Judiciário corta na própria carne ao mandar prender juízes

Nas duas últimas semanas, desde que foi tornada pública a Operação Furacão, o que mais se tem dito é que a Justiça se deixou contaminar pelo crime organizado, em função da prisão de desembargadores e mandados de busca e apreensão em gabinetes de magistrados. É um equívoco amplamente disseminado atribuir o papel de combate ao crime apenas à Polícia Federal ou ao Ministério Público, quando todas as operações foram determinadas pelo Supremo Tribunal Federal, no caso da Operação Furacão, ou pelo Superior Tribunal de Justiça, no caso da Operação Têmis.

O Judiciário, na verdade, está atuando com tenacidade, cortando na própria carne quando manda prender magistrados ou expede mandados de busca e apreensão. O Poder Judiciário, no âmbito da delegação exclusiva que o Estado Democrático de Direito lhe confere de aplicar a lei, demonstrou nas últimas semanas que age sem qualquer inibição ou autocomplacência quando se trata de extirpar pela raiz o mal. Se por um lado é impactante e preocupante ver na mídia o envolvimento de juízes em esquemas criminosos, por outro isso demonstra a atuação firme do Poder Judiciário no combate à criminalidade.

Todas essas operações policiais de desmantelamento de quadrilhas de criminosos organizados que a Polícia Federal tem feito nos últimos anos, amplamente noticiadas – todas, sem qualquer exceção -, foram autorizadas pelo Poder Judiciário. Quebras de sigilo, apreensão de documentos, prisão de suspeitos da prática de transgressões de qualquer ordem, suspensão das atividades de empresas acusadas de ilícitos, apreensão de máquinas caça-níqueis. Enfim, tudo que é necessário na fase de investigação pré-processual para desvendar crimes e ilegalidades tem sido feito graças à atuação firme de juízes que autorizam, ordenam, determinam e expedem os mandados que são cumpridos pela polícia. Sem essas determinações, as diligências policiais não teriam legalidade.

Todavia, não podemos nós, do Judiciário, aceitar qualquer procedimento que, a título de cultivar a transparência e zelar pela moralidade, ignore garantias e direitos que têm fundamentos constitucionais. Por isso, rejeitamos o vazamento de informações, mediante a reprodução de trechos de gravações, documentos ou decisões que constam de inquéritos sigilosos conduzidos pela Justiça. Tais vazamentos repugnam à consciência democrática por motivos vários.

Não se pode, por exemplo, fazer do combate à corrupção, ou crime organizado, caça às bruxas. Para a condenação de quem quer que seja, é preciso garantir ao acusado o direito de defesa, com amparo, ainda, na presunção de inocência. A exposição pública de pessoas sobre as quais ainda não existem indícios suficientes de autoria ou participação criminosa não só desqualifica o trabalho da justiça, do ministério público e da polícia, como ofende garantias constitucionais.

Queremos transparência das atuações dos nossos juízes, mas dentro da legalidade e do reconhecimento de que o Poder Judiciário está na linha de frente do combate à criminalidade.

Temos a obrigação de tornar público à sociedade que o Poder Judiciário não tem medo, não se rende a corporativismos, não se esquiva do cumprimento de seus deveres e atribuições quando se trata de combater práticas espúrias, lesivas e criminosas, mesmo quando tais práticas ocorram no âmbito do próprio Poder Judiciário.

A Justiça está acima do bem e do mal, pois é um bem que toda sociedade busca. O que não está acima do bem e do mal são os homens, principalmente aqueles que, de forma deletéria, levam a sociedade a confundir suas atuações com as instituições a que pertencem e que, por isso, confirmada a atuação criminosa, serão excluídos das funções públicas às quais infelizmente um dia foram tidos como qualificados para exercê-las.Isso o Poder Judiciário fará, tenho certeza.

Osmane Santos, (Ajufe)

Osmane Santos

é juiz federal e vice-presidente da 1ª Região da Ajufe — Associação dos Juízes Federais do Brasil

inssfacil disse:
02 de maio de 2007 às 18:44

Com todo respeito ao autor do artigo, mas o fato é que os magistrados já estão soltos.

http://promotordejustica.blogspot.com/ disse:
02 de maio de 2007 às 19:06

Ou a Justiça dá fim às aspas ou elas a consumirão

No Brasil, existe a “Justiça” e a Justiça. Existe o poder e tudo o que está implícito quando ele é invocado. Pode soar como coletivo majestático ou pejorativo.

