Solução para acabar com caos aéreo é impraticável

A solução encontrada pelo governo federal de quebrar a hierarquia militar para acabar com a greve dos controladores aéreos é impraticável. E não resolverá o problema. Ao contrário, vai agravá-lo. O que está ocorrendo é a conseqüência da desmilitarização praticada na Infraero e no DAC, hoje Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).

A origem do caos está na fome por cargos que levou ao desmantelamento do Sistema de Aviação Civil. O sistema é um corpo, formado por órgãos, do qual faziam parte Infraero e DAC, que têm muitos cargos. Retirar órgãos do sistema é como retirar órgãos do corpo humano. Tiram-se rim, fígado, depois coração. Não há corpo que resista. Estamos assistindo à lenta agonia do Sistema de Aviação Civil.

Agora, será retirado mais um órgão: controle de tráfego aéreo. Teremos a morte do sistema pela falência múltipla. Profissionais que administravam a Infraero e o DAC foram, sem planejamento algum, substituídos por militantes políticos sem conhecimento técnico. Agora, se irá aplicar fórmula semelhante aos controladores de vôo. Ninguém perguntou, por meio de pesquisa, quantos querem e quantos não querem ser desmilitarizados. É tudo conversa.

Não é crível que 90% dos militares (controladores) queiram deixar de ser militares. Sabe-se da existência de meia dúzia de sindicalistas influenciando meia dúzia de sargentos. De concreto, como de hábito, o governo federal não sabe nada.

Para desmilitarizar é necessário planejar. E, se a maioria resolver continuar militar, quem vai cuidar do tráfego aéreo civil? Pelo que se sabe, são necessários mais de três mil controladores para o tráfego civil. Há questões não respondidas. Quantos controladores são necessários para atender um e outro tráfego? Quantos faltam e quanto tempo leva para formar e treinar os que faltam? São questões óbvias para as quais o governo não tem respostas.

Há solução mais fácil de ser implementada. O exemplo é o Projeto de Lei PL 4.991 — Plano de Carreira dos Suboficiais e Sargentos da Aeronáutica, que se arrasta no Congresso. Aprovado, estará resolvida a questão salarial. Esse plano teria evitado a evasão de controladores. Aplicado poderá estancar a fuga e atrair de volta profissionais treinados que foram trabalhar em outras áreas.

Detalhe: resolver o problema dos controladores não acabará com o caos aéreo. O caos irá continuar, porque os outros órgãos, já desmilitarizados, continuarão desprofissionalizados. Os controladores, assim como os consumidores, são vítimas do loteamento de cargos e do esquartejamento do Sistema de Aviação Civil.

A aviação é o meio de transporte mais seguro do mundo porque não prescinde de profissionalização, disciplina e principalmente, hierarquia. Essa última, seja na aviação militar, seja na civil, é a espinha dorsal do sistema. O governo federal quase acabou com a hierarquia. O descaso é total. As vítimas de todo esse descaso serão as mesmas de sempre: os consumidores.

Valter de Assis Mirota Filho

é bacharel em Direito, professor Licenciado do Curso de Aviação Civil da Universidade Anhembi Morumbi SP.

Marco disse:
12 de abril de 2007 às 17:54

A acusação feita é grave. "Os controladores, assim como os consumidores, são vítimas do loteamento de cargos e do esquartejamento do Sistema de Aviação Civil.".

O Dr. tem provas das afirmações, ou é mais uma das calunias que se tornaram usuais no meio acadêmico que não se conforma com a sua clamorosa derrota eleitoral...

Embira disse:
12 de abril de 2007 às 19:25

É natural que uma mudança administrativa da envergadura da desmilitarização do controle de vôo cause reações e seja traumática. Mas, ela terá de ser feita porque, além do Brasil, só a Somália, a Eritréia, o Uruguai e a Argentina mantêm o controle aéreo militarizado. A Argentina deve desmilitarizar o setor antes do Brasil, porque lá não há tantos adeptos fervorosos da hierarquia, das CPIs, das tradições e dos órgãos públicos “imexíveis”. Restarão, somente, o Brasil e os três outros países citados, que são reconhecidamente pobres. Muito se tem falado que o presidente Lula quebrou a hierarquia militar. Mas, ele não tinha outra alternativa. Estava no avião, a caminho dos Estados Unidos, e não poderia mandar prender os controladores, até porque eles não tinham substitutos. Acho engraçado que muita gente gostaria de prender os controladores. Estamos em um país em que a questão social ainda é um caso de polícia. Entendem que eles não podem reivindicar nada porque são militares. Mas, os militares também reivindicam. Os de alta patente usam seu poder de persuasão. Os de baixa patente, muitas vezes, deixam que suas esposas protestem defronte o Palácio da Alvorada. Nem sempre a nossa gloriosa classe média entende que eles devem ser presos – só quando convém. Quando houve as rebeliões de Jacareacanga (1956) e Aragarças (1959), no governo JK, onde estava a gloriosa elite acadêmica da OAB que não pediu a prisão daqueles militares? Naquela ocasião, anistiando os revoltosos, JK não quebrou a hierarquia? Ou a diferença é que, na época, não existia o PT?

