Bianca Roso

é doutoranda em Direito Público pelo Programa de Pós-Graduação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos/Unisinos, na linha de pesquisa: Hermenêutica, Constituição e Concretização de Direitos, bolsista Capes/Proex, mestra em Direito pela Universidade Federal de Santa Maria-UFSM, com bolsa Capes, pesquisadora do grupo de pesquisa e extensão: Phronesis: Jurisdição e Humanidades e membro do Dasein — Núcleo de Estudos Hermenêuticos.

A formação do pensamento social brasileiro e a atualidade dos clássicos

As primeiras décadas do século 20 testemunham uma reviravolta na formação do pensamento social brasileiro [1]. As razões para essas “reviravoltas” dialogam de perto com o surgimento de versões não somente relacionadas à especificidade brasileira, mas também de impactos paradigmáticos. Por certo, existem grandes explicadores do nosso contexto e o seu legado alcançou outros espaços […]

Consultar a literatura é fazer a coisa certa

“A tontura da fome é pior que a do álcool. A tontura do álcool nos impede a cantar. Mas a da fome nos faz tremer. Percebi que é horrível ter só ar no estômago […] Eu escrevia as peças e apresentava aos diretores de circos. Eles respondia-me: -É pena você ser preta. Esquecendo eles que […]

A Peste, de Camus, e o negacionismo que mata e destrói

A Peste, do franco-argelino Albert Camus (1913-1960), se passa na cidade de Orã, Argélia, no ano de 194… Isso mesmo, “194…”. O narrador não precisa o ano. Para iniciar a obra ele relata como era a sua cidade. Aqui, ele relata que as pessoas reservam “os prazeres para os domingos e os sábados à noite, […]

Receita para se comer queijo (parte 1)

[…] A Adélia Prado me ensina pedagogia. Diz ela: “Não quero faca nem queijo; quero é fome”. O comer não começa com o queijo. O comer começa na fome de comer queijo. Se não tenho fome, é inútil ter queijo. Mas se tenho fome de queijo e não tenho queijo, eu dou um jeito de […]

O senso comum teórico dos juristas e a arte de reduzir cabeças

A “cultura jurídica” não é fácil de ser definida. Geralmente a noção de cultura é construída pelo trinômio pensar-sentir-fazer [1] em cada ação cotidiana e conforme a percepção ideológica sobre esta construção. Portanto, as práticas sociais também são criadoras da cultura em si. Pois bem, de acordo com essa premissa, a cultura jurídica também pode […]

A literatura pode (nos) salvar (d)os juristas!

Meu caro Paulo: Ninguém pode ser um advogado verdadeiramente competente se não for um homem culto. Se eu fosse você, esqueceria qualquer preparação técnica para o Direito. A melhor maneira de se preparar para o Direito é ser uma pessoa culta. Só assim se pode adquirir a capacidade de usar a língua inglesa no papel […]

Educação para a democracia: lições de Martha Nussbaum

A proximidade entre o Direito e a Literatura é a mesma que redimensiona o século 21. Isso porque, "[…] no Brasil celebramos recentemente a Constituição Balzaquiana e comemoramos o seu ciclo de saturno. Sobrevivemos ao extremado século XX, suas guerras e conquistas" [1]. Assim, chegamos ao século 21 com alguns aprendizados, mas também com muito […]