Filme choca ao mostrar relações de sociedade e polícia

Estreou nos cinemas, na semana passada, o filme Tropa de Elite, no Rio e em São Paulo. Estreou nos cinemas, pois em milhares de casas de todo o Brasil o filme já havia estreado em DVDs piratas. O filme, que conta a vida de um policial do Bope, Batalhão de Operações Especiais do Rio de Janeiro, vem gerando discussão e polêmica na mídia que há muito tempo não se via. Em primeiro lugar, por conta da veiculação em DVD pirata de um filme antes de ter estreado no cinema, coisa que acontecia geralmente com filme americano de grande bilheteria.

A controvérsia maior, porém, tem se dado em relação ao conteúdo do filme, que inclui a prática de corrupção e tortura por parte da polícia. Críticos acusaram o filme de fascista e de usar técnicas hollywoodianas, com tomadas velozes, música envolvente e cenas de ação e violência. Para estes críticos, estes atributos estéticos limitariam a análise mais apurada das questões abordadas no filme.

A história do filme é baseada no livro Elite da Tropa, escrito por dois policiais do Bope e pelo antropólogo Luiz Eduardo Soares, ex-secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro e ex-secretário Nacional de Segurança Pública do governo Lula. O diretor José Padilha, o mesmo do ótimo Ônibus 174, constrói a história do capitão Nascimento, que, em crise com o nascimento do filho, quer deixar o Bope. Antes, porém, se dedica a encontrar um substituto.

A partir daí, Padilha mostra a corrupção e a incompetência nas entranhas da Polícia Militar. Mostra também as dificuldades que policiais honestos e bem intencionados enfrentam para fazer cumprir a lei. Esses policiais, depois de ver todo tipo de irregularidades na Polícia Militar, conhecem o Bope, que acreditam ser a única saída para continuarem na corporação sem se sujar. O filme mostra, então, o treinamento desses policiais da tropa de elite, que se preparam para enfrentar a guerra contra o crime e para exterminar a bandidagem. Mostra também os policiais da elite em ação e os meios extremos, e quase sempre ilegais, que usam no bom combate contra os bandidos e a criminalidade.

Uma das críticas que se faz é que se trata de um filme de ação, com muita violência, que não ofereceria chance ao espectador de pensar. Ele apenas entraria na emoção do entretenimento e, ao sair da sala de cinema, não refletiria. A verdade é que, desde Cidade de Deus, não se fala tanto a respeito de um filme nacional. É só ver a repercussão na mídia para perceber que o filme provocou sim muita reflexão.

A impressão é de que a preocupação dos críticos está direcionada a um grupo específico de espectador. Têm medo do que alguns podem pensar sobre o filme. Por acreditarem que o filme faz uma apologia dos métodos truculentos da polícia, temem que as pessoas achem justificável esse tipo de comportamento.

É uma ingenuidade, pois o diretor não toma partido ao narrar os fatos. É só ver as cenas de tortura da polícia com sacos plásticos na cabeça, tiro a queima roupa na cara e cabos de vassouras, para se ter a certeza que Nascimento não é o mocinho da fita. A violência policial é uma realidade e parte da população acredita que essa seja a melhor forma de acabar com os marginais e manter a ordem. É esse, por sinal, o maior mérito do filme. Ao apresentar essa violência, que está no imaginário e no dia a dia da população, o filme desperta todo tipo de reação. Há desde aqueles que vibram com cada ação do capitão Nascimento e sua trupe. Há os que rejeitam esse modo de agir. E há também aqueles que ficaram atônitos depois do filme sem saber o que pensar.

É preciso ter em conta, também, que o filme é uma obra de ficção. Embora se apresente diante de nós como um filme sobre a realidade da polícia e do tráfico de drogas, o filme é um obra de arte, tem um enredo e uma história muito bem construída. Nada no filme é de graça. Cada cena ou fala tem um sentido. Um filme de ficção está muito mais preocupado com os efeitos dramáticos e com a construção da trama, do que com a realidade sociológica.

Por mais verdadeira que seja, a obra de arte é sempre uma abstração da realidade. O diretor, ao contar sua história, tem que lidar com o impacto das imagens. O próprio José Padilha, em entrevista para o programa Roda Viva da TV Cultura de São Paulo, disse que o diretor é obrigado a simplificar a realidade. Acabam sendo construídas verdadeiras caricaturas, ou, como diria Weber, tipos ideais de atores sociais. São personagens que têm o peso de representar um grupo social amplo e complexo.

Mas, para provar sua tese, o diretor tem que exagerar características, extrapolar tendências sociais de inúmeros indivíduos. Dessa maneira, os policias militares são vistos como extremamente corruptos e incompetentes; os policiais do Bope são íntegros, porém violentos; e a elite cultural é bem intencionada, porém alienada e comprometida com o tráfico.

