O Ministério da Educação, através do Programa Nacional do Livro Didático, distribuiu cerca de 485 mil exemplares do livro “Por uma vida melhor”, da coleção “Viver, Aprender”, aos alunos do ensino fundamental e médio do Brasil. Ressalte-se que a publicação é editada desde 1998, pela Ação Educativa.
A referida publicação vem recebendo toda a sorte de críticas por relevar ou, até mesmo, aceitar, erros de português. O texto do mencionado livro é cristalino, senão vejamos o trecho ora destacado:
“Você pode estar se perguntando: “Mas eu posso falar ‘os livro?’”
Claro que pode. Mas fique atento, porque, dependendo da situação, você corre o risco de ser vítima de preconceito lingüístico. Muita gente diz o que se deve e o que não se deve falar e escrever, tomando as regras estabelecidas para a norma culta como padrão de correção de todas as formas lingüísticas. O falante, portanto, tem de ser capaz de usar a variante adequada da língua para cada ocasião”.
A leitura do trecho acima transcrito é de simples, rápida e fácil compreensão. Não há delongas no entendimento das assertivas trazidas à colação: o livro “Por uma vida melhor” admite ser possível que o seu leitor fale o termo “os livro” como, sem dúvida, possível também seria utilizar os termos “as pessoa”, “os carro” ou “nós vai”.
Outro trecho do citado livro, através da frase “os menino pega o peixe”, afirma que o substantivo comum “menino” refere-se a terceira pessoa “com idéia de plural”, tendo em vista o artigo definido “os”. Vale repetir a assertiva anterior: um substantivo comum escrito no singular, segundo a publicação, pode ter “ideia” de plural, bastando a ele aplicar o artigo definido que conceda essa possibilidade.
De clareza solar, como a intenção da publicação ora em comento, também é a regra inserta no artigo 13 da Constituição da República:
“Art. 13. A língua portuguesa é o idioma oficial da República Federativa do Brasil”.
Não há dúvidas, outrossim, que o Brasil é signatário do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, promulgado através do Decreto nº 6.583/08 e em vigor desde 1º de janeiro de 2009.
Cumpre ressaltar que o livro “Por uma vida melhor” não visa lecionar um dialeto regional admitido no país ou outro idioma oficial. A publicação, escrita no idioma oficial do Brasil, qual seja, o português, admite erros, pelos mesmos se tratarem de uma linguagem popular.
O mencionado livro, inclusive, em diversos trechos, confere ao leitor a opção de utilizar a linguagem correta ou a errada: tal uso dependerá da situação, que ficará sob o julgamento do próprio locutor.
É evidente que a utilização desse tipo de publicação não traz benefícios a qualquer pessoa que o lê, sobretudo àqueles que estão no momento de sua formação educacional, quais sejam, os estudantes do ensino fundamental e médio. É nesse momento que os cidadãos preparam-se para o futuro. A base educacional, na maioria das vezes, definirá os rumos que cada pessoa tomará.
O livro “Por uma vida melhor” não visa, em uma primeira análise, proporcionar “uma vida melhor” aos seus leitores. A afronta ao texto constitucional é flagrante. O português, sem suspeita, não é lecionado na citada publicação. O que se leciona é um idioma diverso daquele adotado pelo Brasil, porém, com grafia semelhante ao português. Há violação, outrossim, às regras constantes no Decreto 6.583/08, cujo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa promulga, e que é adotado, além do Brasil, por República de Cabo Verde, República de Guiné-Bissau, República de Moçambique, República Portuguesa e República Democrática de São Tomé e Príncipe.
Se tal medida educacional prevalecer, o “novo português” oferecido pelo Ministério da Educação irá de encontro ao português constante nas provas de vestibular e concursos públicos. É evidente que grafia e fala lecionadas de forma equivocada irão prejudicar o cidadão que está sendo formado. Curioso será o caso, também, daquele que, de posse mental do “novo português”, empregar o termo “os ônibu que nós pegamo quebrou” ao tentar explicar ao chefe a razão por ter atrasado na chegada ao local de trabalho. Pela ótica do livro, a assertiva acima está correta, pela ótica do chefe, soará claramente como ignorância do seu funcionário.
Não pode o livro, ainda, conferir “livre arbítrio” ao locutor para empregar as duas modalidades lecionadas. Se há um modo correto, há que se lecionar apenas esse, abolindo o modo incorreto. Se houver confusão, pelo locutor, no emprego desses termos, poderá por em risco seu trabalho ou uma determinada prova que estiver realizando.
