Um professor amigo me mandou duas pérolas. Já existe direito simplificado, desenhado, sem as partes difíceis, mastigado e resumo do resumo. Agora surge um novo produto: pós-graduação superintensiva.
Segundo vi nos cartazes abaixo, dá para fazer em até três meses. Pronto.

Obs: as publicidades acima foram patrocinadas e, portanto, ninguém pode se queixar do seu uso aqui.
Sigo. O que mais posso dizer depois de tudo o que já disse durante estes anos todos? Só aqui na ConJur escrevi mais de 900 textos. Denunciando essas coisas tipo "prêt-à-porter", mais de 200.
Por isso, como todos já sabem o que penso sobre isso tudo e que "as consequências vêm sempre depois" (para sempre invocar o personagem de Primo Basílio), encerro por aqui esta coluna superintensiva.
Depois nos queixamos.
I rest my case!
Aos maus militares que ainda ousam desafiar a Constituição e a Democracia:
Cuidado, ou serão tratados "debaixo de vara"!! Lembram? Quem disse/escreveu isso foi certamente alguém com mais prestígio que vcs.
Pois, vcs não são Poder da República. São servidores apenas.
O tal do Braga Netto, quando endossa manifestações golpistas, parece que está cometendo crime de responsabilidade, pois parece que (estranhamente) é ministro.
Tudo exagerado acarreta confusão. A mensagem, especialmente acadêmica, requer parcimônia. Aqui o exagero do texto está na mensagem implícita. "Mas eu já escrevi...", e daí? Só não muda de opinião quem já morreu, como dizia Ayres Brito. Dez anos após a pessoa não é mais a mesma, enunciava Heráclito.
Eu entendi. Acho. 3 meses, 6 meses - o que será ensinado é o que se propõe - ou melhor - é o que será útil? O que na verdade está se vendendo?
Direito é discurso. O discurso jurídico tem estrutura, tem fundamento. Seus institutos guardam diferenças, hierarquias, conflitos e máximas milenares. Saber disso não vem da noite pro dia. É tempo que vai com livros bem grossos. Sinto muito, realmente não há como pular isso, nem há atalho. É trabalho duro, todo dia, durante um bom tempo. Depois sim, vem a recompensa.
Sem fundamento (ou capacitação adequada) o propósito é desvirtuado. O canudo vem com a insegurança o que leva - ao péssimo serviço jurídico, o que ninguém quer vender ou receber.
1 ano e 6 meses em um vale mais que 6 meses de outro? 3 meses? Sim e não, a maioria vai dizer. E sabem também que não é porque o professor é conhecido (por isso ou aquilo) que o curso terá rendimento. Mas o texto não racionaliza. Perdeu a oportunidade.
Esses cursos intensivos demonstram por que existem até mesmo profissionais do Direito (advogados, procuradores e juízes) que andam por aí defendendo intervenção militar.
O estatuto do MPU é um "berço de ouro" para quem entra no MPU: tudo tem tratamento diferenciado, e é pago pelo "Estado". Quantas vantagens!
Isso é o que dá essa disposição de propostas orçamentárias, em separado e por instituição: cada qual puxa um "pedaço do bolo" maior para si.
A nosso ver, o certo seria um "local"/órgão/conselho, amplos, onde se discutiria com a sociedade, e se controlaria melhor a concessão ou não de tantas vantagens a agentes públicos.
Outro problema: a iniciativa de projeto de lei é dos "próprios donos da casa", logo, escolherão o melhor para si.
Esse "arranjo" de coisas bem que poderia mudar pra melhor. Evoluir.
O Deus "Mercado Econômico" foi eleito pelo ex-presidente FHC, como o regulador dos setores primário, secundário e terciário. Atualmente, a graduação universitária não garante emprego. É preciso mais que isso. Fala-se em empregabilidade.
A empregabilidade diz respeito à capacidade que um profissional para conseguir uma vaga de emprego e, sobretudo, se manter nele. O conceito diz respeito à aptidão de uma pessoa de se manter ativa no mercado de trabalho.
Esses cursos de pós-graduação atendem uma clientela que não conseguiu aprovação em universidades de "ponta" ou o plano de trabalho não foi aceito pelo orientador. Em último caso, o estudante procura ampliar o currículo com todo o tipo de curso.
A existência de manuais jurídicos, por intermédio dos quais há a aprendizagem por "osmose", senão dignifica o Direito, pelo menos concede ao alunato "um canudo" e permite a sua sobrevivência em condições melhores que aquelas antes da graduação (fato presumido).
K. E. W. , estudante de Economia na Universidade de Stanford (USA), fez análises da atual situação de um trabalhador que estuda e precisa sobreviver: "Como diabos uma pessoa comum com um emprego regular pode sobreviver no mundo de hoje sem se cansar e se sentir esgotado?
Você não sobrevive, comece passando em uma boa faculdade e se matando de estudar.
DEPOIS DISSO
-Não tenha filhos.
-Lide melhor com investimentos, principalmente imóveis, aprenda a ter lucro/renda e saiba orçar.
-Se torne indispensável no seu trabalho.
-Tenha um café da manhã farto, muita água e peça uma receita de Adderall/Prozac para o seu médico.
-Não viva no limite do que você ganha.
- Não compre porcarias.
-Tenha 10% do seu salário anual guardado com alta liquidez
- Tome altas doses de Redbull.
- Não compre um carro (continua)
se mora em uma cidade grande (Viva no centro, trabalhe no centro).
-Se nada der certo (não vou reproduzir, porque, aqui, no Brasil, é crime)
-Se a situação anterior falhar (não vou, também, reproduzir, porque, aqui, no Brasil, é crime).
Então, como a maioria dos estudantes brasileiros vive em situação pior que os seus similares norte-americanos, a existência de "cursos de pós-graduação de baixa qualidade" atende um mercado promissor e, em nível social, constitui "uma válvula de escape" para aquela multidão de perdedores, que poderiam "degringolar para o estágio de "rebelião social".
O termômetro para profissionais ruins são juízes ruins com livre motivação.
Quando encontramos juízes com a livre motivação do "sempre foi assim" e "meu pai dizia" em meio a um caos pan principiologico e ativismo judicial, com despotismo judicial e umbigologia descarada, tudo é a mesma coisa e qualquer coisa é outra coisa.
O Direito que é e não é Direito ao mesmo tempo nunca é Direito e sim fonte de poder político.
Se o operador do direito fosse desafiado a ter conhecimento não haveria essa galhardia.
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