Para efeitos dramáticos, essas características se encaixam perfeitamente na trama, mas não se pode dizer que sejam um espelho dos cidadãos reais. Assim, a classe média com consciência social é apresentada como um dos muitos vilões do filme. Os jovens de classe média no filme só se divertem e a polícia só serve para atrapalhar a diversão deles. Padilha engloba características de um grupo social diverso e fragmentado em um grupo de personagens. Os jovens no filme são a elite cultural, que participam de ONGs e eventualmente usam drogas. Porém, eles se enquadram em um grupo muito mais amplo que é a elite econômica do país que de fato é quem alimenta o tráfico.

Daí a se concluir que justamente aqueles que têm consciência social e participam de ONGs são os grandes culpados vai uma grande diferença. Mais grave é mostrar a relação harmoniosa entre o tráfico e as ONGs. É claro que ninguém pode fazer nada em favelas ocupadas por traficantes sem a sua autorização. Mas isso está longe de ser uma amizade profunda como quer o filme. Para efeito dramático, porém, o enredo nos leva, de forma muito bem calculada, de uma ligação íntima de ONG e tráfico para um final trágico e marcante.

Outro ponto importante a se destacar é que o narrador do filme é o capitão Nascimento. Como narrador onisciente, ele tece juízos e está pronto para apontar o dedo a todos aqueles que, na opinião dele, são parte do problema. Como narrador onisciente, que sabe em detalhes o que acontece no morro, o que acontece na Polícia Militar, o que acontece na faculdade e o que acontece nas ONGs, ele pinta a realidade com as cores que ele próprio escolhe.

E não é preciso ser um grande conhecedor da polícia para saber o que qualquer policial pensa sobre marginais, classe média liberal e direitos humanos. O problema é saber até que ponto o que vemos no filme é a realidade ou a ótica, que por vezes pode ser distorcida, de Nascimento. A narração do capitão é mais o discurso de uma classe do que a realidade cristalina e isenta.

Daniel Taquiguthi Ribeiro

é formado em Ciências Sociais pela USP.

Evandro Camilo Vieira disse:
16 de outubro de 2007 às 15:54

Parabéns pelo excelente filme!!!! Promoveu reflexões favoráveis e contrárias. Promoveu a discussão sobre a corrupção, violência e narcotráfico. Assisti o filme e garanto que está no nível do "Cidade de Deus".

Dijalma Lacerda disse:
16 de outubro de 2007 às 16:27

Minha mulher convida-me para visitar uma loja recém inagurada em Campinas.
Ao chegar, vejo no estacionamento situado na calçada recuada, uma viatura da Polícia Militar, com um policial conversado com alguém que tinha aparência de segurança da loja.
Dirijo-me ao policial militar, e ao ver que ele tem uma divisas na camisa pergunto-lhe: - Sargento, o que deverei fazer para ter uma viatura dessas na porta da minha casa, onde fui assaltado várias vezes?
Ele corrije e responde : - Sargento não. Cabo. Você deverá ter amizade!

Émerson Fernandes de Carvalho disse:
16 de outubro de 2007 às 16:37

Não ví mais violência neste filme do que no seriado 24 Horas. Achei um excelente filme e recomendo aos amigos.

Daniel disse:
16 de outubro de 2007 às 18:21

Difícil é acreditar que se trata de uma "obra de ficção".

Daniel disse:
16 de outubro de 2007 às 18:30

E digo mais, deveriam valorizar e remunerar melhor estes bravos homens e mulheres da PM.

futuka disse:
16 de outubro de 2007 às 21:55

Tropa de Elite.
"é um belo nome filme",e já diz tudo quando,,
"É preciso ter em conta, também, que o filme é uma obra de ficção".
Pronto já disse tudo.

REUBEM disse:
16 de outubro de 2007 às 21:59

ESSA E A VERDADE NUA E CRUA DAS POLICIAS BRASILEIRAS PRINCIPALMENTE DAS GRANDES CAPITAIS. SEM TIRAR E NEM BOTAR AGORA SE O POVO ESTA OU NAO PREÉRADO PRA VER E OUTRA COISA...

Luismar disse:
16 de outubro de 2007 às 22:02

Muita gente torceu o nariz porque o filme mostra o ponto de vista do 'Capitão Nascimento'.

