Um novo mercado pode se abrir para os advogados brasileiros: o de mediador. Se aprovado o projeto em formatação no Ministério da Justiça, a tentativa de mediação antes do início do processo civil (paraprocessual) será obrigatória. E o mediador, diz a proposta, será um advogado que terá poderes de intimar e de lavrar os termos e será remunerado pela tarefa.
O papel de fiscal da mediação cabe, segundo o projeto, à Ordem dos Advogados do Brasil. O juiz não teria papel correcional. O advogado-mediador precisaria ter ao menos três anos de exercício profissional para inscrever-se no Tribunal de Justiça.
A proposta inicial, da deputada Zulaiê Cobra (PL 4.287/2000), foi fundida em abril, com projeto apresentado pelo Instituto de Direito Processual Brasileiro, que alterou profundamente o texto.
A proposta que prevê a obrigatoriedade da mediação, segundo a sua redação, tem o objetivo de permitir a prevenção ou a solução de conflitos relacionados a processos civis. Ela seria feita em toda matéria passível de conciliação, reconciliação, transação ou acordo de outra ordem. A parte pagaria pela mediação.
A comissão formada pela Associação dos Magistrados Brasileiros, para estudar os meios de conciliação — da qual fazem parte os juízes Edson Brandão, da Justiça Criminal; Roberto Portugal, dos Juizados Especiais; e Janete Vargas Simões, presidente da Amagis do Espírito Santo –, considera o projeto de lei “preocupante”. A proposta, afirma Portugal “ganhou ares de Frankenstein”.
Autor do livro “Juizados Especiais – A Nova Mediação Paraprocessual”, Portugal avalia que “o projeto possui impropriedades e é um atentado ao bolso do contribuinte”. De acordo com a proposta, ao contrário do juizado especial, a parte terá de pagar pelo serviço do mediador que, depois de se inscrever no Tribunal de Justiça ficará disponível no cartório do distribuidor.
“Imagine que, em São Paulo, o escritório do advogado fique na Penha e a parte more em Santo Amaro. A parte terá que cruzar a cidade?”, pergunta o juiz criminal Edson Brandão. Outro questionamento diz respeito à fiscalização dos atos do mediador. Esse papel, destinado à OAB, transfere uma responsabilidade pública com a qual a entidade não teria condições de arcar.
Leia íntegra do Projeto do Instituto de Direito Processual
PROJETO DE LEI DE MEDIAÇÃO
PROJETO DE LEI N. , DE 2.003
Institui e disciplina a mediação paraprocessual como mecanismo complementar de prevenção e solução de conflitos no processo civil e dá nova redação ao artigo 331 e parágrafos do Código de Processo Civil – Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973.
O CONGRESSO NACIONAL decreta:
Capítulo I
Modalidades de Mediação
Art. 1º Considera-se mediação a atividade técnica exercida por terceiro imparcial escolhido ou aceito pelas partes, com o propósito de permitir a prevenção ou solução de conflitos de modo consensual
§1o Esta lei regula a mediação paraprocessual voltada ao processo civil.
§ 2º A mediação paraprocessual será prévia ou incidental, em relação ao processo judicial; e judicial ou extrajudicial, conforme a qualidade dos mediadores (arts. 16 e 17).
§ 3o É lícita a mediação em toda matéria que admita conciliação, reconciliação, transação ou acordo de outra ordem.
§ 4o A mediação poderá versar sobre todo o conflito ou parte dele.
§ 5º A mediação será sigilosa, salvo estipulação em contrário das partes, observando-se, em qualquer hipótese, o disposto no art. 14.
§ 6o A transação, subscrita pelo mediador, judicial ou extrajudicial, pelos transatores e advogados, constitui título executivo extrajudicial.
§ 7o A pedido de qualquer um dos interessados, a transação, obtida na mediação prévia ou incidental, poderá ser homologada pelo juiz, caso em que terá eficácia de título executivo judicial.