A Justiça sem aspas é igual para todos. Com aspas, vê mais igualdade em alguns do que em outros. Sem aspas, A Justiça é cega. Com aspas, exibe um olfato invejável.

A Justiça sem aspas assegura direitos iguais para todos. Com aspas, impõem mais deveres a alguns do que aos outros. Sem aspas a Justiça busca o restabelecimento da verdade. Com aspas, empresta legalidade à mentira.

Nos últimos anos, ao mesmo tempo em que a Justiça tornou-se mais acessível, a “Justiça” foi virando algo vago, impalpável.

Hoje, a Justiça é busca da justa reparação, mas a “Justiça” também é encontro com injustiças irreparáveis.

A Justiça é perspectiva de punição, mas a “Justiça” também é solidificação da impunidade.

A Justiça é a que tarda, mas não falha, mas a “Justiça” também é aquela que não chega e deixa prescrever.

A Justiça é justiça extrema, mas a “Justiça” também é extrema injustiça.

Sabe-se que, no Brasil, o defensor dos direitos humanos é um reacionário que ainda não foi assaltado. Sabe-se que o político progressista é um conservador que ainda não chegou ao poder.

Pois descobre-se agora que o juiz, o desembargador e o ministro do tribunal superior pode ser o incorruptível que ainda não foi submetido à sedução de um bicheiro ou ao flerte de um bingueiro.

Súbito, a Justiça vê-se compelida a expedir mandados de prisão para recolher a “Justiça” ao xilindró. A Justiça concede autorização para que os telefones da “Justiça” sejam grampeados.

A Justiça ordena à polícia que faça operações de busca e apreensão nos gabinetes e nas casas da “Justiça.” A Justiça bloqueia os bens da “Justiça”.

Quem observa a cena à distância fica confuso. A perspectiva de uma definição desse emaranhado que se convencionou chamar de Justiça –ou de “Justiça”— é cada vez mais remota.

Chegou-se a um ponto sem volta. Ou a Justiça acaba com as aspas, punindo exemplarmente eventuais malfeitores da “Justiça”, ou as aspas acabarão com o que resta dela.

Por Josias de Souza,

http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/

olhovivo disse:
02 de maio de 2007 às 19:19

Tem razão o articulista quando afirma que as prisões e buscas, como não poderia deixar de ser, foram determinadas pelo Poder Judiciário. No entanto, este Poder não pode, de maneira nenhuma, deixar-se conduzir pelo clima de espetáculo induzido pela PF e MPF e passar a chancelar tudo que, atabalhoadamente, é feito nesse clima. Não são poucos os casos em que, por inexperiência, falta de conhecimento jurídico ou vontade irrefreada de incriminar a torto e a direito, são incluídos inocentes por força desses mandados. O espetáculo já começa no momento em que a PF obtém os mandados, dando um nome chamativo para a mídia adotar: "operação sanguessuga, saúva, hurricane etc.", o que por si só já estigmatiza a todos, mesmo os inadvertidamente apontados pela PF. Interpretam conversas ao seu talante, inculpam com meras conversas entre terceiros (v. caso do min. Sepúlveda). A vontade irrefreada e doentia de aparecer já acarretou injustiças irreparáveis a muita gente inocente. Exemplos passados demonstram que o Judiciário não pode abrir mão de dizer quem é e quem não é inocente. Não se pode deixar essa tarefa (incompatível com clima de espetáculo) nas mãos da PF ou do MPF, ao se chancelar tudo que pedem ou pretendem.

Luismar disse:
02 de maio de 2007 às 20:44

"Sim, é bom ter cuidado com generalizações e desconfiar de eventuais açodamentos da PF. Não se trata de caluniar a Justiça abstratamente.
"Faça-se a ressalva que se quiser, restará ao cabo a evidência de que, enfim, começa a se conhecer o fundo falso do Poder Judiciário. Os alçapões foram abertos: que a Justiça enfrente seu inferno -ou se ajeite na corrupção e no corporativismo".