Mas adorariam se o filme mostrasse os mesmos fatos sob o ponto de vista do traficante 'Baiano' ou de algum daqueles ongueiros com 'consciência social'.

prosecutor disse:
16 de outubro de 2007 às 23:15

Curioso é que ninguém escreveu uma única linha quando o cinema, a TV e a mídia glamourizavam o tráfico. Bandido pode ser herói, mas PM não. E dá-lhe crítica. É tudo realidade, sim, embora a sociologia da USP não tenha notado. Quem tem consciência social não participa de ONG, arruma outra forma, honesta, de sobreviver, não do dinheiro público. As ONGs vivem do dinheiro público, do tráfico e viviam dos presídios, tendo sido expulsas, em São Paulo, pela Secretaria da Administração Penitenciária. Há direta correlação entre dirigentes de certas ONGs e o tráfico, basta ler com alguma atenção os processos relativos às prisões de traficantes (de verdade, não vendedores de 2 pedrinhas de crack). O único refúgio seguro do tráfico, das ONGs que dele sobrevivem e dos que lucram com tudo isso é a USP, mais precisamente as Ciências Socias (do século 19). Acordem!

Daniel disse:
16 de outubro de 2007 às 23:52

Para que o Brasil fosse melhor e diferente, teríamos que voltar à época do descobrimento e ter tido a mesma sorte dos EUA, ou seja, colonização pela Inglaterra. Não consigo entender este legado, de como um país tão imenso e rico pode ser ao mesmo tempo vergonhosamente corrupto, injusto, despojado politicamente de opinião e miserável. Não que eu não ame a pátria, mas o brasileiro já se vê cansado de promessas e tão só pelos políticos. O filme é retrato fiel do nosso Brasil. A culpa é dos governantes, não tenho dúvida!

Robespierre disse:
17 de outubro de 2007 às 01:50

...filme fascista que leva ao orgasmo a classe média insensível (estilo Huck) que continua apostando na tortura e no aumento das penas.

Robespierre disse:
17 de outubro de 2007 às 01:52

...não promotor norte-americano ou não: o último e não apenas único refúgio de uma certa lerdeza mental e intelectual e que valoriza a coerção por excelência, são certos promotores, corporativistas e arrogantes.

Cristiano Candido disse:
17 de outubro de 2007 às 08:00

Bandido é bandido, polícia é polícia. Não podem e não devem se misturar.

Cada um cumpre sua função social: o boyzinho faz faculdade e alimenta o tráfico, o traficante vende pq tem um mercado consumidor e a polícia mata pq tem que fazer cumprir a lei.

Universitário adora um beckzinho, adora transar, adora beber e sair contando histórias. Traficante adora vida de REI, e nem todo policial se sente bem matando por aí.

E vc? Oq ensina para seus filhos?
Está sem tempo de conversar?

Se não cuida do seu quintal não critique o filme ou uma situação da qual pouco conhece.

Observador.. disse:
17 de outubro de 2007 às 08:09

Filme fascista?Classe media insensivel?
Quer dizer que temos que ser assaltados e mortos sem reclamar?Que piada!Desde quando se proteger, se defender, seja do pobre, do rico ou de quem quer que esteja colocando nossa vida em risco, 'e fascismo ou insensibilidade?Que manipula'cao ridicula, pobre e, provavelmente, oriunda de algum defensor do regime que mais matou ( regime comunista ) na historia da humanidade.Escreva-se o que quiser mas nem Hitler ( ou o Capitao Nascimento ) matou tantos, em tao pouco tempo em nome de alguns.

não disse:
17 de outubro de 2007 às 08:11

MUITA COMPETENCIA. - POLICIA QUE JULGA, CONDENA, EXECUTA, TORTURA, SOLTA, INVESTIGA, NEGOCIA, COBRA TRIBUTOS, AMPLIA MERCADO; É MUITA ATRIBUIÇÃO. EM QUALQUER EMPRESA QUANDO ALGUMA COISA SAI ERRADO O RESPOSSABILIZADO É O CHEFE.

Daniel P. Almeida disse:
17 de outubro de 2007 às 08:55

Gostei muito do filme! Muito bem interpretado! A história foi boa a prendia a atenção do espectador. O cinema nacional está melhorando, não está mais se prendendo só em palavrões e cenas de sexo. Mostra a realidade brasileira, mas não me surpreende, eu já sabia, como todo mundo sabe, da corrupção na PM, aliás, deveriam também fazer filmes mostrando essa mesma corrupção na Justiça, no Ministério Público e no Poder Legislativo. O que me surpreendeu foi saber que existe esse tal de Bope que é extremamente bem preparada e combate a criminalidade... eu não sabia que tinha orgãoes policiais tão bem preparados.

