Você se orgulha de ser advogado? Um recente artigo publicado na Consultor Jurídico chamou atenção: ressalta que nos Estados Unidos os advogados ocupam posições estratégicas e de poder. Leia a reportagem completa aqui.
O artigo descreve personalidades como o presidente dos EUA Barack Obama, Hillary Clinton, entre outros, como advogados que chegaram a posições de destaque, sendo que o presidente dos EUA afirma que busca muito de seus aliados e trabalhadores em Harvard, conceituada escola jurídica americana.
Tal distinção nos leva a uma profunda reflexão: Porque no Brasil é tão diferente?
Aqui o que temos é bem mais simplório. Temos advogados que são parlamentares, contudo, isto não enobrece a profissão. Temos advogados que se tornam juízes e parece que esquecem que um dia foram advogados. Temos advogados que chegam ao executivo, mas seus atos não são compatíveis com esta nobre profissão.
Porque será que é assim? Parece uma pergunta impossível de ser respondida de forma objetiva, contudo, temos algumas pistas do porque isto acontece e mais, das consequências destas atitudes.
Pistas
Quantas vezes observamos advogados falando mal de outros advogados? Advogados que são vistos em novelas como vilões, sempre querendo prejudicial alguém. Advogados que sequer parecem saber o que é o direito e pelo que o defendem.
As pistas apontam para faculdades com objetivo mais financeiro do que de estudo, aliás, não apenas faculdades, hoje estudar é sinônimo de se o aluno paga ele merece passar de ano, conhecimento é problema dele e não da escola. Eu discordo frontalmente, mas é uma realidade que temos que enfrentar, onde alunos chegam ao segundo grau sendo analfabetos funcionais, sequer conseguem compreender corretamente o que lêem.
As pistas apontam para os próprios profissionais que passaram na prova da OAB – já imaginou sem a prova como seria o mercado com qualquer tipo de profissional?- e reclamam da profissão, sempre falam mal da advocacia e na primeira oportunidade querem ser assistentes do Ministério Público, Oficiais de Justiça e por aí vai. Não desmereço qualquer profissão, mas quem lutou e batalhou para passar na prova da OAB e ser advogado (a), deve honrar a sua OAB.
As pistas apontam para profissionais que ao invés de se profissionalizarem, buscarem a gestão e tecnologia como diferenciais competitivos, quererem ser diferentes e fazer a diferença, se preocupam unicamente com o preço. Humilham-se em honorários pífios. Aceitam cuidar de processos por anos a fio e receberem misérias. Dizem que isto que faz é o mercado. Afirmo categoricamente: Não é. Quem faz o preço é o próprio profissional. Se ele tem visão, sabe do direito e quer evoluir, ele pode e será bem sucedido.
Consequências
Uma das piores consequências é o advogado largar a advocacia e buscar outra profissão. Muitas vezes ele é talentoso, sabe do que faz, mas lhe falta visão, gestão, tecnologia. Daí advogar parece um fardo.
Outra consequência terrível é o profissional que fica estagnado, pensando que já fez tudo que a advocacia permite. Este profissional não tem visão do mercado. Falta ver que o mercado está em plena expansão, crescendo diariamente, com novas áreas, mercados, produtos novos (faço quase semanalmente em meus clientes este exercício de visão de mercado e os resultados são produtos diferentes, muitos que eu sequer havia visto, pois a criatividade faz parte da carreira jurídica).
Quem fica parado achando que o mundo deve mudar primeiro, realmente está na profissão errada. Estamos diante de desafios enormes na área em si do direito material, igualmente processual e mais o eletrônico. Temos redes sociais reinventando a nossa comunicação, nunca antes na história deste país houve tanto para se promover no universo jurídico, a exemplo do direito no âmbito da internet assim como o processo virtual promovido pelo judiciário em todo país. São questões que precisam ser enfrentadas. Antes, tudo ocorria no papel. Agora, são bytes, rede e memória que fazem o mundo girar.
Não basta ficar achando ruim a situação atual. Faça algo a respeito!
Enfim, você se orgulha de ser advogado?
