Eduardo Azeredo encabeçará Inquérito do mensalão

Nos próximos dias, o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, vai protocolar no Supremo Tribunal Federal uma denúncia contra o esquema já popularizado como mensalão mineiro. O documento deve ficar pronto até o final do mês. No Inquérito do mensalão, a lista era encabeçada pelo ex-ministro e ex-deputado do PT José Dirceu. Já, no esquema mineiro, o senador tucano Eduardo Azeredo encabeçará a lista, informa o O Estado de S. Paulo.

Segundo relatório da Polícia Federal, cuja íntegra foi divulgada pela revista Consultor Jurídico, Azeredo é apontado como mentor e principal beneficiário do esquema de arrecadação ilegal de recursos nas eleições de 1998, quando ele disputou — e perdeu para Itamar Franco — a reeleição ao governo de Minas.

O relatório relaciona 36 envolvidos, entre os quais o atual ministro das Relações Institucionais e então vice-governador, Walfrido Mares Guia, o publicitário Duda Mendonça e o empresário Marcos Valério, também operador do mensalão montado no governo Lula a partir de 2003. A inclusão ou não de Mares Guia na denúncia ainda depende da análise de alguns documentos de defesa.

A lista inclui, ainda, os coordenadores da campanha de Azeredo, dirigentes de estatais mineiras e executivos de empresas, sobretudo empreiteiras, que tinham negócios com o governo e fizeram grandes doações sigilosas.

Segundo o relatório da PF, a coligação de Azeredo, que tinha como vice o ex-deputado Clésio Andrade, do PFL (atual DEM), promoveu um derrame de dinheiro ilegal na campanha, por meio de caixa 2. A coligação só declarou à Justiça Eleitoral R$ 8,55 milhões, dos mais de R$ 80 milhões gastos na campanha, sem contar os R$ 20 milhões que ficou devendo.

Do total gasto, conforme perícia contábil realizada pelo Instituto Nacional de Criminalística (INC), R$ 10,8 milhões foram doados a mais de 170 candidatos de 19 partidos. A diversidade de beneficiários levou a PF a designar o escândalo de mensalão mineiro, em vez de tucano.

Em número de candidatos beneficiados com recursos do mensalão mineiro, o PT ficou em primeiro lugar, com 35 nomes, mais que a soma de PSDB (13) e PFL (14). Até para o PMDB, partido de Itamar, a coligação mandou R$ 200 mil para cooptar a candidatura de Antônio do Vale a deputado. Entre os candidatos tucanos, o segundo mais aquinhoado foi o atual governador, Aécio Neves, que recebeu R$ 110 mil. Uma vez eleito deputado federal, Aécio veio a se tornar presidente da Câmara.

A denúncia do procurador incluirá instituições financeiras que contribuíram e ajudaram a lavar o caixa 2, que teria sido formado com dinheiro desviado de órgãos públicos e doações clandestinas de fornecedores do governo de Minas.

Na primeira fase, serão denunciados apenas os envolvidos no planejamento e operação do esquema – por corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, falsidade ideológica, crimes financeiros e crimes eleitorais.

Com 172 páginas, o relatório é assinado pelo delegado Luiz Flávio Zampronha e está sendo analisado por Souza há quase dois meses. Segundo a perícia, o dinheiro veio na maior parte dos cofres públicos de Minas, tanto da administração direta como indireta, sobretudo de cinco estatais: Copasa, Bemge, Cemig e Fundação Duprat. O restante foi doado clandestinamente por grandes empresas prestadoras de serviço do Estado.

Azeredo disse que tem a expectativa de receber do procurador-geral o mesmo tratamento dispensado ao presidente Lula, na denúncia do mensalão.

Luismar disse:
21 de setembro de 2007 às 18:36

O P.G.R. vai querer pena maior que 4 anos?
Porque se for de quatro anos pra baixo, a prescrição já comeu (109,IV, CP).

A.G. Moreira disse:
21 de setembro de 2007 às 18:37

MENSALÃO é coisa do Governo do PT !!!

O que existiu em Minas é o que existe em todos os Estados, com todos os candidatos, a todos os cargos !!!

A única coisa que existe em Minas que é comum com o Mensalão é o mineiro Marcos Valério !!!

Diaz disse:
22 de setembro de 2007 às 08:58

A patota de FHC está com a corda no pescoço. Vamos ver a cobertura desta nossa imprensa corrupta.

Plinio Gustavo Prado Garcia disse:
22 de setembro de 2007 às 09:11

É preciso distinguir financiamento ilegal de campanhas eleitorais e uso de dinheiro público para a compra de votos de parlamentares já eleitos. Compra de votos pelo Poder Executivo.

Se o primeiro caso (financiamento ilegal de campanhas)é grave, o segundo (cooptação de senadores e deputados, membros do Legislativo, pelo Poder Executivo) é caso até mesmo de impedimento do Presidente da República.

O artigo 2o. da Constituição impõe o dever de harmonia e independência entre os poderes da República.