§ 8o Na mediação prévia, desde que requerida pelos interessados, a transação será reduzida a termo e homologada por sentença, independentemente de processo.
Capítulo II
Seção I
Da Mediação Prévia
Art. 2o A mediação prévia é sempre facultativa, podendo ser judicial ou extrajudicial.
Art. 3º O interessado poderá optar pela mediação prévia judicial. Neste caso, o requerimento adotará formulário padronizado, subscrito por ele e seu advogado, ou só por este, se tiver poderes especiais.
§1º A procuração instruirá o requerimento, facultada, no curso da mediação, a exibição de provas pré-constituídas.
§ 2º Distribuído ao mediador, o requerimento ser-lhe-á encaminhado imediatamente.
§ 3º Recebido o requerimento, o mediador designará dia, hora e local para a sessão de mediação, dando ciência aos interessados por qualquer meio eficaz.
§ 4º A cientificação ao requerido conterá a advertência de que este deverá comparecer à sessão de mediação acompanhado de advogado. Não tendo o requerido advogado constituído, o mediador solicitará à Defensoria Pública ou, na falta desta, à Ordem dos Advogados do Brasil, a designação de dativo. Na impossibilidade de atendimento imediato a essa disposição, o mediador remarcará a sessão para data tão próxima quanto possível, mantendo-se a indispensabilidade dos advogados.
§5º Os interessados, de comum acordo, poderão escolher outro mediador, judicial ou extrajudicial, dentre os cadastrados nos termos do parágrafo único do art. 5o.
Art. 4º Obtida ou frustrada a transação, o mediador lavrará o termo apropriado, descrevendo circunstanciadamente todas as cláusulas do acordo ou consignando sua impossibilidade.
Parágrafo único. O mediador devolverá ao distribuidor o requerimento, acompanhado do termo, para as devidas anotações.
Art. 5o A mediação prévia extrajudicial, a critério dos interessados, ficará a cargo de mediador independente ou de instituição especializada em mediação.
Parágrafo único. Para os fins do inciso IX do art. 6o, os mediadores independentes e as instituições especializadas em mediação deverão estar cadastrados junto ao Tribunal de Justiça (art. 17).
Seção II
Da Mediação Incidental
Art.6o Observado o disposto no § 3o do art. 1o, a tentativa de mediação incidental é obrigatória no processo de conhecimento, salvo nos seguintes casos:
I – na ação de interdição;
II – quando for autora ou ré pessoa de direito público e a controvérsia versar sobre direitos indisponíveis;
III – na falência, na concordata e na insolvência civil;
IV – no inventário e no arrolamento;
V – nas ações de imissão de posse, reivindicatória de bem imóvel e de usucapião de bem imóvel;
VI – na ação de retificação de registro público;
VII – quando o autor optar pelo procedimento do juizado especial ou pela arbitragem;
VIII – na ação cautelar; e
IX – quando a mediação prévia, realizada na forma da seção anterior, tiver ocorrido sem resultado nos cento e oitenta dias anteriores ao ajuizamento da ação.
Art 7° Nos casos de mediação incidental, a distribuição da petição inicial ao juízo interrompe a prescrição, induz litispendência e produz os efeitos previstos no artigo 593 do Código de Processo Civil – Lei nº 5.869, de 1973.
§ 1o Havendo pedido de liminar, a mediação terá curso após a respectiva decisão.
§ 2o A interposição de recurso contra a decisão liminar não prejudica o processo de mediação.
Art. 8º A petição inicial será remetida pelo juiz distribuidor ao mediador judicial sorteado.
Art. 9º Cabe ao mediador judicial intimar as partes, por qualquer meio eficaz de comunicação, designando dia, hora e local para seu comparecimento, acompanhados dos respectivos advogados.
§ 1º A intimação constituirá o requerido em mora, tornando a coisa litigiosa.
§ 2o As partes, de comum acordo, poderão escolher outro mediador, judicial ou extrajudicial, desde que registrado ou cadastrado junto ao Tribunal de Justiça (arts 16 e 17).