É fundamental que o Ministério da Educação retire de circulação todos os exemplares do livro “Por uma vida melhor” e proceda às correções necessárias. Do contrário, estar-se-á violando um idioma cujo acordo ortográfico foi assinado por seis países e inserto no texto constitucional brasileiro. Ademais, erros, até então, eram aprendidos nas ruas, nunca nas escolas.

A estratégia do que chamam de "Partido" dos Trabalhadores é manter a população no nível mais elevado possível de ignorância, aguardando as migalhas do bolsa família em troca de votos. Cartilhas e livros ensinando errado, diante da ausência completa de qualquer responsabilização, passarão a ser a praxe de agora em diante, enquanto o aluno bate na cara da professora (que se ao menos se defender é demitida e processada criminalmente).
Eu nasci há dez mil anos atrás, quando a escola pública era infinitamente melhor que a particular. Aliás, o discriminado era o aluno da escola particular, pois, a ele se atribuía estar na escola particular onde, dizíamos, quem pagava passava.
Hoje os tempos, infelizmente são outros, pois, tal distribuição de livros é destinada às escolas públicas fomentando a formação de levas e levas de analfabetos funcionais, que posteriormente serão incluídos em cotas em universidades, pois por óbvio não podem concorrer com alunos vindos de escolas particulares. Este é o triste paradoxo do ensino no nosso (nosso???) planeta Brasil.
As críticas são precipitadas. O livro não estimula nem falar nem escrever errado. Mostra a forma certa e adverte para a necessidade de muita leitura para dominar a norma culta do idioma, pois há situações em que não se pode afastar dela. No Capítulo I mostra-se que escrever é diferente de falar. E é mesmo. É possível fazer-se entender sem atender plenamente às regras gramaticais e ortográficas. A língua falada sofre variações regionais. "Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa, uma das maiores obras-primas da literatura, deve ser banida? Várias composições antológicas da MPB deixam de lado o português formal. “Saudosa Maloca”, de Adoniran Barbosa, “Vaca Estrela e Boi Fubá”, de Patativa de Assaré. Quem não entende? Aprende-se a falar em casa, muito antes de ir à escola. A função da escola é ensinar a ler e escrever, e é óbvio que tem de fazê-lo segundo as regras oficiais, primar pela técnica, mas é salutar que o aluno, ao mesmo tempo em que aprende regras formais, tenha oportunidade de desenvolver o senso crítico. Saber pensar tem de vir antes de saber falar. O aprimoramento da linguagem falada cabe ao aluno, como efeito natural do domínio da escrita. Ao referir-se à fala popular como uma variante da língua, o livro é honesto, deixa a cargo do aluno a escolha de quando empregar, convida-o a pensar. Não se recusa um convite assim. Mais contato com a linguagem correta propicia mais naturalidade no seu uso falado ou escrito. É essencial ler muito, pensar. O brasileiro lê pouco, tem preguiça de mexer os neurônios. Vejo erros crassos no texto acima: "pelos mesmos se tratarem de uma linguagem popular", "não traz benefícios a qualquer (nenhuma) pessoa", "por" (verbo pôr) Quem critica precisa ter conhecimento. A propósito: não sou petista nem professor.
Prezados,
Está correto o uso da vírgula depois de "aceitar", como o fez o subscritor?
É que, salvo engano meu, não se deve separar, por vírgula, o verbo do objeto (no caso, direto) da oração.
Mas eu entendi perfeitamente o texto, que está muito bem escrito etc.
Concordo integralmente com Paulo, o livro é muito bom. A crítica ao seu conteúdo teve início por má-fé, na medida em que a imprensa, inicialmente, divulgou os trechos escritos "de forma equivocada", sem apresentar o contexto em que eles se inseriam. Depois, vieram algumas críticas nitidamente puritanas, pregando que os brasileiros deveriam ignorar sua própria cultura, da qual faz parte a língua falada, categoria na qual se insere o texto acima. Por fim, há outros erros no texto além dos referidos por Paulo, como pode existir algum, ou alguns, nesse meu comentário, o que serve somente para demonstrar que o bom uso da linguagem ocorre quando se atinge o seu objetivo precípuo: a comunicação, e não para acentuar diferenças sociais ou culturais.