Assim, o termo "mensalão" se aplica apenas a este segundo caso: compra pelo Executivo, com dinheiro público, de votos de deputados e senadores.

Não se há de misturar o que misturado não pode ser.

Embira disse:
22 de setembro de 2007 às 10:33

Esse negócio de “mensalão” nunca existiu: foi criação do Dr.Roberto Jefferson para se defender das acusações que passou a sofrer depois que um funcionário dos correios, órgão que tinha dirigentes indicados pelo PTB, foi flagrado recebendo propina. Jefferson, bom criminalista, entendeu que a melhor defesa é o ataque e saiu atirando contra José Dirceu e o PT. Caixa-dois eleitoral, sim, sempre existiu. Esse que chamam de mensalão começou lá nas Alterosas. Foi engendrado pelo empresário Clésio Andrade (PFL), ex-sócio de Marcos Valério na SMPB e Eduardo Azeredo, ex-presidente nacional do PSDB. O objetivo era derrotar Itamar Franco a qualquer custo, mas, o topete acabou vencendo e peitou FHC, impedindo que a privataria atingisse Furnas. Estranhamente, porém, resolveram investigar o “mensalão de trás para frente. Talvez haja razões técnico-jurídicas; talvez, mera conveniência política. O certo é que o momento político é bom para se falar em “mensalão mineiro”, já que Aécio Neves está aí para ameaçar as pretensões de Serra. Ficam, porém, as perguntas: 1) Cláudio Mourão não será incluído entre os investigados? No mensalão petista a imprensa execrou o tesoureiro Delúbio Soares, do qual diziam ter “olhar mortiço”. Como é o olhar de Mourão? 2) A Veja não vai colocar as figurinhas dos mensaleiros mineiros, naquele velho estilo “wanted”? 3) Se o esquema foi comandado por FHC para derrotar Itamar Franco, esse mensalão é mineiro ou tucano?

dinarte bonetti disse:
22 de setembro de 2007 às 11:20

Estamos assistindo o inicio da ética no Ministerio Publico?
Afinal, o PT foi premiado com toda a carga da midia e do MP, com fins claramente eleitorais. Ética, então, necas.
Não saberemos nunca porque somente agora, finalmente, passamos a assistir o sofrimento do PSDB com o mesmo mal.
Dizer que caixa dois é diferente de mensalão, é piada sacada dos ditos novos ofendidos. Para o consumo externo, pode até pegar, mas a realidade é que o esquema de reeleicao do FHC (com a qual concordei na época), foi banhado das aguas dos caixa dois, vulgo mensalão, no mesmo processo.
O interessante é que a mídia anti-Lula, e sem nenhuma ética, achovalhou uns e esqueceu de outros.
Considero uma deformação querer salvar o PT do absurdo que cometeu. Mas se quisermos a prática real da democracia, a evolução de nossas instituições, temos que parar com a hipocrisia, temos que ir a fundo na questão, chamando o Sen. Azeredo e seus "caixas" a explicarem o inexplicavel.
Essa famigerada midia golpista hoje esta numa situação complicada.
O governo federal os deixou a pão e água, apos a facada nas costas na historia da reeleição ( a compra do dossiê, armado pela policia federal ala PSDB).
O governo Lula sera saco de pancadas ate o final de seu mandato, por essa midia, que esta cobrando caro a penuria a que foi condenada.
Mas Lula sai e vai para sua casa. A midia, corre o risco de ficar falida, e absorvida por grupos da area, menos comprometidos.
A não ser que assistamos, por aqui, a solucao Norte Americana para este tipo de problemas: o assassinato do Presidente.
Cuide-se presidente, pois a coisa pode ficar feia.

A.G. Moreira disse:
22 de setembro de 2007 às 11:42

Na verdade, os "servidores" deste governo , tentam JUSTIFICAR e desculpar os seus CRIMES, alardeando e apresentando crimes de outros !!!

Ou seja :

SOU !!! - MAS QUEM NÃO É ????

mario disse:
22 de setembro de 2007 às 13:17

O SENHOR PROCURADOR DA REPÚBLICA NÃO DEVE POR BOM SENSO, PERMITIR QUE SE APELIDE O "MENSALÃO" DA TURMA DO PSDB/PFL(DEM) DE "MENSALÃO MINEIRO".
O CHAMADO MENSALÃO FOI APELIDADO PELO EX-SENADOR ROBERTO JEFERSON, ALIÁS, TANTO O SENADOR COMO TODOS OS POLITICOS SABIAM DO MARCOS VALÉRIO (VALERIODUTO), QUE TINHA COMO SÓCIO NA DNA PROPAGANDA O VICE DO GOVERNADOR DE EDUARDO AZEREDO, SR. CLÉSIO ANDRADE.
TEM QUE DAR O MESMO NOME (APELIDO), POR MOTIVO DE "AUTORIA". A QUALIFICAÇÃO DE QUADRILHA, AOS "ATORES" DESTE ATO DA HISTÓRIA DO "MENSALÃO", NÃO PODERÁ SER DIFERENTE DA QUALAIFICAÇÃO DOS ATORES DO OUTRO ATO, (OPORTUNO DIZER QUE HOUVE TROCA DE APRESENTAÇÃO DOS ATOS, O 1° ESTÁ SENDO O SEGUNDO E O 2º
FOI O 1°...AINDA HÁ TEMPO DE CONSERTAR.
SEM MAIS
MARIO