§3o Não sendo encontrado o requerido, ou não comparecendo qualquer das partes, estará frustrada a mediação.
§ 4º Comparecendo qualquer das partes sem advogado, o mediador procederá de acordo com o disposto na parte final do § 4o do art. 3o.
Art. 10. Obtida ou frustrada a transação, o mediador lavrará o termo apropriado, descrevendo circunstanciadamente todas as cláusulas do acordo ou consignando sua impossibilidade.
§ 1º O mediador devolverá a petição inicial ao distribuidor, acompanhada do termo, para as devidas anotações e remessa ao juízo para o qual a petição fora inicialmente distribuída.
§ 2º Ao receber a petição inicial acompanhada do termo de transação, o juiz determinará seu imediato arquivamento. Frustrada a transação, o juiz providenciará a retomada do processo judicial.
§ 3º Decorridos noventa dias da data do início da mediação sem que tenha sido encerrado o respectivo procedimento, com a obtenção ou não da transação, poderá qualquer das partes solicitar a retomada do processo judicial.
Capítulo III
Dos Mediadores
Art. 11. Consideram-se mediadores judiciais, para os fins desta lei:
I – os advogados com pelo menos 3 (três) anos de efetivo exercício de profissão jurídica, capacitados, selecionados e inscritos no Registro de Mediadores, na forma deste Capítulo; e
II – os co-mediadores, capacitados, selecionados e inscritos no Registro de Mediadores, na forma deste Capítulo.
Art. 12. Consideram-se mediadores extrajudiciais, para os fins desta lei, as instituições especializadas em mediação e os mediadores independentes.
Parágrafo único. As instituições especializadas em mediação e os mediadores independentes somente precisarão estar inscritos no Cadastro de Mediadores Extrajudiciais, previsto neste Capítulo, para atuarem na mediação incidental e para os fins de que trata o inciso IX do art. 6o.
Art. 13. Na mediação paraprocessual de que trata esta lei, os mediadores judiciais ou extrajudiciais são considerados auxiliares da justiça.
Parágrafo único. Quando no exercício de suas funções, e em razão delas, os mediadores ficam equiparados aos funcionários públicos para os efeitos da legislação penal.
Art. 14. No desempenho de sua função o mediador deverá proceder com imparcialidade, independência, aptidão, diligência e confidencialidade, vedada a prestação de qualquer informação ao juiz.
Parágrafo único. Caberá, em conjunto, à Ordem dos Advogados do Brasil, ao Tribunal de Justiça e às instituições especializadas em mediação, devidamente cadastradas a formação e seleção de mediadores, para o que serão implantados cursos apropriados, fixando-se os critérios de aprovação, com a publicação do regulamento respectivo.
Art. 15. A pedido de qualquer das partes ou interessados, ou a critério do mediador, este prestará seus serviços em regime de co-mediação, com profissional de outra área, devidamente habilitado, nos termos do § 2o deste artigo.
§ 1o A co-mediação será obrigatória nas controvérsias que versem sobre Direito de Família, devendo dela sempre participar psiquiatra, psicólogo ou assistente social.
§ 2o O Tribunal de Justiça selecionará, como co-mediadores, profissionais indicados por instituições especializadas em mediação ou por órgãos profissionais oficiais, devidamente capacitados e credenciados.
Art. 16. O Tribunal de Justiça local manterá um Registro de Mediadores Judiciais, contendo a relação atualizada de todos os mediadores habilitados a atuar no âmbito do Estado, por área profissional.
§ 1º Aprovado no curso de formação e seleção, o mediador, com o certificado respectivo, requererá inscrição no Registro de Mediadores Judiciais no Tribunal de Justiça local.
§ 2o Do Registro de Mediadores Judiciais constarão todos os dados relevantes referentes à atuação do mediador, segundo os critérios fixados pelo Tribunal de Justiça local.