Fernando de Barros e Silva, Folha de S.Paulo

Radar disse:
02 de maio de 2007 às 21:20

Não creio que o poder judiciário está cortando na própria carne, o que sugeriria uma vontade ou não-vontade de atuar. Os homens públicos não devem ter vontade. Sua vontade é a própria Lei, e esta submete ministros, desembargadores e contínuos. São todos servidores da Lei, e devem cumpri-la de ofício, independentemente de suas convicções ou vontades a ela anteriores. Só lhes cabe interpretar e fazer atuar o escopo da Lei. Portanto, não fazem senão sua obrigação quando se apartam de seu alvedrio.

João Bosco Ferrara disse:
02 de maio de 2007 às 21:27

Não concordo que o Judiciário corte na carne quando manda prender um juiz. No meu sentir, o que está acontecendo é que a grande sucuri criada no quintal do Judiciário agora vê nele a presa a saciar seu apetite por audiência nas telas de certa emissora de televisão que adora shows pirotécnicos, adora julgar e condenar as pessoas sem provas, adora infringir a lei sob o argumento da liberdade de imprensa, mesmo que essa "liberdade" significa corromper, seja por que meio for, para ter acesso a dados sigilosos, cuja divulgação a lei tipifica como crime. Essa emissora, que não hesita arvorar-se em arauto da moralidade, posando de propaladora dos mais elevados princípios éticos e de veemente contendora da criminalidade, quando o assunto diz respeito ao poder que a informação é portadora, deixa de lado todo o discurso para cometer, ela também, e os âncoras de seus telejornais, o crime de divulgação e propalação de dados sigilosos. Porém, como já dizia um sábio, nesse mar de hipocrisia leva a melhor quem consegue ficar na superfície do lamaçal.

Valter disse:
02 de maio de 2007 às 21:49

NÃO FAÇA DA SUA CANETA UMA ARMA!

Abro o jornal e leio a manchete: “Desembargador Federal é preso em operação por possível envolvimento com o crime organizado”. Não sou nem pretendo ser advogado do ilustre magistrado em questão, que aprendi a respeitar mais pelo sobrenome que pela pessoa, porquanto na minha estante de trabalho e de estudos existem vários livros que veiculam essa verdadeira “marca” do ensino jurídico em cujo nível bem poucos conseguem chegar, e, com certeza, não por obra e graça do acaso. Mas não me poderia furtar de tecer alguns comentários a respeito, valendo-me do fato de encontrar-me aposentado e não mais sujeito à mordaça da Lei da Magistratura Nacional, que impede a emissão de juízos de valor sobre decisões proferidas por colegas no exercício de sua atividade jurisdicional. Aliás, fiz questão mesmo de nem saber o autor da referida decisão judicial, porquanto assim me considero mais livre para tratar do tema, destacando que o uso da palavra “possível”, para mim, faz toda a diferença.

Na minha modesta opinião, o Poder Judiciário está vivendo uma fase de autofagia, não sei se orquestrada ou não; se conduzida por interesses menos ortodoxos ou não. Mas os seus alicerces estão sendo postos à prova e isto coloca em risco o sistema democrático de direito. Não defendo a impunidade e, quem me conhece mais de perto, sabe que jamais transigi com certos conceitos e valores, havendo perdido amigos e ganho inimigos em virtude dessa minha conduta, pois sempre procurei optar pela presunção de inocência e pela irrestrita observância do princípio do contraditório antes de decidir sobre situações em que o erro é irremediável, é fatal, ou, como dizem os letrados “causa prejuízo irrecuperável”. Sempre fui adepto da absolvição – embora muitos eu haja considerado culpados e, por isso, adotado a postura prevista na lei. Mas a condenação sempre me pareceu ser a última das últimas opções. Por que, a meu sentir, melhor conviver com o fato de haver deixado cem culpados soltos do que me sentir responsável pela prisão de apenas um e somente um inocente. Por que este um, segundo penso, não pode nem deve ser considerado apenas um simples número em fria estatística; mas um ser humano, credor do que de melhor a sociedade possa oferecer em termos de civilização e de exemplo.

