qualquer momento provar nada,depois de quase 1 ano e meio de investigações!Acho um absurdo manter 9 pessoas presas durante todo este tempo(30 de outurbro) sem ter um porque convincente de provas!!!!tenham minha santa paciência!!

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