Diretor-geral da PF defende grampos e prisão temporária

Os grampos usados pela Polícia Federal em investigações não são excessivos e a prisão temporária de cinco dias do acusado é fundamental para evitar que exista manipulação de provas. A afirmação é do diretor-geral da PF, delegado Paulo Fernando da Costa Lacerda, em entrevista publicada nesta segunda-feira (6/12) no jornal Folha de S.Paulo.

Para ele, o grampo é um meio para “chegar a outro tipo de prova, como no tráfico de drogas” e para que seja possível monitorar conversas nas quais é feito o acerto para fraudar uma licitação, por exemplo. Por meio dele, diz, é possível descobrir que houve de fato fraude na licitação.

Na entrevista, Lacerda também afirmou que as investigações conduzidas pela PF nos últimos meses não têm motivação política, como afirmou o líder do governo na Câmara, Professor Luizinho (PT-SP). Desde 2003, foram feitas 52 operações, que resultaram na prisão de 259 servidores públicos, entre policiais, juízes, fiscais e assessores.

De acordo com ele, o volume de operações deflagradas nos últimos meses se deve a uma “parada” das investigações para evitar impactos sobre as eleições municipais. Ele afirmou, ainda, que a decisão foi da polícia e não fruto de quaisquer acertos políticos.

O Martini disse:
06 de dezembro de 2004 às 15:27

É prática comum em países democráticos, desde que autorizado pelo judiciário, o uso de grampos em investigações políciais, assim como as prisões temporárias. O estranho é o diretor-geral da PF necessitar defender o uso e o lider do governo na Câmara afirmar que as investigações têm motivação política. Qual o interesse?

Francisco Lobo da Costa Ruiz - advocacia criminal disse:
06 de dezembro de 2004 às 18:45

Na 1ª Vara Criminal da Capital (processo 1364/03) já há prova de que um telefone que se disse interceptado, na verdade, não o foi pela operadora, conforme resposta negativa. Por onde foi? Será que foi?

Já estamos vivendo a farra dos grampos, tudo sem o menor controle judicial, em alguns casos até com beneplácito judicial, pois o conteúdo bruto nem sempre (ou na maioria das vezes) tem a destinação gizada pela lei específica.

Assim, farto material utilizável para chantagem está em mãos de alguns, que estão impingindo poder para fins ilícitos, o que é uma temeridade.

Em breve teremos escândalos com toda essa permissividade. É só esperar para ver a repetição dos anos 60.

Luís da Velosa disse:
07 de dezembro de 2004 às 01:51

O Sr. Diretor Geral da Polícia Federal, Dr. Paulo Fernando da Costa Lacerda, é um dos homens mais inteligentes que conheci nos últimos tempos, como dizia meu avô. Realmente, ouvir conversas em telefones para evitar crimes parece ser um eficaz estratagema. A prisão temporária para evitar a manipulação de provas, também. Mas, caro Diretor, licitação é um instituto que não é mole não. Conheço de perto, muito de perto, e desafio qualquer mortal que sobre minha honradez, probidade, venha a derramar qualquer óleo quente. Entretanto, se a "turma" for sagaz, aí não tem jeito. Não haverá grampeamentos que viabilizem uma investigação profícua. Se for poderoso, o licitante de má fé, então, pior ainda. O FBI, a CIA ou a Scotland ( olhe que o inglês tem parte com o diabo) ainda não resolveram o problema. Acredito, até, que nem Bin Laden, esse famigerado e inatingível homiziado (inatingível, porque é mesmo. Saddam foi pego; Fidel, caiu, fraturou-se, pediu desculpas e, depois, libertou dissidentes; por fim, Arafat morreu e o Hamas, já disse que não quer acordo com Israel) resolveria o impasse. E tudo se resume no poder e no fascínio da pecúnia.
Quanto à prisão temporária, tenho cá as minhas dúvidas, uma vez que, se o "cabra" for mesmo da pesada, não haverá dias, nem anos, nem séculos, nem nada, que o façam impedir ocultar as chamadas, por assim dizer, improbabilidades ilícitas. Como bem sabemos, o nosso grande erro é nos julgarmos os melhores. Mas, sabemos que não é assim. A Terra, o nosso bobo planeta, está se afastando, a cada ano, mais um pouquinho da Lua. Será um estratagema matemático-fisico? Li, sobre esse assunto, na revista GALILEU, aquele sábio que disse que o Sol era o centro do sistema planetário e não a Terra e(que ela girava em torno de si mesma e orbitava o Sol), depois desdisse (!) diante da Santa Inquisição para repetir a sua convicção assim que saiu do "tribunal". É isso aí. Só no vinho está a verdade: "In vino veritas". Por isso, Cristo, quando inquirido por Pilatos sobre o que era a Verdade, Ele calou-se. Não há registro da sua resposta, a não ser a dúvida se Ele respondeu baixinho. Pilatos suicidou.

Luís da Velosa disse:
07 de dezembro de 2004 às 02:28

"Pilatos suicidou". Gostaria, por oportuno, de dizer que a frase parece errarada, mas está certa: a minha, nossa, mestra em potuguês, essa língua complexa, inquirida se "Há pleonasmo na frase: "João suicidouse"? Ela respondeu: " A rigor, o pronome "se" de "suicidou-se" é redundante porque a idéia de reflexividade já está expressa em "sui", que, em latim, significa "de (a) si próprio". O radical "cid" procede do latim "caedere", "matar". Em outras palavras, suicidar equivale a "matar-se". Grmaticalmente, o correto seria dizer, por exemplo, "Fulano suicidou". Mas o uso consagrou "suicidou-se" e "se suicidou"... A língua nem sempre se submete ao jugo da lógica. O que se diz e escreve é que "Fulano suicidou-se" ou "Fulano se suicidou". Optei pelo jugo da lógica gramatical, ouvindo o ensinamento da mestra MARIA DE LOURDES SIQUEIRA, "LER E ESCREVER'' ( A TARDE, 06.12.2004).

Ismerino José Mendes Junior disse:
07 de dezembro de 2004 às 08:28

ESTOU DE PLENO ACORDO COM A COLOCAÇÃO DO DIRETOR DA PF: ESSES BANDOS DE LADRÕES, TEM QUE IR PARA CADEIA, PORQUE, É O SEU DINHEIRO E O MEU QUE ELE SURRUPIAM; VOU CONTAR UMA BREVE HISTÓRIA, A RESPEITO DE COMO ESSES BANDIDOS NOS ATRAPALHAM; NA MINHA CIDADE, MINHA IRMÃ TRABALHA NUMA CRECHE É CONCURSADA DA PREFEITURA, LÁ, ATÉ A NÃO IMPLATAÇÃO DAQUELES PROGRAMAS SOCIAIS, TINHA UMA MÃE QUE TINHA UM MARIDO QUE TRABALHAVA, E TINHAM 3 CRIANÇAS, A PARTIR DO MOMENTO QUE PASSOU RECEBER OS BENEFÍCIOS DO GOVERNO FEDERAL ELE SIMPLESMENTE, PAROU DE TRABALHAR; É POR ISSO QUE ESSES BANDIDOS NOS ATRAPALHAM, PORQUE O DINHEIRO QUE É DESVIADOS, PODERIA GERAR MAIS EMPREGOS, E PORTANTO, NÃO PRECISAVA TANTOS BENEFÍCIOS PARA AS PESSOAS CARENTES.

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