E aprendi, desde criança, que quanto mais alto for o posto ocupado por alguém na pirâmide social – e sem qualquer demérito a quem quer que seja – mais haverá de ser merecedor de respeito e de credibilidade, pois não se constrói uma sadia reputação do dia para a noite. Mas se a pode perder, ainda que injustamente, em um átimo de segundo. E que a culpa, quando o erro restar caracterizado, não seria jamais de quem pediu ou acusou de modo apressado e irresponsável; mas, a rigor e efetivamente, de quem decidiu. E quem decide sobre a vida e a honra alheias – é o que penso, com todo o respeito – não tem licença para errar. Pois tanto quanto para a morte não há retorno, também para a moral quebrada não há conserto. Tal qual papel picado jogado de cima de um prédio: não existe a menor possibilidade de serem juntados todos os pedacinhos e restabelecer-se a integridade original.

Por isso ouso pedir, suplicar e rogar, encarecidamente, a quem ainda pensa que tem poder de decisão e acha que os ventos hão de soprar sempre na mesma direção: juízo, meu juiz. A única arma de que dispõe o magistrado é a confiança que a sociedade nele deposita. Se é preciso afastar alguém da atividade judicante ou mandar um juiz para a cadeia, que isto aconteça quando e se absolutamente indispensável e necessário, pois sabemos todos que uma maçã podre tem condições de estragar uma produção inteira de maçãs boas, sendo praticamente impossível ocorrer o contrário. Mas que ninguém esqueça do “devido processo legal” ou se entusiasme com a odiosa referência de que “estaria cortando na própria carne”; ou com o apelo da mídia que se nutre de “sangue” e de “carniça”, qual vampiros e abutres. Mais não seja, por que certos órgãos são considerados “vitais” não é à toa, mas por que sem eles o organismo não continua vivo. E jamais representou uma boa solução curar-se a doença matando o doente. E o Judiciário, tanto quanto o Legislativo, são órgãos vitais para a sobrevivência de um Estado de Direito, que pretenda ser Democrático. E, quem corta muito fundo “na própria carne”, com a mais respeitosa licença, parece-me agir tal qual um suicida. Vejo, desde algum tempo, “parlamentar” sendo traduzido como sinônimo de “bandido”. E isto passou a ser considerado “normal”, embora saibamos todos que a imensa maioria dos membros do legislativo é constituída de pessoas idealistas, honestas e responsáveis, não podendo qualificar-se de certo ou errado quem pensa diferente. E, agora, já se começa a incluir “magistrado” no mesmo conceito, quando sabemos que o Mal ainda está em minoria sobre a Terra e sob a Toga, embora muito bem assessorado em termos de marketing e de propaganda.

Juízes de hoje e de sempre, com ou sem toga, não se iludam com as manchetes; não se deixem seduzir ou impressionar pelos poderosos de ocasião e de todos os quilates; e, menos ainda com a mídia ávida de sangue e de carniça que silencia sobre Guantánamo e chama de terroristas os mais fracos e oprimidos, que perderam o rumo e o prumo. E lhes peço licença para parodiar antiga orientação dos departamentos de trânsito: Não faça da sua caneta uma arma. A vítima pode ser você!

Desembargador Valter Xavier,
Presidente do Instituto dos Magistrados do Distrito Federal.
13/04/2007.

Educação Financeira para Todos disse:
02 de maio de 2007 às 21:50

Parabenizo o Poder Judiciário brasileiro por não aceitar condutas indevidas de seus membros e ter agido com rigor. A Polícia Federal também está de parabéns. Devagar o Brasil vai mudando...

Luismar disse:
02 de maio de 2007 às 22:44

"A justiça é um bem que toda a sociedade busca".

Vamos ver se se faz justiça nessa questão dos combustíveis adulterados.

Absurdo que a polícia e a ANP fechem postos por venda irregular de combustíveis e esses mesmos estabelecimentos voltem a lesar o consumidor autorizados por decisão judicial.

Juízo!

Armando do Prado disse:
03 de maio de 2007 às 00:30

Pois é. É verdade, não existiriam as ações republicanas do MPF e PF, sem a caneta de juízes que corajosamente autorizam tais ações, correndo riscos de se tornarem impopulares, mal vistos pelos próprios colegas e criticados pela OAB. Agora, a fase 2, ou seja, os julgamentos desse malandros disfarçados de operadores, também serão conduzidos por juízes. A terra de Vera Cruz, nós os tupiniquins, esperamos que os senhores magistrados cumpram com o seu dever.