§ 3o Os dados colhidos na forma do parágrafo anterior serão classificados sistematicamente pelo Tribunal de Justiça que os publicará, pelo menos anualmente, para efeitos estatísticos.
Art. 17. O Tribunal de Justiça também manterá um Cadastro de Mediadores Extrajudiciais, com a inscrição de instituições e entidades especializadas em mediação e de mediadores independentes, para fins do disposto no inciso IX do art. 6o e para atuarem na mediação incidental.
§ 1o O Tribunal de Justiça estabelecerá e divulgará os requisitos necessários à inscrição no Cadastro de Mediadores Extrajudiciais.
§ 2o Enquanto o Tribunal de Justiça não cumprir o disposto no parágrafo anterior, os mediadores extrajudiciais poderão atuar para todos os fins, sem necessidade de se cadastrarem.
Art. 18. A mediação será sempre realizada em local de fácil acesso, com estrutura suficiente para atendimento condigno dos interessados, disponibilizado por entidade pública ou particular para o desenvolvimento das atividades de que trata esta lei.
Parágrafo único. O Tribunal de Justiça fixará as condições mínimas a que se refere este artigo.
Art. 19. A fiscalização das atividades dos mediadores competirá à Ordem dos Advogados do Brasil, através de suas seções e subseções, ou aos demais órgãos profissionais oficiais, conforme o caso.
§ 1o Na mediação incidental, a fiscalização também caberá ao juiz.
§ 2o O magistrado, verificando a atuação inadequada do mediador, poderá afastá-lo de suas atividades no processo, informando à Ordem dos Advogados do Brasil ou, em se tratando de profissional de outra área, ao órgão competente, para instauração do respectivo processo administrativo.
§ 3o O processo administrativo para averiguação de conduta inadequada do mediador advogado, instaurado de ofício ou mediante representação, seguirá o procedimento previsto no Título III da Lei 8.906/94, podendo a Ordem dos Advogados do Brasil aplicar desde a pena de advertência até a de exclusão do Registro de Mediadores, tudo sem prejuízo de, verificada também infração ética, promover a entidade as medidas de que trata a referida Lei.
Art. 20. Será excluído do Registro ou do Cadastro de Mediadores aquele que:
I – assim o solicitar ao Tribunal de Justiça, independentemente de justificação;
II – agir com dolo ou culpa na condução da mediação sob sua responsabilidade;
III – violar os princípios de confidencialidade e neutralidade;
IV – funcionar em procedimento de mediação mesmo sendo impedido;
Parágrafo único. Os casos previstos nos incisos II a IV serão apurados em regular processo administrativo, nos termos dos §§ 2o e 3o do art. 19 desta lei, não podendo o mediador excluído ser reinscrito nos Registros ou Cadastros de Mediadores, em todo o território nacional.
Art. 21. Não será admitida a atuação do mediador nos termos do artigo 134 do Código de Processo Civil.
Parágrafo único. No caso de impedimento, o mediador devolverá os autos ao distribuidor, que sorteará novo mediador; se a causa de impedimento for apurada quando já iniciada a mediação, o mediador interromperá sua atividade, lavrará ata com o relatório do ocorrido e solicitará sorteio de novo mediador.
Art. 22. No caso de impossibilidade temporária do exercício da função, o mediador informará o fato ao Tribunal de Justiça para que, durante o período em que perdurar a impossibilidade, não lhe sejam feitas novas distribuições.
Art. 23. O mediador fica impedido de prestar serviços profissionais a qualquer das partes, em matéria correlata à da mediação, e, pelo prazo de 2 (dois) anos, contados a partir do término da mediação, em outra matéria.
Art. 24. Os serviços do mediador serão sempre remunerados, nos termos e segundo os critérios fixados pela norma local.
§ 1o Nas hipóteses em que for concedido o benefício da gratuidade estará a parte dispensada do recolhimento dos honorários.
