Falação em torno de empresa de Palocci é oportuna para a oposição

Artigo publicado no jornal Folha de S.Paulo desta segunda-feira (30/5)

Muita falação se tem deitado sobre o fato de o ministro Antonio Palocci ter participado de uma sociedade de consultoria empresarial que, em quatro anos, teria auferido recursos suficientes para a aquisição de um escritório para sua sede e, como investimento, um apartamento em área nobre de São Paulo.

Desabou o mundo com a divulgação do fato pela Folha, reeditando-se, em quase todos os meios de comunicação, o fenômeno caracterizador dos que querem aceitar o pior para o seu semelhante: a suspeita gratuita, a maledicência temerária e a condenação sumária.

Tal postura não é nova e seria imanente à idiossincrasia da opinião pública (ou da opinião publicada que a deforma?), já que, nestes tempos bicudos de delatores premiados e de denuncismo avassalador, nenhum êxito pessoal é facilmente aceito como legítimo fruto de trabalho honesto e competente.

Há quem pense que por trás de todo sucesso há sempre um crime ou, no mínimo, "flexibilizações" éticas. Trata-se aqui do "pesadelo brasileiro", êmulo do "sonho americano", que condena à execração o sucesso individual, mesmo que seja o resultado de árduo labor e do mais inquestionável talento.

A despeito de gerar riquezas e criar postos de trabalho, o empreendedor é logo apontado como desonesto ou sonegador. A razão da deformidade se explica por se mostrar doloroso à mediocridade assistir à eficiência e à competência dos que logram construir e edificar no plano material ou intelectual.

Daí o "delenda Cartago" imediatamente lançado, qual irrevogável "sharia", contra os que têm a audácia de trilhar o caminho da ascensão. No caso da consultoria em questão, os suspicazes de plantão afirmam ser intolerável que possa ter tido um faturamento bruto de R$ 20 milhões num período de quatro anos (ou seja, 48 meses).

Tal quantia, dividida pelos meses indicados, resultaria em uma receita mensal bruta de R$ 416 mil, dos quais se deduzem impostos, contribuições, taxas, salários etc.

Há, na iniciativa privada, remunerações muito maiores, máxime no setor da comunicação de massa.

Por quê, então, a devastação moral se não há notícia do mais tênue elo entre a consultoria e qualquer atividade pública? O estrépito se dá pela visibilidade do personagem?

Entende-se o propósito demolitório da oposição. É o jogo político da busca do poder pelo poder. Com o que não se atina, porém, é a volúpia sem freios com que outros setores da sociedade se dedicam à faina demolitória da honra das pessoas.

Seria cultural isso? Schopenhauer aludia a uma palavra — intraduzível em português — que definiria a disposição exterminadora do presente e do futuro das pessoas: "schadenfreude". Significa um sentimento de genuína felicidade que se experimenta pelo infortúnio e pelo sofrimento do próximo.

Aqui, "schadenfreude" explica?

Se não, parece adequada uma mudança de atitude, consistente na verificação mais acurada dos fatos (e boatos) antes de se propalarem leviandades, repercutirem imputações destituídas de fundamento e vociferarem inconsequências. Tanto mais avulta tal responsabilidade quanto intocável se mostra o direito à livre informação. No caso específico aqui versado, a ninguém é dado ignorar que a lei impõe sigilo total a contratos em que se acha estipulada cláusula de confidencialidade, definindo a sua violação como crime punido com prisão (artigo 154 do Código Penal), além de sujeitar o violador à indenização para reparação de danos materiais e morais sofridos pela parte inocente.

Por fim, para os que insistem que sejam violadas as cláusulas de sigilo, essa mesma lei penal (artigo 286) adverte: "Incitar, publicamente, a prática de crime: pena-detenção de três a seis meses e multa". A lei, não se deve olvidar, é a medida de todas as coisas.

José Roberto Batochio

é advogado criminalista, ex-presidente nacional da OAB (1993-95) e ex-deputado federal pelo PDT (1998-2002).