O articulista deixou claro, tão-somente, que sabe dois ou três artigos da CF e quase nada de estudos linguísticos. Também pudera, o camaradinha é advogado!O mais engraçado, ainda, é o coro fascistóide dos comentaristas, que desfilam desavergonhadamente as suas ignorâncias - linguística, sociológica, epistemológica etc -, e responsabilizam o PT por um descaso com a educação brasileira que já dura mais de quinhentos anos! É claro que os comentaristas não estão falando sério; na verdade, estão lançando chistes, gags e gracejos propedêuticos. Não fosse essa a intenção, jamais um comentarista misturaria Didática("a estratégia do PT é manter o populacho na ignorância extrema"), Política Econômica ("a bolsa família é composta de migalhas de reais") e Direito Eleitoral ("a bolsa família é prática contumaz de crime eleitoral") num mesmo parágrafo! Seguindo a programação humorística, outro comentário - ferindo, por completo, a lógica cartesiana -, afirmou que os intelectuais brasileiros - por suposição, pois não deixou claro -, são burros de esquerda (?!), seguindo com uma dissociação esquisita entre termos absolutamente xipófagos: conhecimento e cidadania. Sem falar, claro, da confusa correlação histórica inserta na expressão "idiota revolucionário", pois o próprio Hitler - um belíssimo exemplar de um revolucionário idiota de direita -, se amolda perfeitamente à precária definição "filosófica" do comentarista. Daí a certeza de que ninguém sequer folheou o livro da professora; nem outros de linguística; tampouco alguns de filologia românica. E já que adentramos no mundo das cartilhas escolares, de ver-se, escancarado - na infantilidade intelectual dos comentários -, o resultado de uma educação à moda antiga, cujos netinhos continuam vendo a uva do vovô.
O raciocínio do autor é simplista e apressado, mas está correto seu repúdio ao patrocínio estatal à obra com esse conteúdo. Enquanto que o autor do livro tem direito, e, concedo, até alguma razão, à sua interpretação das palavras não flexionadas como uso legítimo do idioma, o professor tem a obrigação de seguir e deixar claro qual é a norma culta. Falar errado é comum, é normal, é típico de uma realidade linguística, pode ser legítimo e até aceitável, mas não é correto. Sustentar que não há diferença entre certo e errado, aceitar que tudo vale, só tem diferentes conveniências, é um erro e um desserviço à educação.
Caro Fernandinho, quem falou em curso de Direito? O Bacharelado é uma titulação acadêmica, que não está relacionada, somente, ao curso de Direito. Eu, hein, é como você mesmo disse: não sabe sequer o básico!
Nem háo que se discutir, penso que "os livro" tprecisam ser retirados do mercado. Como se não bastasse o fato do Brasil estar em 85º lugar em educação e ninguém reclama, foi eliminado da Copa América e todo mundo ficou triste!
Olha, não sou advogada, sou psicóloga, autora de 5 livros e dezenas de artigos em Psicologia Jurídica, e tenho vergonha e preocupação com a língua portuguesa ensinada nas escolas, corrijo meus filhos todas as vezes porque sempre aparece algum coleguinha menos instruído e fala algo errado, incentivado por pais "inguinorantes".
Salvo engano meu, um dos motivos mais fortes de reprovação na OAB consiste em erros de gramática, ortografia e lógica redacional. Quem defende "os livro dos inguinhorantes" deveria parar e repensar isso!
Conheço comunidades que incentivam a "inguinhorança" porque, quando uma criança começa a estudar mais e quer falar corretamente, é vista como "fresca" Dá para entender? Coincidentemente, são comunidades onde falta educação, saúde, infra-estrutura, saneamento básico, alto índice de homicídios (embora os moradores "inguinhorante" não queiram asfalto nas ruas para não atrair ladrões(que vêm de "heliocópto", "é craro"!!!
Como não sou polido como o autor do artigo,acrescento que não foi apenas o art.13 da CF que foi violadomas todos os incisos do art. 3º também.Aprendendo a falar errado, a sociedade será ainda mais injusta,pois o VERDADEIRO idioma será um luxo de poucos(inciso I);logo,o desenvolvimento nacionar ficará ainda mais comprometido(II);ocasionando a proliferação da pobreza e das desigualdades sociais(III) e por fim,serão vítimas do próprio ensino que tiveram, pois ao concorrerem com alunos de escola que ensinaram o português corretamente,não terão qualquer chance.Temos ainda afronta aos art.205;206,VII e obviamente o art.1º,III. Mais dinheiro circulando não é sinal de desenvolvimento,mas de mero aumento no consumo. Somente com educação um país avança, a violência diminiu e a tolerância cresce.
Como dizia Monteiro Lobato, "um país se faz com homens e livros", ele deve estar se revirando no caixão. Fica o consolo de quem não está presenciando a morte de seu país. Tiririca se enganou, pior do que está, fica, SEMPRE FICA.
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