mario disse:
22 de setembro de 2007 às 13:23

SUGIRO AOS LEITORES E COMENTARISTAS DESTE ESPAÇO QUE PROCUREM LER DE INTEIRO TEOR O RELATORIO FINAL DA CPMI DOS CORREIOS. `ÀS PÁGINAS DO REFERIDO RELATÓRIO, 935 A 1.100 MAIS OU MENOS OS SENHORES FICARÃO MENOS À VONTADE AO TENTAR DIZER QUE ESTE "MENSALÃO", O "VALERIODUTO", SÃO "CRIAÇÃO" DOS PTISTAS OU DO GOV LULA. LEIAM E NADA PRECISO COMENTAR...ESTÁ RELATADO, ESCRITO...
SEM MAIS
MARIO

A.G. Moreira disse:
22 de setembro de 2007 às 14:39

Na verdade, os "servidores" deste governo , tentam JUSTIFICAR e desculpar os seus CRIMES, alardeando e apresentando crimes de outros !!!

Ou seja :

SOU !!! - MAS QUEM NÃO É ????

allmirante disse:
22 de setembro de 2007 às 16:55

Recém aparece a ponta do iceberg. Marcos Valério, de Minas para o Brasil. Que o trouxe à Brasília? Seria a compra de votos para alterar a constituição para legitimar a reeleição? Seria participar da festa do PROER? Das privatizações? Estaria o acreca metido no SIVAM também? Na Telebrás? O que? Na campanha de FHC também? Vai ver que é por isso que se juntaram ao PT, no Banco Central, no Ministério da Defesa, e em inumeras autarquias, empresas publicas e privadas coligadas.
Mas essa de o mensalão ter sido instituído para a compra de votos já tinha ouvido falar, antes mesmo de Jefferson. E antes da divulgação do falso dossiê Caymann, sei que tem o verdadeiro. Lá se encontram 30 bilhões, em notas de 100,- desaparecidas desde a noite de 15 de novembro de 1995, quando o ministério da Fazenda estava iluminado. Desde então, o povo está na penumbra.

Luís da Velosa disse:
22 de setembro de 2007 às 21:39

Duvido... Isso não é prática de políticos. São marginais, inimigos da nação e do Estado... lesas-pátrias. Que vultos hitóricos teremos no futuro?!

gilberto prado disse:
23 de setembro de 2007 às 11:37

Diante da impunidade e da fragilidade da Justiça Eleitoral, o caixa dois em campanha politica é praxe, rotina que incorpora a vida dos nobres politicos.No estado de São paulo , não foi diferente, em 1998, a campanha de reeleição de Mario Cova/Geraldo Alckmin, teve recursos de estatais e empresas do governo. Da CIA.DE SEGUROS DO ESTADO DE SÃO PAULO, foram desviados 13 milhões de reais. Nas eleições de 2002, A reeleição de Alckmin, teve o reforço de caixa de campanha , verba proveniente do aditamento de contrato em 70% das obras do rodoanel.Tudo isso, diante das barbas do Ministerio Público. O resto é perfumaria!!

Anselmo Duarte disse:
24 de setembro de 2007 às 18:42

E, ainda não se falou da distribuição dos pedágios nas rodovias, ferrovias, aerovias, bancos, obras que nunca se justificam, enfim.... como diria aquele personagem da literatura inglesa, cujo nome do autor não me atrevo escrever, pois com certeza errarei. "Existe mais... entre o céu e a terra que a nossa vã imaginação possa atingir". Como podemos achar que estes que, hoje, acusam outros, não possam amanhã serem acusados? Uma coisa é certa: Jamais seremos os mesmos...

Anselmo Duarte disse:
24 de setembro de 2007 às 18:50

Para complementar: Certa vez fui apresentado a um ex-vereador, durante a sua legilatura, perguntaram-lhe como ele decidia o seu voto nas diversas matérias, se, por partido ou por acreditar na matéria? Ao que respondeu sem qualquer dúvida: Voto naquele que me pagar mais. Confesso que na ocasião não consegui entender. O que clareou foi a divulgação pela imprensa, aquela que acobertou por muito tempo, do mensalão. Será que os articulistas levavam algum e de repente a fonte secou e eles resolveram divulgar? Ou mudaram as moscas? Pois o fedor continua.

Bira disse:
02 de outubro de 2007 às 11:41

Segundo a Folha, são mensaleiros diferentes e ambos devem ser punidos.
A questão é, o chefe irá pagar com a perda do mandato?

www.professormanuel.blogspot.com disse:
23 de novembro de 2007 às 11:38

Faço outra pergunta, bira, qual a diferença do chefe eduardo para o chefe luís???

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