Lei que livra pequenos traficantes será um desastre para sociedade

O crime organizado e o desleixe estatal fizeram com que o tráfico de drogas crescesse assustadoramente e tomasse conta dos morros, das favelas, das invasões, das periferias das grandes cidades do País. As matrizes das facções criminosas nascidas e fortalecidas nas metrópoles brasileiras já formam as suas filiais em tantas outras cidades e atuam como verdadeiras criações maléficas para a nossa sociedade.

Esta atividade criminosa lucrativa para alguns e altamente nociva para a população é, sem sombras de dúvidas, a raiz central de diversos crimes outros consequentes ou interligados, tais como: sequestros, latrocínios, homicídios, torturas, roubos…

As organizações que comandam o tráfico de drogas, não trabalham aleatoriamente, também possuem um organograma imaginário com as suas diversas divisões, chefias, cargos e operários até chegar ao objetivo comum de todos que é o público consumidor.

Assim, tais empresas criminosas enriquecem assustadoramente os seus líderes, os grandes traficantes, os empresários do tráfico que possuem toda uma rede de assistentes ao seu dispor, dentre os quais o pequeno traficante que compra e revende a droga.

Como ocorre em todas as empresas, os seus componentes visam chegar ao ápice das suas carreiras, e assim também, nesses empreendimentos criminosos, é objetivo do pequeno traficante chegar a ser um grande traficante para, além do seu real enriquecimento financeiro, ter o poder do comando e até da morte dos opositores em suas mãos.

O grande traficante, por conta da sua fama criminosa, através do seu poderio financeiro e repressivo é reconhecidamente e respeitado pelas comunidades locais como sendo o rei do morro, da favela, do bairro, do pedaço. O tráfico funciona nas diversas localidades como se fosse uma espécie de governo ditatorial paralelo ao nosso Regime Democrático do Direito.

O Estado, por sua vez, visando resgatar a ordem social ferida mostra-se ineficiente para debelar tão afligente problemática. Ações paliativas, pirotécnicas, cinematográficas, projetos e programas emergentes surgem e insurgem sem atingir os seus reais objetivos. Diversos remédios usados restaram inócuos e não curaram essa doença provinda do tráfico de drogas que tem como sustentáculo o crime organizado.

Fora divulgado na mídia recentemente que em breve período nascerá mais uma dessas ações milagrosas para conter o tráfico. Haverá propostas de mudanças na legislação penal brasileira no sentido de livrar os pequenos traficantes da cadeia como fórmula mágica para sanear a preocupante problemática.

Prognostica o projeto que o cidadão que for flagrado vendendo pequena quantidade de drogas, estiver desarmado e não tiver ligação comprovada com o crime organizado, será condenado a penas alternativas, ou seja, não será mais preso.

O Projeto de mudança de Lei será apoiado no Congresso nacional pelo Ministério da Justiça e tem como argumento principal para analise e aprovação pelos legisladores, o fato do pequeno traficante ao ser encarcerado junto com o grande traficante logo é arregimentado a participar das organizações ou facções criminosas, engrossando assim as suas fileiras.

Essa medida, se aprovada for, será um desastre de grandes proporções para a sociedade em geral, pois na prática estaríamos melhorando, facilitando e beneficiando o tráfico de drogas, vez que, todos os traficantes, grandes ou pequenos, estariam sempre escondidos atrás desse novo e potente escudo.

Fato também altamente complicado e complexo seria a formação do conjunto das investigações rápidas e imediatas a serem efetuadas pela Policia em pleno ato de flagrante delito, no sentido de comprovar a ligação do suposto pequeno traficante com o crime organizado.

Esperamos para o bem comum da ordem social e de toda a população brasileira que o Congresso nacional arquive por irracional e inconsequente que o projeto demonstra ser.

O Legislativo deve se conscientizar de vez dessa real problemática vivida pelo povo, deve se engajar efetivamente nesta luta contra o tráfico, contra o crime organizado. Projetos realmente sérios e efetivos devem ser criados tanto na área preventiva quanto na repressiva. Penas mais rígidas e sem benefícios devem ser aplicadas para os traficantes de drogas.