Daniel P. Almeida disse:
17 de outubro de 2007 às 08:59

Gostei muito do filme! Muito bem interpretado! A história foi boa e prendia a atenção do espectador. O cinema nacional está melhorando, não está mais se prendendo só em palavrões e cenas de sexo. Mostra a realidade brasileira, mas não me surpreende, eu já sabia, como todo mundo sabe, da corrupção na PM, aliás, deveriam também fazer filmes mostrando essa mesma corrupção na Justiça, no Ministério Público e no Poder Legislativo. O que me surpreendeu foi saber que existe esse tal de Bope que é extremamente bem preparado e combate a criminalidade... eu não sabia que tinha orgãos policiais tão bem preparados. (corrigindo)

Mari Ramos disse:
17 de outubro de 2007 às 09:19

Quem gosta de cinema sabe que todos os grandes filmes geram grandes discussões, críticas, teses, adesões, repulsas, mas... por mais que sejam grandes, não deixam de ser filmes. Retratam um momento, um pensamento, uma realidade, uma imaginação, uma visão, uma postura, enfim, dizem o que querem dizer e num país em que a liberdade de expressão é garantia constitucional, deve ser muito bem vindo o filme que gera discussão e reflexão sem descuidar da sua função que é ser simplesmente um filme. Se ele tiver o condão de despertar algum tipo de reação certamente não será a causa do problema, simplesmente mostrou-o sob determinada ótica. Se não despertar reação alguma, pelo menos serve como entretenimento, o que não deixa de ser sua função. Tropa de Elite se enquadra como um grande filme, que desperta reações e também é um bom entretenimento. Cínicos aqueles que o repudiam como “um filme hollywoodiano”. Jogue a primeira pedra quem não vai ao cinema para assistir os “filmes hollywoodianos”. Essa coisa bem brasileira de “uma idéia na cabeça e uma câmera na mão” é encarada como “cult” porém, são justamente esses que se pretendem sérios e com mensagens a dar que não se sentem na obrigação de cumprir com a outra função do filme que se pretende uma obra cinematográfica, ou seja, entreter. A primeira parada de um cineasta [?] brasileiro é a porta do governo, a fim de garantir verbas para seus filmes, e aí a liberdade de expressão já começa a ir para o ralo. Hipócritas aqueles que têm medo da discussão, do debate. Assistir em rede nacional um avião explodindo, ao que parece, chocou menos do que um filme. Assistir em rede nacional a votação do Conselho de Ética do Senado, sobre o caso Renan, também chocou menos. Por que ninguém se levantou contra esses “filmes” dizendo que eles são capazes de influir na consciência do povo? Ah, tá... não eram filmes e não dá para criticar o “autor” não é? Mesmo porque não há “diretor” assinando essas “obras”. Acho que uma obra de arte, e o cinema é a sétima arte, tem diversas funções, entreter, fazer pensar, expressar o pensamento de seu autor etc e qualquer obra que consegue cumprir ao menos uma dessas funções tem que ser louvada. Tropa de Elite cumpriu seu papel. O resto é tese.

RICARDO OLIVEIRA disse:
17 de outubro de 2007 às 09:26

Tropa de Elite
Filme choca ao mostrar relações de sociedade e polícia

O que realmente chocaria seria um filme que mostrasse as relações do Legislativo, Executivo e Judiciário para com a Sociedade.... Multas de Trânsito, Megociações para Pedágios, Condenações ao Estado... etc.

Alexander Soares Luvizetto disse:
17 de outubro de 2007 às 09:55

O que vejo como mais interessante num filme como "Tropa de Elite" são as reações das pessoas que se sentem afrontadas pelo tema. Filmes são, no mundo moderno, a forma mais singela de provocar a reflexão de massa.
Tropa de Elite é um excelente filme, principalmente por fomentar tamanhas reflexões (como bem comentado pela Miri Ramos).
Que o filme continue provocando isso mesmo: reflexão. Especialmente na Classe Média.

Floripa JF disse:
17 de outubro de 2007 às 10:22

Além do que já dito pelos ilustres comentadores, vejo que uma das coisas que mais incomoda grande parte de uma elite pseudo-pensadora que apedreja a obra é o tapa na cara ante a afirmação que os "maconheiros" sustentam o tráfico, os traficantes e são responsáveis iniciais pela morte de inocentes como o garoto João Hélio. Também fui chamado de fascista por advogar esta tese. Intelectualóides esquerdistas ao apertarem seu baseado e cheirarem uma carreirinha são bandidos também, co-autores do crime de tráfico de drogas, sendo dele beneficiários diretos. Podem bater à vontade, mas a verdade é esta!!!

andreavip disse:
17 de outubro de 2007 às 11:17

Engraçado é que ninguém repudiou a cena onde o traficante atirou pelas costas no policial e nem quando ateou fogos, após ter prendido o boyzinho nos pneus pra ele nao ter chance de fugir. E o pior é que é assim que acontece mesmo. Os valores são distorcidos e a população vê muita tv.
É muito melhor fingir que tudo é só ficção, principalmente pra aqueles que descarregam suas frustações na maconha. Ninguém reclamou quando ser usuário de droga passou a ser um delito "punido" com advertência, porque será??? É pura arrogância achar que as pessoas passarão a usar a violência na forma do filme. Achar que as pessoas saltiraram de felicidade quando viram as cenas chocantes. Pura arrogância. Será que não dá pra imaginar que apenas pode ter servido pra ver como funciona a vida real??? Acordem!!!!!!! o filme é ótimo.

