Caso Renan: a crítica virou praxe para os derrotados

Regra centenária na imprensa é de que não devemos brigar com a notícia. Nos tempos atuais, porém, trata-se de norma fartamente esquecida. Não raro o jornalista e o dono do jornal insurgem-se contra os fatos, transcendendo das lamentações e críticas muitas vezes justas para um choro que seria cômico se não fosse trágico. Porque poder lamentar e criticar atos e fatos acontecidos é da essência da democracia. Mas negar o que se passou fica apenas ridículo.

O Senado absolveu Renan Calheiros. Essa é a notícia, aberta a reparos e condenações posteriores, mas jamais sujeita a negativas de sua própria natureza. Torna-se perfeitamente lícito que parte da mídia verbere a decisão dos senadores, mas parece infantil a saraivada de vitupérios sobre eles e contra a instituição. Melhor seria que provassem o erro da absolvição, se conseguissem.

O que não dá para aceitar é ver os senadores chamados de covardes, mortos-vivos, traidores e sucedâneos por conta do voto exarado. A crítica tornou-se pranto dos derrotados, especialmente daqueles que até no dia da votação divulgavam informações erradas e distorcidas quanto ao seu resultado.

Um pouco de humildade não faria mal a ninguém, em especial por parte dos que imaginam a opinião pública como sendo a opinião publicada. E, pior ainda, a sua opinião, tanto faz se pessoal ou de grupos. A conseqüência aí está: desmoralização para quantos se imaginaram donos da verdade absoluta, aquela que não admitia alternativas, mas terminou desmentida.

A validade das abstenções

As abstenções fazem parte dos costumes e do Direito. Quantas vezes juízes e ministros dos tribunais superiores abstêm-se de se pronunciar sobre determinadas causas, sob motivos diversos? Há muito que o voto em branco se encontra institucionalizado nas eleições, mas, não contente com isso, o legislador previu, também, a abstenção. Da mesma forma, diante de conflitos virulentos entre o pai e a mãe, não costuma o filho abster-se de dar razão a um ou a outra?

Não dá para entender, assim, por que tanta violência contra os seis senadores que se abstiveram de votar pela cassação ou pela absolvição do presidente do Senado. Sabiam que abstendo-se estavam se pronunciando contra a condenação, mas era direito deles agir como agiram. Insurgiram-se aqueles que exigiam dos senadores nada menos do que a sentença condenatória, precisamente por isso. Queriam a condenação, frustraram-se diante dela e agora buscam culpados para sacrificar no altar da intolerância.

Lição para o futuro

De todo esse grotesco episódio envolvendo o senador Renan Calheiros, várias lições podem ser colhidas, mas a principal é a mais simples: homens públicos, em especial, devem fugir de pistoleiras. Confundir o exercício do poder com a prática do amor ou até da simples paixão é o diabo. Dá no que deu.

Não há coisa mais maravilhosa do que uma criança, mas a sua geração precisa estar na dependência de duas vontades. Quando apenas uma toma a decisão, ainda mais através de artifícios, trata-se da negação do sublime, em favor do abominável. Por certo que o fruto dessa chantagem nada tem a ver com ela, devendo ser preservado, cuidado e amado.

Unanimidade

É unânime, no Senado, a previsão de que, livre do primeiro processo, o senador Renan Calheiros não deve preocupar-se com os seguintes. Dos senadores Renato Casagrande e Álvaro Dias, oposicionistas, aos senadores Almeida Lima e Wellington Salgado, aliados a Renan, concordam todos: o presidente do Senado saiu fortalecido da votação de quarta-feira, enfraquecendo em conseqüência as demais acusações contra ele. O mais provável é que o Conselho de Ética mande tudo para o arquivo. Agora, se denúncias surgirem contra outros senadores, por exemplo, por comandarem emissoras de rádio e televisão, ou por ligações perigosas com empreiteiras, a conversa será outra. A bruxa pode estar solta.

Artigo publicado originalmente na Tribuna da Imprensa, no dia 15 de setembro de 2007.

Carlos Chagas

é jornalista.

Marlos Tiano disse:
18 de setembro de 2007 às 08:19

Se o voto fosse aberto, os aliados de Renan certamente se debandariam...
Mas não se preocupem, brasileiros, esse filme ainda não acabou... Esse Senador ainda vai sentir o sabor amargo da derrota.

http://corrupcaoepolitica.blogspot.com/ disse:
18 de setembro de 2007 às 08:22

Esse ilustre Senador, certamente deve ter um apreço pela corrupção. Graças a Deus que o povo brasileiro ainda não perder a capacidade de indignar, pois caso contrário esses senadores, somados com jornalistas desse nível tomariam esse país definitivamente, jogando as traças os brasileiros de bem.

