Facamp é a melhor novidade no ensino do Direito

Em meio ao grande alvoroço provocado pela nebulosa avaliação das escolas de Direito, divulgada pelo Ministério da Educação (MEC) na semana passada, floresceu uma verdade incontestável: há uma nova instituição de ensino do Direito de excelência na praça. Trata-se da Faculdades de Campinas, que já vai se tornando popular com o nome de Facamp, e que formou sua primeira turma de bacharéis em 2006.

A Facamp reivindica um índice de aprovação de 88,9% no Exame de Ordem da OAB-SP. Os números não batem com os informados pela própria OAB, que dá conta de uma taxa de sucesso de 64,86% no primeiro exame feito este ano (131) e de 52,94% no segundo (132). Mas nenhuma das duas versões estatísticas está muito distante da realidade: dos 37 alunos formados pela escola em sua primeira e única formatura em 2006, nada menos que 33 já estão com a carteira de advogado na mão. O que dá um índice próximo ao propalado pela escola.

O sucesso da instituição se revela também por uma taxa de empregabilidade próxima da plenitude: segundo dados da própria Facamp, de cada 10 profissionais formados em seus bancos de estudo, nove estão empregados. Além do Direito, a estatística inclui também as outras áreas de ensino da Facamp: Administração, Design, Propaganda e Marketing, Jornalismo, Economia, Engenharia de Produção e Relações internacionais.

Tanto o curso de Direito, que recebeu nota 5, quanto os cursos de Jornalismo, Propaganda e Design, obtiveram nota máxima na avaliação do Enade, o Exame Nacional de Avaliação de Estudantes, feito pelo MEC.

Filhote da Unicamp

Com apenas sete anos de existência, a Facamp é ainda uma criança. De boa família, diga-se de passagem. Ela é conhecida também como filhote da Unicamp, a Universidade Estadual de Campinas, centro de excelência universitária com reconhecimento mundial. O apelido vem do fato de os criadores da escola serem todos ex-professores da Unicamp: os economistas Luiz Gonzaga Belluzzo, João Manoel Cardoso de Mello e Liana Aureliano. Os dois primeiros são também bacharéis em Direito. No currículo dos três, além de passagens pela administração pública federal e estadual, está a participação no processo de criação da própria Unicamp.

Aposentados da Unicamp, os três economistas decidiram continuar sua vida no magistério. Com a experiência de anos de serviço a uma das melhores universidades do país e com a inclusão na parceria do ex-presidente da Bovespa e da BM&F, Eduardo Rocha Azevedo, criaram a Facamp. “Tínhamos um projeto para criar uma escola que fosse de ciências humanas e que fosse de excelência”, diz Liana.

Numa área de 100 mil metros quadrados, entre os campi da Unicamp e da PUC-Campinas, recortada por bem cuidados jardins, surgiu a Facamp. A escola tem alguns diferenciais. Todos os cursos são em período integral. “Os alunos chegam às 8h e vão para a casa às 17h”, diz Liana. Além de aulas, os estudantes ocupam o seu tempo com sessões de estudo dirigido.

Todos os professores, além da titulação, têm experiência comprovada na profissão. Dos 49 professores que compõem o corpo docente do Direito, 22 são mestres e 14 doutores. Há ainda nove mestrandos e dois doutorandos, além de um livre docente, o coordenador do curso, Alaor Caffé Alves.

Depois da graduação

Outro diferencial da Facamp é o “mentor de egresso”. Além do tutor de turma, que monitora e orienta os alunos, a escola oferece também os serviços de um guia para os novos profissionais formados em seus bancos escolares. Ele acompanha os primeiros passos do ex-aluno no mundo do trabalho, avaliando seu grau de satisfação e sua evolução profissional. É este tipo de acompanhamento permite que a escola tenha em dia o seu índice de empregabilidade.

Com o exemplo de um graduado da escola de administração, Liana conta como funciona o “mentorado”: “O filho de um grande empresário se formou e foi trabalhar na empresa do pai. Ganhava muito bem, mas era super-protegido e não encontrava espaço para se desenvolver”. O mentor fez uma reunião com pai e filho e todos se convenceram de que a melhor solução era o rapaz ir buscar colocação no mercado e voltar à empresa familiar depois de amadurecido. “Hoje ele está empregado, ganha três vezes mais e está feliz com o que faz enquanto espera o momento certo para voltar.”

O currículo também busca se diferenciar. Por exemplo, língua portuguesa e inglesa são disciplinas obrigatórias em todos os semestres do curso. A Faculdade de Direito oferece ainda como optativo o espanhol e em paralelo o aprendizado de outros idiomas, como alemão e mandarim. Também faz parte do currículo disciplinas como filosofia, ciências políticas, sociologia e economia. Além, claro de informática. Outra peculiaridade são as oficinas de trabalho, aulas práticas que permitem ao aluno elaborar peças jurídicas desde o primeiro ano do curso. Estágio, mesmo, só no último ano. E tome aulas. Enquanto o currículo reformulado da USP, ainda a referência dos cursos jurídicos no país, oferece um curso com 2.600 horas/aula, o da Facamp tem 7.300 horas/aula.

Aluno que vai mal nas aulas recebe carta da escola em casa, com cópia para o pai, indagando o que está acontecendo e oferecendo ajuda para a recuperação. “Esse acompanhamento é possível porque temos poucos alunos”, diz Liana. Em toda a Facamp são cerca de 2 mil alunos. No Direito, não mais do que 50 por turma. Dependendo da disciplina e no caso de aulas práticas, no máximo 25 em cada sala.

O próximo vestibular é agora no dia 27 de outubro. Em Direito, a média é de cinco candidatos por vaga. Mas a diretoria não vai aumentar o número de oportunidades. Para ser a melhor, a Facamp escolheu ser pequena.

Maurício Cardoso

é diretor de redação da revista Consultor Jurídico.

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