Landel disse:
17 de outubro de 2007 às 12:49

Tem sido justificada a repercussão do filme "Tropa de Elite" que trata da história do BOPE, Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar do Rio de Janeiro. Criado na década de 70, foi aprimorando seu sistema de treinamento e criando também táticas de combate que levaram especialistas internacionais a considerarem-no um dos melhores grupos de combate policial existentes no mundo.

Fica claro no filme e pelos relatos da vida real que a atuação do BOPE é feita muitas vezes com uma violência arrasadora. Levantam-se os grupos de direitos humanos em protesto contra tal ação. Sem dúvida isso abre uma discussão. Até que ponto uma sociedade deve aceitar uma extrema violência organizada contra grupos criminosos? Eu respondo: até o mesmo ponto em que os criminosos atacam essa sociedade com toda a violência que lhes permite impor o terror e submissão.

Choca essa constatação, mas é pensar o impensável como ele tem que ser pensado e visto, aliás, mesmo evitando pensar dessa forma, vemos o impensável aparecendo todos os dias nos noticiários da TV, isso quando ele não nos atinge de verdade.

Sem dúvida que os direitos humanos e a atuação comedida de uma força policial devem ser levadas em conta como padrão de conduta de tal grupo. Mas se os membros de grupos criminosos desconsideram isso quando atacam as pessoas, cometendo crimes de uma crueldade sem precedentes, igualmente devem ter como resposta o mesmo tipo de ataque, devem sofrer na pele a mesma crueldade com que atacam suas vítimas. Em certos momentos da vida de uma nação, olho por olho e dente por dente é a única atitude a se tomar. Não adianta dizer que assim ficaremos cegos e banguelas. Nossa sociedade está numa situação até pior do que essa, com milhares de vítimas executadas de forma cruel, porque isso era proveitoso aos criminosos.

Ou eles dão de ombros, porque não estão nem aí para os crimes que cometem ou contam com uma rede de advogados e de ONG’s abaixo de qualquer suspeita que estão mais para quadrilheiros do que para advogados e ativistas, porque decidiram faturar envolvendo-se com o crime ou então os criminosos, se forem presos, podem continuar comandando o crime de dentro dos presídios através de celulares. E porque fazem isso? Porque não acontece nada mesmo.

Ou alguém tem alguma dúvida de isso terminaria de uma vez por todas se o BOPE treinasse um destacamento só para cuidar dos presídios? Enquanto isso, continua o massacre das vítimas do crime organizado. Neste exato momento, quantas pessoas da nossa sociedade, seqüestradas há meses, não estarão sendo levadas de cativeiros para serem executadas, seja lá porque motivo for? Até agora, grupos conhecidos da sociedade brasileira tem se mostrado dóceis, submissos e intimidados, fazendo suas passeatas pela paz.Tanta docilidade e submissão não parece normal.

Que pessoas estejam intimidadas, até se entende. Mas muitas ONG’s e organizações a favor de ser da paz a qualquer preço ou de viva a praia a qualquer custo, mostram uma docilidade e uma submissão para lá de suspeitas. E o que ganharam com isso? A absoluta certeza dos criminosos de que elas estão com medo, de cabeça baixa e incapazes de reagirem, sem sequer terem a mínima coragem para pensar nisso. E o que é pior: expostas à ação dos criminosos até em suas casas, porque até mesmo concordaram com as campanhas de desarmamento. E agora, quem as ajuda quando os bandidos estão pondo a porta de suas casas abaixo a pontapés, para mais um rendoso seqüestro? Já se tornaram habituais os arrastões de 2 a 3 horas em prédios, com bandidos armados subindo andar por andar, roubando todos os moradores indefesos.

Alguns defensores dos direitos humanos dizem que uma reação assim nos tornaria iguais aos criminosos. De forma alguma. Se algum criminoso atira em nós e nós atiramos de volta, isso não nos torna criminosos como ele. Ou respondemos aos ataques da mesma forma com que são feitos ou nos tornaremos dia após dia, uma sociedade cada vez mais encurralada, intimidada e submissa a qualquer coisa que o crime organizado faça, queira ou exija da sociedade. Um exemplo: na época dos ataques do PCC em São Paulo em maio do ano passado, o medo tomou conta até de autoridades do judiciário, que passaram a ir trabalhar sem seus carros oficiais e sem as carteiras que os identificavam como autoridades. Por aí se vê a que ponto nossa sociedade se intimidou. O interessante é que no meio de tantos policiais mortos, até mesmo um bombeiro, não havia nenhuma vítima que pertencesse a ONG’s e organizações de direitos humanos. É suspeito? Parece muito.