Band disse:
12 de abril de 2007 às 19:46

A questão da desmilitarização é secundária. O grave, o dantesco foi a incompetência do presidente da república provocando desestímulo nas forças armadas mantendo um ministro por demais incompetente que não sabe nada do que é para fazer e nem tem familiaridade com a área. E acaba o presidente metendo os pés pelas mãos, alegando pela enésima vez que não sabia de nada, que foi traído, votando atrás de decisões a ações intempestivas a desastrosas. Se sargento não precisa obedecer a Ministro da Aeronáutica, muito menos generais e brigadeiros precisam acatar presidentes incompetentes e corruptos.

Quem deve decidir o modelo de gerenciamento do controle aéreo é a administração, e não sargentos amotinados! Houve um desrespeito do governo a todos os demais sargentos e militares que desempenham funções importantes para a nação!

Quanto as exemplos enumerados pelo Embira, acho que as conseqüências a longo prazo não foram boas!

Jaderbal disse:
13 de abril de 2007 às 08:31

O meio militar brasileiro tem pouquíssima simpatia com o Lula por razões históricas. Militar da gema não gosta dos termos socialismo, comunismo e tudo o que a eles é associado, exceto o nacionalismo. Essa conversa de que o ministro é ruim freqüentemente divulgada nos "grandes" meios de comunicação não vem acompanhada de uma análise plausível. Os militares do alto escalão querem ser respeitados pelo medo. O Presidente sabe que o povo o apóia. A permanência da esquerda no poder tende a implantar uma elite militar menos apegada aos ideais de 64. Mas isso leva tempo. Quanto à rebeldia dos controladores é só falar um pouco mais grosso, que eles afinam. Resta saber porque os militares não o fizeram desde o início, justo eles que estão tão acostumados com hierarquia rígida e obediência estrita. Será que a culpa é do ministro civil? Mas a "grande" imprensa diz o tempo todo que os militares não o obedecem. Então, das duas, uma: ou o ministro é um fantoche e, logo, a culpa da insubordinação é do alto escalão militar; ou o ministro é obedecido e respeitado pelo alto escalão, que reconhece que o Presidente é o comandante-em-chefe das forças armadas e neste caso, a culpa pode ser atribuída ao Lula. O ato do presidente de negociar foi uma tentativa de resolver a seu modo o problema e que pode ser interpretada assim: Ah, é? Vocês do alto escalão não souberam resolver o problema, deixa comigo! Aí veio toda essa balela da imprensa de que o presidente afrontou o dogma da hierarquia militar. Ora, quem fez isso foram os comandantes que desprezam o ministro civil e têm saudades de 64.

Band disse:
13 de abril de 2007 às 09:38

É Jaderbal

É difícil mesmo desculpar o presidente. Tem que dar uma volta absurda destas que você fez! Mais não é por nada que ele tem 60% dos votos. São de pessoas assim que possuem esta lógica que ministros são para amizade de socialistas, não para tomar pulso do ministério que são indicados e precidentes não são feitos para meter os pés pelas mãos a toda hora.

Não seria melhor que ele indicasse um ministro com conhecimento e autoridade do que só por amizade? Para não ficar metendo os pés pelas mãos?

Richard Smith disse:
13 de abril de 2007 às 15:36

Cuméquié, caro PeTralha Jaderbal?

"Ah, é? Vocês do alto escalão não souberam resolver o problema, deixa comigo!"?!

O Abortista/Excomungado só profere essas palavras ("Deixa comigo") em três circuntâncias: a) na hora da canjibrina; b)na hora de saborear os churrascos preparados pelo churrasqueiro-mor e tranportador de grana para dossiês fajutos e c) na hora de subir no palanque para celebrar a refundação "destepaiz" em janeiro de 2.003, além de falar mal do seu antecessor (que agora é elle mesmo!).

Ademais, "balela" da hieraquia militar> HUm, elle vai ver a balela, cêdo, cêdo.

O Abortista/Excomungado com a essa sua atitude, já adentrou à "marca do pênalti.

Passar bem, PeTralha.

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