§ 2o. Havendo pedido de concessão de gratuidade, o distribuidor remeterá os autos ao juiz competente para decisão.
Art. 25. Na hipótese de mediação incidental, ainda que haja pedido de liminar, a antecipação das despesas do processo, a que alude o art. 19 do Código de Processo Civil, somente será devida após a retomada do curso do processo, se a mediação não tiver produzido resultados.
Parágrafo único. O valor pago a título de honorários do mediador será abatido das despesas do processo.
Art. 26. O art. 331 e parágrafos do Código de Processo Civil – Lei nº 5.869, de 1.973, passam a vigorar com a seguinte redação:
“Art. 331. Se não se verificar qualquer das hipóteses previstas nas seções precedentes, o juiz designará audiência preliminar, a realizar-se no prazo máximo de 30 (trinta) dias, para a qual serão as partes intimadas a comparecer, podendo fazer-se representar por procurador ou preposto, com poderes para transigir.
§ 1o Na audiência preliminar, o juiz ouvirá as partes sobre os motivos e fundamentos da demanda e tentará a conciliação, mesmo tendo sido já realizada a mediação prévia ou incidental.
§ 2o A lei local poderá instituir juiz conciliador ou recrutar conciliadores para auxiliarem o juiz da causa na tentativa de solução amigável dos conflitos.
§ 3o Segundo as peculiaridades do caso, outras formas adequadas de solução do conflito poderão ser sugeridas pelo juiz, inclusive a arbitragem, na forma da lei, a mediação e a avaliação neutra de terceiro.
§ 4o A avaliação neutra de terceiro, a ser obtida no prazo a ser fixado pelo juiz, é sigilosa, inclusive para este, e não vinculante para as partes, sendo sua finalidade exclusiva a de orientá-las na tentativa de composição amigável do conflito.
§ 5o Obtido o acordo, será reduzido a termo e homologado pelo juiz.
§ 6o Se, por qualquer motivo, a conciliação não produzir resultados e não for adotado outro meio de solução do conflito, o juiz, na mesma audiência, fixará os pontos controvertidos, decidirá as questões processuais pendentes e determinará as provas a serem produzidas, designando audiência de instrução e julgamento, se necessário”. (NR)
Art. 27 . Fica acrescentado no Código de Processo Civil – Lei nº 5.869, de 1.973, o art. 331-A, com a seguinte redação:
“Art.331-A. Em qualquer tempo e grau de jurisdição, poderá o juiz ou tribunal adotar, no que couber, as providências previstas no artigo anterior”.
Art. 28. O § 1o do art. 17 e o parágrafo único do art. 18 desta lei entrarão em vigor no prazo de dois meses da data de sua publicação e os demais dispositivos 4 (quatro) meses depois.
Não bastasse a absurda lei de arbitragem, agora vem mais esse projeto para privatizar de vez a justiça, retirar dos advogados das partes a prerrogativa de eles próprios buscarem a melhor solução para seus clientes, conforme o direito aplicável ao caso concreto e, ainda, impor mais um ônus ao jurisdicionado, que além de pagar custas em valores astronômicos, agora também iriam pagar a remuneração de um "mediador", cuja importância é nenhuma e apenas servirá para emperrar ainda mais os processos.
É... a legislação brasileira está numa decadência só!
Tem que arrumar uma falcatrua para tomar dinheiro do consumidor, porque o governo não paga os precatórios quando sucumbente, assim difícil advogado aceitar causa em face de ato da administração pública, portanto é um meio abusivo de dar serviço a tantos bachareis que se habilitam e não têm clientes para por em prática a profissão. É mais um ato lesivo a quem necessita deste Poder Judiciário falido!
Com o devido respeito às opiniões em contrário, o indigitado projeto parece-me ocioso. Suas prescrições nada acrescem à atual Lei de Arbitragem, aliás, diga-se e faça-se justiça, diploma que merece todos os encômios, a despeito das opiniões adversas.