O traficante de drogas deve ser tratado de maneira diferenciada pela Lei brasileira sob pena de padecermos aos seus pés, sob pena do crime organizado desestabilizar de vez a ordem do País.

Archimedes Marques

é delegado de Polícia, pós-graduado em Gestão Estratégica de Segurança Pública

Rossi Vieira disse:
11 de abril de 2010 às 15:20

A história do homem, Ser humano, e os psicoativos andam juntas. Sempre foi assim. Basta uma visita as Aldeias indígenas ao redor do mundo e verificar que as Plantas de Poder psicoativas fazem parte de rituais,danças e cantos, misturando,magia,mitos,espiritualidade e religião. O homem moderno, talvez, com o álcool e a cocaína cristalizada prostituiram tais psicoativos existentes ha milhares de anos. Aí, um conjunto de políticas contras as Drogas, e o Estado se intrometendo na psique humana, escolhendo o melhor psicoativo para a sociedade. A mim um absurdo em pleno século XXI. Enquanto não mudar a mentalidade puramente repressiva, vamos continuar perdendo uma guerra impossível de vencê-la, ou seja, convencer o Ser Humano a não consumir psicoativos, substâncias que o acompanham e o ligam desde o início da humanidade. No Brasil, a AYAHUASKA, poderosa substância mítico-mágica-espiritual-religiosa é considerada legal para o consumo. E se trata de alucinógeno, na esfera científica. Sinais do uso da folha da Coca, da Cannabis, entre outras substâncias, como o Álcool e o Tabaco estão evidentes a Séculos atrás. Basta simples estudo sociológico e antropológico sobre o tema. Embora respeite o tema abordado pelo culto delegado, faço parte do time dos "mentes aberta" e entendo que a Libertação da escolha deva ficar a cargo de cada um, individualmente. O Estado, poderia, inclusive ser o Sócio majoritário na venda de tais substâncias. Com isso, o Morro, o Traficante etc. iriam as favas...simples assim. A prisão, local medieval, para esse assunto, já foi o tempo. Uma pena, ainda, levaremos muito tempo ao resgate da alma humana e seus poderes místicos ao lado dos psicoativos.
Otávio Augusto Rossi Vieira, 43
Advogado Criminal em São Paulo.

Espartano disse:
11 de abril de 2010 às 20:16

A vida nos dias atuais não comporta o uso de drogas. Pode se falar que é uma verdadeira "tradição" da humanidade fazer uso de intorpecentes, mas a vida moderna e a produção capitalista não tem espaço para esse tipo de gente.
Se liberar geral e o Estado e as grandes indústrias resolverem tomar conta do mercado legal, milhares de "operários da droga", desde o aviãozinho até o grande traficante vão perder o "emprego" e vão ter que mudar de ramo. Aí esse pessoal vai descer do morro com suas AR-15 e vão investir em outras áreas como assalto, sequestro e outros ilícitos que nos afetarão mais diretamente ainda. Alguém está preparado para essa invasão?
Já o usuário além de um fardo é um tremendo perigo para a sociedade. Uma coisa é um índio correndo doidão no meio do mato. Outra coisa são milhares de jovens possuídos correndo de carro por aí. Acidentes serão favas contadas. E novamente coitados de nós que não teremos segurança nem para ir na padaria sem se deparar com os nóias.
Fora que dependentes mais cedo ou mais tarde acabam perdendo seu emprego, saindo do setor produtivo da sociedade. Com sorte serão demitidos antes de botar em risco aqueles que dependem de suas habilidades profissionais. Aí, sem dinheiro, partirão ou para parasitar suas famílias ou para os furtos e roubos para sustentar o vício. E nós de novo seremos alvo.
E quando a saúde já estiver bastante debilitada, procurarão o SUS, onerando um sistema já bastante capenga e sustentado pela sociedade.
Por isso sou contra o "liberou geral". Se liberar, espero que pelo menos o Estado possa reprimir com vigor os usuários. Drogado deveria ser proibido de usar o SUS e transferir para a sociedade o ônus causado pelo seu vício. É uma questão de escolha. Que o drogado arque com ela até o fim.