Deveria. É uma profissão maravilhosa. Basta visão, gestão, tecnologia e muito trabalho para que o sucesso seja constante no seu caminho.

Sob o meu ponto de vista, creio que o descrédito da figura do advogado no Brasil deriva da falta de cultura e educação do povo brasileiro. O cidadão médio, ao contrário do que ocorre nos EUA e Europa, não pensa em Justiça. Ele acredita piamente que para resolver seus problemas basta uma certa relação de amizade-subordinação com autoridades e servidores em geral (delegados, servidores judiciais, policias, etc.), que em troca de bajulação acabam por adotar com base nos poderes do cargo os mecanismos para resolver as pendengas à moda do interessado. É comum recebermos no escritório de advocacia novos clientes que mesmo antes de expor o caso já enumera o nome de várias autoridades com quem supostamente mantém relacionamento pessoal, como se isso servisse para alguma coisa. Aí vem a decepção: o cidadão descobre que toda a bajulação que cultivou durante várias décadas não vai lhe ser útil, e como não adotou as posturas corretas ao longo de toda uma vida (votando em gente honesta, por exemplo) tem agora a enfrentar uma longa batalha judicial as vezes para resolver algo até simples. No dia em que o cidadão brasileiro médio começar a pensar em Justiça e em sistema judiciário, o que não ocorre hoje, a figura do advogado passará a ser valorizada vez que se compreenderá que a função desses profissionais é justamente defender a sociedade do arbítrio e do abuso estatal, como já compreende os mais cultos.
Excelente o comentário do dr. Marcos Pintar. Mas infelizmente há colegas que alimentam essa idéia de que a bajulação funciona na justiça. Inclusive colegas que já foram juizes e ainda colocam no seu cartão de visitas a expressão "Juiz Aposentado". Isso para não falar nos escritórios que alardeiam a contratação de juizes aposentados de tribunais superiores, como se o novo contratado ou associado fosse agregar mais poder à banca. Quem acredita nessa fantasia pode se decepcionar. Na área tributária, então, a coisa é pior. Um ex-chefe de repartição fazendária, quando não é bacharel dm direito, e mesmo que durante seus tempos de chefia só tenha feito asneiras, logo depois que se aposenta ou perde o cargo de confiança porque o seu parente não está mais no governo, transforma-se em milagreiro, mágico ou macumbeiro fiscal. Como não é chique usar esses títulos, preferem ser chamados de "consultor tributário", ou "assessor empresarial". Então o empresário ignorante ou mal intencionado contrata o tal "consultor" , que cobra uma "baita" grana para fazer uma defesa que copiou de alguém (ou tinha do seu arquivo da repartição). Depois, mais tarde, quando a mágica, feitiçaria, macumba ou pajelança não der certo, ai então o empresário "sabido" tem que contratar (e pagar - espero que muito) um advogado para tentar consertar o estrago...Parabéns dr. Marcos!
Normalmente os advogados brasileiros estão pressionados com excesso de burocracia, perdem muito tempo nos balcões dos cartórios, idem no trânsito das cidades. Ademais, as decisões são demoradas, os recursos são muitos, os processos são quase infinitos.
Enfim, é uma roda-viva, muito trabalho, pouco lucro.
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Nesse panorama mal sobra tempo para cuidar da saúde, está sempre apagando incêndios. Quem trabalha demais não tem tempo para progredir. É isso!
Ante aos três comentários já exarados, fica até difícil acrescentar algo, mas tentarei. Fora o que já fora dito pelos ilustres colegas, entendo também que é problema cultural. Muitos preferem ostentar uma carteira funcional repleta de prerrogativas ou até mesmo uma que tenha um simples brasão da República a se destacar no mercado privado, encher o bolso de dinheiro e ter que se submeter a filas de cinema, boates ou estádios de futebol. A cultura brasileira de achar que todo empreendedor é bandido e só o servidor público é honesto tem feito com que a sociedade ratifique o falso entendimento que fora de um cargo/emprego público não há salvação, ou seja, não há segurança, estabilidade ou tranquilidade. Assim, a explosão do número de faculdades de Direito que são, nas palavras de um comentarista noutro artigo, verdadeiros pré-cursinhos, fazem com que a dignidade da Justiça em um todo vá pelo ralo.