O filme é um dos pouquíssimos que pode ser considerado filme na acepção do termo, desde que o cinema brasileiro efetivamente começou na década de 50. No máximo uns 7 podem ser classificados assim. Como todos os outros de grande impacto sobre o espectador, descreveu e de forma magistral o choque do crime com a sociedade. Críticos descreveram-no como hollywoodiano, com uso massivo de imagens que não dão tempo para o espectador pensar, de uma música vigorosa atrelada com a ação do filme. E o que tem de errado nisso? O filme é um primor de fotografia, som que nos coloca no meio da ação e com os momentos tensos dos personagens na vida diária, vivenciando seus problemas e fazendo análises da sociedade onde vivem. Acontece que os críticos de cinema no Brasil ainda estão na década de 60, no tempo da câmera de 8 mm, do falecido e mumificado cinema novo.

Pior ainda tem sido a hipocrisia de parte da classe média envolvida mesmo com os traficantes, como usuários de drogas, chegando nas chamadas bocas de fumo dos morros para comprar seu cigarro de maconha ou papelote de cocaína, que depois consomem numa festinha na faculdade ou em algum centro cultural, julgando-se na vanguarda dos tempos.Fica mais bonito dizer que é usuário, coitadinho, do que dizer que é office-boy de traficante. Claro, não consomem suas drogas nos pronto-socorros, onde chegam agonizando as vítimas de balas perdidas ou acertadas mesmo, disparadas pelos traficantes. É melhor o usuário fazer de conta que não tem nada a ver com isso e depois de participar de mais uma passeata pela paz ou em memória de mais algum amigo que ajudou a matar, ficar na praia, de olho no vendedor de mais uma dose.

No filme se destaca a figura do Capitão Nascimento. Sua fala marcante deixa uma observação ecoando em nossa lembrança: “É por isso que nesta cidade todo policial tem que escolher: ou se corrompe ou se omite. Ou vai para a guerra. Eu fui para a guerra”.

A maioria dos espectadores que assistiu o filme se identificou com esse personagem. Com a sua narrativa dos acontecimentos vividos por ele na época em que comandou um destacamento no BOPE. Ao mesmo tempo sensível para a desastrosa realidade social dos nossos dias, enojado com a hipocrisia de uma parte da classe média, inimigo jurado dos policiais e autoridades corruptas e inimigo de morte dos criminosos, esse personagem faz mais do que catalisar nossos sentimentos de revolta contra a situação que sofremos. Faz mesmo assomar em nós a plena convicção de que agiríamos da mesma forma, combatendo os criminosos de camiseta ou de colarinho branco, com todo o rigor que merecem. E nem por isso seríamos como eles. Seríamos apenas cidadãos, exercendo nosso direito de autodefesa. Alguém vê alguma coisa errada nisso?

E lembrando das palavras dele, vendo a decadência e corrupção que contaminaram completamente os três poderes neste Brasil, podemos falar como ele: ”É por isso que neste país todo cidadão tem que escolher: ou se corrompe ou se omite. Ou vai para a guerra”.

Se nós queremos nos considerar cidadãos decentes, é melhor irmos para a guerra.

Landel

http://vellker.blog.terra.com.br

FARamos disse:
17 de outubro de 2007 às 14:43

Assisti ao filme e tenho lido os comentários divulgados na imprensa.
Lembrei-me de um fato. Estava eu Diretor-Geral do Tribunal de Justiça do Estado do Tocantins quando tive de me dirigir a uma Delegacia de Polícia para registrar um Boletim de Ocorrência. Havia sido roubada a residência do Presidente do Tribunal. Fui acompanhado pelo Assessor de Segurança do Tribunal, um Coronel da ativa da Polícia Militar do Estado.
Na Delegacia ouvi de um policial: "Eu acho é pouco; a gente prende e vocês soltam". Aguardei a reação do Coronel. Nada. Optei por calar.
Quanto ao filme, confirma a minha suspeita. BOPE quer dizer Bandidos Organizados em Pelotões de Execução.
Com e sem farda. Estes mais ou menos melhor organizados do que aqueles.
Não é preciso dizer mais nada. Basta de conversa mole. As imagens dizem tudo. Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas não é mera coincidência. Absoluta coincidência.
Francisco Augusto Ramos - Conselheiro Federal da OAB por Sergipe 1992 e Membro Sênior da Federação Interamericana de Advogados 1975-2000.

