Helicópteros da PF estão parados há meses sem manutenção

Os dois únicos helicópteros da Polícia Federal com capacidade para 13 pessoas e avaliados em US$ 8 milhões estão parados há mais de oito meses, em manutenção. A afirmação é da Fenapef — Federação Nacional dos Policiais Federais, que mais uma vez chama atenção para o fato, como já tinha feito em abril deste ano.

Uma aeronave Bell 412 está parada há dois anos e outra há oito meses, à espera de reparos. Os dois veículos são próprios para as grandes missões da Polícia Federal, principalmente no transporte de policiais nas ações de combate e erradicação de plantações de maconha.

Segundo a Fenapef, os problemas em relação à manutenção das aeronaves começaram em setembro de 2004 quando a Caop — Coordenação de Aviação Operacional optou pela realização de nova licitação para manutenção dos helicópteros, não renovando o contrato com a empresa Líder que durante 11 anos realizou a manutenção. O processo empacou e as aeronaves permanecem fora de combate.

O chefe do Serviço de Manutenção da Caop, delegado Sérgio Barboza Menezes, diz que o principal problema é o monopólio da Líder na manutenção dos 412. Segundo ele, a rediscussão do contrato começou em 2003 quando a Caop pediu a redução de 25% no contrato e propôs novas cláusulas. O resultado teria sido o impasse entre as partes.

Os representantes da Líder em São Paulo, por meio da assessoria de Comunicação e Marketing, negam que a Coordenação de Aviação Operacional do DPF tenha proposto a redução nos valores do contrato. “A Líder não foi procurada oficialmente para tratar deste assunto”. A empresa afirma que os preços praticados pela empresa estão de acordo com o mercado e devidamente alinhados com o portfólio de serviços/capacitações disponibilizados para atendimento aos clientes.

Para resolver a questão, a Caop solicitou que as Forças Armadas fizessem a manutenção dos helicópteros, mas a FAB não possui Bell 412 entre suas aeronaves e não teria como fazer os reparos.

Canibalização

Menezes nega que o processo de canibalização, ou seja, usar as peças dos helicópteros até ele virar sucata. Segundo ele, isso é uma invenção da empresa Líder. “O que nós estamos fazendo aqui é otimizar recursos”.

O fato, no entanto, é que apenas uma das aeronaves está inteira. A outra está desmontada no hangar da Líder. Há, aí, outro impasse. O coordenador-geral de Aviação, delegado Mário José de Oliveira Santos, diz que a quebra do contrato partiu da empresa Líder e, se a aeronave for retirada de lá, a Caop poderá responder criminalmente.

Já os representantes da Líder em São Paulo negam que a Caop tenha aprovado os orçamentos apresentados para a aquisição e reparo dos componentes necessários para retorno ao vôo da aeronave. A empresa diz também que o contrato expirou em 31 de dezembro de 2004. Nesta data, a aeronave se encontrava nas oficinas da Líder em Brasília, aguardando a finalização de serviços.

“Como o prazo do contrato expirou, a Líder oficializou o DPF, por meio de correspondência, para que este tirasse a aeronave de seu hangar e levasse para o hangar do DPF. Até hoje a solicitação não foi atendida”, afirmou a empresa.

Band disse:
10 de setembro de 2005 às 20:00

Dois helicópteros apenas, e no chão! O que aconteceria no Brasil uma catástrofe como a de Nova Orleans se nem em tempo normal conseguimos fazer as coisas funcionarem?

João Luís V Teixeira disse:
12 de setembro de 2005 às 08:35

Curioso que não faltaram recursos (mais de R$ 270 milhões) para esse malfadado referendo de 23 de outubro, que o Governo usa como cortina de fumaça para encobrir seus escândalos...

CELO disse:
12 de setembro de 2005 às 11:31

Enquanto isso acontece, teremos acidentes (com mortes) como o ocorrido em agosto de 2004, que levou a morte do APF Moreira, 36 anos, lamentável.

Veja nota da PF:

"O Departamento de Polícia Federal, por meio do seu diretor-geral, delegado Paulo da Costa Lacerda, cumpre o doloroso dever de comunicar a todos o falecimento do agente de polícia federal Abdré Godoi Moreira, jovem policial com 36 anos de idade, vítima de acidente aéreo, quando o helicóptero em que era tripulante caiu no momento em que sobrevoava a região próxima do município de Coronel Sapucaia/MS, distante 396 km da capital Campo Grande, com causas ainda a serem apuradas.

A aeronave em questão contava com seis tripulantes, sendo que os outros cinco policiais federais tiveram apenas ferimentos leves, tendo sido, após o resgate, removidos ao hospital de Coronel Sapucaia, onde receberam os primeiros socorros. Outro helicóptero da Polícia Federal que também participava da "Operação Aliança XII" foi imediatamente deslocado até a região do acidente, tendo também auxiliado no transporte dos feridos e do corpo de André até a cidade de Dourados/MS.

O velório se dará na cidade Campinas (SP), no cemitério Flamboyant. À família enlutada o departamento prestará todo o apoio neste momento de imensa dor, renovando seus votos de pêsames e pedindo a Deus que os conforte".

Você precisa estar logado para enviar um comentário.

Leia também