Luismar disse:
03 de maio de 2007 às 08:36

Tem gente que acredita em cada coisa...

Sem relação com o caso, só pra recordar, um dos erros mais bizarros da história do judiciário brasileiro:

"Como um vidraceiro chegou perto de uma indenização de R$ 255,5 MILHÕES por causa de um cheque de 3 salários mínimos devolvido pelo Banco do Brasil.

É, e o juiz mandou arrombar o cofre do Banco do Brasil com maçarico, martelos e marretas ...

http://www.terra.com.br/istoe/economia/144126.htm

Embira disse:
03 de maio de 2007 às 10:32

Sem autocomplacência, cortando na própria carne... Ai, que dor! Mas, qual é mesmo a pena máxima a que estão sujeitos esses desembargadores? Aposentadoria com vencimentos integrais, basicamente, R$ 23.000 por mês. Ah, condenai me também, por favor. Quero que cortem na minha própria carne, também sou filho de Deus.

Dalben disse:
03 de maio de 2007 às 10:36

O articulista foi bem infeliz em suas assertivas. Falar em "cortar na própria carne" soa mais como brincadeira de mau gosto que qualquer outra coisa. Perdeu-se um valioso espaço, que poderia ter sido aproveitado melhor. O Lula disse uma vez (e depois covardemente recuou) que o judiciário é uma caixa preta. Em verade, o Juidiário, de tanto se esconder da sociedade (a quem deveria proteje-la), esta se tornando um fardo para os contribuintes. Um parasita hospedeiro. Aos poucos, se mistura com gente sem qualquer estirpe. Ou ninguem sabia que as liminares que favoreciam (e ainda favorecem) as casas de bingos e postos de combustíveis sao uma farça? Virou balcao de negócios ou Judiciário.

Luismar disse:
03 de maio de 2007 às 11:39

"Uma farsa".

E aquele juiz velhinho que mora no Morumbi vai morrer sem saber o que é uma cadeia de verdade. A família, naturalmente, devolverá tudo o que ele tenha obtido de maneira ilegal. Tal como a família daquele político que mora nos Jardins.

E como se dizia antigamente, quem rouba 1 tostão é ladrão, quem rouba 1 milhão é barão.

MMello disse:
03 de maio de 2007 às 11:52

SERÁ MESMO QUE NÃO TÊM AUTOCOMPLACÊNCIA?
PELAS NOTÍCIAS QUE SAÍRAM NA REVISTA VEJA E NO JORNAL FOLHA DE S. PAULO, DESTA SEMANA E DA SEMANA PASSADA, HÁ VÁRIOS PARENTES DE MINISTROS DO STJ, ENTRE ELES SEUS FILHOS, QUE EMBORA MUITAS VEZES NÃO ASSINEM AS PETIÇÕES, FAZEM OS LOBBYS NOS BASTIDORES EM DETRIMENTO DE QUEM NÃO TEM PADRINHO.
ISSO É UMA VERGONHA E ALÉM DE CRIME, É IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA.
PORTANTO, VAMOS PEDIR AO SENADO FEDERAL QUE APRESSE A APROVAÇÃO DA LEI QUE PROÍBE QUALQUER PARENTE DE MINISTRO DE ATUAR JUNTO AO STJ E STF.
OU SERÁ QUE NESTE PAÍS A ÚNICA LEI EM VIGOR E ALTAMENTE APLICÁVEL SERÁ SEMPRE A "LEI DO GÉRSON"?

Segundo a Revista Veja desta semana, filho do Ministro Félix Fischer, de nome Otávio Fischer é o recordista de ações no STJ.
Imagina se ele perde alguma? *rs
Este país é mesmo o país da Lei do Gérson!!