Mas aqui no Brasil a profissão de advogado é bastante valorizada. Mais do que outras carreiras privadas. Talvez não comparada à atual administração americana, mas aqui o advogado é muito valorizado.
Não precisa nem mencionar a oposição da AMB à composição do STF por advogados.
O proprio Vice da república é oriundo da advocacia!!
Mas enfim, porque o título do texto não se refere às profissões jurídicas? Ou será que tem alguma carreira da área jurídica que seja mais valorizada nas "posições centrais de poder" que a do advogado?
Talvez só o Ministro da Defesa, Nelson Jobim, poderia ser citado como exceção, pois é aposentado do STF, mas antes foi advogado e dessa carreira ascendeu ao STF - também foi político.
E no Congresso, quantos saíram da advocacia?
A profissão de advogado é importantíssima, muito mesmo. Mas não pode ser supervalorizada a ponto de se esquecer outras carreiras, jurídicas ou não.
Não é porque, por uma circunstancia política, que nos EUA o presidente e o vice presidente são oriundos da advocacia que aqui no Brasil haja algo errado quanto à esse ponto (esse ponto).
Talvez hajam outros problemas, talvez maiores, talves menores, comparados à outras carreiras, como médico, psicólogo,ecomista, magistrados, etc. Mas a advocacia ainda é, e continuara sendo vista como uma carreira mais promissoras.
Se avançar muito além disso, corre-se o risco da reclamação passar de pura frustração com os problemas ordinários que ocorrem em todas as carreiras e com a impaciencia com a chegada do sucesso profissional - que é o demorado fruto de "visão, gestão, tecnologia e muito trabalho", nas palavras do autor.
Enfim, "quem fica parado achando que o mundo deve mudar primeiro, realmente está na profissão errada," qualquer que seja a profissão.
O articulista apontou pontos relevantes que são importantes para a valorização da boa advocacia, que muito contribui para o bom funcionamento da administração da Justiça, nos termos do art. 133 da Constituição Federal.
No entanto, o que se percebe atualmente é uma desvalorização da magistratura de carreira.
Basta analisar a composição dos tribunais superiores.
No STF há apenas dois juízes de carreira.
No STJ, das vagas de ministros destinadas a desembargadores federais, a metade está provida de desembargadores oriundos do quinto constitucional do MP e da advocacia, o que se repete nas vagas destinadas aos desembargadores dos TJ´s.
Devemos lembrar, prezado Rodrigo PM, que há no Brasil hoje cerca de 800 mil advogados em atuação, contra 16 mil magistrados. Natural assim que a advocacia acabe sendo maioria nos Tribunais Superiores.
Prezado Marcos
Relevantes os dados apresentados por vc, mas não custa lembrar q nos termos da Constituição Federal, apenas 1/5 (um quinto) das vagas dos Tribunais é destinada a membros não integrantes de carreira da magistratura.
Dentre este 1/5, há a alternância entre membros da advocacia e do MP.
Frise-se que no tocante à escolha de ministros do TST, salvo engano há expressa previsão q nas vagas destinadas à magistratura (4/5), os desembargadores dos TRT´s tem q ser oriundos da magistratura de carreira.
É o q pretendem a AMB e a AJUFE no tocante às vagas do STJ, mediante a proposição de uma ADI q tramita no STF, de que desembargadores oriundos dos TJ´s e TRF´s sejam magistrados de carreira.
Prezado Rodrigo PM. De fato, essa tem sido a posição sustentadas pelas entidades de classe da Magistratura. Particularmente entendo que essa argumentação não se sustenta vez que juiz é juiz independentemente do fato de ter ingressado pelo quinto constitucional ou por concurso. As decisões valem igual, e os direitos, obrigações e prerrogativas são os mesmos. Na verdade, embora a magistratura reclame, temos vistos alguns magistrados que ingressaram pelo quinto constitucional, oriundos da advocacia, adotarem posturas bastante rígidas quando o direito discutido envolve a classe da advocacia, e nada favorecendo os advogados.
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