Penso que mais e melhor do que um novo estatuto legal, que nada ou muito pouco acede à nossa boa Lei de Arbitragem, dever-se-ia esclarecer a sociedade a respeito desta última, pois o problema no Brasil é a falta de cultura em se utilizar a arbitragem.
Todo procedimento de arbitragem possui uma fase de mediação. Daí a desnecessidade de uma outra forma de mediação instituída por novo regulamento legal.
Contudo, no sentido de estimular a arbitragem, algo muito mais eficaz do que o PL retroapresentado seria, por exemplo, que os Estados federados, por meio de suas leis de organização judiciária, cadastrassem Câmaras de Mediação e Arbitragem e, para todo processo distribuído, cuja matéria controvertida seja de índole patrimonial disponível, o juiz, com fulcro no art. 125, n. IV, do CPC, designaria audiência de conciliação que, resultando frustrada ofereceria às partes direcionar o feito para uma Câmara de Mediação e Arbitragem credenciada, escolhida por sorteio, esclarecendo às partes as vantagens que podem obter com esse expediente, máxime a celeridade e o amplo contraditório e a constituição de título executivo judicial ao final, com as vantagens que disso emergem. Certamente com esse procedimento a mediação e a arbitragem ganhariam em credibilidade, o Judiciário lograria desafogar-se, e estar-se-ia contribuindo sobremaneira para uma mudança definitiva de mentalidade, i.e., de cultura e cidadania. Além disso, também se deve cogitar de sistema semelhante de modo que as Câmaras de Mediação e Arbitragem credenciadas dessem plantão nas delegacias de trânsito, possibilitando àqueles que se envolvem em acidentes dessa natureza resolverem seus litígios no ato em que o noticiam.
Isto sim, penso, traria uma real contribuição para melhorar o nível de civilidade do povo brasileiro e aproximar a Justiça do cidadão fortalecendo a imagem desta como algo que emana do Sistema Judiciário e não apenas do Poder Judiciário, posto que aquele guarda íntima correlação com a idéia institucional de Justiça, integrando-se do Poder Judiciário, do Ministério Público, da ADVOCACIA e das Câmaras de Mediação e Arbitragem.
O PL acima, "data venia" está fadado ao fracasso.
(a) Sérgio Niemeyer
sergioniemeyer@adv.oabsp.org.br
Discordo da opinião do Dr. Rozemberg quanto à utilização dos (MESCS) métodos extrajudiciais de solução de conflitos: mediação e arbitragem, instrumento novo, que amplia o mercado de trabalho dos advogados (aí está o projeto de mediação ampliando também), bem como a arbitragem que se consolida cada vez mais a cada ano que passa. Aqui menciono algumas vantagens:
-celeridade: caso nenhum outro prazo seja estipulado pelas partes, o prazo máximo para prolação da sentença é de 180 (cento e oitenta) dias, contados da instituição da arbitragem (art. 23, Lei 9.307/96). E, contra a sentença, não há recurso: ela é definitiva.
-exeqüibilidade: a sentença arbitral, caso não seja cumprida, é considerada título executivo judicial. Em caso de descumprimento do acordo, pode ser acionada na Justiça. E ainda, não está sujeita a recursos ou à homologação pelo Poder Judiciário (art. 18)
-economia: as taxas cobradas pelos Tribunais Arbitrais (administração dos procedimentos e honorários dos árbitros) são inferiores à Justiça comum.
-informalidade: na arbitragem, os processos não são burocráticos. Ambiente dinâmico e flexível permitem a solução mais rápida dos conflitos, preservando-se as relações existentes.
-confidencialidade: o que for convencionado entre as partes e árbitro não poderá ser levado ao conhecimento público, exceto manifesta e expressa autorização, diferente do Poder Judiciário.
-Especialização: árbitros e mediadores especializados na matéria, decidindo com precisão as questões, economizando tempo e despesas.