ANTONIO MADEIRA disse:
17 de outubro de 2007 às 15:57

O diretor Padilha e seus colaboradores estão de parabéns. O filme tem algo de realidade e foi bom ter sido pirateado (em que pese o ilícito), caso contrário dar-se-iam um jetio de impedir a sua exibição. É uma realidade (exagerada) que dói mas que sirva de alerta para as autoridades "cometas" (aquelas que não são permanentes) de quão precisa se corrigir muito neste País. A sociedade já não agüenta mais, principalmente a mais esclarecida e que não troca voto por cesta básica. A verdae é comprovada pela quantidade de policiais presos a cada dia, precisando, apenas, que se peguem os de alto comando ou de chefia.
Quão bom também será que um dia façam um filme tanto quanto realista com os políticos, empresários e seus tentáculos na corrupção, esmiuçando-se a detalhes que comova o eleitor a não repetir o erro de votar no mesmo político mais de uma vez, alternando-os antes que aprendam os maus caminhos.

Cissa disse:
17 de outubro de 2007 às 16:42

Quando não há escrúpulos,
quando não há dignidade,
quando não há ética,
quando não JUSTIÇA,
cada um se vira como pode,principalmente que tem que colocar a vida em risco e, por nada.
A verdade é dura mas tem que ser dita.
A engrenagem é longa, o problema não é a polícia, começa em Brasília e extende-se por todo um país.

Layeh disse:
17 de outubro de 2007 às 17:34

Assisti ao filme e concordo em parte com a mensagem que este quer transmitir. A mim o filme pareceu mais uma auto-promoção do policial autor do livro do que um retrato da Polícia Militar do Rio de Janeiro.Nem todo policial é corrupto e nem todo integrante do Bope é honesto. Sobre as ONGs, realmente existe muita picaretagem, mas temos muitas ONGs universitárias sérias,com pessoas engajadas nas causas, não podemos fazer generalizações. A minha verdadeira indignação foi o fato da universidade em que estudo ter cedido suas locações para as filmagens de "Tropa de Elite". Senti minha reputação manchada, pois o que passou foi que "todo estudante de Direito que freqüenta aquele Centro Acadêmico é usuário de drogas".Não é verdade, eu e muitos colegas apenas vamos ao Centro Acadêmico para tirar xérox dos textos pedidos pelos professores.

drdario disse:
17 de outubro de 2007 às 18:02

Dario Gonçalves

Alguns dias atrás fui com minha filha, adolescente, assistir ao filme, a escolha foi feita por alguns motivos: primeiro, porque quem assistiu a sessão pirata aconselhou; depois, porque minha filha falou que queria assistir ao filme, devido a promoção feita pela pirataria; em terceiro, porque prefiro mais a produçao nacional à estrangeira.

Antes mesmo de esternar qualquer juízo de valor sobre o tema abordado pelo filme, anoto que os fatos envolvendo a P.M. não são novidade, mas, o que me causou estranheza foi a forma pela qual o assunto, violência gera violência, foi aboradado.

Já de inicio do filme, apareceram algumas anotações feitas ao espectador, entre eles, que a psicanálise "já detectou" que o meio influencia de forma brutal a conduta das pessoas que nele, meio, estão envolvidas, ou, em outras palavras, vivem.

Pela ótica desse espectador, creio (mas não sou dono da razão), que nada mais nada menos que estamos diante de uma visão obtusa do narrador do problema social que envolveu a historigrafia.

Digo isso com reservas, pois, como filho de militar (da força pública de São Paulo), cresci vivendo o cotidiano militar, já que atravessamos a fase da ditadura militar, então, presenciamos algumas atrocidades envolvendo militares ou pseudo militares.

Foi, então, nessa fase que as gerrilhas passaram, no Rio de Janeiro, a conviver, nos presidios, com a bandidagem.

Essa convivência que fez com que as organizações criminosas passassem a agir da forma e métodos bárbaros e, pior, sob proteção do mesmo sistema que os criou e cultivou.

Então, pelo que se viu no filme, temos a certeza de que o sistema não funciona e nunca vai funcionar quando estamos diante de falta de caráter na conduta da vida privada e da vida pública

Manoel Almeida disse:
17 de outubro de 2007 às 20:21

Comprei o DVD pirata, mas pretendo assistir à edição dita final exibida no cinema.