Sobre o assunto ler no site, último parágrafo:

"http://www.fenapef.org.br/htm/com_noticias_exibe.cfm?Id=43888"

"Justiça - A complicada situação do juiz Medina
A suspeita ronda o ministro - A polícia colhe indícios de que envolvimento do ministro Paulo Medina com venda de sentenças pode ser maior do que se pensava

28/04/2007

(...)
A ofensiva contra os mercadores de sentenças, que revelou a venda de decisões judiciais em altas esferas jurídicas do país, pode acabar iluminando um tema espinhoso: a ação de familiares de juízes nas cortes em que seus parentes têm a caneta à mão. Isso é muito mais comum do que se imagina. Dos 33 ministros do STJ, por exemplo, quinze têm filhos, mulheres, irmãos ou genros advogando junto ao próprio STJ. Eles respondem por 320 ações, que envolvem desde a soltura de acusados de homicídio até disputas comerciais milionárias. A advogada Ívis Glória de Pádua Ribeiro, mulher do ministro Antônio de Pádua Ribeiro, defende os interesses de uma empresa de celulose contra um banco. O advogado Octávio Fischer, filho do ministro Felix Fischer, é o recordista de ações: 48. Ele representa os interesses de municípios, empreiteiras e empresas. O simples fato de um advogado atuar num tribunal onde um parente atua como juiz, naturalmente, não constitui crime algum. Além disso, existe uma norma legal determinando que, quando um magistrado recebe o processo de um parente, ele deve se declarar impedido. Mas o tema é tão controvertido que, desde 2000, tramita no Congresso um projeto de lei para acabar com a advocacia de parentes de juízes em seus tribunais de atuação. Não é um tema fácil. Mas é bom começar a discuti-lo. Até porque nesse ambiente vaporoso pode surgir um novo escândalo envolvendo o Judiciário do país.

Fonte: Revista Veja - Editora Abril"

ALIÁS ISSO TEM QUE SER INVESTIGADO PELA POLÍCIA FEDERAL TAMBÉM E PELO CNJ.
A OAB E TODOS OS CIDADÃOS, DEVERIAM ENVIAR ESSAS REPORTAGENS AO CNJ E PEDIR PARA QUE SE INSTAURE UMA INVESTIGAÇÃO ADMINISTRATIVA, POIS AÍ VEREMOS SE É REALMENTE ESTÃO CORTANDO NA PRÓPRIA CARNE OU SE ESTÃO FAZENDO ISSO APENAS PARA "INGLÊS VER".

MMello disse:
03 de maio de 2007 às 12:08

PORTANTO, ISSO DE CORTAR NA PRÓPRIA CARNE É MESMO SÓ PARA INGLÊS VER.
POIS O CNJ DEVERIA DAR UMA INVESTIGADA NO TJ DO PARANÁ, ONDE HÁ ACUSAÇÕES DE SUPERFATURAMENTO NA AMPLIAÇÃO DE UM ANEXO AO TJ, FEITO NA GESTÃO DO ENTÃO DESEMBARGADOR OTTO SPONHOLZ E QUE ATÉ AGORA A INVESTIGAÇÃO ESTÁ PARADA.
ALI FORAM MILHÕES E MILHÕES DE REAIS EM UMA OBRA FARAÔNICA, ONDE O SALÃO DE "LANCHINHOS" DOS DESEMBARGADORES É DIGNO DE UM BUFFET 5 ESTRELAS E DOS MAIS CAROS DO PAÍS!
AGORA PERGUNTEM SE ELES ATENDEM UM POBRE, FAVELADO ETC EM SEUS GABINETES LUXUOSOS FEITOS DEPOIS DO ANEXO?
PERGUNTE A ALGUÉM POBRE, CLASSE MÉDIA ETC, QUE SEM TER DINHEIRO OU ADVOGADO DE RENOME CONSEGUE FALAR COM ALGUM MINISTRO DO STJ(QUE DIZ O TRIBUNAL DA CIDADANIA - QUE PIADA!-) OU MESMO DO STF?
E A EMPÁFIA QUE ESSES MINISTROS OLHAM PARA AS PESSOAS QUE VÃO CUMPRIMNETÁ-LOS, LOGO APÓS UMA PALESTRA DADA POR ELES.
DE UMA COISA EU SEI, TODA ESSA ENERGIA DO MAL, DA PILANTRAGEM, DA CORRUPÇÃO QUE ELES CARREGAM TRARÁ A ELES TODOS UMA MORTE HORRENDA.
COMO O MIN. FRANCIULLI NETO QUE MORREU DE CÂNCER, AGONIZOU E QUE SEU DINHEIRO NÃO PDOE SALVÁ-LO. E É SABIDO, QUE O MIN. FRNACIULLI NETO E EM SEU ÚLTIMOS DIAS DE VIDA PEDIU A DEUS QUE O PERDOASSE, ISSO SAIU EM SEU DISCURSO DE DESPEDIDA DO STJ.
ORA, SE FAZEMOS TUDO CORRETAMENTE NA VIDA, NÃO SOMOS ORGULHOSOS, HIPÓCRITAS, SOBERBOS, INJUSTOS E SIM, JUSTOS, HUMILDES, HONESTOS, PORQUE HAVERÍAMOS DE PEDIR PERDÃO A DEUS?
COMO DIZEM NO INTERIOR: "O PORCO SEMPRE ESQUECE QUE UM DIA JÁ FOI LEITÃO".

