A ministra Ellen Gracie foi eleita presidente do Supremo Tribunal Federal nesta quarta-feira (15/3). A escolha seguiu a praxe de eleger o ministro mais antigo da Corte que ainda não tenha ocupado o posto, em votação secreta.
Ellen Gracie foi eleita para o próximo biênio com oito votos dos nove ministros que votaram. O ministro Gilmar Mendes recebeu um voto. Pela tradição, o candidato da vez dá o seu voto para o ministro mais recente na corte. Depois da chegada da própria Ellen, o voto era dada à única ministra. Ellen inovou e votou no ministro que será seu vice. Com nove votos, o ministro Gilmar Mendes foi eleito vice-presidente. Assim, terá de deixar o cargo de presidente do Tribunal Superior Eleitoral.
Nem Gilmar Mendes nem o futuro ministro Enrique Lewandowski, que deve assumir nesta quinta-feira (16/3), participaram das votações.
Emocionada, a ministra Ellen Gracie disse que o cumprimento da tradição da casa e a previsibilidade do resultado não tiram a solenidade do momento, “nem o tornam menos comovente a quem recebe a suprema honra de conduzir os destinos do Supremo Tribunal Federal”.
Ela agradeceu a eleição. “Eu agradeço, do fundo do coração, o voto de confiança dos colegas e recebo esse voto de confiança, senhor presidente, senhores ministros, também como um compromisso de vossas excelências de solidariedade com a Presidência, a que não faltarão, com certeza, com seu aconselhamento fraterno, com o apoio e o incentivo necessários a uma boa gestão.”
A ministra Ellen Gracie foi indicada para o Supremo Tribunal Federal em 2000 pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. Ela é a primeira e única mulher a integrar o quadro da mais alta corte do país. É também a primeira presidente do Supremo e tem grandes chances de ser a primeira mulher a ocupar a presidência da República, ainda que interinamente, mesmo estando em quarto lugar na linha de sucessão do presidente Lula.
Cumprimentos
O ministro Nelson Jobim cumprimentou a presidente eleita, em nome da Corte. “Vossa excelência saberá contribuir [com o Poder Judiciário], todos os colegas sabem disso, com a sua autoridade, a sua obsessão, a sua capacidade administrativa, mas fundamentalmente com seu charme, elegância e beleza.”
Jobim acrescentou esperar que a Corte venha a ter a contribuição de outras mulheres. “Mas surge um problema grave para as futuras e eventuais integrantes da Corte: foi fixado um padrão de charme e beleza que tem que ser obedecido e respeitado.”
O procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, também se manifestou sobre a eleição da ministra Ellen Gracie. “Quero deixar consignado a minha satisfação de participar desse momento da vida nacional, um momento histórico, quando se elege a primeira mulher para presidente do Supremo e o faz merecidamente por quem também já integrou os quadros do Ministério Público. Desejou, desde já, à presidente eleita uma gestão profícua que ela certamente exercerá”.

A Ministra Ellen Gracie merece todos os elogios mas certamente sentir-se-ia mais feliz sendo poupada das referências desnecessárias à sua beleza, dada, pelo atual presidente, como de valor "fundamental". E a fixação de "padrão de charme e beleza, que tem de ser respeitado" pode deixar em palpos de aranha, eventualmente, alguma futura ministra bela por dentro mas não tão bela por fora. Falar de improviso traz esses perigos. São os tais "cochilos de Homero", ou de Nelsons que, claro, não podem ser tomados ao pé da letra e sim como impulsos de admiração e amizade.
É difícil encontrar algum cidadão que não aprecie charme e beleza. Mas para o cidadão espezinhado, linchado, privado de suas garantias mínimas no processo penal, em prol de espetáculos jornalísticos, pouco importam aquelas virtudes, mas sim as da corajem para reconhecer direitos alheios vilipendiados.
Viva ! Deus seja louvado !
Vamos ver se, pelo menos, sabe contar os votos. Seu antecessor não sabia. Aliás, não sabia nada. De resto, vamos torcer que se aposente rapidamente.
A Doutora Ellen Gracie deve ser vista, daqui por diante, simplesmente como Presidente do STF, independente de seu charme e inquestionável beleza. Aliás, o charme e beleza que dela se espera é a qualidade de seu trabalho, igual ao que sempre emprestou em suas decisões, desde o tempo do TRF da 4ª Região, em Porto Alegre/RS, de modo a fazer dessa Egrégia Corte, um tribunal que atenda sempre os anseios da Nação e, principalmente, da população brasileira, e não apenas as expectativas do Governo.
Desejo boa sorte,a dama de ferro, e que haja mais justiça e menos política aos integrantes da corte suprema
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