Marcos Alves Pintar disse:
30 de maio de 2011 às 13:20

Não faltam aqueles prontos a defender quem está no poder. Palocci é um dos homens mais poderosos do mundo no momento. Foi acusado de cometer irregularidades no governo em 2005, o que determinou seu afastamento, e até o presente momento há uma imensa incógnita em torno do caso devido à lentidão do aparelho jurisdicional. Saiu de cena por algum tempo mas continuou a trabalhar duro nos bastidores, elegendo Dilma com seu poderio sem que 99% dos eleitores soubessem quem comandava a campanha política. É realmente um homem de bastidores, que conhece as entranhas do poder público no Brasil melhor do que ninguém, extremamente apto ao "toma-la dá cá" típico dos políticos brasileiros. Tinha muito a dar em sua suposta consultoria, e pelo jeito teve muito a receber no "dá cá". O que se vê, na verdade, é um imenso silêncio sobre o caso diante da gravidade da situação.

Radar disse:
30 de maio de 2011 às 19:31

No Brasil, todo mundo é culpado até que prove o contrário. Se se tratar de uma carcaça vistosa como a do tukano-de-coração e insípido Palocci, última esperança de uma oposição inepta e totalplégica, os urubus cravam os bicos até o subsolo. Sem contar o fogo (ini)amigo, ou seja, dos urubus de casa e uma mídia descaradamente partidarizada. Trata-se de uma guerra com diversos, distintos e nada nobres setores envolvidos. E, como em toda guerra, a primeira vítima é a verdade. Se é que ela mesma um dia existiu.

hammer eduardo disse:
30 de maio de 2011 às 20:03

Esse Dr.Batochio realmente é uma figuraça que ja tive a oportunidade de ver na TV algumas vezes , muito simpatico e bom de papo , é daqueles que vendem ventilador no meio do Oceano Atlantico mesmo considerando-se a distancia da tomada mais proxima.
Pena que via de regra so vejo o distinto defendendo figuras digamos assim "nauseantes" como é o caso agora. Realmente a (maldita) Imprensa esta sempre "urubuzando" por perto de archote na mão pronta para queimar as cruzes e seus "acorrentados" , GRAÇAS A DEUS que Ela existe !
Ca pra Nós Dr.Batochio , levemos em conta a "folhinha corrida" do rotundo barba-mal-feita de Ribeirão Preto : Primeiro foi o escandalo na coleta de lixo quando foi prefeito , tudo veio a publico e caiu nas calendas como sempre graças a "habilido$o$" e cari$$imo$ advogados "quase" do mesmo calibre do Doutor em questão. Depois foi o caso do Caseiro Francenildo que não teve como varrer o elefante para baixo do tapete. Como isto aqui é uma conhecida ZONA , basta afastar o meliante em questão por uns tempos que depois voltam com a cara mais lavada do mundo como se nadinha tivesse acontecido , exemplo maior desta nobre categoria de RATAZANAS é aquele REPUGNANTE do renan CANA-lheiros que chegou ao ABSURDO de ser ministro da justiça ( qua qua qua, só rindo muito , so aqui mesmo minha gente, a Casa da Eni em Bauru perde de longe). Agora o nobre Doutor tenta provar que na realidade não existe nenhuma bandalheira , afinal qualquer tupiniquim normal consegue multiplicar por 20 seu patrimonio em 4 anos , nada mais normal. Creio que se Hitler tivesse saido vivo de seu bunker em Berlim em 1945 e tivesse a "assessoria" do Dr.Batochio, ficaria provado que tudo era um "mero engano" , te cuida Renato Aragão!!!