Marcos Umberto Canuto disse:
03 de maio de 2007 às 12:19

De fato o judiciário mandou prender mas logo depois mandou SOLTAR vários corruptos.

Ampueiro Potiguar disse:
03 de maio de 2007 às 15:32

Parabéns a todos. Principalmente ao Ticão.Como pode o articulista, um juiz, dizer que quem mandou averigüar e prender foi o próprio Judiciário. Quem mais poderia ser? Também sou um reles cidadão. Como pode magistrados serem acusados de formação de quadrilha e agora querer a proteção do guarda-chuva constitucional à base do "não me toques"? Se eles deixam os cidadãos na chuva,sem a proteção, até, das leis ordinárias? Chega! Vou comentar apenas o seguinte: na década de 1930, eu disse 1930, Pontes de Miranda afirmou que nas terras da Barra da Tijuca-RJ/RJ estava havendo o "Grilo do Século". O resultado foi o famoso, conhecido por todo o Judiciário fluminense, Agravo 130. Poria cobro ao "grilo". Nunca foi cumprido! E o faroeste (palavras de Pontes de Miranda,ainda)no local continua, em que pese outras decisões sobre o caso Chinês da Barra. Tudo está minuciosamente contado da antiga revista "O Cruzeiro".
O Jornal do Brasil(no antigo Caderno Especial)relatou: uma pessoa foi procurar um juiz para uma conversa dominical sobre um processo. Chegando lá o magistrado estava vendo sua estratégica televisão em preto-e-branco. Ganhou uma televisão em cores do visitante. Fernando Pedreira, há algumas décadas,também no JB,Caderno Especial, repoduziu palavras de Santiago Dantas, ou seja, de que o Poder Judiciário era "o mais corrupto dos poderes". A Hurricane, então, serviu para jogar no ventilador tudo o que todos sabiam. Ou desconfiavam. São esses senhores que agora querem bancar as vestais. Estão apenas defendendo o status, mesmo que sacrifiquem alguns. Para tudo continuar como d´antes.Sacrifício com salário inteegral, ressalte-se. Na verdade todos os poderes desta república já eram. Quando algum bem intencionado tenta, no parlamento, mudar alguma coisa no Judiciário, todos (estão macomunados) dizem: não mexam em vespeiro.Claro, os poderes estão em dócil contubérnio, como dizem os juristas,. São os escravos da "grana viva". E o povo os supridores.
Dizia Shakespeare que "os males que se fazem aos homens perdura além deles". Disse também: Advogados, matem todos. Transcrfevo por que os advogados são partícipes ativos dos desmandos do Judiciário. Quanto aos juízes. Bem, como recomendava Dante, cata-te boca. Sabemos das exceções. Mas que não existem mais um Aliomar Baleeiro (atenção novatos, não confundam com Zeca Beleiro); Hermes Lima; Oscar Correia; Evandro Lins e Silva, para citar alguns, constatamos agora.

Ampueiro Potiguar disse:
03 de maio de 2007 às 15:43

Prezado promotor MMello: Cortar na carne não é para inglês ver não. É verdade. Cortam a carne de pescoço (está atrapalhando) para comer filé-mignon.

boca disse:
03 de maio de 2007 às 16:20

Aos amigos a benevolencia aos inimigos o rigor da lei.