-Participação direta das partes: prestígio da autonomia da vontade das partes, eis que escolhe (m) seu (s) árbitro(s) que promoverá (ão) a solução para a demanda.
Vantagens para os advogados
a) as partes podem e devem se fazer acompanhar de seus advogados, abrindo-se nova frente de trabalho, otimizando tempo e serviço.
b) percepção mais célere de seus honorários;
c) solicitação de todas as provas admissíveis em direito (perícias, auditorias, testemunhas).
Cabe aos ADVOGADOS CONHECEREM E ESTUDAREM MELHOR A LEI DA ARBITRAGEM E A DA MEDIAÇÃO e, consequentemente, especializarem-se na matéria ( a própria OAB possui um Tribunal ArbitraL), eis que no mundo inteiro ela já vem sendo aplicada há décadas( EX: USA - American Arbitration Association, CCI - Paris, etc...
Cabe ao advogado orientar seu cliente na escolha da prestação jurisdiconal: antes só existia a pública. Agora, a privada.
Mais uma instância (obrigatória) para meter a mão no bolso do cidadão.
A Justiça hoje no Brasil já é cara. Em muitos casos, não "vale a pena" levar um problema para justiça mesmo sabendo que seu direito foi violado. Aumentar o custo do processo só afasta o povo da justiça.
Bem, em primeiro plano, vemos que já existe conciliação no processo civil brasileiro e não é pouco. Os juízes a fazem,no início e qualquer fase do processo, os conciliadores da lei nº 9.099/95 fazem e as partes podem entrar em acordo a qualquer momento. Essa idéia apenas atravancaria mais e criaria mais uma instância. As lei são boas (claro que sempre precisam de alguns ajustes), devendo ser aplicadas com bom senso. Penso que as penas de litigância de má fé deveriam ser mais aplicadas, bem como aumentadas.Esta medida resolveria uma parcela considerável da lentidão da justiça. De qualquer forma, nada impede que as partes entrem em acordo e não ingressem na justiça. Mais uma tentativa que será inóqua. Nada vai mudar. Deve-se melhorar a estrutura do judiciário e MP, fiscalizar os prazos com reais aplicações de penalidades e litigância de má fé. Igualmente devem as corregedorias zelar pelo bom andamento profissional dos que fiscalizam.
Agora, fala-se em controle externo do MP e do Judiciário. Sou favorável ao controle externo da OAB igualmente. Colocar um juiz e um promotor nas sessões do tribunal de ética, com direito de vistas dos autos e possibilidade de deflagração de ações judiciais. Verificar e dar publicidade as verbas repassadas para a defensoria dativa, etc... Ora, se a Advocacia é indispensável à administração da justica (art.133 da CF) e está no mesmo título constitucional do MP (Organizãção dos poderes), deve ser fiscalizada também, inclusive a privada, pois prestam um papel e serviço social.
Lembrem-se que se fala em compra de sentenças e juízes corruptos. Só que ninguém fala quem negocia com o juiz que se vende. Seria um mau advogado? A própria parte por intermédio de seu patrono? Ambos? Isso tem que ser fiscalizado com rigor.
Sem comentários sobre essa coisa de "mediador"....
Estamos caminhando para a maior confusão geral que a humanidade já teve notícia, minha gente!!!
É Juiz se metendo a dizer o que o governo deve ou não deve fazer..... é promotor de justiça se metendo a Sherlock Holmes, atropelando os inquéritos feitos pela polícia civil.... é advogado da União fazendo greve sem sabe exatamente o que reividicar...... e agora, é essa OAB, querendo se meter em tudo que é assunto, achando que é a TODA PODEROSOSA....
Gente!!!! Todos os brasileiros sabem da qualidade do ensino de direito neste país..... junte-se a essa baixa qualidade, a falta de discernimento que uma certa maioria têm, e não tem como melhorar e vamos ter a certeza que "Advogado mediador" é uma das temeridades judiciárias que estão querendo instituir.....
Deus que nos proteja dessa aberração......
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