Como o crime se mostra mais organizado que o governo?

Quando se faz uma faculdade, seja ela qual for, o estudante sempre vai se deparar com uma matéria daquelas tidas como nada simpática: Filosofia. E nela irá estudar um filósofo que tinha como metodologia questionar tudo e todos para obter as respostas verdadeiras. Qualquer um acharia uma maluquice.

Mas, esse mesmo instrumento é utilizado pelas crianças. Elas querem saber tudo e perguntam a todo instante, até que o pai se depara com uma pergunta tão óbvia que fica sem conseguir dar uma resposta e manda a criança brincar.

E, mesmo já tendo saído da faculdade há muito, o estudante se deparou nos últimos dias com uma série de perguntas sem respostas!

Por que o governo do estado de São Paulo não tomou as devidas e reais medidas para evitar que essa crise provocada pelos membros da organização criminosa Primeiro Comando da Capital existisse?

Se o governo sabia, por que testou o potencial criminoso dessa organização?

Se houve um planejamento, como o secretário da Penitenciária afirma, então por que São Paulo parou?

Se tudo foi bem executado, por que atearam fogo em mais de 17 ônibus?

O governo afirmou estar preparado! Então como se justifica as mais de 80 mortes em apenas três dias?

Por que fecharam o aeroporto de Congonhas devido à ameaça de bomba?

Por que o mais refinado shopping center de São Paulo, reduto dos endinheirados, teve de ser fechado às pressas?

Por que os cidadãos tiveram de ficar sem ônibus para voltarem a suas casas?

Se o governador afirmou em rede nacional que tudo estava sob controle, o que veio fazer em São Paulo o ministro da Justiça?

Por que São Paulo não aceitou uma intervenção federal?

Por que surgiram boatos de que um acordo foi feito com os grandes lideres e o terror parou de um dia para o outro?

Como é possível as maiores avenidas da cidade estarem desertas às 21 horas?

Como uma facção criminosa se mostra muito mais organizada que o próprio governo?

É possível uma cidade de 15 milhões de habitantes se obrigar a aceitar um toque indireto de recolher e se submeter a passar por horas de incerteza e temor?

Se a ameaça era insignificante, como justificar a notícia ser veiculada nos maiores meios de comunicação da imprensa internacional?

Na terça-feira, o horror recomeça com uma notícia de que a Polícia supostamente teria matado a mãe do criminoso denominado Marcola e para quê?

A imprensa divulga que foram compradas informações sigilosas por R$200 sobre o crime organizado, e por quem? Pelo próprio crime organizado? Mas isso é possível?

A resposta da facção é uma rajada de 41 viaturas policiais destruídas por tiros e novas ameaças de destruição, mas a crise não tinha acabado?

A resposta é simples, até em demasia, e foi dita pela maior autoridade do estado: “porque está tudo sob controle”.

Antonio Baptista Gonçalves

é advogado, pós-doutor em Desafios en la postmodernidad para los Derechos Humanos y los Derechos Fundamentales pela Universidade de Santiago de Compostela, pós-doutor em Ciência da Religião pela PUC/SP, pós-doutor em Ciências Jurídicas pela Universidade de La Matanza.

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