Dijalma Lacerda disse:
03 de maio de 2007 às 16:56

Caro Ampueiro Potiguar :

Tenho lido seus comentários com muita atenção.
Aliás, de conteúdo excelente, todos.
Li, com igual detenção, também o de agora, supra . Também, a exemplo dos anteriores, bom, muito bom !
Peço-lhe licença, todavia, para discordar apenas de uma coisa : temos sim, contemporaneamente, muitos "Aliomar Baleeiro (que aliás assinou minha carteira de estagiário com um "Feliz carreira"),. Hermes Lima, Oscar Correia, Evandro Lins e Silva...
A magistratura é boa sim, em sua maciça maioria. Ainda bem, senão estaríamos mesmo perdidos.
O que ocorre é que alguns maus juízes (e o cara (ou a cara) já é ruim como pessoa antes de ser ruim como juiz) se aproveitam das facilidades que o sagrado exercídio da judicatura lhes propicia, tendo nas mãos, em muitas das vezes, os destinos das pessoas.
Quanto o juiz é bom - o que, repito, é a volumosa maioria - isso é assimilado com naturalidade, como parte de seu sagrado mister, e decide com absoluta Justiça.
Quando é canalha, não presta, quando o seu estofo moral é bichado, quando ele não passa de um pulha, um pária social travestido de juiz e escondido atrás de um cargo, abjeto e ignóbil ser que deveria ter nascido morto para não envergonhar as pessoas e principalmente seus pares, facilmente prevarica, trazendo polpudas vantagens para si próprio e para aqueles seus "entes" queridos que lhe cercam. Pode conferir: é pai, filho, irmão, mulher, amante, etc. etc.., todos bem irmanados em prol de um bem comum, o deles. Depois do combate do nepotismo então, que hoje recrudesce, a coisa piorou, já que esse pessoal, essa corja procurou inovar para manter o status.
De uma coisa todavia eu tenho certeza: a própria magistratura, aquela magistratura que eu conheço e da qual acima falei, vai cuidar de sanar esse mal cruel de que atualmente padece a nossa Nação.
O ruim é que esse pessoal tem garantias constitucionais de irredutibilidade de vencimentos, etc. etc., e não raro algum deles se vê afastado, porém sem prejuízo de vencimentos.
É isso que precisa acabar.
O Congresso precisa, urgente, corrigir essa insanidade, essa imoralidade.
Se tiver que emendar a constituição, vamos lá, emendemos.
Tem gente aí que deixou a magistratura de um Estado, tendo feito um "acordo" com seus pares para ser afastado sem prejuízo de vencimentos, e agora é Juiz em outro Estado. Pode ?
Enfim, vamos crer em dias melhores.
Aliás, é o que nos resta.

Dijalma Lacerda.

Dijalma Lacerda disse:
03 de maio de 2007 às 17:12

MMello:

Permita-me indagar-lhe (pode responder-me em "off" caso queira, por meu e.mail: dijalmalacerda@dijalmalacerda.com.br), você sabe de alguma desonestidade especificamente do Dr. Franciulli Neto?
Estou lhe perguntando isso porque para mim foi surpresa você tê-lo tomado como exemplo em seu comentário, já que o homem foi meu professor de Direito Civil, foi juiz aqui em Campinas, e nunca soubemos de nada que pudesse desaboná-lo.
Se você está se reportanto tão somente ao fato de que ele antes de morrer pediu perdão a Deus, então eu não estranho, porque o cristianismo nos coloca como "povo santo e pecador", e pedir perdão faz parte de nossa fé.
Enfim, não pense que estou defendendo (até porque não sei do que defender, não tenho procuração para tal, e não sei como tomar a outorga de um morto) o Dr. Franciulli. O que ocorre na verdade é que estou surpreso.

Obrigado,
Dijalma Lacerda.

Michael Crichton disse:
03 de maio de 2007 às 18:09

Também sem procuração do Dr. Franciulli, lamento que a morte de uma pessoa católica, temente a Deus, que pede perdão, seja interpretada como sinal de corrupção. Lamentável...

Luismar disse:
03 de maio de 2007 às 19:18

Será que MMello é promotor mesmo?
Se for, foi bastante infeliz no último comentário.
Se não for...

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