Espartano disse:
11 de abril de 2010 às 20:16

A vida nos dias atuais não comporta o uso de drogas. Pode se falar que é uma verdadeira "tradição" da humanidade fazer uso de intorpecentes, mas a vida moderna e a produção capitalista não tem espaço para esse tipo de gente.
Se liberar geral e o Estado e as grandes indústrias resolverem tomar conta do mercado legal, milhares de "operários da droga", desde o aviãozinho até o grande traficante vão perder o "emprego" e vão ter que mudar de ramo. Aí esse pessoal vai descer do morro com suas AR-15 e vão investir em outras áreas como assalto, sequestro e outros ilícitos que nos afetarão mais diretamente ainda. Alguém está preparado para essa invasão?
Já o usuário além de um fardo é um tremendo perigo para a sociedade. Uma coisa é um índio correndo doidão no meio do mato. Outra coisa são milhares de jovens possuídos correndo de carro por aí. Acidentes serão favas contadas. E novamente coitados de nós que não teremos segurança nem para ir na padaria sem se deparar com os nóias.
Fora que dependentes mais cedo ou mais tarde acabam perdendo seu emprego, saindo do setor produtivo da sociedade. Com sorte serão demitidos antes de botar em risco aqueles que dependem de suas habilidades profissionais. Aí, sem dinheiro, partirão ou para parasitar suas famílias ou para os furtos e roubos para sustentar o vício. E nós de novo seremos alvo.
E quando a saúde já estiver bastante debilitada, procurarão o SUS, onerando um sistema já bastante capenga e sustentado pela sociedade.
Por isso sou contra o "liberou geral". Se liberar, espero que pelo menos o Estado possa reprimir com vigor os usuários. Drogado deveria ser proibido de usar o SUS e transferir para a sociedade o ônus causado pelo seu vício. É uma questão de escolha. Que o drogado arque com ela até o fim.

sei não... disse:
12 de abril de 2010 às 10:43

O texto possui a resposta em si mesmo, ao afirmar que a lei pretende dar tratamento diferente apenas para quem não integra crime organizado. Ora, se não é possibvel investigar e separar quem é quem no trafico diário, se se trata de um usuário que precisa vender para manter o vício ou se é o alpinista do crime organizado, não é possível que o investigado seja tratado como bandido da pior espécie por presunção, sabido que a prova é de quem acusa e não o contrário. Se faz parte de crime organizado que assim seja tratado, desde que comprovada a ligação, ou então vamos alterar a Constituição e presumir que todos são integrantes do crime organizado, até prova em contrário!!!

Eri Coelho - Jornalista disse:
12 de abril de 2010 às 12:12

A droga é o combustível da criminalidade, queira ou não o FHC aquele ex. Combater a droga pelo visto não faz parte dos planos dos nossos governantes, construir cadeias tampouco, então, querem liberar geral.
.
De que forma o "pequeno traficante" pode vender drogas sem comprá-las do médio ou do grande. Sim, ele faz parte do esquema, ele é uma engrenagem da criminalidade..
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O consumidor de drogas é a engrenagem principal do negócio criminoso das drogas, queira ou não o FHC aquele ex e os defensores da liberação.

Vicente Conessa disse:
12 de abril de 2010 às 16:57

Bom primeiramente o titulo do artigo talvez queira adivinhar o futuro, então deixamos isso aos videntes e numerológos. Agora, o que é real e pode ser constatado dia a dia, é que estamos fracassando na luta contra as drogas. Podemos tomar como exemplo diversos paises como os EUA, que gasta a cada anos bilhões em repressão e no entanto, a oferta da droga é cada vez melhor e a qualidade melhor. O unico "remédio" ainda não usado para os problemas que a "criminalização" das drogas causam é a descriminalização. Usamos o dinheiro da repressão em educação e tratamento de viciados. Quer saber, quem não tem interesse na descriminalização das drogas são os próprios traficantes, sejam eles grandes ou pequenos. Façam o teste: libererem a Cannabis que é uma planta de facil plantio. Se quebraria as pernas do tráfico. Chega de hipocrisia!

Macedo disse:
12 de abril de 2010 às 18:38

Para melhor reflexão acerca da questão , gostaria de sugerir ao escritor deste artigo a leitura da reportagem publicada na Revista Época em out/2009 que consta no endereço a seguir:
http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI101930-15223,00.html

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