O que choca não é a relação da sociedade e a polícia nem a violência retratados no filme, e sim a surpresa manifestada por grande parte do público, como se brutalidades como as registradas na Favela Naval, em Diadema e mortes como a de Tim Lopes já tivessem sido esquecidas; e como se a promiscuidade entre policiais e traficantes não fosse uma rotina, não só no Rio, mas em nossa própria cidade, em todo o país.

acdinamarco disse:
17 de outubro de 2007 às 22:45

Já leram sobre a chantagem que o Padre Julio Lancelotti vem sofrendo por ex-internos,(sic), da ex-FEBEM ? Não teria algo a ver com Tropa de Elite ? Ou com a ROTA ?
acdinamarco@aasp.org.br = al.joaquim eugênio de lima,696 = cj. 34 = fone: 3294-1935 = São Paulo.

Heitor Reis disse:
20 de outubro de 2007 às 23:23

Todas as análises que li sobre o filme Tropa de Elite deixam de considerar causas mais profundas do problema, motivo pelo qual ressuscitei este texto de alguns anos atrás, mas extremamente atual.

ECOLOGIA SOCIAL
CAI VERTIGINOSAMENTE A COTAÇÃO DA VIDA HUMANA
NA BOLSA DE VALORES DA FAVELA NAVAL,
Carandiru, Candelária, Corumbiara, Eldorado dos Carajas, Cidade de Deus, Favela do Alemão...

Sumário:
Quando a Constituição Federal é negligenciada...
quando não há planejamento familiar...
e nem (p)maternidade responsável...
O aborto biológico ou socio-econômico é fatal!
(policial, criminal ou patológico)

"Estou defendendo a Pena de Morte
ANTES QUE O SUJEITO NASÇA",
frisei eu numa das listas de debate que freqüento,
me opondo aos que defendem a "Pena de Morte Corretiva".
(Continue lendo e verás que não estou fazendo
apologia do aborto convencional...)

Isto é, após o indivíduo ter nascido,
dado um trabalhão danado para sua família,
gasto o apertado orçamento de um Estado corrupto,
finalmente, vai acabar como um hediondo criminoso,
do qual ficamos todos ansiosos para nos livrar,
de qualquer maneira.

ISTO É nº 1567 (13/10/99) traz em sua reportagem
de capa que 67% dos paulistanos admitem
a pena de morte (corretiva) implantada neste
país (totalmente ou com restrições).
http://www.zaz.com.br/istoe/brasileiros/1999/10/09/002.htm

E, do jeito como as coisas andam,
isto vai se estender em breve por toda a Nação,
já que o bolo não dá para todo mundo
conquistar uma vida digna, tendo em vista também
não haver perspectiva de que ocorra uma
reversão substancial no globalizado e tupiniquim
processo de concentração de riqueza/renda,
nem no de explosão demográfica.

Havendo excedentes, estes procurarão fazer
redistribuição de renda a

Heitor Reis disse:
20 de outubro de 2007 às 23:30

CONTINUAÇÃO DO COMENTÁRIO ANTERIOR...

Havendo excedentes, estes procurarão fazer
redistribuição de renda através da militância política, movimentos sociais ou por iniciativa própria.
A estes últimos aplicamos a alcunha de marginais, viciados,
traficantes, bandidos, assassinos, seqüestradores, etc.

É evidente que a pobreza por si só não é motivo
para a totalidade de atitudes assim tão radicais,
mas fornece um substrato,
onde germina a bestialidade humana,
culminando facilmente na criminalidade.
Afinal, eles nada tem a perder...

É viver com fome ou morrer de fome.
É um risco calculado:
ser um honesto miserável,
um bandido morto,
um bandido bem sucedido
ou enfrentar uma cadeia também miserável
por algum tempo, onde falta espaço
e condições mínimas de higiene,
mas sobra comida.

Um plano de carreira digno da admiração
dos melhores executivos de Wall Street:
prostituição, tráfico de drogas ou pistolagem,
com treinamento e prática desde a mais
tenra idade.

Capitulo VII
Da Família, da Criança, do Adolescente e do Idoso
Art. 226. A família, base da sociedade,
tem especial proteção do Estado.
§ 7º - Fundado nos princípios da dignidade
da pessoa humana e da paternidade responsável,
o planejamento familiar e' livre decisão do casal,
competindo ao Estado propiciar recursos educacionais
e científicos para o exercício desse direito,
vedada qualquer forma coercitiva
por parte de instituições oficiais ou privadas.

CONTINUA EM http://www.midiaindependente.org/pt/red/2007/10/399316.shtml

Bira disse:
03 de novembro de 2007 às 10:34

Só há choque para aqueles desinformados ou que acreditam só nas palavras de babalorixas.

FÁBIO CARVALHO disse:
22 de novembro de 2007 às 11:31

Pela primeira vez, temos a opinião de quem realmente está envolvido diretamente nos conflitos sociais, o filme dá esta oportunidade de demomonstrar a visão policial da violência, onde também chama à responsabilidade da sociedade intelectual como participante desta violênicia.

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