Adilson disse:
18 de setembro de 2007 às 08:47

Para quem não entendeu, o jornalista Carlos Chagas disse o seguinte: O grande derrotado do caso Renan foi a imprensa, que deixou de lado a linha editorial responsável e desvirtuou a denúncia que pesava sobre o senador. Se os conglomerados jornalísticos que até pouco tempo se julgavam os donos da verdade (Globo, Veja, Folha etc)tivessem se detido na acusação de que o senador teve as contas pagas por uma empreiteira, acredito que o veredito seria outro.Infelizmente para o país, essas empresas jornalísticas vêm demonstrando despreparo para lidar com a democracia, e com isso, estão perdendo a credibilidade. Em suma, a ânsia raivosa da imprensa prestou um deserviço à nação, pois de tanto tergiversar acabou absolvendo o Renan.

olhovivo disse:
18 de setembro de 2007 às 09:18

Os donos de jornais e seus empregados - que se julgam deuses e semi-deuses - quando contrariados, descarregam sua frustração virulenta nas instituições ou pessoas que desapontaram seu prejulgamento. O juiz natural, na arrogante concepção daqueles deuses, deve sempre curvar-se aos seus mandamentos. "Julgue de acordo com a minha convicção ou o linchado passa a ser você", este é o recado para tamanha infâmia.

Bob Esponja disse:
18 de setembro de 2007 às 09:49

Em um pais onde as instituições são serias, onde o povo como um todo tem a minima noção do que lhe acontece a volta; onde não existe corrupçaõ, conchavo ou compra de votos, onde os orgãos oficiais e os politicos respondem com um minimo de decencia e moral; onde não somos comprados e vendidos por migalhas, onde personagens corruptos não tornam-se astros televisivos...bem neste lugar a impresa deve ser imparcial, mas no nosso pais onde existem tantas forças egoistas brigando pelo poder, as vezes só sobra a impressa para responder o que caberia ao povo inerte.

Luís da Velosa disse:
18 de setembro de 2007 às 10:00

Imaginem essas "turmas" numa guerra... Derrota certa! Os três - cabalístico - poderes estão com comportamentos de fazer "cair o queixo" do mais celerado cleptomaníaco.

Orlando Maluf disse:
18 de setembro de 2007 às 10:19

Respeito o jornalista há muito tempo, também porque frequenta o poder federal há décadas.
Discordo, no entanto, de sua crítica às críticas pelo resultado da votação no senado.
Ainda que haja exagêros por parte da imprensa, é irrefutável que sempre ocorreram, em diversas situações e épocas. Na espécie, a imprensa tem um papel de extrema relevância na denúncia de desmandos indesmentíveis que se sucedem há mais de dois anos, principalmente no Executivo e Legislativo federais.
É natural, portanto, que a indignação crescida com o resultado não condizente com os princípios mais comezinhos da República acarretem manifestações ácidas de uma imprensa a meu ver coerente com a malograda luta pela probidade de nossos representantes.

Luismar disse:
18 de setembro de 2007 às 10:20

Paulo Henrique Amorim, Luís Nassif, Carlos Chagas...

Spartacus disse:
18 de setembro de 2007 às 11:01

Apraz-me ler o artigo do Jornalista Carlos Chagas. O primeiro absolutamente lúcido até agora.

A mídia, leia-se TV Globo, debateu-se em desespero, apelou para todo tipo de induzimento e intimidação, insuflou a populaça, forçou a barra para que sua opinião fosse tomada como opinião pública, colocou seus mais apascentados âncoras a representar nos telejornais da noite com um esgar aqui, um ricto ali, a fim de convencer o telespectador de que era apenas a disseminadora da opinião pública e que estava prestando um serviço à sociedade em alertá-la para as mazelas perpetradas pelo Senador Renan Calheiros.

Quanta covardia! Mas saiu derrotada. Ah, quanta alegria!!

Estudei o Regimento Interno do Senado Federal, e confesso: não encontrei uma linha em que se pudesse subsumir a conduta do Senador Renan para dizê-la contrária ao decoro parlamentar. E desafio, publicamente, qualquer um que deseje empreender um debate comigo a respeito do assunto.