Richard Smith disse:
31 de maio de 2011 às 01:02

Repugnante o "jornalismo" chapa-branca praticado nos dias de hoje e a conduta dos que tem opiniões de aluguel.
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O sr. Batocchio, a exemplo do seu CLIENTE, deveria deixar claro que defende interesses e que a sua crítica não é isenta ou despida de interesses.
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Depois, como consultor de empresas, posso garantir que ao contrário do que "botoqueiro" articulista afirma, a confidencialidade, salvo casos estritissimos, não abrange a circunstância de a empresa "x" ter sido cliente ou não e do valor pago de honorários. A confidencialidade abrange tão somente o objeto dos exames (e apenas às vezes) e, principalmente, o resultado da dita consultoria, ou seja, os problemas detectados e as soluções propostas/implantadas.
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O resto é conversa para novilhos cochilarem porque para bois velhos, raçudos, não funciona.
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Mas "nestepaiz" aonde CRIMES são "equívocos"; CRIMINOSOS, "aloprados"; aonde o COAF (será?) percebe R$ 54 mil de movimentação na conta de um caseiro e nenhuns milhões na conta de "consultores" (aliás, falaram muito da casa de 500 m² do indigitado, mas poucos se deram conta de que ele mora atualmente num apartamento de 680m² na Vila Nova COnceição, de frente para o Ibirapuera!) e aonde também criminosos confessos demoram anos para começar a cumprir ridícula (na prática) pena, o quê dizer, não é mesmo?

lusojunior disse:
31 de maio de 2011 às 05:45

O nobre articulista, no afã de tentar dar lastro à sua argumentação nos apresenta um calculo em que justificaria a plausibilidade do enriquecimento do ministro, dividindo seu extraordinário lucro de 20 milhoes como consultor no periodo de quatro anos.
Sonega entretanto que esse lucro se refere apenas ao ano de 2010, e que metade desse valor (será que eu acerto, deixem pegar uma calculadora...), ou seja, 10 milhões, foi auferido nos últimos dois meses do ano passado.
O culpado? Certamente o MEC.
Distribuição de óleo de peroba e tabuadas se faz extremamente necessário.

Citoyen disse:
31 de maio de 2011 às 09:05

Bom, como não ouvi resposta a esta indagação que farei, eu a vou formular.
Ora, já sei que o Ministro tem uma empresa que ele declara ser de CONSULTORIA ECONÔMICO-FINANCEIRA.
Ora, já sabemos que o Ministro Mailson, que tem uma excelente empresa de consultoria econõmica, ajudou à esquematização da empresa do Ministro Palocci, porque ele própria teria declarado aos jornais.
Ora, pelo princípio inscrito na Constituição ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em função da Lei. Pela Lei de Introdução ao Código Civil, ninguém pode descumprir a lei alegando que não a conhece.
Se tudo isso assim é, QUAL é, mesmo, O NÚMERO DE INSCRIÇÃO da EMPRESA de CONSULTORIA do MINISTRO PALOCCI no CONSELHO REGIONAL de ECONOMIA; ou no CONSELHO REGIONAL de ADMINISTRAÇÃO; ou em QUALQUER OUTRO CONSELHO PROFISSIONAL, já que ele é MÉDICO?
Ou será que todas as CONSULTORIAS foram dadas em carát er MÉDICO, para a cura dos males que os problemas econômicos dos Consulentes provocaram?
Sim, porque não podemos nos esquecer que os males econõmicos normalmente têm consequências financeiras e essas são a consequência de graves MOLÉSTICAS físicas e psicológicas, muitas delas, inclusive, tendo levado as vítimas ao suicídio.
Portanto, só não entendo por que os CONSELHOS REGIONAIS, até agora, não se manifestaram para, pelo menos, dizerem que NÃO HOUVE EXERCÍCIO ILEGAL de ATIVIDADE PROFISSIONAL que deveriam fiscalizar!

Marcos Alves Pintar disse:
31 de maio de 2011 às 12:33

Bom, se seguirmos a lógica exposta pelo colega Citoyen parece que Palocci na verdade, ao invés de prestar consultoria médica, FAZIA MILAGRES. Alguém deve avisar o Papa, a fim de que seja canonizado.

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