PF quebrou sigilo de telefone da Folha de S. Paulo

Um dos telefones da sucursal de Brasília do jornal Folha de S. Paulo, instalado no comitê de imprensa da Câmara dos Deputados, teve o seu sigilo quebrado em meio às investigações da compra do dossiê PT-sanguessugas. As informações são da Folha.

De acordo com a reportagem do jornal, o pedido de quebra feito pela Polícia Federal à Justiça, no dia 24 de setembro, incluiu ainda outros 168 números telefônicos, entre eles o do aparelho celular profissional utilizado por uma repórter da Folha.

Os números investigados estavam registrados no celular de Gedimar Passos, um dos detidos pela PF em 15 de setembro por negociar o dossiê.

A PF alega que não sabia que os telefones eram do jornal, e que não buscou investigar procedimentos da Folha. “Vimos que todas as ligações feitas pela Folha foram posteriores a essa data [da prisão], que os jornalistas estavam apenas tentando obter mais informações sobre o caso. Logo descartamos qualquer investigação sobre a Folha“, disse o delegado responsável pelo caso, Diógenes Curado.

Os sigilos quebrados estão em posse da PF, que repassou cópia à CPI dos Sanguessugas. Não é possível saber se a PF já obteve a quebra também do telefone celular da repórter. Ainda de acordo com esses dados, que podem estar incompletos, a Folha é o único órgão de imprensa que teve o sigilo quebrado durante a investigação.

A planilha enviada à PF pela empresa de telefonia Brasil Telecom lista 1.218 ligações feitas e recebidas pelo aparelho da Folha entre 1º de agosto e 29 de setembro deste ano. Além dos números que ligaram ou receberam chamadas, a PF recebeu os registros da data, hora e duração das ligações.

Os dados constam do inquérito aberto pela PF no dia 18 de setembro para apurar as circunstâncias da tentativa que militantes do PT fizeram de comprar, por R$ 1,7 milhão, material que comprometeria políticos do PSDB no escândalo dos sanguessugas.

A Folha é o único órgão de imprensa citado no relatório, por oito vezes, como tendo feito ligações para pessoas envolvidas na trama. Todas elas ocorreram após a prisão de Gedimar Passos e Valdebran Padilha, no dia 15 de setembro, com o R$ 1,7 milhão.

Há registro nesse relatório, sem identificação, do telefone celular de um repórter do jornal “Globo e do telefone do jornal O Estado de S. Paulo, mas os dois, além de não terem sido identificados, não tiveram o pedido de quebra do sigilo feito pela PF.

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