Se o Senado condenasse o Senador Renan estaria, isso sim, caindo de joelhos diante de interesses não revelados que se socorrem sub-repticiamente de expedientes escusos para alcançar desígnios não menos ignominiosos. E não posso conceber um Senado Federal refém de uma emissora de televisão, que colocou todo o seu arsenal a detratar o Senador.

Mas este errou também, e deve fazer um exercício de reflexão para não mais incidir no mesmo erro. Refiro-me ao modo como conduziu sua defesa.

Diante da acusação de que teria recebido ajuda de um lobista, o Senador, que é advogado, deveria ter-se restringido a desqualificá-la, pois em seu favor milita o princípio da inocência. Isso significa que não é preciso provar a inocência nem anunciar que pretende fazê-lo. Basta desqualificar a acusação e as provas em que se sustenta, porque, isso feito, mantém-se a higidez da presunção de inocência.

“Primo ictu oculi” percebe-se que a acusação agarra-se ao sofisma do rótulo odioso quando se refere ao suposto amigo que teria prestado auxílio financeiro ao Senador como sendo um “lobista”. A palavra “lobista” é aí empregada com uma carga axiológica pejorativa, visando desqualificar a pessoa do amigo e, conseguintemente, a generalidade dos seus atos, inclusive e principalmente a ajuda que teria prestado ao Senador Renan.

Quanto absurdo! Mas num país em que mesmo pessoas com curso superior não sabem identificar as armadilhas dos discursos especiosos, devo reconhecer, a arma foi manejada com esmero pelos algozes do Senador. A este caberia uma defesa mais inteligente. Coisa que não soube fazer. Tivesse sabido, a questão ter-se-ia resolvido no início.

Agora, inconformada com a fragorosa derrota, a mídia rancorosa tenta desqualificar o Senado Federal e os seus membros, demonstrando o quão autoritária é. Aliás, não podia mesmo ser diferente. Essa mesma mídia formou-se e fortaleceu-se abeberando em um sistema autoritário: a última ditadura militar brasileira. Fracassado o seu desígnio inicial, envida seus esforços para promover uma retaliação que só faz desprestigiar nossas instituições, as quais funcionaram como se esperava que funcionassem, com independência e sem serem reféns de quem quer que seja, pois do contrário, perde a democracia, esta mesma democracia que assiste a este arroubo de vindita recalcada da mídia derrotada.

Concluo, para não maçar o leitor, que o erro do Senador foi de estratégia. Quem sabe, da próxima vez fará melhor. De qualquer modo, regozijo-me de sua vitória e congratulo o Jornalista pelo belo artigo, cuja crítica, dirigida à mídia que não sabe perder, é absolutamente pertinente.

(a) Sérgio Niemeyer
Advogado – Diretor do Depto. de Prerrogativas da FADESP - Federação das Associações dos Advogados do Estado de São Paulo – Mestre em Direito pela USP – Professor de Direito – Palestrante – Parecerista
sergioniemeyer@adv.oabsp.org.br ou
sergioniemeyer@ig.com.br

Pinguim disse:
18 de setembro de 2007 às 11:09

"A crítica tornou-se pranto dos derrotados", tem razão, somos derrotados, a moral e a ética também saíram derrotadas, mas mesmo assim faremos o que nos resta, criticaremos, já que na hora de votar fazemos tudo errado, então vamos usar a única arma que resta a nós derrotados! E a mídia, concordo, às vezes exagera sim, mas no que tange a este fato, ela só faz transmitir os anseios do povo!

hammer eduardo disse:
18 de setembro de 2007 às 11:16

Realmente temos que reconhecer que de derrota o moco entende e bem. Desde que perdeu o seu "poleiro eletronico" na finada TV Manchete em que era uma especie de Joelmir Betting da politica, carlos chagas se apagou e hoje toca obscuros programas de discussao politica em canais obscuros em horarios perdidos.
Sem querer entrar no merito com as opinioes livres de varios debatedores que por aqui passam , continuo achando que apesar de erros eventuais e exageros pontuais , o papel da Imprensa e de extrema importncia num Pais em que verdadeiras "quadrilhas" se sucedem no poder, levemos em conta que mesmo com a Imprensa batendo forte , a canalhice nao diminuiu nunca , pelo contrario pois existe um conhecimento empirico de que no surgimento do "proximo escandalo" , fica mais facil tentar solucoes de algibeira para os atuais , tem sido assim sempre e infelizmnte nao creio que va mudar.
No caso desta RATAZANA PUTRIDA que infelicita o Brasil desde a epoca da outra ratazana chamada collor de mello , descontando a insistencia dos Orgaos de Imprensa, esse elemento tinha que ter sido chutado pela porta a fora do Parlamento logo no inicio. O que se viu foi exatamente o contrario, os conluios, permutas , ameacas, a verdadeira republica do rabo preso em que ratazanas se irmanaram na lama. A palhacada do voto secreto entao foi a sagracao da falta de carater e medo da Populacao via de regra ignara que logo passa a borracha em cima, defender isso chega a ser patetico.
O retato do Brasil hoje se mostra de maneira sinistra nesses ditos "senhores" que na realidade nao passam de um bando de quadrilheiros de paleto e gravata agindo meramente como despachantes de luxo de interesses dos mais variados , regularmente bem recompensado$.

Paranhos disse:
18 de setembro de 2007 às 11:22

O QUE DIRIGE O PAÍS?

Um poder constituinte outorgou à nação a forma de condução institucional do Estado. Aí estão os valores e princípios regentes da conduta de governante e agentes políticos. É uma senda estreita, indeclinável e segura. Um povo se redime assim. Nesse momento institucional nasce um Estado e abriga a nação no seio da liberdade.

Estamos assistindo impassíveis a uma grande conspiração. As forças desagregadoras da ordem combatem e sobrepujam os freios constitucionais postados contra o inimigo previsível mais daninho do Estado organizado: a corrupção. De vitória em vitória, ela já é a mais sórdida da história do Brasil. Seus protagonistas riem, e se refestelam na sede do Poder. Escândalos patrolados pelo Governo e seus aliados são degraus de ascensão e gáudio. O povo, antes atento às oportunidades e interessado no trabalho, hoje, mais viciado na loteria, tratado como manada de porcos magros, se entrega sorridente e satisfeito no subsídio da miséria, agora levado aos cochos das bolsas "sociais". Brande na mão seu passaporte de redenção: o título de eleitor. Com ele agradece a peita.

A conspiração é ostensiva, patente e avassaladora. Não é a ordem institucional que dirige o país. É um regime imposto. Entretecido nas entranhas da imoralidade política, erguido como governo dos desfavorecidos, os quais, todos, nenhum lhe emprestaria um voto sem a barganha do aliciamento. Os porcos erguem os seus senhores; os senhores alimentam seus porcos. Juntos, parasitam a República, consomem as instituições e infestam o Estado de escândalos. Cada vez mais confiantes, se desocupam da preocupação com o rigor da lei, como personalidades do inexpugnável.

Renan Calheiros não foi absolvido. A conspiração que o julgou no Congresso Nacional, tendo à frente o Senado federal, usurpou o poder, exercendo um que jamais teve ou lhe foi outorgado. Violou as instituições da República para gerar um veredito inautêntico. Uma obra de subversão. Isso mesmo: sem qualquer autenticidade institucional; falso em sua natureza jurídica. Um crime escabroso e nefando às gerações.

Esse é o regime imposto que dirige o país. A corrupção a sua face. O pútrido o seu odor. A negridão a sua cor. O caos o seu troféu. O socialismo a sua bandeira.

Embira disse:
18 de setembro de 2007 às 11:41

Está certo o jornalista Carlos Chagas: a mídia tem, agora, de aplicar a “lei de Murici”, terra natal de Renan. Diz o vulgo que, pela lei de Murici, cada qual que cuide de si. Quando Renan era Ministro da Justiça de FHC, ninguém se importava com suas transações pecuárias, nem com transas outras. Curiosa a “lição para o futuro”, ministrada por Chagas: “homens públicos, em especial, devem fugir de pistoleiras. Confundir o exercício do poder com a prática do amor ou até da simples paixão é o diabo. Dá no que deu”. Ah, se o príncipe Paris tivesse recebido esse conselho! Tróia não teria sido destruída porque ele teria se abstido de conquistar Helena.

MUDABRASIL disse:
18 de setembro de 2007 às 11:49

Totalmente equivocado o raciocínio do jornalista Carlos Chagas, neste caso. Os jornalistas não "brigaram com a notícia". A notícia da absolvição de Renan Calheiros foi dada em detalhes, com placar da votação, as abstenções, as indicações de movimentação nos bastidores, a mentira de muitos senadores (pesquisa da Folha que não se comprovou) em razão da votação secreta, etc...
Assim, não houve qualquer briga com a notícia. O fato é que a maioria dos jornalistas, principalmente aqueles que assinam colunas, não concordou com o resultado. Quem acompanhou as sessões da Comissão de Ética viu que as provas existiam e eram fartas. Agora, só porque a votação foi favorável a Renan devemos todos concordar com esta?
Aceita-se sua permanência, é da regra do jogo democrático, mas concordar ou não depende da consciência e ética de cada um.

Gilberto Aparecido Americo disse:
18 de setembro de 2007 às 11:52

Uma nação tornada lazarenta pela decisão do Senado Federal, entre outras, não merecia esta "chaga".

Armando do Prado disse:
18 de setembro de 2007 às 12:09

Top Top para a Veja e suas "irmãs" da "Central Única de Editorialização".

Armando do Prado disse:
18 de setembro de 2007 às 12:10

Excelente Carlos Chagas.

Boa Embira!

Dijalma Lacerda disse:
18 de setembro de 2007 às 13:28

É um absurdo o que vem acontecendo neste país, neste imenso país chamado Brasil, em que a imprensa se arvora em dona da verdade, só valendo para ela aquilo que ela demonstra pretender que o povo aceite como verdade absoluta. A verdade, para ela, é só a SUA verdade. Sua moeda possui um lado só. Não há, para ela, o "dai a Cesar o que é de Cesar".
No geral sem ler uma folha de autos de processo, jornalistas, nem sempre a serviço da verdade real, destróem pessoas, lares, como se isto fosse a coisa mais normal do mundo: lembremo-nos da Escola de Base, do Alceni Guerra, do Eduardo Jorge, etc. etc.
Sem entrar no mérito do julgamento de Renan, até porque, para parafreasear a própria Mônica Veloso, "vamos deixar o passado no lugar dele, isto é, no passado", a única verdade incontornável, a notícia irrefutável, como bem dito acima pelo brilhante jornalista Carlos Chagas, é que o homem foi absolvido. Esta é a notícia!
Uma coisa é certa, nada obstante Renan seja Presidente do Senado Federal, o homem é feio que dói, tem uma voz nada boa, tem cacoete , um monte de trejeitos, e , o pior de tudo, não possui atributos para sair na Playboy.
Se tivesse o mínimo de desconfiômetro, não se meteria nessa com a Da. Mônica. Não depois que se lembrasse do que uma outra Mônica (Levinski) fez para o então Presidente da maior economia do mundo, EEUU, Bill Clinton.
Eu não tenho dúvida alguma de que Renan possui, hoje mais do que antes, melhores condições de ser absolvido nos processos futuros.
Isto, e isto sim, a imprensa lhe deu de presente.

Dijalma Lacerda disse:
18 de setembro de 2007 às 13:42

Hey caro Niemeyer :

Você se reporta ao que a imprensa fez ao tentar impor SUA (dela) verdade. É lógico que foi derrotada, principalmente o feudo global.
Eu gostaria que você falasse alguma coisa do que a globo está fazendo AGORA, no day after. Por puro despeito está se mobilizando através de seus jornalistas, e , em nada noticiando, tripudia a todo instante , disponibilizando seus microfones e câmaras à oitiva de pessoas do povo que, em sua grande maioria, nada sabem do processo e nem mesmo, jamais, leram uma linha sequer do regimento interno do Senado.
Raros são os programas jornalísticos da globo em que algum jornalista não comenta o assunto de forma crítica contra a votação do Senado,e logo em seguida mostra imagens das ruas entrevistando pessoas do povo.
Ora, isto é ou não é campanha ?
Isto é jornalismo, ou, pelo menos,é jornalismo sério?
Cadê a notícia minha gente?
Por mais valiosas que sejam,as suas opiniões, senhores jornalistas, não são notícias, e sim demonstram a vontade do patrão !

Robespierre disse:
18 de setembro de 2007 às 14:56

...pois é dr. Djalma, e uma outra funcionária da globo, teve também um filho com ex-presidente, conhecido como o "Farol de Alexandria". Essas mocinhas são orientadas nessa missão? E por que a mídia acanalhada, não noticia esse fato, conhecido de todas as pedras de Brasília? Quem escondeu e mantém esse filho presidencial é a platinada...

EDEMILSON disse:
18 de setembro de 2007 às 15:57

A MAIOR VERGONHA É SABER QUE PARA TAIS CASOS A CONSTITUIÇÃO PERMITE QUE POLÍTICOS SEJAM JULGADOS POR SEUS PARES. AÍ NÃO HÁ IMPARCIALIDADE. SÃO (QUASE) TODOS PADRINHOS, AMIGOS E IRMÃOS. TROCAM FAVORES E MUITAS VEZES REALIZAM AS MESMAS AÇÕES, BENÉFICAS A SI MESMOS, E CONTRA O ESTADO-NAÇÃO. PIOR SÃO OS MISERÁVEIS, QUE OS APÓIAM, POR NÃO TEREM CONSCIÊNCIA DE TÃO NEFASTOS SÃO AQUELES QUE BRINCAM COM O ERÁRIO NACIONAL, COM SUAS INSTITUIÇÕES, COM O BRIO BRASILEIRO.
SINTO QUE SEJA VERDADE QUE CADA PAÍS TENHA O GOVERNO QUE MEREÇA. DEVEMOS INVERTER ESSA SITUAÇÃO.
PARA JULGAR-NOS, CONTAMOS COM JUÍZES DO MAIS ALTO SENSO DE JUSTIÇA, IMPARCIAIS, PRÓDIGOS E DONOS DE VASTA ERUDIÇÃO. ESTUDA A TAL FIM.
PORQUE PARA JULGAR UM POLÍTICO, POR PROVÁVEIS ATOS MESQUINHOS E COBERTOS DE SUJEIRA, TENHA QUE TER COMPETÊNCIA OUTROS POLÍTICOS, QUE NÃO SABEM O QUE SIGNIFICA "JULGAR"?
A CONSTITUIÇÃO É A CARTA DO POVO.
O POVO SÓ TEM QUE ENTENDER (PARA ISSO EDUCAÇÃO), PARA MODIFICÁ-LA.
ABAIXO POLÍTICOS CORRUPTOS.
ABAIXO SEUS IDOLATRANTES.
POR JUSTIÇA, E PELO POVO.

EDEMILSON disse:
18 de setembro de 2007 às 16:11

CLARO ESTÁ NO CONTEXTO QUE O POVO TEM REFORMULAR O QUE NÃO ESTÁ EM SINTONIA COM A SITUAÇÃO VIVIDA E EXTRAVASADA PELA SOCIEDADE. ESSA PARTE DE JUOLGAMENTO (EM DETERMINADOS CASOS, É CLARO) DE POLÍTICOS, ESSA EXPRESSÃO FORO PRIVILEGIADO, ISSO É UMA OFENSA. ORA POIS, SE TAIS POLÍTICOS POSSUEM TANTOS PRIVILÉGIOS, COMO PODEM FAZER TANTA COISA ERRADA?
COMO PODEM ENTRAR POBRES NA POLÍTICA E FICAREM RICOS POUCO TEMPO DEPOIS?
CLARO QUE A RIQUEZA É UMA DETERMINAÇÃO, E ALGO DE BOM. MAS NÃO PARA POLÍTICOS.
MUITAS PESSOAS QUEREM ENTRAR PARA O SEIO POLÍTICO JUSTAMENTE PARA ISSO, PARA ENRIQUECER. ISSO É ERRADO.
PRECISAMOS DE PESSOAS QUE SE PREOCUPEM COM O PRÓXIMO. QUE TENHA UMA CONDUTA ILIBADA. QUE RENUNCIE A CERTOS PRAZERES EM PROL DE UMA MELHOR CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. EXISTEM TAIS PESSOAS? EXISTEM, E NÃO POUCOS. EXISTEM PESSOAS BOAS, HONESTAS. TRABALHO SIM. ENRIQUECIMENTO COM ISSO. DEMONSTRAÇÕES DE COMO.
ISSO É BOM SENSO.
ISSO NÃO TEMOS MUITO POR AQUI.

luciana cordeiro cavalcante cerqueira disse:
18 de setembro de 2007 às 17:47

Concordo com o Adilson e faço apenas três ponderações a mais:
Primeira: Renan certamente é bandido, disso não há dúvida, mas quantos dos que votaram por sua cassação não o são? Hipocrisia é o pior vício... Quando vejo um suejeito do naipe de um Demóstenes Torres, um Tasso Jereissati, um Arthur Virgílio e outros bodejando contra a falta de decoro, de ética, as maracutaias, as roubalheiras, tenho ânsia de vômito diante da desfaçatez, do cinismo e da hipocrisia desses luminares da República, tão honestos, ilibados, quase castos...
Segunda: a Veja está intolerável. Certamente, é a pior de todas as redes na parcialidade e no mau caratismo, como se fosse dado logo a ela ser o bastião da moralidade nacional... E ainda tem a cara de pau de publicar todas aquelas cartas de pessoas supostamente indignadas com a falta de moral dos políticos, sendo que, das duas uma: ou as cartas são forjadas ou tem muito mais gente honesta no país do que eu pensava: gente que não sonega, que não suborna guarda, que não fura fila, que não joga lixo no chão, enfim, estou na Suiça e não sabia!
Terceira: a pior de todas para mim é o presidente da OAB e Ministro do Supremo desancando a sessão secreta do Senado para julgar um dos seus. Me pergunto: a nossa OAB faz processo público e sessão aberta para julgar os inscritos na ordem? E a justiça faz o mesmo em relação aos seus integrantes? Não, não fazem, a despeito dos advogados prestarem um serviço de interesse público e dos integrantes da justiça serem pagos com o nosso dinheiro.
O Senado, de fato é uma droga, um "pau de galinheiro" mesmo, segundo a definição de São Demóstenes, mas quando reparo bem naqueles que o criticam, chego a pensar que ali somente dão expediente vestais da República, dado o caráter dos detratores.

Comentarista disse:
18 de setembro de 2007 às 18:06

Finalmente um artigo lúcido para se ler!

Se por um lado o Renan errou por se envolver com uma "pistoleira", algumas viuvinhas de FFHH continuam pagando mico por não saberem perder, como aqueles que fizeram aquela "passeatazinha" na Paulista bradando "Fora Renan"... Tirando a piada e o ridículo da história, só demonstraram que ainda não entenderam as regras do sistema democrático, onde, naturalmente, uns ganham e outros perdem.

Nesse particular, aliás, até Collor soube perder com dignidade, pois deixou o Palácio - de mãos dadas com sua mulher - pela porta da frente, mesmo sendo escarnecido pelos acusadores de plantão...

Aliás, vale lembrar às viuvinhas do FFHH que Renan foi recebido com festa e publicamente aclamado em sua terra natal, onde, caso queira, certamente será reeleito quantas vezes for candidato, pois certamente trabalha em prol de seus conterrâneos.

Pobre país (ou republiqueta das bananas, como preferem alguns), onde seus pseudo-intelectuais (cuja única fonte de informação, na maioria das vezes, é a revista Veja) ainda não entenderam a mais básica das regras da convivência humana, ou seja, a prevalência da vontade da maioria (foi assim com as eleições de Hitler, de Bush, de FFHH, do Sapo Barbudo, etc.).

Mas como cada povo tem o governo que merece, parabéns ao Renan e uma sonora vaia aos que não sabem perder e ficam choramingando, esperneando e repetindo discursozinhos moralistas...

E com a palavra, as viuvinhas de plantão...

Dijalma Lacerda disse:
18 de setembro de 2007 às 18:14

Hey Patuléia :

Daria para "clarear" o assunto?
Esse assunto ao qual você se reportou deve estar sendo guardado, por quem tem interesse, a sete chaves, pois é a primeira vez que ouvi dele falar.
Por favor, clareie !

Dijalma Lacerda disse:
18 de setembro de 2007 às 18:15

Digo, "FOI a primeira vez ..."

Ramiro. disse:
18 de setembro de 2007 às 19:54

Será que o nobre patuléia se refere ao que até então conhece-se como simples e maledicente boato que o ex presidente FFHH teve uma filha com a ex-apresentadora do Jornal da Globo?

Essa história parece mais díficil de ser vista em fatos do que cabeça de bacalhau, esta basta ir à Noruega, mas esses boatos, ouvem-se há anos.

Göebbels ressuscitado? Assim vem caminhando a República em Pindorama.

Quanto ao artigo, lúcido. Lembro de uma crônica de Mauro Rasi que ele comentava ter viajado a outro estado e um taxista só faltava verter baba de tanto ódio pedindo pena de morte para os políticos, exercendo o mesmo taxista a famosa bandalha, com seu taximetro notadamente adulterado, alterado para lesar o passageiro, como sói comum nas rodoviárias.

Desculpe-me o Patuleia, mas nessa história de filha ilegítima e afins, fico com o comentário do Cesar Maia que prefere que lhe chamem de maluco, por que político neste país é para o povo ou ladrão, ou bicha ou maluco. O Alcaide bem colocou, o povo resolveu chama-lo de maluco, deixa o povo ir chamando assim.

Erick de Moura disse:
18 de setembro de 2007 às 21:21

Só uma coisa, para os petralhas de plantão:

Renanzinho aquele homem puro, íntegro que foi seduzido(?) pela jornalista é tão inocente que o PT, não teve a coragem de assumir publicamente que era pró-Renan, fez aquele patética encenaçãozinha com o senador Tião Viana (PT), bem como o voto "abstinente" do Mercadante (aquele que o bigode precede a coragem).
Pois bem agora esse mesmo PT, que fez de tudo e conseguiu nos bastidores a absolvição; pede o afastamento do digno senador da presidência - mas "o que é isso companheiro???" Não estamos diante do próximo santo do Brasil, que será canonizado pelo sumo pontifíce???
Realmente lógica e coerência não é o forte dessa raça!!!

Erick de Moura disse:
19 de setembro de 2007 às 00:12

O "doutor" Niemeyer, antes de encarar o seu desafio, gostaria de saber se você é realmente inscrito na OAB/SP como diz! Afinal efetuando consultas lá, não encontro o seu nome de jeito algum...
O meu nome se encontra lá, se duvidar e quiser dar uma pesquisada, dentre outros nobres colegas causídicos daqui. Mas E O SEU NOME TÁ INSCRITO???

Bernardo disse:
19 de setembro de 2007 às 11:13

BRILHANTE VERDADE VERDADEIRA

De claridade solar o artigo em tela do articulista jornalista Carlos Chagas, sem deslembrar dos acertos do ConJur em reproduzir tão cristalino artigo e do comentário do advogado “dijalma lacerda (Civil 18/09/2007 - 13:28)”, que merece transcrição do trecho: “É um absurdo o que vem acontecendo neste país, neste imenso país chamado Brasil, em que a imprensa se arvora em dona da verdade, só valendo para ela aquilo que ela demonstra pretender que o povo aceite como verdade absoluta. A verdade, para ela, é só a SUA verdade. Sua moeda possui um lado só. Não há, para ela, o ‘dai a Cesar o que é de Cesar’. No geral sem ler uma folha de autos de processo, jornalistas, nem sempre a serviço da verdade real, destroem pessoas, lares, como se isto fosse a coisa mais normal do mundo: lembremo-nos da Escola de Base, do Alceni Guerra, do Eduardo Jorge, etc. etc.”

Neste ponto, além de lembrarmo-nos também dos casos Ibsen Pinheiro e Osasco Plaza Shopping e do “Manifesto” feito pelo MSM - Movimento dos Sem-Mídia realizado em frente a sede do “Jornal Folha de S. Paulo” no dia 15 de setembro de 2007 (Blog Cidadania.com), é interessante invocar alguns trechos das lições da obra “Ética Geral e Profissional”, adrede exarada pelo Professor, Desembargador José Renato Nalini, a saber:

“Os chamados mass media são detentores de grande poder na sociedade moderna. A imprensa constrói e destrói reputações, cria verdades, conduz a opinião coletiva por caminhos nem sempre identificáveis e para finalidades muitas vezes ambíguas. A informação inseriu-se no mercado. É um bem da vida com valor comercial apurável. Para alcançá-la, os profissionais dos órgãos de divulgação não se permitem hesitar-se se precisam ferir outros interesses, sobretudo aquele consubstanciado na verdade. O que interessa mesmo é a versão, nem sempre o fato.

Órgãos respeitados na imprensa possuem seus próprios Códigos de Ética. Nos Estados Unidos, eles não são muito divulgados, pois se receia, venham a ser conhecidos pelos juízes e aplicados como norma para todos os jornalistas. Na era em que informação é dinheiro, custa crer que o interesse econômico se subordinará aos cânones éticos.

Outra alternativa eficaz é a responsabilização criminal e cível. A primeira não é novidade no sistema jurídico. A tutela à honra das pessoas está prevista em todos os ordenamentos. A segunda é talvez mais eficiente. O dispêndio financeiro como forma de ressarcir objetividade jurídica lesada pela mídia é retribuição que imporá, mais do que a expressão inofensiva do ânimo do destinatário, uma correção de rumos nos órgãos da mídia”. (grifou-se). (Juiz de Direito José Renato Nalini, ÉTICA GERAL E PROFISSIONAL, São Paulo, Editora Revista dos Tribunais 1998, págs. 142 e 143).

Vide os links:

http://edu.guim.blog.uol.com.br
http://picasaweb.google.com.br/yuricontini
http://www.cartacapital.com.br/2007/01/o-castigo-e-o-crime/
http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=425CID012
http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=437CID005

Bernardo Roberto da Silva
bernardorobertodasilva@yahoo.com.br

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